{"id":12690,"date":"2021-07-15T07:00:47","date_gmt":"2021-07-15T06:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12690"},"modified":"2021-06-08T11:29:40","modified_gmt":"2021-06-08T10:29:40","slug":"subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-7-fontes-dos-seus-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-7-fontes-dos-seus-livros\/","title":{"rendered":"Subindo o Monte [S\u00e9rie I (S. Jo\u00e3o da Cruz)] 7 &#8211; Fontes dos seus livros"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Subindo o Monte&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de autores carmelitas<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Fontes dos seus livros<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Vicente Rodrigues*<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Jo\u00e3o da Cruz reduz as fontes dos seus livros a tr\u00eas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ci\u00eancia \u2013 experi\u00eancia \u2013 Sagrada Escritura (nos pr\u00f3logos das suas grandes livros: Subida, nn. 1-2; CA, nn. 3-4; CB, nn. 3-4; CH A, n. 1: CH B, n. 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.Ci\u00eancia adquirida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o da Cruz, dotado de admir\u00e1vel engenho e aplica\u00e7\u00e3o ao estudo, estudou Humanidades, Filosofia e Teologia em centros muito bons e com excelentes mestres num ambiente de grande altura. As declara\u00e7\u00f5es daqueles que o conheceram de perto testemunham a abund\u00e2ncia dos seus conhecimentos. As cita\u00e7\u00f5es de outros autores: Arist\u00f3teles, Santo Agostinho, S\u00e3o Tom\u00e1s, Bo\u00e9cio, Teresa de Jesus (CB 13, 7), etc., s\u00e3o consideradas como sinais dos seus conhecimentos. N\u00e3o \u00e9 caso de entrar aqui no mundo resvaladi\u00e7o das poss\u00edveis pegadas de autores isl\u00e2micos, renano-flamengos, e outros. Como influ\u00eancia bem certa e confessada por ele \u00e9 o <em>tractatus debeatitudine<\/em> atribu\u00eddo ent\u00e3o a S\u00e3o Tom\u00e1s, obra de Helvicus Teutonicus (Herwic de Germar) do s\u00e9culo XIII-XIV (pode ver-se uma nota precisa em OC, o. 539 no fim de 2 N 18, 5 e tamb\u00e9m CB 38, 4, p0. 754, nota 4), etc. Deste escrito est\u00e3o praticamente copiados os cap\u00edtulos 19 e 20 de 2 N, toda a parte final de CH A 3, n. 71-75 e CH B, 81-85, tudo o que se refere aos \u00abprimores\u00bb de amor, de frui\u00e7\u00e3o, de louvor, de agradecimento e mais algumas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.Ci\u00eancia infusa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que conheceram a Jo\u00e3o da Cruz pessoalmente e leram os seus escritos n\u00e3o tinham a menor d\u00favida desta ci\u00eancia especial comunicada por Deus. Abundam as declara\u00e7\u00f5es a este respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Evangelista, seu confessor e confidente e amanuense, diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab&#8230; A sua alma era como um templo de Deus, sobrenaturalmente ilustrado, onde se ouviam or\u00e1culos divinos para as almas com quem ele comunicava\u00bb (BMC 13, 388).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Fernando da M\u00e3e de Deus numa declara\u00e7\u00e3o ampla e detalhada assegura que estes livros&#8230; est\u00e3o escritos por t\u00e3o alto e admir\u00e1vel estilo\u00a0 e est\u00e3o t\u00e3o cheios de celestial erudi\u00e7\u00e3o, que esta testemunha julga e entende, como ouviu dizer a outras pessoas espirituais, n\u00e3o se ter adquirido nem estudado esta ci\u00eancia divina com engenho humano, mas revelada e ensinada pelo Pai dos humildes, que ilumina e ensina a quem Sua Majestade \u00e9 servido\u00bb (BMC 14, p. 335).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do que dizem estes e outros companheiros e conhecidos podem ler-se as declara\u00e7\u00f5es ou confiss\u00f5es pessoais do pr\u00f3prio Santo (CB, Pr\u00f3logo, n. 1-2; CH B, pr\u00f3logo, n. 1).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><strong> \u2013 Experi\u00eancia<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pessoal ou da sua pr\u00f3pria alma ou pessoa, como declara especialmente em CA e CB, nos pr\u00f3logos respectivos, n. 1. As testemunhas testemunham tamb\u00e9m que Jo\u00e3o da Cruz fala nos seus livros das suas experi\u00eancias pessoais. O mencionado Jo\u00e3o Evangelista, testemunha de excep\u00e7\u00e3o, declara:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab&#8230; foi este santo de grand\u00edssima ora\u00e7\u00e3o e muito dado a ela como se ver\u00e1 pelos seus livros, os quais vi compor, e nunca lhe vi abrir livros para isto, sen\u00e3o do trato que tinha com Deus, pois v\u00ea-se bem que <em>\u00e9 experi\u00eancia e exerc\u00edcio<\/em>, <em>e que passava por ele aquilo que ali diz<\/em>\u00bb (BMC 13, 585).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 que esquecer a import\u00e2ncia da <em>santidade do autor<\/em>, como fonte tamb\u00e9m da sua doutrina pelo caminho da intercomunica\u00e7\u00e3o da santidade e da experi\u00eancia. A <em>santidade<\/em> de que estava revestido \u00e9 m\u00e3e e filha da experi\u00eancia e tamb\u00e9m m\u00e3e da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Experi\u00eancia alheia<\/em> ou de outras almas: englobando as duas experi\u00eancias, a sua e a alheia, escreve: \u00ab&#8230; n\u00e3o penso afirmar coisa minha, fiando-me de experi\u00eancia que por mim tenha passado, nem do que noutras pessoas espirituais conheci ou delas ouvi, ainda que de um e outro me penso aproveitar\u00bb (CA e CB, pr\u00f3logo n. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nos seus livros, sobretudo nas obras maiores, alude a esta experi\u00eancia alheia: 2 S 2, 16; 2 S 26, 17: \u00abde que temos muit\u00edssima experi\u00eancia\u00bb. A experi\u00eancia n\u00e3o muito consoladora ou n\u00e3o t\u00e3o agrad\u00e1vel de tantas almas obrigou-o, de certo modo, a escrever: veja-se Subida, pr\u00f3logo, nn. 3-9; CH B 3, 2<strong>7.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m aqui abundam os testemunhos hist\u00f3ricos, como se pode ver percorrendo o que dissemos ao falar do magist\u00e9rio oral, o falar do seu <em>discipulado<\/em>.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li><strong> \u2013 Sagrada Escritura<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sagrada Escritura \u00e9 a fonte principal da obra escrita sanjoanina por v\u00e1rias raz\u00f5es:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Pelas pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es do Santo que p\u00f5e a Escritura acima das outras duas fontes. a ci\u00eancia e a experi\u00eancia, relativizando-as muito e valorizando-as a partir da mesma Escritura: \u00abnem me fiarei da experi\u00eancia nem da ci\u00eancia, pois uma e outra podem faltar e enganar; mas&#8230; aproveitar-me-ei&#8230; da divina Escritura, porque guiando-nos por ela n\u00e3o poderemos errar, pois quem nela fala \u00e9 o Esp\u00edrito Santo\u00bb (Subida, pr\u00f3logo, n. 2). Na Chama falar\u00e1 de ir \u00abapoiando-se na Escritura Divina\u00bb (Pr\u00f3logo, n, 1) e no C\u00e2ntico volta a confrontar a ci\u00eancia e a experi\u00eancia com a Sagrada Escritura: \u00abN\u00e3o penso afirmar coisa minha, fiando-me de experi\u00eancia que por mim tenha passado, nem do que noutras pessoas espirituais tenha conhecido ou delas ouvido, ainda que de uma e de outra penso aproveitar-me, confirmando e declarando com autoridades da Escritura divina, pelo menos naquilo que parecer mais dif\u00edcil de entender\u00bb (Pr\u00f3logo, n. 4).<\/li>\n<li>b) Pelo facto material das cita\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas e impl\u00edcitas que se encontram nos seus livros e pela impregna\u00e7\u00e3o b\u00edblica que transcende das suas p\u00e1ginas.<\/li>\n<li>c) Pela import\u00e2ncia doutrinal que atribui a certos textos b\u00edblicos concretos que, por isso, se tornam como eixos da sua exposi\u00e7\u00e3o ou de uma s\u00e9rie de ideias que deixam transluzir, muitas vezes, o mundo e o transfundo das suas experi\u00eancias ou viv\u00eancias.<\/li>\n<li><strong> \u2013 Como exemplos podem aduzir-se alguns bens significativos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00ba \u00ab<em>Amar\u00e1s o teu Senhor Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma, com todas as tuas for\u00e7as<\/em>\u00bb (Dt 6, 5: 3 S 16,1; 2 N 11, 3-4: amplid\u00e3o, din\u00e2mica e efic\u00e1cia do preceito do amor que abrange tudo o que \u00abo homem espiritual deve fazer\u00bb e o que Jo\u00e3o da Cruz lhe pode ensinar para chegar a Deus e unir-se com Ele em perfei\u00e7\u00e3o de amor. A raz\u00e3o de ser de toda a noite escura \u2013 activa e passiva \u2013 \u00e9 para que o homem com tudo o que \u00e9, pode e vale cumpra com perfei\u00e7\u00e3o o preceito do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00ba \u00ab<em>Participantes da natureza divina<\/em>\u00bb (2 Pe 1, 4; CB 39, 6; CA 38, 4; assim traduz o t\u00e3o usado texto da ep\u00edstola cat\u00f3lica petrina: \u00ab<em>divine consortesnaturae<\/em>\u00bb. E, apoiando-se nessas palavras, afirma com toda a energia e decis\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o da vida de Deus, dando claramente a entender que \u00aba alma participar\u00e1 do mesmo Deus, que ser\u00e1 operando n\u2019Ele, juntamente com Ele, a obra da Sant\u00edssima Trindade\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assiste-se aqui \u00e0 culmina\u00e7\u00e3o do gesto de Deus que, j\u00e1 no baptismo, \u00abinclinando-se para a alma com miseric\u00f3rdia, imprime e infunde nela o seu amor e gra\u00e7a, com que e formoseia e levanta tanto, que a torna <em>consorte<\/em> (= companheira \/ participante) <em>da mesma Divindade<\/em>\u00bb (CB 32, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00ba. \u00ab<em>O que Deus tem preparado para os que O amam, nem o olho jamais o viu, nem o ouvido ouviu, nem caiu no cora\u00e7\u00e3o e no pensamento do homem<\/em>\u00bb (1 Co 2, 9; Is 64, 4: 2 S 4, 4; 2 S 8, 4; 3 S 12, 1; 3 S 24, 2; 2 N 9, 4; CB 38, 6). Na \u00abutiliza\u00e7\u00e3o combinada de Is 64, 3 e de Jer 3, 16, ou cita\u00e7\u00e3o do ap\u00f3crifo Apocalipse de Elias\u00bb feita por S\u00e3o Paulo encontra Jo\u00e3o da Cruz a grande base para planear todo o itiner\u00e1rio espiritual a partir da transcend\u00eancia de Deus que exige a partir de dentro que se supere tudo o que \u00e9 meio remoto e nos estabele\u00e7amos nos meios unicamente v\u00e1lidos que s\u00e3o as virtudes teologais com todos os dinamismos que implantam na pessoa humana. No primeiro lugar indicado \u00e9 onde apresenta o plano aludido. Nos outros vai fazendo as aplica\u00e7\u00f5es oportunas e correspondentes, de modo a manter sempre vigente a transcend\u00eancia, como pauta de comportamento para alcan\u00e7ar a meta: o que Deus tem preparado para os que O amam, isto \u00e9, Ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00ba. \u00ab<em>Quem me ama, ser\u00e1 amado por meu Pai, e Eu am\u00e1-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele&#8230;; e meu Pai am\u00e1-lo-\u00e1 e viremos a ele e faremos nele morada<\/em>\u00bb (Jo 14, 21-23; 2 S 26, 10; CH B pr\u00f3logo 2; CH A pr\u00f3logo 2; CH B 1, 15: apresenta\u00e7\u00e3o da inhabita\u00e7\u00e3o de Deus na alma de um modo din\u00e2mico, isto \u00e9, \u00abfazendo-o a ele (o fiel crist\u00e3o) viver e morar no Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo em vida de Deus\u00bb; e esse morar de assento nele d\u00e1-se \u00abilustrando-lhe o entendimento divinamente na sabedoria do Filho, e deleitando-lhe a vontade no Esp\u00edrito Santo, e absorvendo-o o Pai poderosa e fortemente no abra\u00e7o abissal da sua do\u00e7ura\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00ba. \u00ab<em>Qu\u00e3o apertada \u00e9 a porta e estreito o caminho que conduz \u00e0 vida e s\u00e3o poucos os que o encontram<\/em>!\u00bb (Mt 7, 14; 2 S 7, 2-3; 1 N 11, 4: a porta \u00e9 Cristo, e, em definitivo, Cristo crucificado e ressuscitado, que n\u00e3o \u00e9 menos crucificante. A espessura da sua cruz leva \u00e0 espessura da sua luz e \u00e0 insond\u00e1vel riqueza do seu mist\u00e9rio (CB 36, 10-13) \u00abporque para entrar nestas riquezas da sua sabedoria, a porta \u00e9 a cruz, que \u00e9 apertada\u00bb (Ibid.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Se algu\u00e9m quiser vir ap\u00f3s mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, h\u00e1-de perd\u00ea-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, h\u00e1-de salv\u00e1-la<\/em>\u00bb (Mc 8, 34-35; 2 S 7, 4 ss: Palavras de Jesus que se integram com as anteriores e no mesmo contexto sanjoanino, mas com uma refer\u00eancia e expressividade maior e com uma liga\u00e7\u00e3o mais directa \u00e0 pessoa de Cristo que vai \u00e0 frente do caminho. O seguimento implica a ren\u00fancia evang\u00e9lica a tudo: at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria vida. E quem se fizer \u00abse perder\u00bb por Cristo ser\u00e1 encontrado por Ele (cf. CB 29, 7-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00ba. \u00ab<em>Guardarei para ti a minha fortaleza<\/em>\u00bb (Sl 58, 10; 1 S 10, 1; 3 S 16, 1; 2 N 11, 3; CB 28, 8; CA 19, 7: o Santo tem um entusiasmo particular por esta passagem do salmo. Conforme o lia na vers\u00e3o da Vulgata: <em>fortitudinem meam ad te custodiam<\/em>, falava-lhe da fortaleza, da virtude da fortaleza e, neste sentido o explora, embora o texto original fale de outra coisa: de Deus como ref\u00fagio, cidadela, fortaleza, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jo\u00e3o da Cruz \u00aba fortaleza da alma consiste nas suas pot\u00eancias, paix\u00f5es e apetites, tudo o qual \u00e9 governado pela vontade, pois quando a vontade endere\u00e7a estas pot\u00eancias, paix\u00f5es e apetites para Deus e as desvia de tudo o que n\u00e3o \u00e9 Deus, ent\u00e3o guarda a fortaleza da alma para Deus, e, assim, vem a amar a Deus com toda a sua fortaleza\u00bb (3 S 16, 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7\u00ba. \u00ab<em>Quem n\u00e3o nascer da \u00e1gua e do Esp\u00edrito n\u00e3o pode entrar no Reino de Deus<\/em>\u00bb (Jo 3, 5: 2 S 5, 5: consolidam-se aqui as ra\u00edzes baptismais da espiritualidade sanjoanina e a plenitude \u00e0 qual h\u00e1-de chegar o baptizado. A espiritualidade baptismal e todas as etapas do caminho nela inscritas deixa-as Jo\u00e3o da Cruz bem assinaladas em CB 23, 6. Cf. tamb\u00e9m CA 38, 6 onde se fala da \u00ablimpeza baptismal\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8\u00ba. \u00ab<em>Aquele que se h\u00e1-de unir com Deus, conv\u00e9m-lhe que creia no seu ser<\/em>\u00bb (Hb 11, 6). O texto da Vulgata corrente dizia assim: \u00abcredere enim oportet accedentem ad Deum <em>quia<\/em> est\u00bb, mas Jo\u00e3o da Cruz cita-o da seguinte maneira: accedentem ad Deum oportet credere <em>quod<\/em> est\u00bb e d\u00e1 a tradu\u00e7\u00e3o que transcrevemos, como quem se fixa n\u00e3o no facto da exist\u00eancia de Deus (quia est), mas no que \u00e9 (quod est). Isto d\u00e1-lhe p\u00e9 para insistir poderosamente na transcend\u00eancia do ser de Deus e reafirmar uma e outra vez essa verdade substancial. Em 2 S 9,1, citando o texto b\u00edblico s\u00f3 em castelhano assim: \u00ab<em>aquele que se h\u00e1-de juntar com Deus, conv\u00e9m-lhe que creia<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9\u00ba. \u00ab<em>Os que s\u00e3o movidos pelo Esp\u00edrito de Deus, s\u00e3o filhos de Deus<\/em>\u00bb (Rm 8, 14; 3 S 2, 16; CB 35, 5; CA 34, 4; CH B 2, 34; CH A 2, 30: Jo\u00e3o da Cruz encontra neste texto paulino uma esp\u00e9cie de defini\u00e7\u00e3o ou de configura\u00e7\u00e3o dos \u00abfilhos de Deus\u00bb, de modo que quem for mais d\u00f3cil \u00e0 mo\u00e7\u00e3o divina vir\u00e1 a ser o melhor filho de Deus. O maior exemplo de uma criatura humana pura encontra-o na Virgem Maria, a quem exalta como ningu\u00e9m em 3 S 2, 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10\u00ba. \u00ab<em>Aquele que se une ao Senhor faz com Ele um s\u00f3 esp\u00edrito<\/em>\u00bb (1 Co 6, 17: 3 S 2, 8; CB 22, 3: Jo\u00e3o da Cruz deduz da afirma\u00e7\u00e3o paulina as conclus\u00f5es para ele mais evidentes: \u00abdaqui \u00e9 que as opera\u00e7\u00f5es da alma unida s\u00e3o do Esp\u00edrito Divino, e s\u00e3o divinas\u00bb; \u00abs\u00e3o duas naturezas num esp\u00edrito e amor\u00bb. E esclarece ainda mais por uma compara\u00e7\u00e3o: \u00abBem assim como quando a luz da estrela ou da candeia se junta e une com a do sol, pois j\u00e1 quem luz nem \u00e9 a estrela nem a candeia, mas o sol, tendo em si difundidas as outras luzes\u00bb (CB 22, 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11\u00ba. \u00ab<em>O que antigamente Deus falou pelos profetas aos nossos pais de muitos modos e maneiras, agora, por \u00faltimo, nestes dias falou-nos no Filho tudo de uma vez<\/em>\u00bb (Hb 1, 1; 2 S 22, 4 ss). Este texto, um dos mais belos e importantes da B\u00edblia, adquire na pena de Jo\u00e3o da Cruz o relevo que merece e, partindo dele, escreve como nunca de Cristo Palavra, \u00fanica palavra, a s\u00f3 Palavra, a palavra definitiva do Pai; e f\u00ea-lo \u00abdando-nos o Tudo, que \u00e9 o seu Filho\u00bb, dando-no-lo \u00abpor Irm\u00e3o, Companheiro e Mestre, Pre\u00e7o e Pr\u00e9mio\u00bb. Assim se compreende que Cristo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a Palavra dita, mas a Palavra dada e oferecida, Palavra viva e vivificante e riqueza insond\u00e1vel pois no Filho de Deus \u00ab<em>est\u00e3o escondidos todos os tesouros de sabedoria e ci\u00eancia de Deus<\/em>\u00bb (Cl 2, 3: 2 S 22, 6; CB 37, 4) e tamb\u00e9m n\u2019Ele, \u00ab<em>em Cristo mora corporalmente toda a plenitude da divindade<\/em>\u00bb (Cl 2, 9; 2 S 22, 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12\u00ba. \u00ab<em>J\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim<\/em>\u00bb (Gl 2, 20; CB 12, 7; CA 11, 6; CH B 2, 34; CH A 2, 30). Neste texto paulino, com o qual se inflamam os grandes m\u00edsticos, Jo\u00e3o da Cruz encontra como o resultado final e mais apetec\u00edvel da transforma\u00e7\u00e3o da morte em vida, do homem velho no homem novo. Real\u00e7a-o muito particularmente ao comentar em CH B e em CH A, lugares citados, o verso: <em>matando, morte em vida tens trocado<\/em>. Depois de recordar outros textos paulinos \u2013 Rm 8, 13; Ef 4, 22 sobre o homem velho e o homem novo \u2013, procura explic\u00e1-lo de algum modo, iniciando: \u00abE como cada criatura vive por sua opera\u00e7\u00e3o, como dizem os fil\u00f3sofos, a alma vive vida de Deus, porque tem as suas opera\u00e7\u00f5es em Deus devido \u00e0 uni\u00e3o com Ele; e assim, a sua morte <em>trocou-se em vida<\/em>, ou seja, a sua vida animal em vida espiritual\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13\u00ba. \u00ab<em>O dia transmite ao outro a sua mensagem e a noite a d\u00e1 a conhecer \u00e0 outra noite<\/em>\u00bb (Sl 18, 3; 2 S 3, 5). Jo\u00e3o da Cruz tira grande proveito desta passagem b\u00edblica como se pode ver pelo simples coment\u00e1rio que faz dela:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e a noite,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que \u00e9 Deus \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que \u00e9 a f\u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">na bem-aventuran\u00e7a,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 na Igreja militante<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">onde j\u00e1 \u00e9 dia, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 onde ainda \u00e9 de noite,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">aos bem-aventurados\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00e0 Igreja e,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">anjos e almas, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 consequentemente, a qualquer alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que j\u00e1 s\u00e3o dia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">comunica-lhes \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 mostra<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e pronuncia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A PALAVRA, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ci\u00eancia, a qual lhe \u00e9 noite<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que \u00e9 SEU FILHO, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 pois est\u00e1 privada da clara sabedoria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para que O saibam \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 beat\u00edfica e, na presen\u00e7a da f\u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e O gozem\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 cega da sua luz natural\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>Estes exemplos podem ser suficientes para mostrar o valor que atribui \u00e0 palavra de Deus escrita. Al\u00e9m do valor dos textos b\u00edblicos, Jo\u00e3o da Cruz assume certas personagens b\u00edblicas com toda a carga simb\u00f3lica que podem conter, por exemplo, Tobias, Job, Jeremias, David, Maria Madalena, Sans\u00e3o, Salom\u00e3o, a Samaritana, Raquel, etc.,. Digo carga simb\u00f3lica sem que o Santo pense desvanecer a viv\u00eancia ou biografia de cada uma destas personagens, tal como ele as v\u00ea. Servem-lhe, na circunst\u00e2ncia concreta, para definir os diversos estados da alma: \u00e2nsias, amor, enamoramento, escravid\u00e3o e sujei\u00e7\u00e3o aos apetites, vida contemplativa, etc.<\/li>\n<li>Mais uma prova de como a Sagrada Escritura \u00e9 fonte, e principalmente, se encontra no dado da inspira\u00e7\u00e3o geral \u2013 para todo um livro ou \u2013 quanto \u00e0 mat\u00e9ria e \u00e0 forma que lhe subministra a B\u00edblia: <em>exemplo singular<\/em>: <em>o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos <\/em>e o <em>C\u00e2ntico Espiritual<\/em>. O pr\u00f3prio livro da Subida-Noite, inicialmente, e muito mais se nos fixarmos nas 8 can\u00e7\u00f5es ou esquema po\u00e9tico deste d\u00edptico, se encontra nesta linha.<\/li>\n<li>J\u00e1 h\u00e1 alguns anos nos det\u00ednhamos numa comprova\u00e7\u00e3o emp\u00edrica que permanece v\u00e1lida:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O Romance sobre o evangelho \u00abin principio erat Verbum\u00bb arranca com o pr\u00f3logo de S\u00e3o Jo\u00e3o e recolhe outras passagens do mesmo evangelista; de S\u00e3o Lucas (1, 26 ss) toma o facto da Anuncia\u00e7\u00e3o que canta no romance 8; do mesmo evangelista (2, 1 ss) o nascimento do Senhor, tema do romance 9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A promessa feita pelo Esp\u00edrito Santo \u00abao bom velho Sime\u00e3o\u00bb, romance 6, \u00e9 tomada tamb\u00e9m de S\u00e3o Lucas (2, 22 ss). O romance 5 \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o fin\u00edssima e profunda de textos b\u00edblicos, especialmente do profeta Isa\u00edas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O Romance sobre o salmo \u00ab<em>superflumina Babylonis<\/em>\u00bb transparece, sem mais, a sua origem b\u00edblica.<\/p>\n<p>9. Nas estrofes finais e mais pessoais de <em>que bem sei eu a fonte<\/em> v\u00ea o discurso-promessa eucar\u00edstica do p\u00e3o do c\u00e9u do evangelho de Jo\u00e3o, cap. 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Navidenha<\/em>, n\u00e3o faz falta diz\u00ea-lo, \u00e9 evoca\u00e7\u00e3o concentrada de Lucas, cap. 2, vv. 4-7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10.<\/strong><em>Numa noite escura<\/em>, n\u00e3o est\u00e1 talvez inspirada nos lances amorosos do <em>C\u00e2nticos dos C\u00e2nticos<\/em>, e no \u00caxodo lento da liturgia da vig\u00edlia pascal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Acaba j\u00e1<\/em>, <em>se queres<\/em>\u00bb, quinto verso da primeira can\u00e7\u00e3o da Chama \u00e9 vers\u00e3o po\u00e9tica e m\u00edstica das duas peti\u00e7\u00f5es do Pai-nosso: <em>venha o teu reino<\/em>; <em>fa\u00e7a-se a tua vontade<\/em>. Nem se pode esquecer o grande elogio que faz da passagem b\u00edblica do Patern\u00f3ster em 3 S 44, 4.<\/p>\n<p>11. A \u00faltima estrofe de um pastorinho \u00e9 totalmente b\u00edblica. Parece-nos a und\u00e9cima e duod\u00e9cima esta\u00e7\u00e3o da via-sacra; Jesus cravado e morto na Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faltava nada a Jo\u00e3o da Cruz, como homem de letras, nem como poeta nem como prosista, para ser um escritor extraordin\u00e1rio de coisas espirituais, um mestre \u00fanico de teologia espiritual e um guia de alma por meio do seu magist\u00e9rio de viva voz e dos seus livros que lhe asseguram a sobreviv\u00eancia mais plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas fontes dos seus livros s\u00e3o usadas por ele conforme os ensinamentos e o esp\u00edrito da santa M\u00e3e Igreja cat\u00f3lica apost\u00f3lica romana, como diz nos pr\u00f3logos de Subida, C\u00e2ntico e Chama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que se tenha esfor\u00e7ado por penetrar e explicar convenientemente as realidades mais profundas da vida de Deus no homem ficou sempre, nestes casos, com a insatisfa\u00e7\u00e3o conatural a quem quer falar do inef\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mostra a sua ansiedade de escritor nos pr\u00f3logos de Subida, C\u00e2ntico, Chama; no pr\u00f3logo desta \u00faltima obra confessa que se atreve a dizer o que souber contando que \u00abse entenda que tudo o que se disser \u00e9 tanto menos do que ali h\u00e1 como o \u00e9 o pintado do vivo\u00bb (n. 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">* Vicente Rodrigues.<em> 100 Fichas sobre S. Jo\u00e3o da Cruz. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas. Pp. 155 -161.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\">Imagem:<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jo%C3%A3o_da_Cruz#\/media\/Ficheiro:El_Monte_Carmelo.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> A Subida do Monte Carmelo<\/a> segundo a primeira edi\u00e7\u00e3o de 1618 de Diego de Astor. Segundo Dicken, esta imagem n\u00e3o \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o fiel do pensamento de Jo\u00e3o e nem \u00e9 fiel ao desenho original de Jo\u00e3o. Ela foi publicada pela primeira vez em 1929 e \u00e9 uma c\u00f3pia de 1759 da original (perdida), quase certamente desenhada pelo pr\u00f3prio Jo\u00e3o. \u00c9 esta, por\u00e9m, que acabou influenciando as representa\u00e7\u00f5es do &#8220;Monte&#8221;, como a que aparece na edi\u00e7\u00e3o veneziana de 1748 e na genovesa de 1858 das obras de Jo\u00e3o.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Subindo o Monte&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12691,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-12690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-subindo-o-monte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12690"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12692,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12690\/revisions\/12692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12691"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}