{"id":12684,"date":"2021-07-01T07:00:46","date_gmt":"2021-07-01T06:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12684"},"modified":"2021-06-08T11:20:37","modified_gmt":"2021-06-08T10:20:37","slug":"subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-5-isabel-da-trindade-tributaria-de-joao-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-5-isabel-da-trindade-tributaria-de-joao-da-cruz\/","title":{"rendered":"Subindo o Monte [S\u00e9rie I (S. Jo\u00e3o da Cruz)] 5 &#8211; Isabel da Trindade, tribut\u00e1ria de Jo\u00e3o da Cruz"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Subindo o Monte&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de autores carmelitas<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Isabel da Trindade, tribut\u00e1ria de Jo\u00e3o da Cruz<\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1<\/strong>. Logo que come\u00e7amos a ler os escritos de Isabel, damo-nos imediatamente conta que ela se move na \u00f3rbita teresiano-sanjoanina da interioridade<strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel procura favorecer continuamente a capacidade e atitude de entrar em si mesma e considerar e viver as riquezas interiores, a capacidade e atitude de se encontrar com Deus no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o e de se encontrar verdadeiramente consigo mesma; isto pode chamar-se tamb\u00e9m capacidade de solid\u00e3o com Deus, ser capaz de aguentar a solid\u00e3o com Deus, as suas alt\u00edssimas temperaturas, que se converte facilmente na companhia e conviv\u00eancia com Deus Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Teresa e Jo\u00e3o da Cruz \u2013 pais e mestres de Isabel \u2013 fundam sobre isto muit\u00edssimas p\u00e1ginas dos seus livros e sobre isto fundamentaram a sua vida crist\u00e3, religiosa e espiritual e sobre isto chamam continuamente a aten\u00e7\u00e3o no caminho para Deus. Evangelizam a presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s, anterior a qualquer racioc\u00ednio humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Isabel d Trindade serve-se muito mais dos escritos de Jo\u00e3o da Cruz que dos de Santa Teresa de Jesus. O livro do Santo que mais cita \u00e9 o C\u00e2ntico Espiritual. Esta predilec\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo se percorrermos os lugares em que refere palavras, ideias de Jo\u00e3o da Cruz \u2013 mostra como se fixava nos textos sanjoaninos mais alusivos \u00e0 interioridade, a procurar a Deus em si, etc. Nada disto \u00e9 de estranhar. Ao estar t\u00e3o sensibilizada com a realidade de inhabita\u00e7\u00e3o, e da consequente busca e interioriza\u00e7\u00e3o constante, procurando combater a dispers\u00e3o, a desagrega\u00e7\u00e3o, a superficialidade, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que sintonizasse especialmente com essas passagens sanjoninas mais significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Temos um exemplo no <em>C\u00e9u na f\u00e9<\/em>. Cada uma das medita\u00e7\u00f5es abre com um texto b\u00edblico, e \u00e0 volta dessa palavra de Deus vai tecendo a reflex\u00e3o com medita\u00e7\u00f5es pessoais entrela\u00e7adas com outros textos b\u00edblicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira destas medita\u00e7\u00f5es apoia-se na ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de CRISTO: \u00abPai, quero que onde eu estiver, aqueles que v\u00f3s me destes, a\u00ed estejam comigo, a fim de que contemplem a gl\u00f3ria que me haveis dado, porque me amastes antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo\u00bb (Jo 17, 24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Depois de afirmar claramente o nosso trabalho e a nossa morada no tempo e na eternidade, cita imediatamente a Jo\u00e3o da Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abImporta, pois, saber onde devemos viver com Ele para realizar o seu sonho divino. \u201cO lugar onde o Filho de Deus est\u00e1 escondido \u00e9 o seio do Pai, ou a Ess\u00eancia divina, invis\u00edvel a todo o olhar mortal, inacess\u00edvel a toda a intelig\u00eancia humana\u201d (CB 1, 3), o que fazia dizer a Isa\u00edas: \u00abV\u00f3s sois verdadeiramente um Deus escondido (45, 15: o mesmo santo cita em CB 1, 3 este texto do profeta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel encerra beste texto sanjoanino toda a sua doutrina, pois o C\u00e2ntico Espiritual n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o buscar e buscar constantemente a Deus escondido na alma e, quanto mais se encontra mais se busca, mas sempre num processo de interioriza\u00e7\u00e3o, de encontro e reencontro, de sentimento de aus\u00eancia e de presen\u00e7a, pois n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o mal de aus\u00eancia, o sentimento de aus\u00eancia, \u00e9 sinal inequ\u00edvoco de presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Passado um ano da sua entrada no Carmelo menciona com delicadeza a Jo\u00e3o da Cruz numas das suas cartas: \u00abComo n\u2019Ele o tempo corre veloz! Faz um ano que Ele me introduziu na arca aben\u00e7oada e agora, como diz o bem-aventurado Pai, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz no seu C\u00e2ntico: \u00abA rolinha Nas margens verdejantes encontrou O t\u00e3o desejado companheiro!\u00bb Sim, encontrei Aquele que a minha alma ama, esse \u00danico Necess\u00e1rio, e mais ningu\u00e9m mo pode arrebatar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Congratula-se com um novi\u00e7o carmelita descal\u00e7o que vai encontrando no esp\u00edrito da Ordem tantas riquezas espirituais e diz-lhe: \u00abS\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, o nosso bem-aventurado Pai, escreveu sobre isto p\u00e1ginas divinas, no seu <em>C\u00e2ntico<\/em> e na sua <em>Chama Viva de Amor<\/em>; este querido livro faz a alegria da minha alma, que nele encontra um alimento inteiramente substancial\u00bb. O elogio destas duas obras contrasta com o facto de n\u00e3o ter lido nem <em>Subida do Monte Carmelo <\/em>nem a <em>Noite Escura<\/em>. Tendo passado t\u00e3o poucos anos no convento n\u00e3o \u00e9 de estranhar que n\u00e3o conseguisse ler e estudar estas \u00faltimas duas obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Ao referir-se ao tema da interioriza\u00e7\u00e3o volta sempre ao C\u00e2ntico. Numa carta a uma amiga exorta-a a viver na maior intimidade com Deus e oferece-lhe um fragmento: \u00abEscute o que nos diz o nosso Pai, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e, por conseguinte, seu Pai tamb\u00e9m, j\u00e1 que \u00e9 exactamente minha irm\u00e3zinha: \u201c\u00d3 mais bela das criaturas, alma que desejais t\u00e3o ardentemente conhecer o lugar onde se encontra o vosso Bem-Amado, para o procurar e vos unirdes a Ele, sois v\u00f3s pr\u00f3pria o ref\u00fagio onde Ele se abriga, a morada em que se esconde. O vosso Bem-Amado, o vosso Tesouro, a vossa \u00fanica Esperan\u00e7a est\u00e1 t\u00e3o perto de v\u00f3s que Ele habita em v\u00f3s mesma; e, a bem dizer, n\u00e3o podeis estar sem Ele!\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Cada vez que cita o \u00abnosso S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz\u00bb Isabel fica de \u00e2nimo levantado. Nesta carta procurou \u00abcarmelitanizar\u00bb a sua amiga. Noutra quer faz\u00ea-lo com o abade Chevignard: \u00abLeio neste momento p\u00e1ginas muito belas do nosso bem-aventurado Pai S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz sobre a transforma\u00e7\u00e3o da alma nas tr\u00eas Pessoas divinas. Senhor Abade, a que abismo de gl\u00f3ria somos chamados! Oh! compreendo os sil\u00eancios, os recolhimentos dos santos que j\u00e1 n\u00e3o podiam sair da sua contempla\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m Deus os podia levar aos cumes divinos em que o \u201cum\u201d se consume entre Ele e a alma tornada esposa no sentido m\u00edstico da palavra. O nosso bem-aventurado Pai diz que, ent\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo a eleva a uma altura t\u00e3o admir\u00e1vel que a torna capaz de produzir em Deus a mesma aspira\u00e7\u00e3o de amor que o Pai produz com o Filho, e o Filho com o Pai, aspira\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo! E dizer que o santo Deus nos chama, pela nossa voca\u00e7\u00e3o, a viver nestas santas claridades! Que mist\u00e9rio ador\u00e1vel de caridade!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Isabel elogia o <em>C\u00e2ntico Espiritual<\/em> e a <em>Chama de Amor viva<\/em> bem como os <em>Ditos de Luz e Amor <\/em>do Santo. Oferecidos por uma sua amiga, agradece-os delicadamente: \u00abObrigada tamb\u00e9m pelas M\u00e1ximas do nosso Pai, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, que fazem as del\u00edcias da minha alma. Que tesouro que me enviou, e como estou feliz por o ter \u00e0 m\u00e3o e por a\u00ed poder beber em todas as minhas necessidades!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10.<\/strong><em>Resumindo<\/em>: Isabel da Trindade \u00e9 uma das grandes disc\u00edpulas de Jo\u00e3o da Cruz, a quem cita pelo menos 180 vezes. A doutrina do Santo serve-lhe para iluminar as suas ideias sobre as realidades mais profundas da vida espiritual; para encaminhar as suas pr\u00f3prias experi\u00eancias espirituais, para entusiasmar outras pessoas com o ideal de santidade proposto por Jo\u00e3o da Cruz e fascin\u00e1-las com as riquezas contidas na intimidade com Deus Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. Isabel deve a Jo\u00e3o da Cruz tantas luzes, e Jo\u00e3o da Cruz, por sua vez, teria que agradecer a Isabel que, ao evangelizar os crentes sobre a busca de Deus e a inhabita\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade esteja tamb\u00e9m a propagar as suas grandes mensagens de altura e profundidade.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"11\">\n<li>Final:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel \u00e9 outra das grandes mensageiras da doutrina de Jo\u00e3o da Cruz e, por meio dela, o doutor m\u00edstico continua a falar e a fazer novos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">* Vicente Rodrigues.<em> 100 Fichas sobre S. Jo\u00e3o da Cruz. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas. Pp. 123 -125.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: Isabel da Trindade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Subindo o Monte&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12685,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-12684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-subindo-o-monte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12684"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12686,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12684\/revisions\/12686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}