{"id":12650,"date":"2021-06-03T19:21:38","date_gmt":"2021-06-03T18:21:38","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12650"},"modified":"2021-06-03T19:21:59","modified_gmt":"2021-06-03T18:21:59","slug":"subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-1-carta-de-apresentacao-de-s-joao-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-1-carta-de-apresentacao-de-s-joao-da-cruz\/","title":{"rendered":"Subindo o Monte [S\u00e9rie I (S. Jo\u00e3o da Cruz)] 1 &#8211; Carta de apresenta\u00e7\u00e3o de S. Jo\u00e3o da Cruz"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Subindo o Monte&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de autores carmelitas<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Carta de apresenta\u00e7\u00e3o de S. Jo\u00e3o da Cruz<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Carta de apresenta\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o da Cruz nascido<br \/>\ne morto dentro do grande s\u00e9culo de Ouro espanhol.<br \/>\nOnde houve tantos engenhos e eminentes<br \/>\nnas mil ordens da vida, este pequeno homem<br \/>\n\u201ccarmelita em sand\u00e1lias e escasso de figura\u201d<br \/>\nsobressai como o maior poeta l\u00edrico das letras espanholas.<br \/>\nMestre espiritual insigne e guia para as alturas.<br \/>\nMontanhista divino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Vicente Rodrigues*<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Aquele que conhecemos agora como S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz na Igreja e na hist\u00f3ria universal teve tr\u00eas nomes. O seu nome de fam\u00edlia era Jo\u00e3o de Yepes \u00c1lvarez, ao entrar no Carmelo em 1563 adoptou o nome de Frei Jo\u00e3o de S\u00e3o Matias; ao iniciar com a Madre Teresa a renova\u00e7\u00e3o dos frades na Ordem do Carmo em 1568 chamou-se Jo\u00e3o da Cruz. \u00abJo\u00e3o da Cruz \u00e9 uma das seis ou oito personalidades mais gigantescas e tamb\u00e9m mais enigm\u00e1ticas do Ocidente, e um crist\u00e3o de um radicalismo que p\u00f5e um pouco carne de galinha, mas cuja voz n\u00e3o se pode deixar de escutar, e tanto como poeta como quanto m\u00edstico, cada dia resulta mais novo e surpreendente e moderno\u00bb (Jim\u00e9nez Lozano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Estamos diante de uma personagem a-hist\u00f3rica?<br \/>\nNos seus escritos n\u00e3o h\u00e1, evidentemente, o conjunto de dados, alus\u00f5es, refer\u00eancias hist\u00f3ricas, como h\u00e1 nas obras de Santa Teresa; nem escreveu t\u00e3o-pouco frei Jo\u00e3o a sua autobiografia, embora haja alguns dados biogr\u00e1ficos nos seus escritos, especialmente nas suas cartas. Por estas raz\u00f5es podemos entender que o Santo n\u00e3o se refira tanto ao contexto em que lhe tocou viver nem \u00e0 multid\u00e3o de personagens com quem teve de se cruzar. Embora isto seja assim, n\u00e3o h\u00e1 que pensar num frei Jo\u00e3o intemporal ou a-hist\u00f3rico. Foi uma personagem do s\u00e9culo de ouro espanhol, nascido e morto no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. H\u00e1 nos seus livros alus\u00f5es claras a factos hist\u00f3ricos dos seus dias, tais como a descoberta da Am\u00e9rica (CB 14-15, 8), a sua confiss\u00e3o expressa de copernicanismo a favor do movimento da terra, quando ainda se discutiam as teses de Cop\u00e9rnico e o seu sistema helioc\u00eantrico (CH B 4, 4). A ruptura da cristandade pelo protestantismo e a dura cr\u00edtica a algumas das suas doutrinas (3 S 5, 2). Uma tremenda alega\u00e7\u00e3o, naquele ambiente de reforma de toda a Igreja, contra os bispos remissos em pregar a palavra de Deus (2 S 7, 12). Na Chama alude com grande ironia ao fen\u00f3meno do Alumbradismo (CH 3, 43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Mas encontramos frei Jo\u00e3o mais metido nos problemas de ordem espiritual ou religioso e \u00e9 a\u00ed onde melhor se enquadra, pois foi a\u00ed que se moveu com o peixe na \u00e1gua. Neste universo vemo-lo a denunciar o esp\u00edrito milagreiro e vision\u00e1rio de tantas pessoas (3 S 31, 8-9). Aludindo ao seu tempo, n\u00e3o aos tempos passados, dir\u00e1: \u00abE admiro-me muito com o que se passa nestes tempos e \u00e9 que qualquer alma simples com quatro maravedis de considera\u00e7\u00e3o, se sente algumas locu\u00e7\u00f5es destas nalgum recolhimento, logo baptizam tudo como de Deus, e sup\u00f5em que \u00e9 assim, dizendo: \u201cDeus disse-me\u201d, \u201cDeus respondeu-me\u201d; e n\u00e3o ser\u00e1 assim, mas a maior parte das vezes s\u00e3o elas que o dizem\u00bb (2 S 29, 4). Pouco antes deu outro testemunho pessoal dizendo: \u00abEu conheci uma pessoa que, tendo estas locu\u00e7\u00f5es sucessivas, entre algumas muito verdadeiras e substanciais que formava do Sant\u00edssimo Sacramento da Eucaristia, havia algumas que eram aut\u00eanticas heresias\u00bb (2 S 29, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. A sua den\u00fancia mais dura e forte centra-se na grande car\u00eancia de guias id\u00f3neos nos caminhos do esp\u00edrito que descobria nos seus dias e o excessivo n\u00famero de inexperientes e presun\u00e7osos, com o grande dano que se seguia para a Igreja (Subida, pr\u00f3logo; CH B 3, 30-62). Neste seu universo mental e espiritual pode-se configurar um mapa bastante preciso de temas que s\u00e3o, ao mesmo tempo, em v\u00e1rios casos, as den\u00fancias prof\u00e9ticas bem pensadas de um m\u00edstico: um mundo colorido daquele momento que desenha no tema da religiosidade popular, religiosidade que valoriza, mas que quer v\u00ea-la livre e purificada de tantas ades\u00f5es e resson\u00e2ncias estranhas (3 S cc. 35-44). Poder\u00edamos aumentar este tipo de dados, mas j\u00e1 s\u00e3o suficientes para nos darmos conta do mundo mais pr\u00f3prio de Jo\u00e3o da Cruz, e, no qual, se movia com grande conhecimento de causa.<br \/>\n6. Jo\u00e3o de Yepes, frei Jo\u00e3o de S\u00e3o Matias, frei Jo\u00e3o da Cruz, o vener\u00e1vel, o beato, o santo, o doutor da Igreja: S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, s\u00e3o diversas denomina\u00e7\u00f5es da mesma pessoa. Uma pessoa na qual se encontram o homem, o poeta, o pregador, o escritor, o contemplativo e amante da solid\u00e3o e do retiro, e o peregrino de tantos caminhos de Castela e Andaluzia, de M\u00farcia e Portugal, o m\u00edstico e o santo, o guia espiritual e o mistagogo.<br \/>\nDepois de quatrocentos anos da sua passagem pela terra, suscita, como se fosse um cometa de esperan\u00e7a, um interesse singular. E est\u00e1 a ser um dos escritores de maior audi\u00eancia entre os cat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos, crentes e ateus, que o l\u00eaem com deslumbramento. Podemos pensar que interesse da gente especialmente preparada, entre os fil\u00f3sofos, os te\u00f3logos, os biblistas, os psic\u00f3logos e psicanalistas, os literatos, os ecologistas, os afei\u00e7oados a todos os credos e a nenhum, \u00e9 uma homenagem consciente e inconsciente \u00e0 sua contemporaneidade, mas \u00e9, sobretudo, a esse \u00abn\u00e3o sei qu\u00ea\u00bb de conte\u00fado e esp\u00edrito transcendente e religioso que anima os seus livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Quem se aproximar dele sem preconceitos ou queimando os preconceitos iniciais conhec\u00ea-lo-\u00e1 e intimar\u00e1 com ele.<br \/>\nWalter Nigg, n\u00e3o cat\u00f3lico, no seu livro Grosse Heilige (Grandes Santos), procura apresentar a figura dos grandes santos que s\u00e3o capazes de despertar no nosso tempo a inextingu\u00edvel sede da santidade e capazes tamb\u00e9m de \u00abcriar um novo alfabeto para desvelar novamente o segredo da verdade\u00bb. Na sua obra concede um grande espa\u00e7o a S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e fala dele sob o t\u00edtulo: Der dichter der Mystik (o poeta da m\u00edstica). Aparte aprecia\u00e7\u00f5es ou estima\u00e7\u00f5es que n\u00e3o partilho, acerta plenamente ao escrever: \u00abO conte\u00fado das obras de Jo\u00e3o da Cruz apresenta-se como um poema grandioso que gira exclusivamente \u00e0 volta de dois p\u00f3los: Deus e a alma. Todas as suas obras s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es deste \u00fanico tema no qual concentra toda a aten\u00e7\u00e3o. De tal modo apanhou todo o ser de Jo\u00e3o da Cruz, que, em sua compara\u00e7\u00e3o, todos os outros valores s\u00e3o como se n\u00e3o fossem. Por esta raz\u00e3o, Jo\u00e3o revela-se como uma das personagens mais religiosas na hist\u00f3ria do cristianismo. Nas suas poesias e nos seus escritos em prosa Jo\u00e3o da Cruz n\u00e3o escreve sen\u00e3o a pr\u00f3pria autobiografia interior. A alma, da qual diz tantas coisas, \u00e9 a sua alma. Em tudo o que conta dela, se pode escrever o nome de Jo\u00e3o da Cruz. Este santo, n\u00e3o obstante toda a sua taciturnidade, n\u00e3o podia fazer confiss\u00f5es mais profundas, mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">quando aparentemente n\u00e3o aluda a si mesmo com nenhuma palavra, S\u00f3 poucas obras desvelam o \u00edntimo dos santos de um modo t\u00e3o evidente como os poemas deste \u201cmonge\u201d\u00bb.<br \/>\n8. Vista esta carta de apresenta\u00e7\u00e3o, torna-se relativamente f\u00e1cil repartir a sua vida nestes tr\u00eas per\u00edodos, correspondentes ao seu \u00fanico nome e tr\u00eas apelidos:<br \/>\n\u2013 Jo\u00e3o de Yepes (1542-1563)<br \/>\n\u2013 Jo\u00e3o de S\u00e3o Matias (1563-1568)<br \/>\n\u2013 Jo\u00e3o da Cruz (1568-1591).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Jos\u00e9 Vicente Rodrigues. 100 Fichas sobre S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas. Pp. 6-9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Subindo o Monte&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12652,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-12650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-subindo-o-monte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12650"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12650\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12654,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12650\/revisions\/12654"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}