{"id":12646,"date":"2021-06-01T10:39:50","date_gmt":"2021-06-01T09:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12646"},"modified":"2021-06-01T10:39:50","modified_gmt":"2021-06-01T09:39:50","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-decima-perspectiva-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-decima-perspectiva-espacial\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | D\u00e9cima Perspectiva: Espacial"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">D\u00e9cima Perspectiva: Espacial<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Uma perspectiva que abrange o \u201cinfinitamente\u201d pequeno apesar do nosso conhecimento n\u00e3o ter uma teoria que conceba um espa\u00e7o mais pequeno do que o comprimento de Planck. Abrange o \u201cinfinitamente\u201d grande embora o nosso conhecimento esteja limitado ao limite do pr\u00f3prio universo. Abrange o \u201cinfinitamente\u201d simples como uma sala vazia com paredes brancas. E abrange o \u201cinfinitamente\u201d complexo como a arte de Jackson Pollock onde somente os especialistas v\u00eaem a emo\u00e7\u00e3o do pintor na espessura dos tra\u00e7os. A perspectiva espacial \u00e9 vasta, diversa e percorre os mais diversos dom\u00ednios da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Em diversas caminhadas dei-me conta de casas que parecem n\u00e3o acolher mais os seres humanos que outrora nelas habitaram, mas acolhem a natureza que nelas floresce de um modo \u2014 diria \u2014 selvagem. S\u00e3o jardins naturais onde o tipo de flores, plantas, ou \u00e1rvores cresce ao modo que a natureza quer. Muitas vezes tendemos a ver esses espa\u00e7os como descuidados, mas o descuido est\u00e1 no nosso olhar que precisa de se converter e perceber serem espa\u00e7os cuidados pela pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Existem per\u00edodos de trabalho em que o pensamento est\u00e1 de tal modo emaranhado que baixamos a cabe\u00e7a, esfregamos os olhos e sentimos que mais vale fazer uma coisa diferente. Pela minha experi\u00eancia, esses momentos s\u00e3o sinais de alerta que indicam ter chegado o tempo de organizar o espa\u00e7o de trabalho. Por vezes, ao organizarmos esse espa\u00e7o, a mente vagueia e despertam em n\u00f3s as ideias que podem desbloquear os entraves interiores.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Quando visitava o quarto de um grande amigo, tinha sempre a sensa\u00e7\u00e3o de arruma\u00e7\u00e3o porque o espa\u00e7o se esvaziava das coisas que estavam a mais. Tinha a impress\u00e3o de ser uma express\u00e3o material de uma pessoa com ideias arrumadas. Nem sempre \u00e9 o meu caso.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A perspectiva espacial vive-se nos aspectos mais simples da vida atrav\u00e9s do olhar. Por exemplo, s\u00f3 com a mem\u00f3ria criada pela perspectiva espacial podemos percorrer a nossa casa, completamente \u00e0s escuras, at\u00e9 chegar ao interruptor que acende uma luz. E h\u00e1 ainda quem seja suficientemente engenhoso para criar espa\u00e7o atrav\u00e9s de ilus\u00f5es \u00f3pticas, usando espelhos, para ampliar, por exemplo, o espa\u00e7o de uma loja. Ainda, um dos modos como conseguimos que a perspectiva espacial fosse para al\u00e9m do que \u00e9 real foram os jogos virtuais. Um dos primeiros, e mais viciantes, foi o Tetris. No livro dedicado ao \u201cEfeito Tetris\u201d, Dan Ackerman conta que <em>\u00aba re-cria\u00e7\u00e3o mental de luz e movimento, despertava sinapses alimentadas pelos dois c\u00f3digos-base mais importantes da consci\u00eancia humana, repeti\u00e7\u00e3o e tempo. Este \u00e9 o efeito Tetris.\u00bb<\/em> Ali\u00e1s, um dos efeitos recorrentes deste jogo \u00e9 o modo como nos podemos divertir a arrumar as malas na bagagem do carro antes de ir para f\u00e9rias. Mas h\u00e1 perspectivas espaciais reais que resultam da jun\u00e7\u00e3o de linhas e nos fazem experimentar o infinito.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Lembro-me da primeira (e \u00fanica) vez que visitei os corredores da Biblioteca Nacional em Lisboa. Que impress\u00e3o a no\u00e7\u00e3o real de ponto de fuga que tinha diante do olhar ao contemplar as linhas a moverem-se na direc\u00e7\u00e3o do infinito. Corredores que davam acesso \u00e0s estantes com milhares de livros \u00e0 espera que os leitores encontrassem espa\u00e7o na sua vida para os ler.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Da perspectiva espacial fazem parte a curiosidade em identificar padr\u00f5es, como no cubo m\u00e1gico. No jornal <em>Daily Express<\/em> de Londres, uma m\u00e3e escreveu uma carta a contar a experi\u00eancia de que a sua filha com graves defici\u00eancias foi capaz de aprender a resolver o cubo m\u00e1gico. Dizia \u2014 <em>\u00ab\u00e9 a primeira coisa que alguma vez conseguiu fazer que tantas crian\u00e7as normais n\u00e3o conseguem.\u00bb<\/em> Foi a perspectiva espacial que mostrou, atrav\u00e9s de uma jovem deficiente, como a intelig\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 em saber muitas coisas, mas na capacidade de fazer conex\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\"><em>Onde est\u00e1 o C\u00e9u?<\/em> A perspectiva espacial na sua dimens\u00e3o espiritual n\u00e3o procura um lugar, ou posi\u00e7\u00e3o, mas onde est\u00e1 o amor. O C\u00e9u \u00e9 o \u201cespa\u00e7o\u201d de amor onde Deus habita. E se deixarmos, Ele habita em n\u00f3s. Mas s\u00f3 criamos espa\u00e7o para Ele se nos esvaziarmos de n\u00f3s pr\u00f3prios. Pois, o ego humano ocupa muito espa\u00e7o e serve de muito pouco. O nada de amor de cada um dos nossos cora\u00e7\u00f5es, liberta-nos dos preconceitos que atafulham o espa\u00e7o espiritual interior. Desatafulhados, podemos experimentar a profundidade espiritual como Ele quer. E Ele quer fazer do nosso \u00edntimo, um espa\u00e7o de amor infinito.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/michaelgaida-652234\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4539538\">Hands off my tags! Michael Gaida<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4539538\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12648,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-12646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12646"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12646\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12649,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12646\/revisions\/12649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}