{"id":126,"date":"2017-01-13T16:22:23","date_gmt":"2017-01-13T16:22:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=126"},"modified":"2017-01-13T16:25:00","modified_gmt":"2017-01-13T16:25:00","slug":"para-uma-pastoral-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/para-uma-pastoral-da-cultura\/","title":{"rendered":"PARA UMA PASTORAL DA CULTURA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-118 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano-1024x405.jpg\" alt=\"vaticano\" width=\"1000\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano-1024x405.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano-300x119.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano-768x304.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano-600x237.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaticano.jpg 1796w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>CONSELHO PONTIF\u00cdCIO DA CULTURA<\/p>\n<p><strong><em>PARA UMA PASTORAL DA CULTURA<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00cdNDICE<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: Novas situa\u00e7\u00f5es culturais, novos campos de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 1.8rem;\">I. F\u00e9 e cultura: linhas de orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Boa Nova do Evangelho para as culturas<br \/>\nA evangeliza\u00e7\u00e3o e a incultura\u00e7\u00e3o<br \/>\nUma pastoral da cultura<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 1.8rem;\">II. Desafios e fundamentos<\/strong><\/p>\n<p>Uma nova \u00e9poca da hist\u00f3ria humana<br \/>\nNovos are\u00f3pagos e campos culturais tradicionais<br \/>\nDiversidade cultural e pluralidade religiosa<\/p>\n<p><strong>III. Propostas concretas<\/strong><\/p>\n<p>Objetivos pastorais priorit\u00e1rios<br \/>\nReligi\u00f5es e \u00ab religiosos \u00bb<br \/>\nOs \u00ab lugares ordin\u00e1rios \u00bb da experi\u00eancia da f\u00e9, a piedade popular, a par\u00f3quia<br \/>\nInstitui\u00e7\u00f5es educacionais<br \/>\nCentros de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica<br \/>\nCentros culturais cat\u00f3licos<br \/>\nMeios de comunica\u00e7\u00e3o social e informa\u00e7\u00e3o religiosa<br \/>\nCi\u00eancia, tecnologia, bio\u00e9tica e ecologia<br \/>\nA arte e os artistas<br \/>\nPatrim\u00f4nio cultural, turismo religioso<br \/>\nOs jovens<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: Para uma pastoral da cultura renovada pela for\u00e7a do Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Novas situa\u00e7\u00f5es culturais, novos campos de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>\u00ab O processo de encontro e compara\u00e7\u00e3o com as culturas \u00e9 uma experi\u00eancia que a Igreja viveu desde os come\u00e7os da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 70), pois \u00ab \u00e9 pr\u00f3prio da pessoa humana necessitar da cultura para chegar a uma aut\u00eantica e plena realiza\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 53). Tamb\u00e9m a Boa nova que \u00e9 o Evangelho de Cristo para todo homem e para o homem todo, o qual \u00ab \u00e9 simultaneamente filho e pai da cultura onde est\u00e1 inserido \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 71), chega at\u00e9 ele na sua pr\u00f3pria cultura, que impregna a sua maneira de viver a f\u00e9 e ao mesmo tempo \u00e9 progressivamente por ela modelada. \u00ab Hoje, \u00e0 medida que o Evangelho entra em contato com \u00e1reas culturais que estiveram at\u00e9 agora fora do \u00e2mbito de irradia\u00e7\u00e3o do cristianismo, novas tarefas se abrem \u00e0 incultura\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 72). E, ao mesmo tempo, culturas tradicionalmente crist\u00e3s ou impregnadas de tradi\u00e7\u00f5es religiosas milenares se encontram abaladas. Por isso, trata-se n\u00e3o somente de justapor a f\u00e9 \u00e0s culturas, mas tamb\u00e9m de dar nova vida a um mundo descristianizado no qual muitas vezes as \u00fanicas refer\u00eancias crist\u00e3s s\u00e3o de ordem puramente cultural. Estas novas situa\u00e7\u00f5es culturais atrav\u00e9s do mundo apresentam-se \u00e0 Igreja, no limiar do terceiro mil\u00eanio, como novos campos de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Diante destes desafios da \u00ab \u00e9poca em que vivemos, ao mesmo tempo dram\u00e1tica e fascinante \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 38), o Conselho Pontif\u00edcio da Cultura gostaria de partilhar um conjunto de convic\u00e7\u00f5es e de propostas concretas, fruto de numerosos contatos, principalmente gra\u00e7as a uma coopera\u00e7\u00e3o fecunda com os bispos, pastores das dioceses, e os seus colaboradores neste campo apost\u00f3lico, em vista de uma renovada pastoral da cultura como lugar de encontro privilegiado com a mensagem de Cristo. Pois todas as culturas \u00ab s\u00e3o um esfor\u00e7o de reflex\u00e3o sobre o mist\u00e9rio do mundo e, em particular, sobre o mist\u00e9rio do homem: \u00e9 uma maneira de dar express\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o transcendente da vida humana. O \u00e2mago de cada cultura \u00e9 constitu\u00eddo pela sua aproxima\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio mais excelso: o mist\u00e9rio de Deus \u00bb.(1) Daqui a import\u00e2ncia decisiva de uma pastoral da cultura: \u00ab uma f\u00e9 que n\u00e3o se torna cultura \u00e9 uma f\u00e9 n\u00e3o de modo pleno acolhida, n\u00e3o inteiramente pensada e nem com fidelidade vivida \u00bb.(2)<\/p>\n<p>O Conselho Pontif\u00edcio da Cultura quer assim acatar as quest\u00f5es prementes que lhe endere\u00e7ou o Papa Jo\u00e3o Paulo II: \u00ab Deveis ajudar a igreja a responder a estas quest\u00f5es fundamentais para as culturas atuais: como \u00e9 que a mensagem da Igreja \u00e9 acess\u00edvel \u00e0s novas culturas, \u00e0s formas atuais da intelig\u00eancia e da sensibilidade? Como \u00e9 que a Igreja de Cristo pode fazer-se compreender pelo esp\u00edrito moderno, t\u00e3o orgulhoso com as suas realiza\u00e7\u00f5es e ao mesmo tempo t\u00e3o inquieto com o futuro da fam\u00edlia humana? \u00bb.(3)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I<\/strong><\/p>\n<p><strong>F\u00c9 E CULTURA:<br \/>\nLINHAS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><em>Mensageira de Cristo, Redentor do homem, a Igreja em nosso tempo tomou uma consci\u00eancia renovada da dimens\u00e3o cultural da pessoa e das comunidades humanas<\/em>. O Conc\u00edlio Vaticano II, em particular a Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje e o Decreto sobre a atividade mission\u00e1ria da Igreja, os S\u00ednodos dos Bispos, sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo moderno e sobre a catequese em nosso tempo, prolongados pelas Exorta\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas\u00a0<em>Evangelii Nuntiandi\u00a0<\/em>de Paulo VI e\u00a0<em>Catechesi Tradendae\u00a0<\/em>de Jo\u00e3o Paulo II, prop\u00f5em a este respeito um rico ensinamento, particularizado pelas Assembl\u00e9ias especiais sucessivas, continente por continente, do S\u00ednodo dos Bispos e as Exorta\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas p\u00f3s-sinodais do Santo Padre. A incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 foi objeto de uma profunda reflex\u00e3o por parte da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica (4) e da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional.(5) O S\u00ednodo extraordin\u00e1rio de 1985, por ocasi\u00e3o do vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, retomado por Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica\u00a0<em>Redemptoris Missio<\/em>, apresenta-a como uma \u00ab \u00edntima transforma\u00e7\u00e3o dos valores culturais aut\u00eanticos, pela sua integra\u00e7\u00e3o no cristianismo, e o enraizamento do cristianismo nas v\u00e1rias culturas \u00bb (n. 52). O Papa Jo\u00e3o Paulo II, em v\u00e1rios discursos feitos nas suas viagens apost\u00f3licas, bem como as Confer\u00eancias gerais do Episcopado latino-americano em Puebla e Santo Domingo,(6) atualizaram e particularizaram esta nova dimens\u00e3o da pastoral da Igreja em nosso tempo, para ir ao encontro dos homens na sua pr\u00f3pria cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Um exame atento dos diferentes campos culturais propostos neste documento mostra a vastid\u00e3o do que representa\u00a0<em>a cultura<\/em>, este modo particular pelo qual os homens e os povos cultivam a sua rela\u00e7\u00e3o com a natureza e com os seus irm\u00e3os, consigo mesmos e com Deus, a fim de chegar a uma exist\u00eancia plenamente humana (cf.\u00a0<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 53). N\u00e3o h\u00e1 cultura que n\u00e3o seja do homem, pelo homem e para o homem. Ela \u00e9 toda a atividade do homem, a sua intelig\u00eancia e a sua afetividade, a sua busca de sentido, os seus costumes e as suas refer\u00eancias \u00e9ticas. A cultura \u00e9 t\u00e3o natural ao homem, que a sua natureza n\u00e3o tem nenhum aspecto que n\u00e3o se manifeste na sua cultura. A miss\u00e3o de uma pastoral da cultura \u00e9 restituir ao homem a sua plenitude de criatura \u00ab \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus \u00bb (<em>Gn\u00a0<\/em>1, 26), subtraindo-o \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica de se considerar independente do Criador. Conseq\u00fcentemente, e esta observa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para uma pastoral da cultura, \u00ab n\u00e3o se pode negar que o homem sempre existe dentro de uma cultura particular, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode negar que o homem n\u00e3o se esgota nesta mesma cultura. De resto, o pr\u00f3prio progresso das culturas demonstra que, no homem, existe algo que transcende as culturas. Este algo \u00e9 precisamente a natureza do homem: esta natureza \u00e9 exatamente a medida da cultura, e constitui a condi\u00e7\u00e3o para que o homem n\u00e3o seja prisioneiro de nenhuma das suas culturas, mas afirme a sua dignidade pessoal pelo viver conforme \u00e0 verdade profunda do seu ser \u00bb (<em>Veritatis Splendor<\/em>, n. 53).<\/p>\n<p>A cultura, na sua rela\u00e7\u00e3o essencial com a verdade e com o bem, n\u00e3o brotar\u00e1 apenas da fonte da experi\u00eancia das necessidades, dos centros de interesse ou das exig\u00eancias elementares. \u00ab A dimens\u00e3o primeira e fundamental da cultura \u00e9 a s\u00e3 moralidade: a cultura moral \u00bb.(7) \u00ab Na verdade, quando as culturas est\u00e3o profundamente radicadas na natureza humana, cont\u00eam em si mesmas o testemunho da abertura, pr\u00f3pria do homem, ao universal e \u00e0 transcend\u00eancia \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 70). As culturas, marcadas na sua pr\u00f3pria tend\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o pela din\u00e2mica dos homens e da sua hist\u00f3ria (cf.\u00a0<em>Ibid<\/em>., n. 71), partilham tamb\u00e9m do seu pecado, e requerem, por isso, o necess\u00e1rio discernimento dos crist\u00e3os. Quando o Verbo de Deus assume na Encarna\u00e7\u00e3o a natureza humana na sua dimens\u00e3o hist\u00f3rica e concreta, excetuado o pecado (<em>Hb\u00a0<\/em>4, 15), ele a purifica e a leva a sua plenitude no Esp\u00edrito Santo. Ao se revelar, Deus abre o seu cora\u00e7\u00e3o aos homens, \u00ab por meio de a\u00e7\u00f5es e palavras intimamente relacionadas entre si \u00bb e lhes faz descobrir na sua linguagem de homens os mist\u00e9rios do seu Amor, \u00ab para os convidar e admitir a participarem da sua comunh\u00e3o \u00bb (<em>Dei Verbum<\/em>, n. 2).<\/p>\n<p><strong>A Boa Nova do Evangelho para as culturas<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><em>Para se revelar, entrar em di\u00e1logo com os homens e cham\u00e1-los \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, Deus escolheu, na rica variedade das culturas milenares nascidas do g\u00eanio humano, um Povo cuja cultura origin\u00e1ria Ele penetrou, purificou e fecundou<\/em>. A hist\u00f3ria da Alian\u00e7a \u00e9 hist\u00f3ria do surgimento de uma cultura inspirada pelo pr\u00f3prio Deus ao seu Povo. As Sagradas Escrituras s\u00e3o o instrumento querido e utilizado por Deus para se revelar, o que a eleva a um plano sobrenatural. \u00ab Para escrever os Livros Sagrados, Deus escolheu homens, que utilizou na posse das faculdades e capacidades que tinham \u00bb (<em>Dei Verbum<\/em>, n. 11). Na Sagrada Escritura, Palavra de Deus, que constitui a incultura\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria da f\u00e9 no Deus de Abra\u00e3o, Deus de Jesus Cristo, \u00ab as palavras de Deus, expressas em l\u00ednguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes \u00e0 linguagem humana \u00bb (<em>Ibid<\/em>., n. 13). A mensagem da Revela\u00e7\u00e3o, inscrita na Hist\u00f3ria sagrada, apresenta-se sempre revestida de um inv\u00f3lucro cultural do qual ela \u00e9 indissoci\u00e1vel, pois ela \u00e9 sua parte integrante. A B\u00edblia, Palavra de Deus expressa na linguagem dos homens, constitui o arqu\u00e9tipo do encontro fecundo entre a Palavra de Deus e a cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A este prop\u00f3sito, a voca\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o \u00e9 significativa: \u00ab Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai \u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a012, 1). \u00ab Foi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como heran\u00e7a, e partiu sem saber para onde ia. Foi pela f\u00e9 que residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas&#8230; Pois esperava a cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor \u00e9 o pr\u00f3prio Deus \u00bb (<em>Hb\u00a0<\/em>11, 8-10). A hist\u00f3ria do Povo de Deus come\u00e7a por uma ades\u00e3o de f\u00e9 que \u00e9 tamb\u00e9m uma ruptura cultural para culminar na Cruz de Cristo, tamb\u00e9m uma ruptura, eleva\u00e7\u00e3o da terra, mas simultaneamente centro de atra\u00e7\u00e3o que dirige a hist\u00f3ria do mundo para o alto e congrega na unidade os filhos de Deus dispersos: \u00ab Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim \u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>12, 32).<\/p>\n<p>A ruptura cultural pela qual se inaugura a voca\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o, \u00ab Pai dos crentes \u00bb, traduz aquilo que ocorre no mais profundo do cora\u00e7\u00e3o do homem quando Deus irrompe na sua exist\u00eancia, para se revelar e propor-lhe o empenho de todo o seu ser. Abra\u00e3o \u00e9 espiritualmente e culturalmente desenraizado para ser, na f\u00e9, plantado por Deus na Terra Prometida. Esta ruptura sublinha a fundamental diferen\u00e7a de natureza entre a f\u00e9 e a cultura. Ao contr\u00e1rio dos \u00eddolos que s\u00e3o o produto de uma cultura, o Deus de Abra\u00e3o \u00e9 o Totalmente Outro. \u00c9 pela Revela\u00e7\u00e3o que Ele entra na vida de Abra\u00e3o. O tempo c\u00edclico das religi\u00f5es antigas teve o seu fim: com Abra\u00e3o e o povo judeu come\u00e7a um novo tempo que se torna a hist\u00f3ria dos homens em marcha para Deus. N\u00e3o \u00e9 mais um povo que fabrica para si um deus, \u00e9 Deus que d\u00e1 origem ao seu Povo, tornando-o Povo de Deus.<\/p>\n<p>A cultura b\u00edblica ocupa um lugar \u00fanico: cultura do Povo de Deus, no cora\u00e7\u00e3o do qual Ele se encarnou. A Promessa feita a Abra\u00e3o culmina na glorifica\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado. O Pai dos crentes, aspirando pelo cumprimento da Promessa, anuncia o sacrif\u00edcio do Filho de Deus sobre o madeiro da Cruz. No Cristo que vem recapitular o conjunto da cria\u00e7\u00e3o, o Amor de Deus chama todos os homens a partilhar da condi\u00e7\u00e3o de filhos. O Deus Totalmente Outro se manifesta em Jesus Cristo como Totalmente Nosso: \u00ab O Verbo do Eterno Pai, tomando a fraqueza da carne humana, se tornou semelhante aos homens \u00bb (<em>Dei Verbum<\/em>, n. 13). A f\u00e9 tamb\u00e9m tem o poder de atingir o cora\u00e7\u00e3o de toda cultura, para purific\u00e1-la, fecund\u00e1-la, enriquec\u00ea-la e dar-lhe a possibilidade de se desenvolver \u00e0 medida sem medida do amor de Cristo. Cristo cria uma cultura cujos dois constitutivos fundamentais s\u00e3o, a um t\u00edtulo totalmente novo, a pessoa e o amor. O amor redentor de Cristo revela, para al\u00e9m dos limites naturais das pessoas, o seu valor profundo, que desabrocha sob o regime da Gra\u00e7a, Dom de Deus. Cristo \u00e9 a fonte desta\u00a0<em>civiliza\u00e7\u00e3o do amor<\/em>, da qual os homens carregam a nostalgia, depois da queda original no jardim do \u00c9den, e que Jo\u00e3o Paulo II, depois de Paulo VI, n\u00e3o cessa de nos convocar a realizar concretamente com todos os homens de boa vontade. Porque o compromisso fundamental do Evangelho, isto \u00e9 do Cristo e da Igreja, com o homem na sua humanidade, \u00e9 criador de cultura no seu fundamento mesmo. Ao viver o Evangelho, dois mil\u00eanios de hist\u00f3ria o testemunham, a Igreja esclarece o sentido e o valor da vida, alarga os horizontes da raz\u00e3o e fortalece os fundamentos da moral humana, A f\u00e9 crist\u00e3 autenticamente vivida revela em toda a sua profundidade a dignidade da pessoa e a sublimidade da sua voca\u00e7\u00e3o (cf<em>. Redemptor Hominis<\/em>, n. 10). Desde as origens, o Cristianismo se distingue pela intelig\u00eancia da f\u00e9 e pela aud\u00e1cia da raz\u00e3o. Testemunham-no pioneiros como S. Justino e S. Clemente de Alexandria, Or\u00edgenes, os Padres Capad\u00f3cios, o encontro entre o pensamento plat\u00f4nico e neoplat\u00f4nico e S. Agostinho, depois a integra\u00e7\u00e3o da filosofia de Arist\u00f3teles efetuada por S. Tom\u00e1s, sem esquecer S. Anselmo, S. Alberto Magno e S. Boaventura, at\u00e9 \u00e0 \u00e9poca contempor\u00e2nea ilustrada por Newman e Rosmini, Edith Stein e Vladimir Soloviev, Pavel Florensky e Vladimir Lossky evocados pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II na sua enc\u00edclica\u00a0<em>Fides et Ratio\u00a0<\/em>(cf. n. 36-48). \u00ab O encontro da f\u00e9 com as diversas culturas deu vida a uma nova realidade \u00bb (<em>Ibid<\/em>., n. 70),\u00a0<em>ela criou assim uma cultura original<\/em>, nos contextos mais diversos.<\/p>\n<p><strong>A evangeliza\u00e7\u00e3o e a incultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><em>A evangeliza\u00e7\u00e3o propriamente dita consiste no an\u00fancio expl\u00edcito do mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o de Cristo e de sua mensagem<\/em>, pois \u00ab Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade \u00bb (<em>1 Tim<\/em>2, 4). \u00ab Portanto, \u00e9 preciso que todos se convertam a Cristo conhecido pela prega\u00e7\u00e3o da Igreja e que sejam incorporados, pelo batismo, a ele e \u00e0 Igreja, o seu corpo \u00bb (<em>Ad Gentes<\/em>, n. 7). A novidade que brota sem cessar da Revela\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s \u00ab de ca\u00e7\u00f5es e palavras intimamente relacionadas entre si \u00bb (<em>Dei Verbum<\/em>, n. 2), comunicada pelo Esp\u00edrito de Cristo que age na Igreja, manifesta a verdade sobre Deus e sobre a salva\u00e7\u00e3o do homem. O an\u00fancio de Jesus Cristo, \u00ab que \u00e9 simultaneamente o Mediador e a plenitude de toda a Revela\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Ibid<\/em>.), traz \u00e0 tona os\u00a0<em>semina Verbi\u00a0<\/em>ocultos e \u00e0s vezes como que enterrados no cora\u00e7\u00e3o das culturas, e f\u00e1-los germinar na mesma medida da capacidade de infinito com que Ele os criou e que Ele faz culminar na admir\u00e1vel condescend\u00eancia da sua Sabedoria eterna (cf.\u00a0<em>Dei Verbum<\/em>, n. 13), transformando o seu projeto de sentido em desejo de transcend\u00eancia, e essas possibilidades em bases s\u00f3lidas para a acolhida do Evangelho. Pelo testemunho expl\u00edcito da sua f\u00e9, os disc\u00edpulos de Jesus fazem com que o Evangelho impregne a pluralidade das culturas.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Evangelizar, para a Igreja<\/em>, \u00e9 levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transform\u00e1-las a partir de dentro e tornar nova a pr\u00f3pria humanidade&#8230; chegar a atingir e como que modificar pela for\u00e7a do Evangelho os crit\u00e9rios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de deus e com o des\u00edgnio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importa evangelizar, n\u00e3o de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto at\u00e9 \u00e0s suas ra\u00edzes, a civiliza\u00e7\u00e3o e as culturas do homem, no sentido pleno e amplo que estes termos t\u00eam na Constitui\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Gaudium et Spes<\/em>, a partir sempre da pessoa e fazendo continuamente apelo para as rela\u00e7\u00f5es das pessoas entre si e com Deus.<\/p>\n<p>O Evangelho, e conseq\u00fcentemente a evangeliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se identificam por certo com a cultura, e s\u00e3o independentes em rela\u00e7\u00e3o a todas as culturas. E no entanto, o reino que o Evangelho anuncia \u00e9 vivido por homens profundamente ligados a uma determinada cultura, e a edifica\u00e7\u00e3o do reino n\u00e3o pode deixar de servir-se de elementos da civiliza\u00e7\u00e3o e das culturas humanas. O Evangelho e a evangeliza\u00e7\u00e3o independentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas, n\u00e3o s\u00e3o necessariamente incompat\u00edveis com elas, mas suscept\u00edveis de as impregnar a todas sem se escravizar a nenhuma delas.<\/p>\n<p>A ruptura entre o Evangelho e a cultura \u00e9 sem d\u00favida o drama da nossa \u00e9poca&#8230; Assim, importa envidar todos os esfor\u00e7os no sentido de uma generosa evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura, ou mais exatamente das culturas. Estas devem ser regeneradas mediante o impacto da Boa Nova \u00bb (<em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, n. 18-20). Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio anunciar o Evangelho na linguagem e na cultura dos homens.<\/p>\n<p>Esta Boa nova se destina \u00e0 pessoa humana na sua complexa totalidade, espiritual e moral, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, cultural e social. Portanto, a Igreja n\u00e3o hesita em falar em evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas, isto \u00e9 das mentalidades, dos costumes, dos comportamentos. \u00ab A nova evangeliza\u00e7\u00e3o requer um esfor\u00e7o l\u00facido, s\u00e9rio e organizado para evangelizar a cultura \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 70).<\/p>\n<p>Se as culturas s\u00e3o, na sua totalidade, compostas de elementos heterog\u00eaneos, inst\u00e1veis e passageiros, a primazia de Cristo e a universalidade da sua mensagem s\u00e3o, entretanto, fonte inesgot\u00e1vel de vida (cf.\u00a0<em>Col\u00a0<\/em>1, 8-12;\u00a0<em>Ef\u00a0<\/em>1, 8) e de comunh\u00e3o. Portadores desta novidade absoluta de Cristo ao cora\u00e7\u00e3o das culturas, os mission\u00e1rios do Evangelho n\u00e3o cessam de ultrapassar os limites pr\u00f3prios \u00e0 cada cultura, sem se deixar encerrar nas perspectivas terrestres de um mundo melhor. \u00ab Porque o reino de Deus n\u00e3o \u00e9 deste mundo (cf<em>. Jo\u00a0<\/em>18, 36), a Igreja, povo de Deus, instaurando este reino n\u00e3o subtrai nada ao bem temporal de cada povo, antes, pelo contr\u00e1rio, fomenta e assume as possibilidades, os recursos e o estilo de vida dos povos, naquilo que t\u00eam de bom, e, ao assumi-los, purifica-os, consolida-os e eleva-os \u00bb (<em>Lumen Gentium<\/em>, n. 13). A evangeliza\u00e7\u00e3o, cuja f\u00e9 \u00e9 ela mesma ligada \u00e0 uma cultura, deve sempre dar testemunho claro do lugar \u00fanico de Cristo, da sacramentalidade de sua Igreja, do amor dos seus disc\u00edpulos por todo homem e por \u00ab tudo o que \u00e9 verdadeiro, nobre, justo, puro am\u00e1vel, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mere\u00e7a louvor \u00bb (<em>Fil\u00a0<\/em>4, 8), o que implica a rejei\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que \u00e9 fonte de pecado e fruto do pecado no cora\u00e7\u00e3o das culturas.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>\u00ab Hoje sente-se vivamente a exig\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas e da incultura\u00e7\u00e3o da mensagem da f\u00e9 \u00bb (<em>Pastores dabo vobis<\/em>, n. 55). Uma e outra marcham no mesmo passo, num processo de m\u00fatuo interc\u00e2mbio, que exige o exerc\u00edcio permanente de um rigoroso discernimento \u00e0 luz do Evangelho, para identificar valores e contravalores presentes nas culturas, construir sobre os primeiros e lutar vigorosamente contra os segundos. \u00ab Pela incultura\u00e7\u00e3o, a Igreja encarna o Evangelho nas diversas culturas e simultaneamente introduz os povos com as suas culturas na sua pr\u00f3pria comunidade, transmitindo-lhes os seus pr\u00f3prios valores, assumindo o que de bom nelas existe, e renovando-as a partir de dentro. Por sua vez, a Igreja, com a incultura\u00e7\u00e3o, torna-se um sinal mais transparente daquilo que realmente ela \u00e9, e um instrumento mais apto para a miss\u00e3o \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 52). \u00ab Necess\u00e1ria e essencial \u00bb (<em>Pastores dabo vobis<\/em>, n. 55), a incultura\u00e7\u00e3o, distanciando-se tanto de um arqueologismo excessivamente apegado ao passado quanto de um mimetismo intramundano, \u00e9 \u00ab chamada a levar a for\u00e7a do Evangelho ao cora\u00e7\u00e3o da cultura e das culturas \u00bb. \u00ab Neste encontro, as culturas n\u00e3o somente n\u00e3o ficam privadas de nada, como s\u00e3o estimuladas a abrir-se \u00e0 novidade evang\u00e9lica, para ser por ela incitadas a um ulterior desenvolvimento \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 71).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em sintonia com as exig\u00eancias objetivas da f\u00e9 e da miss\u00e3o de evangelizar, a Igreja tem em conta este dado essencial:\u00a0<em>o encontro entre a f\u00e9 e as culturas se opera entre duas realidades que n\u00e3o s\u00e3o da mesma ordem<\/em>. A incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas estabelecem como que um bin\u00f4mio, que exclui toda forma de sincretismo: (8) tal \u00e9 \u00ab o sentido aut\u00eantico da incultura\u00e7\u00e3o; esta, diante das mais diversas e por vezes contrastantes culturas presentes nas v\u00e1rias partes do mundo, pretende ser uma obedi\u00eancia ao mandato de Cristo de pregar o Evangelho a todas as gentes at\u00e9 os extremos confins da terra. Uma tal obedi\u00eancia n\u00e3o significa sincretismo, nem simples adapta\u00e7\u00e3o do an\u00fancio evang\u00e9lico, mas que o evangelho penetra vitalmente nas culturas, se encarna nelas, superando os elementos culturais das mesmas que s\u00e3o incompat\u00edveis com a f\u00e9 e a vida crist\u00e3 e elevando os seus valores ao mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m de Cristo \u00bb (<em>Pastores dabo vobis<\/em>, n. 55). Os sucessivos S\u00ednodos dos Bispos n\u00e3o cessam de sublinhar a import\u00e2ncia peculiar desta incultura\u00e7\u00e3o para a evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz dos grandes mist\u00e9rios da salva\u00e7\u00e3o: a encarna\u00e7\u00e3o de Cristo, o seu nascimento, sua Paix\u00e3o e sua P\u00e1scoa redentora e o Pentecostes que, pela forca do Esp\u00edrito, d\u00e1 a cada um entender na sua pr\u00f3pria l\u00edngua as maravilhas de Deus.(9) As na\u00e7\u00f5es congregadas em torno do cen\u00e1culo de Pentecostes n\u00e3o entenderam nas suas l\u00ednguas respectivas um discurso sobre suas pr\u00f3prias culturas humanas, mas maravilharam-se de entender, cada um na sua pr\u00f3pria l\u00edngua, os ap\u00f3stolos anunciarem as maravilhas de Deus. \u00ab Por um lado, a mensagem evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 isol\u00e1vel pura e simplesmente da cultura em que ela primeiramente se inseriu, nem mesmo, sem perdas graves, das culturas em que ela j\u00e1 se exprimiu ao longo dos s\u00e9culos&#8230; por outro lado, a for\u00e7a do Evangelho por toda a parte \u00e9 transformadora e regeneradora \u00bb (<em>Catechesi Tradendae<\/em>, n. 53). \u00ab O an\u00fancio do Evangelho nas diversas culturas, ao exigir de cada um dos destinat\u00e1rios a ades\u00e3o da f\u00e9, n\u00e3o os impede de conservar a pr\u00f3pria identidade cultural, &#8230; fazendo com que aquilo que nelas est\u00e1 impl\u00edcito se desenvolva at\u00e9 \u00e0 sua explana\u00e7\u00e3o plena na verdade \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 71).<\/p>\n<p>\u00ab Devido \u00e0 rela\u00e7\u00e3o estreita e org\u00e2nica existente entre Cristo e a palavra anunciada pela Igreja, a incultura\u00e7\u00e3o da mensagem revelada n\u00e3o poder\u00e1 deixar de seguir a &#8220;l\u00f3gica&#8221; pr\u00f3pria do\u00a0<em>mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em>esta\u00a0<em>kenosis\u00a0<\/em>necess\u00e1ria para a exalta\u00e7\u00e3o, caminho de Jesus e de cada um dos seus disc\u00edpulos (cf<em>. Fil\u00a0<\/em>2, 6-9),\u00a0<em>\u00e9 iluminadora para o encontro das culturas com Cristo e o seu Evangelho<\/em>. Cada cultura tem necessidade de ser transformada pelos valores do Evangelho \u00e0 luz do mist\u00e9rio pascal \u00bb (<em>Ecclesia in Africa<\/em>, n. 61). A onda dominante do secularismo que se propaga atrav\u00e9s das culturas, prop\u00f5e muitas vezes, com a for\u00e7a sugestiva dos medias, modelos de vida que s\u00e3o o contr\u00e1rio da cultura das Bem-aventuran\u00e7as e da imita\u00e7\u00e3o de Cristo pobre, casto, obediente e humilde de cora\u00e7\u00e3o. De fato, h\u00e1 grandes obras culturais que se inspiram no pecado, e podem incitar ao pecado. \u00ab Ao propor a Boa Nova, a Igreja denuncia a presen\u00e7a do pecado nas culturas e as liberta deles. Ela \u00e9, portanto, um elemento cr\u00edtico das culturas&#8230;, a cr\u00edtica das idolatrias, ou seja, de valores erigidos em \u00eddolos ou que uma pretensa cultura declara absolutos \u00bb.(10)<\/p>\n<p><strong>Uma pastoral da cultura<\/strong><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><em>Ao servi\u00e7o do an\u00fancio da Boa nova e portanto do destino do homem no des\u00edgnio de Deus, a pastoral da cultura\u00a0<\/em>deriva da miss\u00e3o mesma da Igreja no mundo de hoje, na percep\u00e7\u00e3o renovada de suas exig\u00eancias, expressas pelo Concilio Vaticano II e pelos S\u00ednodos dos Bispos. A tomada de consci\u00eancia da dimens\u00e3o cultural da exist\u00eancia humana acarreta uma aten\u00e7\u00e3o particular para com este novo campo da pastoral. Ancorada na antropologia e na \u00e9tica crist\u00e3, esta pastoral anima um projeto cultural crist\u00e3o que consinta a Cristo, Redentor do Homem, centro do cosmos e da hist\u00f3ria (cf<em>. Redemptor Hominis<\/em>, n. 1), renovar toda a vida dos homens abrindo \u00ab ao seu Poder salvador os vastos campos da cultura \u00bb.(11) Nesse dom\u00ednio, as vias s\u00e3o praticamente infinitas, pois a pastoral da cultura se aplica \u00e0s situa\u00e7\u00f5es concretas para abri-las \u00e0 mensagem universal do Evangelho.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em>, que constitua a miss\u00e3o essencial da Igreja, sua gra\u00e7a e sua voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria bem como sua identidade mais profunda (cf<em>. Evangelii Nuntiandi<\/em>, n. 14),\u00a0<em>a pastoral<\/em>, em busca dos modos \u00ab o mais poss\u00edvel adaptados e eficazes, para comunicar a mensagem evang\u00e9lica aos homens do nosso tempo \u00bb (<em>Ibid<\/em>., n. 40), associa meios complementares: \u00ab A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dilig\u00eancia complexa, em que h\u00e1 variados elementos: renova\u00e7\u00e3o da humanidade, testemunho, an\u00fancio expl\u00edcito, ades\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, entrada na comunidade, aceita\u00e7\u00e3o dos sinais e iniciativas de apostolado. Estes elementos, na apar\u00eancia, podem afigurar-se contrastantes. Na realidade, por\u00e9m, eles s\u00e3o complementares e reciprocamente enriquecedores uns dos outros. \u00c9 necess\u00e1rio encarar sempre cada um deles na sua integra\u00e7\u00e3o com os demais \u00bb (<em>Ibid<\/em>., n. 24).<\/p>\n<p>Uma evangeliza\u00e7\u00e3o incultura gra\u00e7as a uma pastoral bem ordenada permite \u00e0 comunidade crist\u00e3 de receber, celebrar, viver, traduzir sua f\u00e9 na sua pr\u00f3pria cultura, na \u00ab compatibilidade com o Evangelho e a comunh\u00e3o com a Igreja universal \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 54). Ela traduz ao mesmo tempo o car\u00e1ter absolutamente novo da Revela\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo e a exig\u00eancia de convers\u00e3o que brota do encontro com o \u00fanico Salvador: \u00ab Heis que eu fa\u00e7o novas todas as coisas \u00bb (<em>Ap\u00a0<\/em>21, 5).<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia da tarefa pr\u00f3pria dos te\u00f3logos e dos pastores para uma verdadeira intelig\u00eancia da f\u00e9 e para o discernimento pastoral. A simpatia com a qual eles devem abordar as culturas \u00ab servindo-se dos conceitos e das l\u00ednguas dos diversos povos \u00bb (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 44) para exprimir a mensagem de Cristo, saber\u00e1 partir de um discernimento exigente, diante dos grandes e graves problemas que emergem de uma an\u00e1lise objetiva dos fen\u00f4menos culturais contempor\u00e2neos, cujo peso n\u00e3o ser\u00e1 ignorado pelos pastores, pois est\u00e3o em jogo a convers\u00e3o das pessoas e, atrav\u00e9s delas, das culturas, a cristianiza\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>ethos\u00a0<\/em>dos povos (cf.\u00a0<em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, n. 20).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p><strong>DESAFIOS E FUNDAMENTOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma nova \u00e9poca da hist\u00f3ria humana\u00a0<\/strong>(<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 54)<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>As condi\u00e7\u00f5es de vida do homem moderno nestes \u00faltimos dec\u00eanios do segundo mil\u00eanio transformaram-se t\u00e3o profundamente, que o Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o hesita em falar de \u00ab uma nova \u00e9poca da hist\u00f3ria humana \u00bb (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 54). Para a Igreja, \u00e9 um\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, tempo favor\u00e1vel para uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, onde os novos tra\u00e7os da cultura constituem desafios e fundamentos para uma pastoral da cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A Igreja, em nosso tempo, tem disso uma viva consci\u00eancia, sob o impulso dos Papas que desenvolveram e atualizaram a doutrina social da Igreja, da\u00a0<em>Rerum Novarum\u00a0<\/em>em 1891, \u00e0\u00a0<em>Centesimus Annus\u00a0<\/em>em 1991. As Confer\u00eancias Episcopais, suas federa\u00e7\u00f5es e os S\u00ednodos dos Bispos se inspiraram nela para iniciativas pr\u00e1ticas adequadas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es peculiares dos diversos pa\u00edses. No seio desta diversidade, afirmam-se entretanto alguns tra\u00e7os dominantes.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o cultural hoje preponderante em diferentes partes do mundo, o subjetivismo prevalece como medida e crit\u00e9rio de verdade (cf.\u00a0<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 47). Os pressupostos positivistas sobre o progresso da ci\u00eancia e da tecnologia s\u00e3o postos em quest\u00e3o. Ap\u00f3s o fracasso espetacular do marxismo-leninismo coletivista e ateu, a ideologia rival, o liberalismo, revela sua incapacidade em fazer a felicidade do g\u00eanero humano, na dignidade respons\u00e1vel de cada pessoa. Um ate\u00edsmo pr\u00e1tico antropoc\u00eantrico, a indiferen\u00e7a religiosa apregoada, um materialismo hedonista agressivo marginalizam a f\u00e9 como algo evanescente, sem consist\u00eancia nem pertin\u00eancia cultural, no seio de uma cultura \u00ab prevalentemente cient\u00edfica e t\u00e9cnica \u00bb (<em>Veritatis Splendor<\/em>, n. 112). \u00ab Na verdade, os crit\u00e9rios de ju\u00edzo e de escolha assumidos pelos mesmos crentes apresentam-se freq\u00fcentemente, no contexto de uma cultura amplamente descristianizada, como alheios ou at\u00e9 mesmo contrapostos aos do Evangelho \u00bb (<em>Ibid.<\/em>, n. 88). O Papa Jo\u00e3o Paulo II o recordava ao celebrar o vig\u00e9simo quinto anivers\u00e1rio da Constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a liturgia: \u00ab A adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas exige tamb\u00e9m uma convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e, se for necess\u00e1rio, mesmo a ruptura com h\u00e1bitos ancestrais incompat\u00edveis com a f\u00e9 cat\u00f3lica. Ora tudo isto requer uma s\u00e9ria forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, hist\u00f3rica e cultural, bem como um s\u00e3o crit\u00e9rio para discernir aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio ou \u00fatil daquilo que \u00e9 in\u00fatil ou at\u00e9 mesmo perigoso para a f\u00e9 \u00bb (<em>Vicesimus quintus annus<\/em>, n. 16).<\/p>\n<p><em>Urbaniza\u00e7\u00e3o galopante e desenraizamento cultural<\/em><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>Provocado por diversos fatores, como a pobreza ou o subdesenvolvimento das zonas rurais desprovidas dos bens e servi\u00e7os b\u00e1sicos, mas tamb\u00e9m, em certos pa\u00edses, por causa dos conflitos armados que obrigam milh\u00f5es de seres humanos a deixar o seu ambiente familiar e cultural, d\u00e1-se atualmente um impressionante \u00eaxodo rural que tende a fazer crescer desmesuradamente os grandes centros urbanos. A essas press\u00f5es de ordem econ\u00f4mica e social, se ajunta o fasc\u00ednio da cidade, do bem-estar e do divertimento que ela oferece e cujas imagens s\u00e3o transmitidas pelos meio de comunica\u00e7\u00e3o social. Por falta de planejamento, os arrabaldes ou sub\u00farbios dessas megal\u00f3poles tornam-se freq\u00fcentemente uma esp\u00e9cie de guetos, aglomera\u00e7\u00f5es enormes de pessoas socialmente desenraizadas, politicamente carentes, economicamente marginalizadas e culturalmente isoladas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O desenraizamento cultural, cujas causas s\u00e3o m\u00faltiplas, faz aparecer por contraste o papel fundamental das ra\u00edzes culturais. O homem desestruturado pelo enfraquecimento ou pela perda da sua identidade cultural torna-se um terreno privilegiado para pr\u00e1ticas desumanizantes. Nunca como neste s\u00e9culo XX o homem manifestou tantas capacidades e talentos, mas nunca tamb\u00e9m a hist\u00f3ria conheceu tantas nega\u00e7\u00f5es e viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana, frutos amargos da nega\u00e7\u00e3o ou do esquecimento de Deus. Com os valores relegados \u00e0 esfera privada, a vida moral apresenta-se alterada e a vida espiritual debilitada. O terr\u00edvel conceito de \u00ab cultura de morte \u00bb estigmatiza uma contracultura que demonstra de modo evidente a sinistra contradi\u00e7\u00e3o entre uma vontade afirmada de vida e a rejei\u00e7\u00e3o obstinada de Deus, fonte de toda vida (cf. Evangelium Vitae, n. 11-12 e 19-28).<\/p>\n<p>\u00ab Evangelizar a cultura urbana constitui um desafio formid\u00e1vel para a Igreja, que, assim como soube ao longo dos s\u00e9culos evangelizar a cultura rural, da mesma forma \u00e9 tamb\u00e9m chamada hoje a levar a cabo uma evangeliza\u00e7\u00e3o urbana met\u00f3dica e capilar atrav\u00e9s da catequese, da liturgia e do modo mesmo de organizar as sua estruturas pastorais \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 21).<\/p>\n<p><em>Meios de comunica\u00e7\u00e3o social e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>\u00ab O primeiro are\u00f3pago dos tempos modernos \u00e9 o mundo das comunica\u00e7\u00f5es, que est\u00e1 a unificar a humanidade, transformando-a como se costuma dizer na &#8220;aldeia global&#8221;. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social alcan\u00e7aram tamanha import\u00e2ncia que s\u00e3o para muitos o principal instrumento de informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, de guia e inspira\u00e7\u00e3o dos comportamentos individuais, familiares e sociais&#8230; A pr\u00f3pria evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura moderna depende, em grande parte, da sua influ\u00eancia&#8230; \u00c9 necess\u00e1rio integrar a mensagem nesta &#8220;nova cultura&#8221;, criada pelas modernas comunica\u00e7\u00f5es. \u00c9 um problema complexo, pois esta cultura nasce, menos dos conte\u00fados do que do pr\u00f3prio fato de existirem novos modos de comunicar com novas linguagens, novas t\u00e9cnicas, novas atitudes psicol\u00f3gicas \u00bb (Redemptoris Missio, n. 37). O advento desta verdadeira revolu\u00e7\u00e3o cultural, com a transforma\u00e7\u00e3o da linguagem causada especialmente pela televis\u00e3o e pelos modelos que ela prop\u00f5e, acarreta \u00ab a transforma\u00e7\u00e3o completa de tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 humanidade para compreender o mundo que a envolve e para verificar e expressar a percep\u00e7\u00e3o do mesmo&#8230; Com efeito, tanto se pode recorrer aos\u00a0<em>mass media\u00a0<\/em>para proclamar o Evangelho, como para o afastar do cora\u00e7\u00e3o do homem \u00bb.(12) Os\u00a0<em>mass media\u00a0<\/em>que d\u00e3o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00ab ao vivo \u00bb suprimem o recuo da dist\u00e2ncia e do tempo, mas sobretudo transformam a apreens\u00e3o das coisas: a realidade cede lugar \u00e0quilo que \u00e9 exibido por estes meios. Ent\u00e3o, a repeti\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de informa\u00e7\u00f5es selecionadas torna-se um fator determinante na cria\u00e7\u00e3o daquela que passa a ser considerada \u00ab opini\u00e3o p\u00fablica \u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A influ\u00eancia dos\u00a0<em>media\u00a0<\/em>que representam as fronteiras, em particular no campo da publicidade,(13) exige dos crist\u00e3os uma nova criatividade para atingir as centenas de milh\u00f5es de pessoas que consagram quotidianamente um tempo importante \u00e0 televis\u00e3o e ao r\u00e1dio, meios de informa\u00e7\u00e3o e de promo\u00e7\u00e3o cultural, mas tamb\u00e9m de evangeliza\u00e7\u00e3o para aqueles a quem faltam ocasi\u00f5es para entrar em contato com o Evangelho e com a Igreja nas sociedades secularizadas. A pastoral da cultura deve dar uma resposta positiva \u00e0 quest\u00e3o crucial apresentada por Jo\u00e3o Paulo II: \u00ab Existe, contudo, um lugar para Cristo nos mass media tradicionais? \u00bb.(14)<\/p>\n<p>A mais surpreendente das inova\u00e7\u00f5es na tecnologia da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 sem d\u00favida a rede\u00a0<em>Internet<\/em>. Como toda t\u00e9cnica nova, n\u00e3o deixa de suscitar temores, tristemente justificados por usos perversos, e exige uma constante vigil\u00e2ncia e uma s\u00e9ria informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata somente da moralidade do seu uso, mas das conseq\u00fc\u00eancias radicalmente novas que ela acarreta: perda do \u00ab peso espec\u00edfico \u00bb das informa\u00e7\u00f5es, nivelamento das mensagens reduzidas a n\u00e3o ser mais que pura informa\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia de rea\u00e7\u00f5es concernentes \u00e0s mensagens da rede por parte das pessoas respons\u00e1veis, efeito dissuasivo quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Mas, sem nenhuma d\u00favida, as imensas potencialidade da Interne podem fornecer um aux\u00edlio consider\u00e1vel \u00e0 difus\u00e3o da Boa Nova, como testemunham certas iniciativas eclesiais promissoras, que exigem um desenvolvimento criativo e respons\u00e1vel nesta \u00ab nova fronteira da miss\u00e3o da Igreja \u00bb (cf.\u00a0<em>Christifideles Laici<\/em>, n. 44).<\/p>\n<p>Esta \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 important\u00edssima. Como n\u00e3o estar presentes e utilizar as redes inform\u00e1ticas, cujos monitores estar\u00e3o de agora em diante em cada casa, para incluir ali os valores da mensagem evang\u00e9lica?<\/p>\n<p><em>Identidades e minorias nacionais<\/em><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>As trag\u00e9dias que marcaram o s\u00e9culo XX e afligem ainda hoje milh\u00f5es de pessoas pelo mundo afora, demonstram como o campo da identidade cultural e sua evangeliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o um fator decisivo para o futuro da Igreja e da sociedade. Se a sua unidade de natureza constitui todos os homens membros de uma \u00fanica grande comunidade, o car\u00e1ter hist\u00f3rico da condi\u00e7\u00e3o humana faz-lhes necessariamente ligados de modo mais intenso a grupos particulares: desde a fam\u00edlia at\u00e9 \u00e0s na\u00e7\u00f5es. A condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 colocada assim entre estes dois p\u00f3los o universal e o particular em tens\u00e3o vital particularmente fecunda, se \u00e9 vivida no equil\u00edbrio e na harmonia. O fundamento dos direitos das na\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 outro que a pessoa humana. Neste sentido, estes direitos n\u00e3o s\u00e3o nada mais que os direitos do homem considerados a este n\u00edvel espec\u00edfico da vida comunit\u00e1ria. O primeiro destes direitos \u00e9 o direito \u00e0 exist\u00eancia. \u00ab Ningu\u00e9m nem um Estado, nem outra na\u00e7\u00e3o, nenhuma organiza\u00e7\u00e3o internacional pode jamais considerar legitimamente que uma particular na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 digna de existir \u00bb.(15) O direito \u00e0 exist\u00eancia implica naturalmente, para cada na\u00e7\u00e3o, o direito \u00e0 sua pr\u00f3pria l\u00edngua e \u00e0 sua cultura. \u00c9 atrav\u00e9s delas que um povo exprime e defende sua soberania singular.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se os direitos da na\u00e7\u00e3o traduzem as exig\u00eancias da particularidade, \u00e9 importante tamb\u00e9m sublinhar as exig\u00eancias da universalidade, com os deveres que dela resultam para cada na\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras e para com toda a humanidade. O primeiro de todos \u00e9 sem d\u00favida nenhuma o dever de viver em uma atitude de paz, respeitosa e solid\u00e1ria \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es. Formar as novas gera\u00e7\u00f5es para viver sua pr\u00f3pria identidade na diversidade \u00e9 uma tarefa priorit\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura, dado que freq\u00fcentemente grupos de press\u00e3o n\u00e3o deixam de utilizar a religi\u00e3o para fins pol\u00edticos que lhe s\u00e3o estranhos. Ao mesmo tempo, a pastoral da cultura apoia-se sobre o Dom do Esp\u00edrito de Jesus e do seu amor que \u00ab s\u00e3o destinados a todos e cada um dos povos e culturas para os unir entre si \u00e0 imagem daquela perfeita uni\u00e3o que existe em Deus Uno e Trino \u00bb (Ecclesia in America, n. 70).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do nacionalismo carregado de desprezo, e at\u00e9 mesmo de avers\u00e3o \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es e culturas, o patriotismo \u00e9 o amor e o servi\u00e7o leg\u00edtimos, privilegiados, mas n\u00e3o exclusivos, ao seu pr\u00f3prio pa\u00eds e \u00e0 sua cultura, distante tanto do cosmopolitismo quanto do nacionalismo cultural. Cada cultura \u00e9 aberta ao universal naquilo que tem de melhor. Ela \u00e9 chamada tamb\u00e9m a se purificar da sua parte na heran\u00e7a de pecado, inscrita em certos preconceitos, costumes e pr\u00e1ticas opostas ao Evangelho, a enriquecer-se com o contributo da f\u00e9 e a \u00ab enriquecer a pr\u00f3pria Igreja universal com novas express\u00f5es e valores \u00bb (cf.\u00a0<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 52 e<em>\u00a0Slavorum Apostoli<\/em>, n. 21).<\/p>\n<p><strong>Novos are\u00f3pagos e campos culturais tradicionais<\/strong><\/p>\n<p><em>Ecologia, ci\u00eancia, filosofia e bio\u00e9tica<\/em><\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>Uma nova tomada de consci\u00eancia afirma-se com o desenvolvimento da ecologia. Esta n\u00e3o \u00e9 uma novidade para a Igreja: a luz da f\u00e9 ilumina o sentido da cria\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es entre o homem e a natureza. S\u00e3o Francisco de Assis e s\u00e3o Filipe N\u00e9ri s\u00e3o as testemunhas s\u00edmbolo do respeito \u00e0 natureza contido na vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo criado. Este respeito encontra sua fonte no fato de que a natureza n\u00e3o \u00e9 propriedade do homem; ela pertence a Deus, seu Criador, que confiou-lhe a sua administra\u00e7\u00e3o (Gn 1, 28) para que ele a respeite e nela encontre a sua leg\u00edtima subsist\u00eancia (cf. Centesimus Annus, n. 38-39).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A vulgariza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos cient\u00edficos conduz freq\u00fcentemente o homem a situar-se na imensid\u00e3o do cosmos e a extasiar-se diante de suas pr\u00f3prias capacidades e diante do universo, sem pensar de jeito nenhum que Deus \u00e9 o seu autor. Daqui o desafio, para a pastoral da cultura, de conduzir o homem para a transcend\u00eancia, de ensinar-lhe a percorrer de novo o caminho que parte de sua experi\u00eancia intelectual e humana, para desembocar no conhecimento do Criador, utilizando com sabedoria as melhores aquisi\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias modernas, \u00e0 luz da reta raz\u00e3o. Embora a ci\u00eancia, pelo seu prest\u00edgio, impregne fortemente a cultura contempor\u00e2nea, ela n\u00e3o consegue apreender aquilo que constitui na sua subst\u00e2ncia a experi\u00eancia humana, nem a realidade mais intr\u00ednseca das coisas. Uma cultura coerente, fundada sobre a transcend\u00eancia e a superioridade do esp\u00edrito em face da mat\u00e9ria, requer uma sabedoria onde o conhecimento cient\u00edfico se desenvolva em um horizonte iluminado pela reflex\u00e3o metaf\u00edsica. No plano do conhecimento f\u00e9 e ci\u00eancia n\u00e3o se sobrep\u00f5em uma \u00e0 outra, e conv\u00e9m n\u00e3o confundir os seus princ\u00edpios metodol\u00f3gicos, mas distinguir para unir e reencontrar, para al\u00e9m da dispers\u00e3o causada pela subdivis\u00e3o do saber em campos fechados, esta s\u00edntese harmoniosa e o sentido unificador da totalidade que caracterizam uma cultura plenamente humana. Em nossa cultura fragmentada que custa a integrar a abundante acumula\u00e7\u00e3o de conhecimentos, as maravilhosas descobertas das ci\u00eancias e as not\u00e1veis contribui\u00e7\u00f5es das modernas t\u00e9cnicas, a pastoral da cultura requer como pressuposto uma reflex\u00e3o filos\u00f3fica que se ocupe de organizar e estruturar o conjunto dos conhecimentos e fortale\u00e7a, ao faz\u00ea-lo, a capacidade de verdade da raz\u00e3o e sua fun\u00e7\u00e3o reguladora da cultura.<\/p>\n<p>\u00ab A subdivis\u00e3o do saber, enquanto comporta uma vis\u00e3o parcial da verdade com a conseq\u00fcente fragmenta\u00e7\u00e3o do seu sentido, impede a unidade interior do homem de hoje. Como poderia a Igreja deixar de preocupar-se? Os Pastores recebem esta fun\u00e7\u00e3o sapiencial diretamente do Evangelho, e n\u00e3o podem eximir-se do dever de concretiz\u00e1-la \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 85).<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>\u00c9 tamb\u00e9m a tarefa dos\u00a0<em>fil\u00f3sofos\u00a0<\/em>e\u00a0<em>te\u00f3logos\u00a0<\/em>qualificados, em condi\u00e7\u00f5es de abordar com compet\u00eancia a cultura cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica dominante, de identificar os desafios e os fundamentos para o an\u00fancio do Evangelho. Esta exig\u00eancia implica uma renova\u00e7\u00e3o do ensino filos\u00f3fico e teol\u00f3gico, pois a condi\u00e7\u00e3o de todo di\u00e1logo e de toda incultura\u00e7\u00e3o est\u00e1 numa teologia plenamente fiel ao dado de f\u00e9. A pastoral da cultura tem igual necessidade de cientistas cat\u00f3licos que sintam como que um dever de fornecer sua contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u00e0 vida da Igreja, j\u00e1 que faz parte de sua experi\u00eancia pessoal o encontro entre ci\u00eancia e f\u00e9. O d\u00e9ficit de qualifica\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e de compet\u00eancia cient\u00edfica prejudica a efic\u00e1cia da presen\u00e7a da Igreja no cora\u00e7\u00e3o da cultura derivada das pesquisas cient\u00edficas e de suas aplica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. E no entanto\u00a0<em>n\u00f3s vivemos um per\u00edodo particularmente favor\u00e1vel ao di\u00e1logo entre ci\u00eancia e f\u00e9<\/em>.(16)<\/li>\n<li>A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica disp\u00f5em de maravilhosos meios para aumentar o saber, o poder e o bem-estar dos homens, mas a sua utiliza\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel implica a dimens\u00e3o \u00e9tica das quest\u00f5es cient\u00edficas. Freq\u00fcentemente colocadas pelos pr\u00f3prios estudiosos em busca da verdade, estas quest\u00f5es evidenciam\u00a0<em>a necessidade de um di\u00e1logo entre ci\u00eancia e moral<\/em>. Esta busca da verdade que transcende a experi\u00eancia dos sentidos, oferece novas possibilidades para uma pastoral da cultura dirigida ao an\u00fancio do Evangelho nos meios cient\u00edficos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 de todo evidente, e sua vastid\u00e3o o testemunha, que a bio\u00e9tica \u00e9 bem mais que uma disciplina do saber, ela tem incid\u00eancias culturais, sociais, pol\u00edticas e jur\u00eddicas, \u00e0s quais a Igreja atribui a Maior import\u00e2ncia. Com efeito, a evolu\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o no campo da bio\u00e9tica depende da escolha das refer\u00eancias \u00e9ticas \u00e0s quais recorre o legislador. A quest\u00e3o de fundo permanece, com o seu car\u00e1ter severo: quais devem ser as rela\u00e7\u00f5es entre normas morais e lei civil em uma sociedade pluralista? (cf.\u00a0<em>Evangelium Vitae<\/em>, n. 18 e 68-74). Ao submeter as quest\u00f5es \u00e9ticas fundamentais a legisladores sucessivos, n\u00e3o se corre o risco de erigir em direito algo que moralmente seria inaceit\u00e1vel?<\/p>\n<p>A bio\u00e9tica \u00e9 um dos campos evidentes que convidam a remontar aos fundamentos da antropologia e da vida moral. O papel dos crist\u00e3os \u00e9 insubstitu\u00edvel para contribuir na forma\u00e7\u00e3o, no seio da sociedade, num di\u00e1logo respeitoso e exigente, de uma consci\u00eancia \u00e9tica e um sentido c\u00edvico. Esta situa\u00e7\u00e3o cultural exige uma forma\u00e7\u00e3o rigorosa tanto para os presb\u00edteros quanto para os leigos que agem neste campo crucial da bio\u00e9tica.<\/p>\n<p><em>A fam\u00edlia e a educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>14<em>. \u00ab A fam\u00edlia<\/em>, comunidade de pessoas, \u00e9, pois, a primeira sociedade humana. Ela surge no momento em que se realiza a alian\u00e7a do matrim\u00f4nio, que abre os c\u00f4njuges a uma perene comunh\u00e3o de amor e de vida, e completa-se plenamente e de modo espec\u00edfico com a gera\u00e7\u00e3o dos filhos: a comunh\u00e3o dos c\u00f4njuges d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 comunidade familiar \u00bb (<em>Carta \u00e0s fam\u00edlias<\/em>, 1994, n. 7).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ber\u00e7o da vida e do amor, a fam\u00edlia \u00e9 tamb\u00e9m fonte de cultura. Ela acolhe a vida e \u00e9 esta escola de humanidade onde os futuros c\u00f4njuges melhor aprendem a se tornarem pais respons\u00e1veis. O processo de crescimento, que ela assegura em uma comunidade de vida e de amor, ultrapassa em certas civiliza\u00e7\u00f5es o n\u00facleo parental, para constituir, por exemplo, a grande fam\u00edlia africana. E mesmo quando a mis\u00e9ria material, cultural e moral mina a institui\u00e7\u00e3o mesma do matrim\u00f4nio e amea\u00e7a secar as fontes da vida, a fam\u00edlia nem por deixa de ser o lugar privilegiado de forma\u00e7\u00e3o da pessoa e da sociedade. A experi\u00eancia o demonstra: o conjunto das na\u00e7\u00f5es e a coes\u00e3o dos povos dependem, acima de tudo, da qualidade humana das fam\u00edlias, principalmente da presen\u00e7a complementar dos dois genitores, com os pap\u00e9is respectivos do pai e da m\u00e3e na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Numa sociedade onde cresce o n\u00famero dos sem-fam\u00edlia, a educa\u00e7\u00e3o torna-se mais dif\u00edcil, como a transmiss\u00e3o de uma cultura popular modelada pelo Evangelho.<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es pessoais dolorosas merecem compreens\u00e3o, caridade e solidariedade, mas em nenhum caso aquilo que \u00e9 fracasso tr\u00e1gico da fam\u00edlia poder\u00e1 ser apresentado como novo modelo de vida social. As campanhas de opini\u00e3o e as pol\u00edticas antifamiliares ou antinatalistas s\u00e3o tentativas de modificar o conceito mesmo de \u00ab fam\u00edlia \u00bb, at\u00e9 esvazi\u00e1-lo de sua subst\u00e2ncia. Neste contexto, formar uma comunidade de vida e de amor que une os c\u00f4njuges associando-os ao Criador constitui o melhor testemunho que as fam\u00edlias crist\u00e3s possam dar \u00e0 sociedade.<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>Mais que em qualquer outra \u00e9poca, o papel espec\u00edfico da mulher nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e sociais desperta reflex\u00f5es e iniciativas. Em numerosas sociedades contempor\u00e2neas marcadas por uma mentalidade \u00ab antifilho \u00bb, o cuidado dos filhos \u00e9 com freq\u00fc\u00eancia considerado como um obst\u00e1culo \u00e0 autonomia e \u00e0s possibilidades de afirma\u00e7\u00e3o da mulher, o que obscurece o rico significado da maternidade bem como da personalidade feminina. Fundada sobre a mensagem da Revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, promovida a despeito dos acasos da hist\u00f3ria e da cultura das na\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, a igualdade fundamental do homem e da mulher criados por Deus \u00e0 sua imagem (<em>Gn\u00a0<\/em>1, 27) e ilustrada pelo patrim\u00f4nio art\u00edstico secular da Igreja, chama a pastoral da cultura a levar em conta a profunda transforma\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o feminina em nosso tempo: \u00ab Em tempos recentes, algumas correntes do movimento feminista, no intento de favorecer a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, tiveram em vista assemelh\u00e1-la em tudo ao homem. Mas a inten\u00e7\u00e3o divina manifestada na cria\u00e7\u00e3o, embora quisesse a mulher igual ao homem por dignidade e valor, afirma-lhe contemporaneamente com clareza a diversidade e a especificidade. A identidade da mulher n\u00e3o pode consistir em ser uma c\u00f3pia do homem \u00bb.(17) As especificidades pr\u00f3prias de cada um dos sexos se unem em uma colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edproca que leva a um enriquecimento m\u00fatuo e onde as mulheres s\u00e3o as primeiras artes\u00e3s de uma sociedade mais humana.<\/li>\n<li>\u00ab Tarefa primeira e essencial de toda a cultura \u00bb,(18) a educa\u00e7\u00e3o que \u00e9, desde a Antig\u00fcidade crist\u00e3, um dos mais destacados campos de a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, tanto no plano religioso e cultural quanto no plano pessoal e social, \u00e9 mais do que nunca complexa e crucial. Ela \u00e9 fundamentalmente responsabilidade das fam\u00edlias, mas tem necessidade da colabora\u00e7\u00e3o de toda a sociedade. O mundo de amanh\u00e3 depende da educa\u00e7\u00e3o de hoje, e esta n\u00e3o pode se reduzir \u00e0 mera transmiss\u00e3o de conhecimentos. Ela forma as pessoas e as prepara para se integrar na vida social, promovendo o seu amadurecimento psicol\u00f3gico, intelectual, cultural, moral e espiritual.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O desafio de anunciar o Evangelho \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens, da escola \u00e0 universidade, exige tamb\u00e9m um projeto educativo apropriado. A educa\u00e7\u00e3o no seio da fam\u00edlia, na escola ou na universidade \u00ab n\u00e3o s\u00f3 constr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o profunda entre educador e educando, mas f\u00e1-los ambos participar na verdade e no amor, meta final \u00e0 qual cada homem \u00e9 chamado por Deus Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo \u00bb (<em>Carta \u00e0s fam\u00edlias<\/em>, n. 16). Ela prepara para viver rela\u00e7\u00f5es fundadas sobre o respeito dos direitos e dos deveres. Ela prepara para viver em um esp\u00edrito de acolhimento e de solidariedade, para exercer um uso moderado da propriedade e dos bens, a fim de garantir justas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia para todos e em toda a parte. O futuro da humanidade passa pelo desenvolvimento integral e solid\u00e1rio de cada pessoa: todo homem e o homem todo (cf.\u00a0<em>Populorum Progressio<\/em>, n. 42). Assim, fam\u00edlia, escola e universidade s\u00e3o chamadas, cada uma na sua ordem, a inserir o fermento evang\u00e9lico nas culturas do Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n<p><em>Arte e lazer<\/em><\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li>Numa cultura cada vez mais marcada pelo primado do ter, pela obsess\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o imediata, pela ilus\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es materiais, a busca do lucro, \u00e9 surpreendente constatar n\u00e3o somente a perman\u00eancia, mas o desenvolvimento de um interesse pelo belo. As formas de que se reveste este interesse parecem traduzir a aspira\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m, e at\u00e9 mesmo se refor\u00e7a, a um algo mais que encante a exist\u00eancia, abra-a e a conduza para al\u00e9m dela mesma. A Igreja teve intui\u00e7\u00e3o disto desde a origem e s\u00e9culos de arte crist\u00e3 d\u00e3o disso uma ilustra\u00e7\u00e3o magn\u00edfica: a obra de arte aut\u00eantica \u00e9 potencialmente uma porta de entrada para a experi\u00eancia religiosa. Reconhecer a import\u00e2ncia da arte para inculturar o Evangelho, \u00e9 reconhecer que o g\u00eanio e a sensibilidade do homem s\u00e3o conaturais \u00e0 verdade e \u00e0 beleza do mist\u00e9rio divino. A Igreja manifesta um profundo respeito por todos os artistas, sem fazer acep\u00e7\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, pois a obra art\u00edstica porta em si como que uma marca do invis\u00edvel, mesmo se, como qualquer atividade humana, a arte n\u00e3o tenha em si mesma o seu fim absoluto: ela \u00e9 ordenada \u00e0 pessoa humana.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os artistas crist\u00e3os constituem para a Igreja uma potencialidade extraordin\u00e1ria para aprimorar novas f\u00f3rmulas e elaborar novos s\u00edmbolos ou met\u00e1foras, Na exuber\u00e2ncia g\u00eanio lit\u00fargico dotado de uma poderosa for\u00e7a criativa, radicada ha tantos s\u00e9culos nas profundezas do imagin\u00e1rio cat\u00f3lico, com sua capacidade de exprimir a onipresen\u00e7a da gra\u00e7a. Em cada continente n\u00e3o faltam os artistas cuja inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 capaz de atrair fi\u00e9is de todas as religi\u00f5es, bem como os n\u00e3o-crentes, pela irradia\u00e7\u00e3o do belo e do verdadeiro. Atrav\u00e9s dos artistas crist\u00e3os o Evangelho, fonte fecunda de inspira\u00e7\u00e3o, atinge numerosas pessoas desprovidas de contato com a mensagem de Cristo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o patrim\u00f4nio cultural da Igreja testemunha uma fecunda integra\u00e7\u00e3o entre cultura e f\u00e9. Ele constitui um recurso permanente para uma educa\u00e7\u00e3o cultural e catequ\u00e9tica, que une a verdade da f\u00e9 \u00e0 aut\u00eantica beleza da arte (cf.<em>\u00a0Sacrosanctum Concilium<\/em>, n. 122-127). Frutos de uma comunidade crist\u00e3 que viveu e vive intensamente sua f\u00e9 na esperan\u00e7a e na caridade, estes bens cultuais e culturais da Igreja est\u00e3o aptos a inspirar a exist\u00eancia humana e crist\u00e3 no alvorecer do Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li><em>O mundo do lazer e do desporto, das viagens e do turismo<\/em>, juntamente com o do trabalho, constitui sem d\u00favida uma dimens\u00e3o importante da cultura onde a Igreja est\u00e1 presente h\u00e1 muito tempo. Portanto este vem a ser tamb\u00e9m um dos are\u00f3pagos da pastoral da cultura. A cultura do \u00ab trabalho \u00bb passa por profundas transforma\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deixam de ter conseq\u00fc\u00eancias sobre o lazer e as atividades culturais. O trabalho, que para a grande Maioria \u00e9 o meio de procurar o p\u00e3o cotidiano (cf.\u00a0<em>Laborem Exercens<\/em>, n. 1), \u00e9 tamb\u00e9m um dos meios de responder ao desejo cada vez mais afirmado de desenvolvimento pessoal, ao mesmo t\u00edtulo que as atividades culturais. Todavia, num contexto de especializa\u00e7\u00e3o, de grande desenvolvimento tecnol\u00f3gico e econ\u00f4mico, as novas formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho freq\u00fcentemente trazem consigo o aumento do desemprego em todas as camadas da sociedade, o qual \u00e9 causa n\u00e3o s\u00f3 de mis\u00e9ria material, mas tamb\u00e9m semeia nas culturas d\u00favida, insatisfa\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo delinq\u00fc\u00eancia. A precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida e a necessidade de prover ao necess\u00e1rio levam muitas vezes a considerar a cultura art\u00edstica e liter\u00e1ria como um sup\u00e9rfluo reservado a uma elite privilegiada.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O\u00a0<em>desporto<\/em>, que se tornou quase universal, tem sem nenhuma d\u00favida o seu lugar em uma vis\u00e3o crist\u00e3 da cultura, e pode favorecer ao mesmo tempo a sa\u00fade f\u00edsica e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, pois ele cria la\u00e7os e contribui para forjar um ideal. Mas ele pode tamb\u00e9m ser desnaturado pelos interesses comerciais, tornar-se o ve\u00edculo de rivalidades nacionais ou raciais, dar lugar a explos\u00f5es de viol\u00eancia que revelam as tens\u00f5es e as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade, e transformar-se, ent\u00e3o, em anticultura. Ele \u00e9 tamb\u00e9m um lugar importante para uma moderna pastoral da cultura. Realidade multiforme e complexa, simultaneamente carregada de s\u00edmbolos e de interesses comerciais, o lazer e o desporto criam n\u00e3o s\u00f3 uma atmosfera, mas como que uma cultura, um modo de ser, um sistema de refer\u00eancias. Uma pastoral adaptada saber\u00e1 discernir a\u00ed os aut\u00eanticos valores educativos, como um meio para celebrar as riquezas do ser criado a imagem de Deus, e, a exemplo do ap\u00f3stolo Paulo, anunciar a salva\u00e7\u00e3o em Cristo (cf.\u00a0<em>1 Cor\u00a0<\/em>9, 24-27).<\/p>\n<p><strong>Diversidade cultural e pluralidade religiosa<\/strong><\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li>Em nossos dias, a miss\u00e3o evangelizadora da Igreja \u00e9 exercida em um mundo caracterizado pela diversidade de situa\u00e7\u00f5es culturais modeladas por diferentes paradigmas religiosos. Neste momento em que os contatos interculturais e inter-religiosos se aceleram no seio da aldeia global, este fen\u00f4meno toca todos os continentes e todos os pa\u00edses.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A Assembl\u00e9ia especial do S\u00ednodo dos Bispos para a \u00c1frica p\u00f4s isto em relevo. Nesse continente, as religi\u00f5es tradicionais que encontram o Cristianismo e o Isl\u00e3o permanecem bem vivas, e impregnam a cultura e a vida das pessoas e das comunidades. Se os valores culturais positivos dessas religi\u00f5es nem sempre foram suficientemente levados em conta no in\u00edcio da evangeliza\u00e7\u00e3o, a Igreja, particularmente depois do Conc\u00edlio Vaticano II, promove aqueles que est\u00e3o em harmonia com o Evangelho e preparam o caminho da convers\u00e3o a Cristo. \u00ab Os africanos t\u00eam um profundo senso religioso, o sentido do sagrado, da exist\u00eancia de Deus criador e de um mundo espiritual. A realidade do pecado nas suas formas individuais e sociais est\u00e3o muito presentes na consci\u00eancia daqueles povos, e sente-se tamb\u00e9m igualmente a necessidade de ritos de purifica\u00e7\u00e3o e expia\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Ecclesia in Africa<\/em>, n. 30-37, 42). Os valores positivos transmitidos pelas culturas tradicionais, tais como o sentido da fam\u00edlia, o amor e o respeito \u00e0 vida, o respeito aos anci\u00e3os e a venera\u00e7\u00e3o dos ancestrais, o sentido da solidariedade e da vida comunit\u00e1ria, o respeito ao chefe, a dimens\u00e3o celebrativa da vida, s\u00e3o fundamentos s\u00f3lidos para a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, pela qual o Evangelho penetra todos os aspectos da cultura levando-os ao seu pleno desenvolvimento (cf.\u00a0<em>Ibid.<\/em>, n. 59-62). Entretanto, as atitudes contr\u00e1rias ao Evangelho, inspiradas por essas tradi\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o resolutamente combatidas pela for\u00e7a da Boa Nova do Cristo Salvador, portadora das Bem-aventuran\u00e7as evang\u00e9licas (<em>Mt<\/em>\u00a05, 1-12).<\/p>\n<ol start=\"20\">\n<li>Imensas regi\u00f5es do mundo, particularmente na\u00a0<em>\u00c1sia<\/em>, terras de antigas culturas, s\u00e3o profundamente marcadas por religi\u00f5es e sabedorias n\u00e3o-crist\u00e3s, tais como o Hindu\u00edsmo, o Budismo, o Tao\u00edsmo, o Shinto\u00edsmo, o Confucionismo, que merecem uma atenta considera\u00e7\u00e3o. A mensagem de Cristo suscita ali poucas respostas. N\u00e3o ser\u00e1 isto porque o cristianismo \u00e9 percebido ali freq\u00fcentemente como uma religi\u00e3o estrangeira, insuficientemente inserida, assimilada e vivida nas culturas locais? Da\u00ed a vastid\u00e3o de uma pastoral da cultura neste contexto espec\u00edfico.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Numerosas realidades morais e espirituais, e at\u00e9 mesmo m\u00edsticas, tais como a santidade, a ren\u00fancia, a castidade, a virtude, o amor universal, o amor \u00e0 paz, a ora\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o, a felicidade em Deus, a compaix\u00e3o, vividos nestas culturas, s\u00e3o aberturas para a f\u00e9 no Deus de Jesus Cristo. O Papa Jo\u00e3o Paulo II o recorda: \u00ab Compete aos crist\u00e3os de hoje, sobretudo aos da \u00cdndia, a tarefa de extrair deste rico patrim\u00f4nio os elementos compat\u00edveis com a sua f\u00e9, para se obter um enriquecimento do pensamento crist\u00e3o \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 72). Express\u00f5es do homem em busca de Deus, as culturas do Oriente manifestam, atrav\u00e9s das diversidades culturais, a universalidade do g\u00eanio humano e sua dimens\u00e3o espiritual (cf.\u00a0<em>Nostra Aetate<\/em>, n. 2). Num mundo dominado pela seculariza\u00e7\u00e3o, elas atestam a experi\u00eancia vivida do divino e a import\u00e2ncia do espiritual como n\u00facleo vivo das culturas.<\/p>\n<p>\u00c9 um gigantesco desafio para a pastoral da cultura acompanhar os homens de boa vontade cuja raz\u00e3o procura a verdade, fundamentando-se nessas ricas tradi\u00e7\u00f5es culturais, tais como a milenar sabedoria chinesa, e conduzir sua busca do divino a se abrir \u00e0 Revela\u00e7\u00e3o do Deus vivo que, pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito, associa a si o homem em Jesus Cristo, \u00fanico Redentor.<\/p>\n<ol start=\"21\">\n<li>Outras grandes regi\u00f5es a Assembl\u00e9ia especial para a\u00a0<em>Am\u00e9rica\u00a0<\/em>do S\u00ednodo dos Bispos p\u00f4-lo a viva luz vivem de uma cultura profundamente modelada pela mensagem evang\u00e9lica e, ao mesmo tempo, se encontram sob uma penetrante influ\u00eancia de modos de vida materialistas e secularizados, que se manifesta especialmente no abandono da religi\u00e3o difundido na classe m\u00e9dia e entre os homens de cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A Igreja, que afirma a dignidade da pessoa humana, cuida de purificar a vida social das chagas que s\u00e3o a viol\u00eancia, as injusti\u00e7as sociais, os abusos de que s\u00e3o v\u00edtimas as crian\u00e7as de rua, o tr\u00e1fico de drogas, etc. Neste contexto e afirmando o seu amor preferencial pelos pobres e exclu\u00eddos, a Igreja deve promover uma cultura da solidariedade em todos os n\u00edveis da vida social: institui\u00e7\u00f5es governamentais, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es privadas. Abrindo-se a uma Maior uni\u00e3o entre as pessoas, entre as sociedades e as na\u00e7\u00f5es, ela se associar\u00e1 aos esfor\u00e7os das pessoas de boa vontade para construir um mundo cada vez mais digno da pessoa humana. Ao faz\u00ea-lo, ela contribuir\u00e1 \u00ab para a redu\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos da globaliza\u00e7\u00e3o, tais como o dom\u00ednio dos mais poderosos sobre os mais fracos, especialmente no campo econ\u00f4mico, e a perda dos valores das culturas locais a favor de uma mal entendida homogeneiza\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 55).<\/p>\n<p>Em nossos dias, a ignor\u00e2ncia religiosa end\u00eamica favorece diferentes formas de sincretismo entre antigas culturas hoje extintas, os novos movimentos religiosos e a f\u00e9 cat\u00f3lica. Os problemas sociais, econ\u00f4micos, culturais e morais servem de justifica\u00e7\u00e3o a novas ideologias sincretistas cujos c\u00edrculos est\u00e3o ativamente presentes em diversos pa\u00edses. A Igreja pretende ressaltar estes desafios, em particular junto dos mais pobres, promover a justi\u00e7a social e evangelizar as culturas tradicionais, bem como as novas culturas que emergem das megal\u00f3poles.(19)<\/p>\n<ol start=\"22\">\n<li><em>Os pa\u00edses penetrados pelo Isl\u00e3o\u00a0<\/em>constituem como que um universo cultural com sua configura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, se bem que diversificada entre os pa\u00edses \u00e1rabes e os outros pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia. Pois o Isl\u00e3o se apresenta indissociavelmente como uma sociedade com sua legisla\u00e7\u00e3o e suas tradi\u00e7\u00f5es, cujo conjunto constitui uma vasta comunidade, uma, com a sua cultura pr\u00f3pria e o seu projeto de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O Isl\u00e3o conhece atualmente uma grande expans\u00e3o, devida especialmente aos movimentos migrat\u00f3rios provenientes de pa\u00edses com grande crescimento demogr\u00e1fico. Nos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que t\u00eam, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, um baixo ou at\u00e9 mesmo negativo C crescimento demogr\u00e1fico, percebe-se freq\u00fcentemente hoje o aumento da presen\u00e7a de mu\u00e7ulmanos como um desafio social, cultural, e at\u00e9 mesmo religioso. Os imigrados mu\u00e7ulmanos por sua vez passam, ao menos em certos pa\u00edses, por grandes dificuldades de integra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural. Ali\u00e1s, o afastamento de uma comunidade tradicional conduz freq\u00fcentemente no Isl\u00e3o como nas outras religi\u00f5es ao abandono de certas pr\u00e1ticas religiosas e a uma crise de identidade cultural. Uma colabora\u00e7\u00e3o leal com os mu\u00e7ulmanos no plano cultural pode permitir o estabelecimento em uma efetiva reciprocidade de rela\u00e7\u00f5es frutuosas nos pa\u00edses isl\u00e2micos, bem como com as comunidades mu\u00e7ulmanas estabelecidas nos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Uma tal coopera\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispensa os crist\u00e3os de dar conta de sua f\u00e9 cristol\u00f3gica e trinit\u00e1ria em face das outras express\u00f5es do monote\u00edsmo.<\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li><em>As culturas secularizadas\u00a0<\/em>exercem uma profunda influ\u00eancia em diversas partes de um mundo marcado pela acelera\u00e7\u00e3o e pela complexidade crescente das mudan\u00e7as culturais. Nascida em pa\u00edses de antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, esta cultura secularizada, com os seus valores de solidariedade, de dedica\u00e7\u00e3o gratuita, de liberdade, de justi\u00e7a, de igualdade entre o homem e a mulher, de abertura de esp\u00edrito e de di\u00e1logo, e de sensibilidade ecol\u00f3gica. guarda ainda a marca de valores fundamentalmente crist\u00e3os que impregnaram a cultura ao longo dos s\u00e9culos e cuja fecundidade penetrou a pr\u00f3pria seculariza\u00e7\u00e3o no processo de civiliza\u00e7\u00e3o e na reflex\u00e3o filos\u00f3fica. \u00c0s v\u00e9speras do terceiro mil\u00eanio, as quest\u00f5es da verdade, dos valores, do ser e do sentido, ligadas \u00e0 natureza humana, revelam os limites de uma seculariza\u00e7\u00e3o que suscita, malgrado ela mesma, a procura da \u00ab dimens\u00e3o espiritual da vida como ant\u00eddoto \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o. Este fen\u00f4meno, denominado &#8220;ressurgimento religioso&#8221;, n\u00e3o est\u00e1 isento de ambig\u00fcidade, mas traz com ele tamb\u00e9m um convite&#8230; Tamb\u00e9m este \u00e9 um are\u00f3pago a evangelizar \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 38).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando a seculariza\u00e7\u00e3o se transforma em secularismo (<em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, n. 55), resulta em uma grave crise cultural e espiritual, da qual um dos sinais \u00e9 a perda do respeito pela pessoa e a difus\u00e3o de uma esp\u00e9cie de niilismo antropol\u00f3gico que reduz o homem aos seus instintos e tend\u00eancias. Este niilismo que alimenta uma grave crise da verdade (cf.\u00a0<em>Veritatis Splendor<\/em>, n. 32), \u00ab de algum modo encontra confirma\u00e7\u00e3o na terr\u00edvel experi\u00eancia do mal que caracterizou a nossa \u00e9poca. O otimismo racionalista que via na hist\u00f3ria o avan\u00e7o vitorioso da raz\u00e3o, fonte de felicidade e de liberdade, n\u00e3o p\u00f4de resistir face \u00e0 dramaticidade de tal experi\u00eancia, a ponto de uma das Maiores amea\u00e7as, neste final de s\u00e9culo, ser a tenta\u00e7\u00e3o do desespero \u00bb (<em>Fides et Ratio<\/em>, n. 91). \u00c9 dando novamente lugar \u00e0 raz\u00e3o esclarecida pela f\u00e9 e reconhecendo Cristo como a solu\u00e7\u00e3o para a vida do homem, que uma pastoral evangelizadora da cultura poder\u00e1 refor\u00e7ar a identidade crist\u00e3 ajudando as pessoas e as comunidades a reencontrar sua raz\u00e3o de viver, em todos os caminhos da vida, ao encontro do Senhor que vem, e da vida do mundo que h\u00e1 de vir (<em>Ap\u00a0<\/em>21-22).<\/p>\n<p>Os pa\u00edses que redescobriram uma liberdade por muito tempo sufocada pelo marxismo-leninismo ateu no poder, ficaram marcados por uma \u00ab descultura\u00e7\u00e3o \u00bb violenta da f\u00e9 crist\u00e3: as rela\u00e7\u00f5es entre os homens artificialmente modificadas, a depend\u00eancia da criatura em rela\u00e7\u00e3o ao seu Criador negada, as verdades dogm\u00e1ticas da Revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e sua \u00e9tica combatidas. A esta \u00ab descultura\u00e7\u00e3o \u00bb sucedeu um questionamento radical de valores essenciais para os crist\u00e3os. Os efeitos redutores do secularismo espalhado na Europa Ocidental no fim dos anos sessenta, contribuem na desestrutura\u00e7\u00e3o da cultura dos pa\u00edses da Europa central e oriental.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses, de tradicional pluralismo democr\u00e1tico, experimentam, sobre um fundo massificado de ades\u00e3o social religiosa, o impulso de correntes mescladas de secularismo e de express\u00f5es religiosas populares levadas pelos fluxos migrat\u00f3rios. Diante deste fato, a Assembl\u00e9ia especial para a Am\u00e9rica do S\u00ednodo dos Bispos prop\u00f4s uma nova tomada de consci\u00eancia mission\u00e1ria.<\/p>\n<p><em>Seitas e novos movimentos religiosos<\/em>\u00a0(20)<\/p>\n<ol start=\"24\">\n<li>A sociedade no seio da qual emerge, sob as formas mais variadas, uma nova busca de espiritualidade, talvez mais que de religi\u00e3o, n\u00e3o deixa de recordar uma das tribunas de S\u00e3o Paulo, o\u00a0<em>Are\u00f3pago\u00a0<\/em>de Atenas (cf.\u00a0<em>AA<\/em>, 17, 22-31). A sede de reencontrar uma dimens\u00e3o espiritual que seja tamb\u00e9m fonte de sentido para a vida, bem como o desejo profundo de reconstituir um tecido de rela\u00e7\u00f5es afetivas e sociais muitas vezes lacerado pela instabilidade crescente da institui\u00e7\u00e3o familiar, ao menos em certos pa\u00edses, se traduzem em um novo \u00ab\u00a0<em>revival<\/em>\u00bb no seio do cristianismo, mas tamb\u00e9m por constru\u00e7\u00f5es mais ou menos sincretistas orientadas para uma certa uni\u00e3o global para al\u00e9m de toda religi\u00e3o particular.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Sob o poliss\u00eamico voc\u00e1bulo seita podem ser colocados numerosos e muito variados grupos, uns de inspira\u00e7\u00e3o gn\u00f3stica ou esot\u00e9rica, outros de apar\u00eancia crist\u00e3, outros ainda, em certos casos, hostis a Cristo e \u00e0 Igreja. O seu aparecimento responde, freq\u00fcentemente, a aspira\u00e7\u00f5es insatisfeitas. Muitos de nossos contempor\u00e2neos encontram a\u00ed um lugar de perten\u00e7a e de comunica\u00e7\u00e3o, de afeto e de fraternidade, at\u00e9 mesmo uma apar\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a. Este sentimento se fundamenta, em grande parte,\u00a0<em>nas solu\u00e7\u00f5es aparentemente luminosas\u00a0<\/em>como o \u00ab\u00a0<em>Gospel of success<\/em>\u00a0\u00bb &#8211; mas, de fato,\u00a0<em>ilus\u00f3rias\u00a0<\/em>que as seitas\u00a0<em>parecem\u00a0<\/em>fornecer \u00e0s quest\u00f5es mais complexas, como tamb\u00e9m em uma teologia pragm\u00e1tica muitas vezes baseada na exalta\u00e7\u00e3o do \u00ab eu \u00bb t\u00e3o maltratado pela sociedade. Freq\u00fcentemente, as seitas se desenvolvem gra\u00e7as \u00e0s suas pretensas respostas \u00e0s necessidades das pessoas em busca de cura, de filhos, de sucesso econ\u00f4mico. Ocorre o mesmo com as religi\u00f5es esot\u00e9ricas cujo \u00eaxito se afirma gra\u00e7as \u00e0 ignor\u00e2ncia e \u00e0 credulidade de crist\u00e3os pouco ou mal formados. Em numerosos pa\u00edses, algumas pessoas, feridas pela vida, deixadas a si mesmas, fazem a dolorosa experi\u00eancia da exclus\u00e3o, especialmente no anonimato caracter\u00edstico da cultura urbana, e est\u00e3o prontas a tudo aceitar contanto que se beneficiem de uma vis\u00e3o espiritual que lhes restitua a harmonia perdida, e lhes conceda experimentar como que uma sensa\u00e7\u00e3o de cura f\u00edsica e espiritual. Tudo isto mostra a complexidade e o alcance do fen\u00f4meno das seitas, que alia o mal-estar existencial \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o institucional das religi\u00f5es, e que se manifesta sob formas e express\u00f5es religiosas heterog\u00eaneas.<\/p>\n<p>Mas a prolifera\u00e7\u00e3o das seitas \u00e9 tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do secularismo e uma conseq\u00fc\u00eancia das modifica\u00e7\u00f5es sociais e culturais que fizeram com que se perdessem as ra\u00edzes religiosas tradicionais. Ir ao encontro das pessoas tocadas pelas seitas ou em perigo de o ser, para anunciar Jesus Cristo que lhes fala ao cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos desafios que a Igreja deve-se colocar.<\/p>\n<p>Verdadeiramente, de um continente a outro, verifica-se a emerg\u00eancia de uma \u00ab nova \u00e9poca da hist\u00f3ria humana \u00bb, j\u00e1 percebida pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Esta tomada de consci\u00eancia exige uma nova pastoral da cultura, que se encarregue de enfrentar estes novos desafios, na convic\u00e7\u00e3o que levou Jo\u00e3o Paulo II a criar o Conselho Pontif\u00edcio da Cultura: \u00ab Daqui a import\u00e2ncia para a Igreja&#8230; de uma a\u00e7\u00e3o pastoral atenta e clarividente, a respeito da cultura, em particular da que \u00e9 chamada cultura viva, ou seja o conjunto dos princ\u00edpios e dos valores que formam o\u00a0<em>ethos\u00a0<\/em>de um povo \u00bb (<em>Carta Aut\u00f3grafa<\/em>, op. cit.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III<\/strong><\/p>\n<p><strong>PROPOSTAS CONCRETAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Objetivos pastorais priorit\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>Os novos desafios que devem suscitar uma evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada a partir das culturas modeladas por dois mil anos de cristianismo e de fundamentos identificados no interior dos novos are\u00f3pagos culturais, exigem uma apresenta\u00e7\u00e3o renovada da mensagem crist\u00e3, ancorada na tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja e sustentada pelo testemunho de vida aut\u00eantica das comunidades crist\u00e3s. Pensar todas as coisas novas a partir da novidade do Evangelho, proposto de maneira renovada e persuasiva, torna-se uma exig\u00eancia Maior. Numa perspectiva de prepara\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, a pastoral da cultura tem por objetivo priorit\u00e1rio inserir a seiva vital do Evangelho nas culturas a fim de as renovar interiormente e de transformar, \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o, as compreens\u00f5es do homem e da sociedade que modelam as culturas, as concep\u00e7\u00f5es de homem e da mulher, da fam\u00edlia e da educa\u00e7\u00e3o, da escola e da universidade, da liberdade e da verdade, do trabalho e do lazer, da economia e da sociedade, das ci\u00eancias e das artes.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente falar para ser entendido. Uma vez que o destinat\u00e1rio esteja simultaneamente de acordo com a mensagem pela sua cultura tradicional impregnada de cristianismo e globalmente bem disposto a seu respeito por todo o contexto s\u00f3cio-cultural, ele poder\u00e1 ent\u00e3o receber e compreender aquilo que lhe for proposto. Na atual pluralidade cultural, \u00e9 necess\u00e1rio unir ao an\u00fancio as condi\u00e7\u00f5es de sua recep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00eaxito desta grande empresa exige um cont\u00ednuo discernimento \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo invocado na ora\u00e7\u00e3o. Ele exige tamb\u00e9m, com uma prepara\u00e7\u00e3o adequada e uma forma\u00e7\u00e3o apropriada, meios pastorais simples homilias, catecismo, miss\u00f5es populares, escolas de evangeliza\u00e7\u00e3o aliados aos meios de comunica\u00e7\u00e3o modernos para atingir os homens e mulheres de todas as culturas. Os S\u00ednodos dos Bispos recordam-no com crescente insist\u00eancia, na seq\u00fc\u00eancia do Conc\u00edlio Vaticano II, seja aos presb\u00edteros e religiosos, seja aos leigos. A este respeito, as Confer\u00eancias dos Bispos encontram uma inst\u00e2ncia especial nas\u00a0<em>Comiss\u00f5es episcopais de cultura\u00a0<\/em>que \u00e9 preciso criar onde ainda n\u00e3o existem, aptas a promover a presen\u00e7a da Igreja nos diversos campos onde a cultura \u00e9 elaborada, e a suscitar ali esta criatividade multiforme que nasce da f\u00e9, a exprime e a sustenta. \u00ab Para o fazer, cada Igreja particular dever\u00e1 Ter um projeto cultural, como j\u00e1 ocorre num ou noutro pa\u00eds \u00bb.(21) \u00c9 este o empenho exigido de uma pastoral da cultura, talvez mais complexa nas suas exig\u00eancias que uma primeira evangeliza\u00e7\u00e3o de culturas n\u00e3o crist\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Religi\u00f5es e \u00ab religiosos \u00bb<\/strong><\/p>\n<ol start=\"26\">\n<li>Na sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho a todos os homens de todas as culturas, a Igreja encontra as religi\u00f5es tradicionais, principalmente na \u00c1frica e na \u00c1sia.(22) As Igrejas locais s\u00e3o convidadas e incentivadas a estudar as culturas e as pr\u00e1ticas religiosas tradicionais de sua pr\u00f3pria regi\u00e3o, n\u00e3o para as canonizar, mas para discernir nelas os valores, os costumes e os ritos capazes de favorecer um enraizamento mais profundo do cristianismo nas culturas locais (cf.\u00a0<em>Ad Gentes<\/em>, n. 19 e 22).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O \u00ab retorno \u00bb ou \u00ab despertar \u00bb da religi\u00e3o no Ocidente exige, seguramente, um s\u00e9rio discernimento. Embora se trate mais freq\u00fcentemente de um retorno do sentimento religioso que de uma ades\u00e3o pessoal a Deus, em comunh\u00e3o de f\u00e9 com a Igreja, ningu\u00e9m poder\u00e1 no entanto negar que homens e mulheres, em n\u00famero crescente, voltam a estar atentos a uma dimens\u00e3o da exist\u00eancia humana que eles caracterizam, conforme o caso, como espiritual, religiosa ou sacra. O fen\u00f4meno, que se verifica sobretudo entre os jovens e os pobres o que constitui uma raz\u00e3o suplementar para prestar-lhe aten\u00e7\u00e3o, leva-os seja a se voltar para um Cristianismo que os tinha desiludido um pouco, seja a se dirigir para outras religi\u00f5es, seja mesmo a ceder \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria ou ainda \u00e0s ilus\u00f5es do ocultismo.<\/p>\n<p>Em todas as partes do mundo, um novo campo de \u00ab poss\u00edveis \u00bb se abre \u00e0 pastoral da cultura a fim de que o Evangelho de Cristo resplande\u00e7a no seu interior. Numerosos s\u00e3o os pontos sobre os quais a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 chamada a se traduzir e a se exprimir de maneira mais acess\u00edvel \u00e0s culturas predominantes, em raz\u00e3o da concorr\u00eancia mesma \u00e0 qual a submete o crescimento, ao redor dela, de uma religiosidade difusa e abundante.<\/p>\n<p>A busca do di\u00e1logo e a correspondente necessidade de\u00a0<em>melhor identificar a especificidade crist\u00e3\u00a0<\/em>representam um campo cada vez mais importante da reflex\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o para o an\u00fancio da f\u00e9 nas culturas. A pastoral da cultura em face do desafio das seitas (cf.\u00a0<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 73) inscreve-se nesta perspectiva, pois estas produzem efeitos culturais intimamente ligados ao seu discurso \u00ab espiritual \u00bb. Esta situa\u00e7\u00e3o exige uma s\u00e9ria reflex\u00e3o sobre a maneira de viver a toler\u00e2ncia e a liberdade religiosa em nossas sociedades (cf.\u00a0<em>Dignitatis Humanae<\/em>, n. 4). Sem d\u00favida nenhuma, \u00e9 preciso formar melhor presb\u00edteros e leigos a fim de que eles adquiram compet\u00eancia e discernimento a respeito das seitas e das raz\u00f5es do seu sucesso, sem todavia perder de vista que o verdadeiro ant\u00eddoto contra as seitas \u00e9 a qualidade da vida eclesial. Quanto aos presb\u00edteros, \u00e9 necess\u00e1rio prepar\u00e1-los, tanto para enfrentar o desafio das seitas quanto para dar assist\u00eancia aos fi\u00e9is em perigo de deixar a Igreja e renegar a sua f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Os \u00ab lugares ordin\u00e1rios \u00bb da experi\u00eancia de f\u00e9,<br \/>\na piedade popular, a par\u00f3quia<\/strong><\/p>\n<ol start=\"27\">\n<li>Nos pa\u00edses de cristandade, elaborou-se pouco a pouco, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, todo um modo de compreender e de viver a f\u00e9 que, com o tempo, acabou por impregnar a exist\u00eancia e a conviv\u00eancia humana: festas locais, tradi\u00e7\u00f5es familiares, celebra\u00e7\u00f5es diversas, peregrina\u00e7\u00f5es, etc. Assim, constituiu-se uma cultura da qual todos participam e na qual a f\u00e9 entra como um elemento constitutivo, ou at\u00e9 mesmo integrador. Este tipo de cultura aparece particularmente amea\u00e7ado pelo secularismo. \u00c9 importante incentivar os verdadeiros esfor\u00e7os de renascimento destas tradi\u00e7\u00f5es, a fim de que elas n\u00e3o se tornem atributo de folcloristas ou de pol\u00edticos cujos objetivos s\u00e3o por vezes estranhos sen\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 f\u00e9; mas que sejam envolvidos tamb\u00e9m respons\u00e1veis pastorais, comunidades crist\u00e3s e te\u00f3logos qualificados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para atingir o cora\u00e7\u00e3o dos homens, o an\u00fancio do Evangelho aos jovens e aos adultos e a celebra\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o na liturgia requerem n\u00e3o somente um profundo conhecimento e uma experi\u00eancia de f\u00e9, mas tamb\u00e9m da cultura ambiente. Quando um povo ama sua cultura fecundada pelo cristianismo como o elemento pr\u00f3prio de sua vida, \u00e9 nesta cultura que ele vive e professa sua f\u00e9. Bispos, presb\u00edteros, religiosos, religiosas e leigos devem\u00a0<em>desenvolver\u00a0<\/em>sua sensibilidade para com esta cultura, para proteg\u00ea-la quando \u00e9 preciso e promov\u00ea-la \u00e0 luz dos valores evang\u00e9licos, especialmente quando esta cultura \u00e9 minorit\u00e1ria. Esta aten\u00e7\u00e3o pode oferecer aos mais desfavorecidos, na sua grande diversidade, um acesso \u00e0 f\u00e9 e suscitar uma melhor qualidade de vida crist\u00e3 na igreja. As pessoas de f\u00e9 profunda, com uma educa\u00e7\u00e3o e uma cultura bem integradas, s\u00e3o testemunhas vivas, gra\u00e7as \u00e0s quais muitos podem reencontrar as ra\u00edzes crist\u00e3s de sua cultura.<\/p>\n<ol start=\"28\">\n<li>A religi\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m mem\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o, e a\u00a0<em>piedade popular\u00a0<\/em>continua sendo uma das Maiores express\u00f5es de uma verdadeira incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, pois nela harmonizam-se a f\u00e9 e a liturgia, o sentimento e as artes, e se fortalece a consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria identidade nas tradi\u00e7\u00f5es locais. Assim, \u00ab a Am\u00e9rica, que historicamente foi e continua a ser um cadinho de povos, reconheceu no rosto mesti\u00e7o da Virgem de Tepeyac, em Santa Maria de Guadalupe, um grande exemplo de evangeliza\u00e7\u00e3o perfeitamente inculturada \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 11). A piedade popular testemunha a osmose realizada entre o dinamismo inovador da mensagem evang\u00e9lica e os componentes os mais diversos de uma cultura. \u00c9 um lugar privilegiado de encontro dos homens com Cristo vivo. Um cont\u00ednuo discernimento pastoral saber\u00e1 descobrir-lhe os valores espirituais aut\u00eanticos para lev\u00e1-los \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o em Cristo \u00ab a fim de que tal religiosidade possa conduzir a um compromisso sincero de convers\u00e3o e a uma experi\u00eancia concreta de caridade \u00bb (cf.\u00a0<em>Ibid<\/em>., n. 16). A piedade popular permite a um povo exprimir a sua f\u00e9, suas rela\u00e7\u00f5es com Deus e sua Provid\u00eancia, com a Virgem e os santos, com o pr\u00f3ximo, com os falecidos, com a cria\u00e7\u00e3o, e fortifica-lhe a perten\u00e7a \u00e0 Igreja. Purificar e catequizar as express\u00f5es da piedade popular pode, em certas regi\u00f5es, tornar-se um elemento decisivo para uma evangeliza\u00e7\u00e3o em profundidade, para conservar e desenvolver uma verdadeira consci\u00eancia comunit\u00e1ria na partilha de uma mesma f\u00e9, especialmente atrav\u00e9s das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas do povo de Deus, como as grandes celebra\u00e7\u00f5es festivas (cf.\u00a0<em>Lumen Gentium<\/em>, n. 67). Atrav\u00e9s destes humildes meios ao alcance de todos, os fi\u00e9is exprimem a sua f\u00e9, fortificam sua esperan\u00e7a e manifestam sua caridade. Em muitos pa\u00edses, um profundo senso do sagrado embeleza o conjunto da exist\u00eancia e da vida quotidiana. Uma pastoral adaptada sabe promover e valorizar os lugares sagrados, santu\u00e1rios e peregrina\u00e7\u00f5es, as vig\u00edlias lit\u00fargicas e as comemora\u00e7\u00f5es. Certas dioceses e centros de pastoral universit\u00e1ria organizam, ao menos uma vez por ano, uma peregrina\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um lugar sagrado, seguindo o exemplo dos judeus que se rejubilavam em cantar os\u00a0<em>C\u00e2nticos das subidas\u00a0<\/em>ao aproximarem-se de Jerusal\u00e9m.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por sua natureza, a piedade popular exige express\u00f5es art\u00edsticas. Os respons\u00e1veis pela pastoral saber\u00e3o encorajar a cria\u00e7\u00e3o em todos os campos: ritos, m\u00fasica, cantos, artes decorativas, etc., e velar\u00e3o pela sua boa qualidade cultural e religiosa.<\/p>\n<p><em>A par\u00f3quia<\/em>, \u00ab Igreja que se encontra entre as casas dos homens \u00bb (<em>Christifideles Laici<\/em>, n. 27), \u00e9 uma das Maiores aquisi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria do cristianismo e permanece para a grande Maioria dos fi\u00e9is o lugar privilegiado da experi\u00eancia ordin\u00e1ria da f\u00e9. A vitalidade da comunidade crist\u00e3, unida pela mesma f\u00e9, reunida para celebrar a Eucaristia, d\u00e1 o testemunho da f\u00e9 vivida e da caridade de Cristo e constitui um lugar de educa\u00e7\u00e3o religiosa profundamente humana. Sob formas variadas, de acordo com a idade e as capacidades dos fi\u00e9is, a par\u00f3quia fornece uma ilustra\u00e7\u00e3o concreta, inculturada, da f\u00e9 professada e celebrada pela comunidade crente. Esta primeira forma\u00e7\u00e3o vivida na par\u00f3quia \u00e9 decisiva, ela introduz na tradi\u00e7\u00e3o, e lan\u00e7a os fundamentos de uma f\u00e9 viva e de um profundo sentido de Igreja.<\/p>\n<p>No contexto urbano, complexo e por vezes violento, a par\u00f3quia cumpre uma fun\u00e7\u00e3o pastoral insubstitu\u00edvel, como lugar de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e de evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada, onde os diversos grupos humanos encontram sua unidade na celebra\u00e7\u00e3o festiva de uma mesma f\u00e9 e no engajamento apost\u00f3lico do qual a liturgia eucar\u00edstica \u00e9 a alma. Comunidade diversificada, a par\u00f3quia constitui um lugar privilegiado de pastoral concreta da cultura centrada na escuta, no di\u00e1logo e na proximidade, gra\u00e7as a presb\u00edteros e leigos religiosamente e culturalmente bem preparados (cf.\u00a0<em>Christifideles Laici<\/em>, n. 27).<\/p>\n<p><strong>Institui\u00e7\u00f5es educacionais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"29\">\n<li>\u00ab O mundo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um campo privilegiado para promover a incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 71). A educa\u00e7\u00e3o que conduz a crian\u00e7a, e depois o adolescente, \u00e0 sua maturidade, come\u00e7a no interior da fam\u00edlia que permanece o lugar privilegiado da educa\u00e7\u00e3o. Toda pastoral da cultura e toda a evangeliza\u00e7\u00e3o em profundidade tamb\u00e9m se apoiam sobre a educa\u00e7\u00e3o e tomam como base a fam\u00edlia, \u00ab primeiro espa\u00e7o educativo da pessoa \u00bb (<em>Ibid<\/em>.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Mas a fam\u00edlia, muitas vezes \u00e0s voltas com dificuldades as mais diversas, n\u00e3o tem como atender sozinha a todas as exig\u00eancias educacionais. Da\u00ed a grande import\u00e2ncia das institui\u00e7\u00f5es educacionais. Em muitos pa\u00edses, fiel \u00e0 sua bimilen\u00e1ria miss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e ensino, a Igreja anima numerosas institui\u00e7\u00f5es: jardins da inf\u00e2ncia, escolas, col\u00e9gios, liceus, universidades, centros de pesquisa. Estas institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas tem por voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria colocar os valores evang\u00e9licos no interior da cultura. Para o fazer, os respons\u00e1veis por estas institui\u00e7\u00f5es devem haurir na mensagem do Cristo bem como no ensinamento da Igreja a subst\u00e2ncia do seu projeto educativo. Todavia, o cumprimento da miss\u00e3o destas institui\u00e7\u00f5es depende em grande parte de meios muitas vezes dif\u00edceis de reunir. \u00c9 necess\u00e1rio render-se \u00e0 evid\u00eancia para enfrentar o seu desafio: a Igreja deve consagrar uma parte importante do seus recursos em pessoal e em meios para a educa\u00e7\u00e3o, para responder \u00e0 miss\u00e3o recebida de Cristo de anunciar o Evangelho. Em todo caso uma exig\u00eancia permanece: associar a preocupa\u00e7\u00e3o com uma s\u00e9ria forma\u00e7\u00e3o escolar \u00e0quela com uma profunda forma\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3.(23) Caso contr\u00e1rio, a multid\u00e3o de jovens que freq\u00fcentam o conjunto das institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o dos diversos pa\u00edses, poder\u00e3o freq\u00fcentemente, malgrado a boa vontade e a compet\u00eancia dos mestres, ser plenamente escolarizados, mas parcialmente \u00ab desculturados \u00bb.<\/p>\n<p>Na perspectiva global de uma pastoral da cultura e dando sempre aos estudantes a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que eles tem o direito de esperar, as universidades, col\u00e9gios e centros de pesquisa cat\u00f3licos ter\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o de assegurar um encontro fecundo entre o Evangelho e as diferentes express\u00f5es culturais. Estas institui\u00e7\u00f5es saber\u00e3o contribuir de modo original e insubstitu\u00edvel a uma aut\u00eantica forma\u00e7\u00e3o aos valores culturais, como terreno privilegiado para uma vida de f\u00e9 em simbiose com a vida intelectual. A este respeito, \u00e9 conveniente recomendar uma aten\u00e7\u00e3o particular ao ensino da filosofia, da hist\u00f3ria e da literatura, como lugares essenciais de encontro entre a f\u00e9 e as culturas.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da Igreja na universidade e na cultura universit\u00e1ria,(24) com as iniciativas concretas capazes de tornar esta presen\u00e7a eficiente, exigem um discernimento exigente e um esfor\u00e7o sem cessar renovado para promover uma nova cultura crist\u00e3 nutrida com as melhores aquisi\u00e7\u00f5es em todos os campos da atividade universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Uma tal urg\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3, requer presb\u00edteros, religiosos e leigos bem formados. O seu trabalho conjunto permitir\u00e1 que as institui\u00e7\u00f5es educativas cat\u00f3licas influenciem a produ\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, bem como os profissionais da cultura, e favorecer\u00e1 a difus\u00e3o de um modelo crist\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre educadores e educandos, no seio de uma verdadeira comunidade educativa. A forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa \u00e9 um dos objetivos principais da pastoral da cultura.<\/p>\n<ol start=\"30\">\n<li><em>A Escola\u00a0<\/em>\u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um dos lugares de inicia\u00e7\u00e3o cultural e, em certos pa\u00edses h\u00e1 muitos s\u00e9culos, um dos lugares privilegiados de transmiss\u00e3o de uma cultura forjada pelo cristianismo. Ora, se em um certo n\u00famero de pa\u00edses, o \u00ab ensino religioso \u00bb encontra a\u00ed o seu lugar, n\u00e3o ocorre o mesmo na Maior parte dos pa\u00edses secularizados. Tanto numa como em outra situa\u00e7\u00e3o, coloca-se o mesmo problema fundamental: a rela\u00e7\u00e3o entre cultura religiosa e catequese: aparece um receio, n\u00e3o sem fundamento, de que a imposi\u00e7\u00e3o a todos de cursos de \u00ab religi\u00e3o \u00bb obriga aqueles que s\u00e3o encarregados de ministr\u00e1-los a se ater, de fato, \u00e0 mera cultura religiosa. Com efeito, quando se reduz o n\u00famero daqueles que se beneficiam de uma catequese regular, a cultura religiosa, n\u00e3o garantida de outras maneiras, corre o risco, em pouco tempo, de enfraquecer-se no seio das novas gera\u00e7\u00f5es. Portanto, \u00e9 urgente reavaliar a rela\u00e7\u00e3o entre cultura religiosa e catequese, e traduzir de maneira nova a articula\u00e7\u00e3o entre a necessidade de apresentar aos alunos uma informa\u00e7\u00e3o religiosa exata e objetiva, por vezes ausente, e a import\u00e2ncia capital do testemunho de f\u00e9. \u00c9 tamb\u00e9m indispens\u00e1vel a complementaridade entre a escola e a par\u00f3quia, e \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio escolher os professores aptos a fazer destes estabelecimentos escolas de crescimento espiritual e cultural. Estas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para o \u00eaxito desta pastoral exigente e promissora.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Centros de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<ol start=\"31\">\n<li>Imp\u00f5e-se uma tomada de consci\u00eancia. Se h\u00e1 algum tempo, em numerosos pa\u00edses, era dada uma forma\u00e7\u00e3o religiosa adequada a todas as crian\u00e7as provenientes das fam\u00edlias crist\u00e3s, um n\u00famero crescente de jovens encontra-se hoje desprovido dela. E alguns dentre eles sentem a necessidade de uma real forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Esta nova exig\u00eancia \u00e9 animadora pelo menos por tr\u00eas raz\u00f5es. Primeiramente porque, para muitos crist\u00e3os cultos, n\u00e3o h\u00e1 verdadeiras possibilidades de fidelidade e de crescimento na f\u00e9, a n\u00e3o ser que se eleve sua cultura religiosa ao n\u00edvel de sua cultura profana, principalmente naquilo que concerne ao campo da sua vida profissional. Em seguida, porque, melhor equipados para o combate da f\u00e9, eles ser\u00e3o mais capazes de colaborar nos servi\u00e7os eclesiais em que forem necess\u00e1rios: anima\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, catequese escolar, acompanhamento de doentes, prepara\u00e7\u00e3o aos sacramentos, especialmente para o batismo e para o matrim\u00f4nio. Enfim, porque a integra\u00e7\u00e3o do seu trabalho profissional com sua f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o poder\u00e1 sen\u00e3o, afinal, permitir-lhes realizar plenamente sua miss\u00e3o de leigos no mundo, numa melhor integra\u00e7\u00e3o entre os dois componentes de sua exist\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A necessidade de uma s\u00e9ria forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica imp\u00f5e-se hoje com um Maior vigor, tendo em conta os novos desafios a enfrentar, da indiferen\u00e7a religiosa ao racionalismo agn\u00f3stico. O conhecimento aprofundado dos dados da f\u00e9 \u00e9, em primeiro lugar, indispens\u00e1vel para uma verdadeira evangeliza\u00e7\u00e3o. Este conhecimento de ordem intelectual, interiorizado na ora\u00e7\u00e3o e nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, exige uma assimila\u00e7\u00e3o pessoal inteligente por parte dos fi\u00e9is, para que eles sejam testemunhas da pessoa de Cristo e de sua mensagem de salva\u00e7\u00e3o. Num contexto cultural ali\u00e1s marcado por deriva\u00e7\u00f5es fundamentalistas, uma adequada forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica \u00e9, incontestavelmente, o melhor meio de enfrentar este grave perigo que amea\u00e7a a aut\u00eantica piedade popular e a cultura de nosso tempo.<\/p>\n<p>A pastoral orientada para a evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura e a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, implica uma d\u00faplice compet\u00eancia: no campo teol\u00f3gico e no campo que concerne \u00e0 pastoral. Inicial e permanente, geral ou especializada a ponto de permitir a obten\u00e7\u00e3o de diplomas can\u00f4nicos, uma tal forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica merece, l\u00e1 onde ela ainda n\u00e3o o \u00e9, ser largamente proposta na Igreja, segundo o desejo expresso pelo Conc\u00edlio Vaticano II (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 64, 7). \u00c9, sem nenhuma d\u00favida, um dos melhores lugares de comunica\u00e7\u00e3o entre cultura de hoje e f\u00e9 crist\u00e3 e por isso, das possibilidades mais not\u00e1veis de impregna-la, quando a forma\u00e7\u00e3o recebida e a intelig\u00eancia da f\u00e9 fortalecida pelo estudo da Palavra de Deus e da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja inspirem toda a exist\u00eancia quotidiana.<\/p>\n<p><strong>Centros Culturais Cat\u00f3licos<\/strong><\/p>\n<ol start=\"32\">\n<li>Os Centros culturais cat\u00f3licos, implantados em toda parte onde sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, s\u00e3o um aux\u00edlio capital para a evangeliza\u00e7\u00e3o e a pastoral da cultura. Bem inseridos no seu meio cultural, ocorre-lhes abordar os problemas urgentes e complexos da evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura e da incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a partir das bases oferecidas por um debate amplo com todos os criadores, agentes e promotores de cultura, segundo o esp\u00edrito do ap\u00f3stolo das na\u00e7\u00f5es (<em>1 Tess\u00a0<\/em>5, 21-22).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os centros culturais cat\u00f3licos apresentam uma rica diversidade, tanto de nomes (Centros ou C\u00edrculos culturais, Academias, centros universit\u00e1rios, Casas de forma\u00e7\u00e3o), de orienta\u00e7\u00f5es (teol\u00f3gica, ecum\u00eanica, cient\u00edfica, educativa, art\u00edstica, etc.), de temas tratados (correntes culturais, valores, di\u00e1logo intercultural e inter-religioso, ci\u00eancia, arte, etc.) e de atividades desenvolvidas (confer\u00eancias, debates, cursos, semin\u00e1rios, publica\u00e7\u00f5es, bibliotecas, manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais, exposi\u00e7\u00f5es, etc.). O pr\u00f3prio conceito de\u00a0<em>Centro Cultural Cat\u00f3lico<\/em>\u00a0re\u00fane a pluralidade e a riqueza das diversas situa\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds: seja em se tratando de institui\u00e7\u00f5es ligadas a uma estrutura de Igreja (par\u00f3quia, diocese, Confer\u00eancia Episcopal, Ordem religiosa, etc.), seja no caso de iniciativas que n\u00e3o t\u00eam o t\u00edtulo de cat\u00f3licas, mas que est\u00e3o em comunh\u00e3o com a Igreja. Todos estes centros prop\u00f5em atividades culturais com a constante preocupa\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura, da promo\u00e7\u00e3o da cultura inspirada em valores crist\u00e3os, atrav\u00e9s do di\u00e1logo, da pesquisa cient\u00edfica, da forma\u00e7\u00e3o, pela promo\u00e7\u00e3o de uma cultura fecundada, inspirada, vivificada e dinamizada pela f\u00e9. Assim, os Centros culturais cat\u00f3licos s\u00e3o instrumentos privilegiados para fazer conhecer a um grande p\u00fablico as obras dos artistas, escritores, cientistas, fil\u00f3sofos, te\u00f3logos, economistas e ensa\u00edstas cat\u00f3licos, e suscitar assim uma ades\u00e3o pessoal e entusiasta aos valores fecundados pela f\u00e9 em Cristo.<\/p>\n<p>\u00ab Os centros culturais cat\u00f3licos oferecem \u00e0 Igreja singulares possibilidades de presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o no campo das transforma\u00e7\u00f5es culturais. De fato, cada centro torna-se um verdadeiro f\u00f3rum p\u00fablico permitindo uma ampla difus\u00e3o, atrav\u00e9s do di\u00e1logo criativo, das convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s sobre o homem, a mulher, a fam\u00edlia, o trabalho, a economia, a sociedade, a pol\u00edtica, a vida internacional, o ambiente \u00bb (<em>Ecclesia in Africa<\/em>, n. 103).<\/p>\n<p>O Conselho Pontif\u00edcio da Cultura publicou uma lista destes Centros, principalmente a partir de informa\u00e7\u00f5es recebidas das Confer\u00eancias Episcopais.(25) Esta primeira documenta\u00e7\u00e3o internacional sobre os Centros Culturais Cat\u00f3licos dever\u00e1 ajudar a coloc\u00e1-los em contato entre si e a favorecer o interc\u00e2mbio, para um melhor servi\u00e7o pastoral da cultura favorecido pelo uso dos novos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Meios de comunica\u00e7\u00e3o social e informa\u00e7\u00e3o religiosa<\/strong><\/p>\n<ol start=\"33\">\n<li>Um fato chama particularmente a aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela pastoral: a cultura se torna sempre mais global sob a influ\u00eancia dos mass media e da tecnologia inform\u00e1tica. \u00c9 verdade que as culturas, no seu conjunto e em todo o tempo, tiveram rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas. Mas hoje, mesmo as culturas menos divulgadas n\u00e3o est\u00e3o mais isoladas. Elas se beneficiam do aumento dos contatos, mas sofrem tamb\u00e9m press\u00f5es exercidas por uma forte tend\u00eancia \u00e0 uniformiza\u00e7\u00e3o, pela qual exemplo extremo da difus\u00e3o de formas de materialismo, individualismo e imoralidade se corre o risco de que os mercadores de viol\u00eancia e de sexo barato, que se servem para os seus fins perversos tanto dos videocassetes e dos filmes, quanto da televis\u00e3o ou da Internet, tomem o lugar dos educadores. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social veiculam de resto uma multiplicidade de propostas religiosas ligadas \u00e0 culturas de origem antiga ou moderna, extremamente diferentes, que se encontram agora no mesmo tempo e no mesmo lugar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No plano da comunica\u00e7\u00e3o social, as emissoras cat\u00f3licas de televis\u00e3o e sobretudo de r\u00e1dio, mesmo modestas, tem um papel n\u00e3o indiferente na evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura e na incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Elas atingem as pessoas no quadro habitual da sua vida quotidiana e contribuem assim poderosamente na evolu\u00e7\u00e3o do seus modos de vida. L\u00e1 onde \u00e9 poss\u00edvel cri\u00e1-las, as redes de r\u00e1dio cat\u00f3lica permitem n\u00e3o somente \u00e0s dioceses sem grandes recursos de se beneficiarem dos meios t\u00e9cnicos daquelas que s\u00e3o mais favorecidas, mas estimulam tamb\u00e9m o interc\u00e2mbio cultural entre as comunidades crist\u00e3s. O empenho dos crist\u00e3os, n\u00e3o somente nos mass media religiosos, mas tamb\u00e9m nos mass media estatais ou comerciais \u00e9 uma prioridade, pois estes meios de comunica\u00e7\u00e3o dirigem-se por natureza ao conjunto da sociedade, e permitem \u00e0 Igreja atingir as pessoas que permanecem fora do seu alcance. Em certos pa\u00edses onde os mass media est\u00e3o abertos \u00e0s mensagens religiosas, as dioceses organizam verdadeiras campanhas e difundem programas ou mesmo \u00ab\u00a0<em>spots<\/em>\u00a0\u00bb publicit\u00e1rios para projetar valores crist\u00e3os essenciais para uma cultura verdadeiramente humana. Em outros lugares, os cat\u00f3licos recompensam os melhores profissionais com pr\u00eamios. Estas interven\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dos mass media podem contribuir pela sua qualidade e a seriedade de sua mensagem a promover uma cultura inspirada pelo Evangelho.<\/p>\n<p>A imprensa quotidiana e peri\u00f3dica e as editoras tem o seu lugar, n\u00e3o somente na vida da Igreja local, mas tamb\u00e9m na da sociedade, pois que elas testemunham, muitas vezes h\u00e1 s\u00e9culos, a vitalidade da f\u00e9 e do contributo espec\u00edfico dos crist\u00e3os \u00e0 vida cultural. Esta not\u00e1vel possibilidade de influ\u00eancia requer a presen\u00e7a de jornalistas, autores e editores de vastos horizontes culturais e de grande convic\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Nos pa\u00edses onde as l\u00ednguas tradicionais s\u00e3o usadas juntamente com as l\u00ednguas oficiais, certas dioceses editam um jornal ou ao menos alguns artigos na l\u00edngua tradicional, o que lhes d\u00e1 uma Maior possibilidade de introduzir-se em numerosas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>As extraordin\u00e1rias possibilidades dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social para irradiar a mensagem evang\u00e9lica no mundo e dar uma alma \u00e0 cultura exigem a forma\u00e7\u00e3o de cat\u00f3licos competentes: \u00ab Para a efic\u00e1cia da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental um profundo conhecimento da cultura atual, na qual t\u00eam grande influ\u00eancia os meios de comunica\u00e7\u00e3o social \u00bb (<em>Ecclesia in America<\/em>, n. 72). Esta presen\u00e7a dos cat\u00f3licos nos mass media ser\u00e1 tanto mais frutuosa se os pastores tiverem sido sensibilizados para estes meios de comunica\u00e7\u00e3o no curso de sua forma\u00e7\u00e3o. O seu empenho consciente e respons\u00e1vel \u00e9 a \u00fanica atitude capaz de enfrentar as dificuldades e os desafios pr\u00f3prios aos mass media.<\/p>\n<ol start=\"34\">\n<li>A pastoral da cultura exige uma aten\u00e7\u00e3o particular aos jornalistas da imprensa escrita, do radio e da televis\u00e3o. Os seus questionamentos \u00e0s vezes embara\u00e7am e decepcionam, quando n\u00e3o correspondem minimamente \u00e0 subst\u00e2ncia da mensagem que n\u00f3s devemos transmitir, mas esses questionamentos desorientadores s\u00e3o, muitas vezes, os de grande parte dos nossos contempor\u00e2neos. Para permitir uma melhor comunica\u00e7\u00e3o entre as diversas inst\u00e2ncias da Igreja e os jornalistas, mas tamb\u00e9m para melhor conhecer os conte\u00fados, os promotores e os m\u00e9todos das redes culturais e religiosas, \u00e9 importante que um n\u00famero suficiente de pessoas seja adequadamente formado nas t\u00e9cnicas da comunica\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelos jovens em forma\u00e7\u00e3o nos semin\u00e1rios e nas casas religiosas. Muitos jovens leigos se orientam para os mass media. Cabe \u00e0 pastoral da cultura prepar\u00e1-los para estar ativamente presentes no mundo do r\u00e1dio, da televis\u00e3o, do livro e das revistas, estes vetores de informa\u00e7\u00e3o que constituem a refer\u00eancia quotidiana da Maioria de nossos contempor\u00e2neos. Atrav\u00e9s dos mass media abertos e honestos, crist\u00e3os bem preparados poder\u00e3o exercer um papel mission\u00e1rio de primeiro plano. \u00c9 importante que eles sejam formados e apoiados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A fim de estimular as cria\u00e7\u00f5es de alto alcance moral, espiritual e art\u00edstico, muitas Igrejas locais organizam festivais de cinema ou de televis\u00e3o, e criam Pr\u00eamios, a exemplo do\u00a0<em>Pr\u00eamio cat\u00f3lico do cinema<\/em>. Para promover a qualidade da informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma adequada forma\u00e7\u00e3o, certas associa\u00e7\u00f5es profissionais e sindicatos do jornalismo elaboraram uma\u00a0<em>Carta \u00e9tica dos mass media<\/em>, um\u00a0<em>C\u00f3digo de conduta do jornalista<\/em>, ou ainda fundaram um\u00a0<em>Conselho \u00e9tico dos mass media<\/em>. Outros criaram c\u00edrculos reunindo profissionais da informa\u00e7\u00e3o para ciclos de confer\u00eancias sobre quest\u00f5es \u00e9ticas, religiosas, culturais, mas tamb\u00e9m para jornadas de espiritualidade.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia, tecnologia, bio\u00e9tica e ecologia<\/strong><\/p>\n<ol start=\"35\">\n<li>Durante s\u00e9culos, malgrado as incompreens\u00f5es, a Igreja, bem como o conjunto da sociedade beneficiaram-se dos trabalhos qualificados de crist\u00e3os versados nas ci\u00eancias exatas e experimentais. Depois da crise do cientificismo, cujos postulados s\u00e3o hoje com freq\u00fc\u00eancia descartados, a Igreja deve estar atenta \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es, bem como \u00e0s novas quest\u00f5es e aos desafios suscitados pela ci\u00eancia, a tecnologia e as novas biotecnologias. Em particular, \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o em curso dos paradigmas da\u00a0<em>Ars Medica<\/em>, mas sobretudo contar com o trabalho de profissionais reconhecidos e moralistas seguros, em um campo t\u00e3o fundamental para a pessoa humana. Desenvolver um ensino multidisciplinar e coerente ajudar\u00e1 a criar um ambiente favor\u00e1vel ao di\u00e1logo entre ci\u00eancia e f\u00e9, empreendido no curso dos \u00faltimos dec\u00eanios. O \u00eaxito de uma pastoral da cultura exige a este respeito:<\/li>\n<\/ol>\n<p>&#8211; O desenvolvimento de uma filosofia das ci\u00eancias, capaz de considerar os pontos de atrito, e mesmo de controv\u00e9rsia, que n\u00e3o faltam entre a ci\u00eancia e a f\u00e9:\u00a0<em>creatio ex nihilo\u00a0<\/em>e\u00a0<em>creatio continua<\/em>, evolu\u00e7\u00e3o, natureza din\u00e2mica do mundo, exegese da Sagrada Escritura e estudos cient\u00edficos, lugar e papel do homem no cosmos, rela\u00e7\u00e3o entre o conceito de eternidade e a estrutura esp\u00e1cio-temporal do universo f\u00edsico, epistemologias diferenciadas&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; O respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, numa vis\u00e3o crist\u00e3 das rela\u00e7\u00f5es entre o homem e o conjunto da cria\u00e7\u00e3o, que sublinhe a harmonia fundamental entre homem e natureza.<\/p>\n<p>&#8211; Uma forma\u00e7\u00e3o de consultores qualificados, tanto nas ci\u00eancias f\u00edsicas e biol\u00f3gicas, como em teologia e filosofia das ci\u00eancias, aptos a intervir seja na Internet seja no radio ou na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Redes de comunica\u00e7\u00e3o entre estudiosos cat\u00f3licos que ensinam nas institui\u00e7\u00f5es superiores cat\u00f3licas, nas universidades estatais, nas institui\u00e7\u00f5es privadas e nos centros privados de pesquisa, bem como entre academias cient\u00edficas, associa\u00e7\u00f5es de especialistas em tecnologia e Confer\u00eancias episcopais.<\/p>\n<p>&#8211; Forma\u00e7\u00e3o inicial dos seminaristas e forma\u00e7\u00e3o permanente dos presb\u00edteros, que lhes ajude a responder com compet\u00eancia \u00e0s quest\u00f5es dos fi\u00e9is desejosos de aprofundar a sua compreens\u00e3o do ensinamento da Igreja, para melhor viv\u00ea-lo num contexto cultural freq\u00fcentemente estranho sen\u00e3o hostil.<\/p>\n<p>&#8211; A cria\u00e7\u00e3o de Academias pela vida ou de grupos de estudos especializados nesta \u00e1rea, compostos por cat\u00f3licos reconhecidos pelas suas capacidades profissionais e pela sua fidelidade ao Magist\u00e9rio da Igreja.<\/p>\n<p>&#8211; Imprensa e publica\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas de grande difus\u00e3o, valendo-se da colabora\u00e7\u00e3o de pessoas verdadeiramente qualificadas nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>&#8211; Editores cat\u00f3licos capazes de orientar com compet\u00eancia cole\u00e7\u00f5es, revistas e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas abundantes.<\/p>\n<p>&#8211; Um incremento das bibliotecas e videotecas paroquiais abertas \u00e0 consulta sobre os assuntos referentes \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre ci\u00eancia, tecnologia e f\u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; Uma pastoral capaz de despertar e alimentar uma profunda vida espiritual entre os cientistas.<\/p>\n<p><strong>A arte e os artistas<\/strong><\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li>A articula\u00e7\u00e3o da via est\u00e9tica com a procura do bem e do verdadeiro, constitui sem nenhuma d\u00favida um canteiro privilegiado da pastoral da cultura, para um an\u00fancio do Evangelho sens\u00edvel aos sinais dos tempos. A pastoral dos artistas requer uma sensibilidade est\u00e9tica unida a uma n\u00e3o menor sensibilidade crist\u00e3. Em nossa cultura marcada por um dil\u00favio de imagens freq\u00fcentemente banais e brutais, quotidianamente despejadas pela televis\u00e3o, filmes e videocassetes, uma alian\u00e7a fecunda entre o Evangelho e a arte suscitar\u00e1 novas epifanias da beleza, nascidas da contempla\u00e7\u00e3o de Cristo, Deus feito homem, da medita\u00e7\u00e3o dos seus mist\u00e9rios, da sua irradia\u00e7\u00e3o na vida da Virgem Maria e dos santos (cf. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Carta aos artistas<\/em>, 4 de Abril de 1999).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>No plano institucional,\u00a0<\/em>uma diversifica\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o crescentes exigem um di\u00e1logo renovado entre a Igreja e as diversas institui\u00e7\u00f5es ou sociedades art\u00edsticas. Das par\u00f3quias \u00e0s capelanias, das dioceses \u00e0s confer\u00eancias episcopais, dos semin\u00e1rios aos institutos de forma\u00e7\u00e3o e \u00e0s universidades, esta pastoral promova associa\u00e7\u00f5es aptas a estabelecer um di\u00e1logo frutuoso com os artistas e o mundo da arte. As Igrejas locais, que por vezes tomaram alguma dist\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o a eles, n\u00e3o ter\u00e3o sen\u00e3o a ganhar reatando o contato, gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de lugares de encontro apropriados.<\/p>\n<p><em>No plano da criatividade<\/em>. A experi\u00eancia o demonstra: nas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas desfavor\u00e1veis \u00e0 verdadeira cultura, que pressup\u00f5e a liberdade, a Igreja Cat\u00f3lica comportou-se como advogada e protetora da cultura e das artes, e muitos artistas encontraram em seu seio um lugar privilegiado de criatividade pessoal. Esta atitude e este papel da Igreja para com a cultura e os artistas s\u00e3o mais do que nunca atuais, especialmente no campo da arquitetura, da iconografia e da m\u00fasica religiosa. Chamar os artistas a participar da vida da igreja, significa convid\u00e1-los a renovar a arte crist\u00e3. Uma rela\u00e7\u00e3o confiante com os artistas, feita de escuta e de coopera\u00e7\u00e3o, permite valorizar tudo aquilo que educa o homem e o eleva a um n\u00edvel superior de humanidade, por uma participa\u00e7\u00e3o mais intensa no mist\u00e9rio de Deus, beleza soberana e suprema bondade. Para que sejam frutuosas, as rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e arte n\u00e3o se limitar\u00e3o a acolher a criatividade. Propostas, compara\u00e7\u00f5es e discernimento s\u00e3o necess\u00e1rios, pois a f\u00e9 \u00e9 fidelidade \u00e0 Verdade. A liturgia constitui a este prop\u00f3sito um meio excepcional pela sua for\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o e pelas m\u00faltiplas possibilidades que ela oferece \u00e0s diversas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. O \u00eaxito da reforma lit\u00fargica nascida do Conc\u00edlio Vaticano II depende em parte de como ela se relacionar com a cultura, as artes e as sensibilidades espirituais. \u00c9 importante suscitar uma express\u00e3o aut\u00f3ctone pr\u00f3pria e, ao mesmo tempo, cat\u00f3lica da f\u00e9, no respeito \u00e0s normas lit\u00fargicas.(26) A necessidade de construir e decorar novas igrejas exige uma reflex\u00e3o aprofundada sobre o significado da igreja como lugar sagrado, e a import\u00e2ncia da liturgia. Os artistas s\u00e3o convidados a exprimir estes valores espirituais. Sua criatividade dever\u00e1 permitir o desenvolvimento de iconografias e de composi\u00e7\u00f5es musicais acess\u00edveis ao Maior n\u00famero de pessoas, para revelar a transcend\u00eancia do amor de Deus e introduzir \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o hesitou sobre este ponto e suas orienta\u00e7\u00f5es exigem uma a\u00e7\u00e3o permanente: \u00ab Deve trabalhar-se por que os artistas se sintam compreendidos, na sua atividade, pela Igreja e que, gozando duma conveniente liberdade, tenham mais facilidade de contatos com a comunidade crist\u00e3. A Igreja deve tamb\u00e9m reconhecer as novas formas art\u00edsticas, que segundo o g\u00eanio pr\u00f3prio das v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es e regi\u00f5es se adaptam \u00e0s exig\u00eancias dos nossos contempor\u00e2neos. Ser\u00e3o admitidos nos templos quando, gra\u00e7as a uma linguagem conveniente e conforme com as exig\u00eancias lit\u00fargicas, elevam o esp\u00edrito a Deus \u00bb (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 62, 4).<\/p>\n<p><em>No plano da forma\u00e7\u00e3o<\/em>. Uma pastoral orientada para a arte e os artistas pressup\u00f5e uma forma\u00e7\u00e3o apropriada (27) para entender a beleza art\u00edstica como epifania do mist\u00e9rio. Os respons\u00e1veis por uma tal educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, em simbiose com a forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, lit\u00fargica e espiritual, saber\u00e3o escolher os presb\u00edteros e leigos aos quais ser\u00e1 confiada a pastoral dos artistas, com a tarefa de emitir, no seio da comunidade crist\u00e3, julgamentos esclarecidos e de formular aprecia\u00e7\u00f5es motivadas sobre a mensagem das artes contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>As possibilidades de a\u00e7\u00e3o nesse campo s\u00e3o numerosas e variadas. Associa\u00e7\u00f5es, confrarias de artistas, de escritores, academias, sublinham o papel importante dos homens de cultura cat\u00f3lica, e poder\u00e3o favorecer um di\u00e1logo mais fecundo entre a Igreja e o mundo da arte. Diversas f\u00f3rmulas como a Semana cultural ou a Semana da Cultura crist\u00e3 criar\u00e3o um ritmo cont\u00ednuo de manifesta\u00e7\u00f5es culturais abertas ao Maior n\u00famero de pessoas com propostas especificamente crist\u00e3s. A f\u00f3rmula do festival ou do Pr\u00eamio de arte sacra, nacional ou internacional, permite dar um relevo particular \u00e0 m\u00fasica sacra bem como ao filme e ao livro religioso.<\/p>\n<p><strong>Patrim\u00f4nio cultural, turismo religioso<\/strong><\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li>No contexto do desenvolvimento do tempo livre e do turismo religioso, algumas iniciativas permitem salvaguardar, restaurar e valorizar o patrim\u00f4nio cultural religioso existente, como tamb\u00e9m transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es as riquezas da cultura crist\u00e3,(28) fruto de uma harmoniosa s\u00edntese entre a f\u00e9 crist\u00e3 e o g\u00eanio dos povos. Com este objetivo, \u00e9 sempre desej\u00e1vel promover e encorajar um certo n\u00famero de iniciativas:<\/li>\n<\/ol>\n<p>&#8211; Introduzir a pastoral do turismo e do tempo livre e a catequese atrav\u00e9s da arte, entre as atividades espec\u00edficas habituais das dioceses.<\/p>\n<p>&#8211; Conceber itiner\u00e1rios devocionais em uma diocese ou regi\u00e3o, percorrendo a rede dos lugares da f\u00e9 que constituem o seu patrim\u00f4nio espiritual e cultural.<\/p>\n<p>&#8211; Tornar as igrejas abertas e acolhedoras, pondo em destaque elementos por vezes modestos mas significativos.<\/p>\n<p>&#8211; Prever uma pastoral dos edif\u00edcios religiosos mais freq\u00fcentados, para fazer com que os visitantes se beneficiem da mensagem da qual eles s\u00e3o portadores e editar publica\u00e7\u00f5es simples e claras, elaboradas com o aux\u00edlio dos organismos competentes.<\/p>\n<p>&#8211; Criar organiza\u00e7\u00f5es de guias cat\u00f3licos, capazes de fornecer aos turistas um servi\u00e7o cultural de qualidade animado por um testemunho de f\u00e9. Iniciativas desse tipo podem tamb\u00e9m contribuir na cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, mesmo tempor\u00e1rios, para os jovens ou menos jovens sem emprego.<\/p>\n<p>&#8211; Incentivar associa\u00e7\u00f5es em n\u00edvel internacional, como a E. C. A., Associa\u00e7\u00e3o das Catedrais da Europa.<\/p>\n<p>&#8211; Criar e desenvolver museus de Arte Sacra e de Antropologia Religiosa, que privilegiem a qualidade dos objetos expostos e a apresenta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica viva, aliando o interesse pela f\u00e9 e pela hist\u00f3ria, evitando assim que os museus se tornem dep\u00f3sitos de objetos mortos.<\/p>\n<p>&#8211; Suscitar a forma\u00e7\u00e3o e a multiplica\u00e7\u00e3o de acervos e de bibliotecas, especializados no patrim\u00f4nio cultural, crist\u00e3o e profano, de cada regi\u00e3o, com amplas possibilidades de contato para um grande n\u00famero de pessoas.<\/p>\n<p>&#8211; Malgrado as dificuldades da edi\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio de livros em numerosos pa\u00edses, encorajar as livrarias cat\u00f3licas e mesmo cri\u00e1-las nas par\u00f3quias e nos santu\u00e1rios para onde acorrem peregrinos, com respons\u00e1veis qualificados, capazes de aconselhar utilmente os interessados.<\/p>\n<p><strong>Os jovens<\/strong><\/p>\n<ol start=\"38\">\n<li>A pastoral da cultura atinge os jovens atrav\u00e9s dos diferentes campos do ensino, da forma\u00e7\u00e3o e do lazer, com um zelo que toca a pessoa no seu \u00edntimo. Embora a fam\u00edlia continue sendo essencial na\u00a0<em>traditio fidei<\/em>, par\u00f3quias e dioceses, col\u00e9gios e universidades cat\u00f3licas, bem como os diversos movimentos de Igreja presentes no conjunto dos ambientes de vida e de ensino saber\u00e3o tomar iniciativas concretas para promover:<\/li>\n<\/ol>\n<p>&#8211; Lugares onde os jovens gostem de encontrar-se e criar la\u00e7os de amizade, e que constituam um ambiente de apoio para a f\u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; C\u00edrculos de confer\u00eancias e de reflex\u00e3o, adaptados aos diferentes n\u00edveis culturais, e centrados em assuntos de interesse comum e de atualidade para a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>&#8211; Associa\u00e7\u00f5es culturais ou s\u00f3cio-culturais, com programas abertos de atividades recreativas e formativas, incluindo o canto, o teatro, o cineclube, etc.<\/p>\n<p>&#8211; Cole\u00e7\u00f5es culturais livros ou videocassetes que permitam uma informa\u00e7\u00e3o e uma forma\u00e7\u00e3o cultural crist\u00e3, assim como um interc\u00e2mbio com outros jovens e menos jovens.<\/p>\n<p>&#8211; A proposta de modelos a imitar, pois se trata em definitiva de formar jovens adultos para viver a f\u00e9 no seu ambiente cultural, quer se trate da universidade ou da pesquisa, do trabalho ou da arte.<\/p>\n<p>&#8211; Roteiros de peregrina\u00e7\u00e3o que, do pequeno grupo meditativo \u00e0 grande reuni\u00e3o festiva, permitam uma irriga\u00e7\u00e3o cultural da experi\u00eancia espiritual num clima de fervor comunicativo e contagiante.<\/p>\n<p>O conjunto dessas iniciativas inscreve-se numa pastoral global onde a Igreja realiza \u00ab um novo tipo de di\u00e1logo, permitindo levar a originalidade da mensagem evang\u00e9lica ao cora\u00e7\u00e3o das mentalidades atuais. \u00c9-nos pois necess\u00e1rio encontrar a criatividade apost\u00f3lica e o poder prof\u00e9tico dos primeiros disc\u00edpulos para enfrentar as culturas novas. \u00c9 necess\u00e1rio que a Palavra de Cristo apare\u00e7a em todo o seu verdor \u00e0s jovens gera\u00e7\u00f5es, cujas atitudes \u00e0s vezes s\u00e3o dificilmente compreens\u00edveis para esp\u00edritos tradicionais, mas que est\u00e3o longe de se fechar aos valores espirituais \u00bb.(29) Os jovens s\u00e3o o futuro da Igreja e do mundo. O empenho pastoral para com eles, tanto no mundo da universidade quanto no do trabalho, \u00e9 sinal de esperan\u00e7a \u00e0s v\u00e9speras do terceiro mil\u00eanio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para uma pastoral da cultura renovada pela for\u00e7a do Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<ol start=\"39\">\n<li>A cultura entendida no seguimento do Conc\u00edlio Vaticano II (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 53-62) no seu sentido mais amplo se apresenta para a Igreja, no limiar do Terceiro Mil\u00eanio, como uma dimens\u00e3o fundamental da pastoral e \u00ab uma autentica pastoral da cultura [\u00e9] decisiva para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00bb.(30) Firmemente empenhados nos caminhos de uma evangeliza\u00e7\u00e3o que atinja os esp\u00edritos e os cora\u00e7\u00f5es e transforme, fecundando-as, todas as culturas, os respons\u00e1veis pela pastoral da cultura, discernindo \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo os desafios surgidos de culturas indiferentes, e \u00e0s vezes hostis \u00e0 f\u00e9, como tamb\u00e9m os dados culturais que se constituem em fundamentos para o an\u00fancio do Evangelho. \u00ab Pois o Evangelho leva a cultura \u00e0 sua perfei\u00e7\u00e3o e a aut\u00eantica cultura \u00e9 aberta ao Evangelho \u00bb.(31)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Numerosos encontros entre os bispos e homens de cultura de diferentes meios cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico, educativo, art\u00edstico, evidenciaram os elementos de uma tal pastoral, os seus pressupostos e suas exig\u00eancias, os seus obst\u00e1culos e os seus fundamentos, os seus objetivos primordiais e os seus meios privilegiados. A imensidade deste campo de apostolado, nesse \u00ab vast\u00edssimo are\u00f3pago \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 37) na diversidade e na complexidade das \u00e1reas culturais, exige uma coopera\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, da par\u00f3quia \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal, de uma regi\u00e3o a um continente. O Conselho Pontif\u00edcio da Cultura se empenha por sua parte, no \u00e2mbito da sua miss\u00e3o,(32) a favorecer uma tal coopera\u00e7\u00e3o e a promover contatos estimulantes e iniciativas adaptadas, especialmente em n\u00edvel dos Dicast\u00e9rios da C\u00faria romana, das Confer\u00eancias Episcopais, das organiza\u00e7\u00f5es Internacionais Cat\u00f3licas, universit\u00e1rias, hist\u00f3ricas, filos\u00f3ficas, teol\u00f3gicas, cient\u00edficas, art\u00edsticas, intelectuais, bem como das Academias Pontif\u00edcias (33) e dos Centros Culturais Cat\u00f3licos.(34)<\/p>\n<p>\u00ab Ide e fazei que todas as na\u00e7\u00f5es se tornem disc\u00edpulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei \u00bb (<em>Mt\u00a0<\/em>28, 19-20). Seguindo o caminho indicado pelo Senhor, a pastoral da cultura, estreitamente ligada ao testemunho de f\u00e9 pessoal e comunit\u00e1rio dos crist\u00e3os, inscreve-se na miss\u00e3o de anunciar a Boa nova do Evangelho a todos os homens de todos os tempos, como meio privilegiado de evangelizar as culturas e de inculturar a f\u00e9. \u00ab Esta constitui uma exig\u00eancia que marcou todo o caminho hist\u00f3rico (da Igreja), mas hoje \u00e9 particularmente aguda e urgente&#8230; requer um tempo longo&#8230; um processo profundo, global e dif\u00edcil \u00bb (<em>Redemptoris Missio<\/em>, n. 52). \u00c0s v\u00e9speras do Terceiro Mil\u00eanio, quem n\u00e3o v\u00ea a sua import\u00e2ncia para o futuro da Igreja e do mundo? O an\u00fancio do Evangelho de Cristo nos urge a constituir comunidades de f\u00e9 vivas, profundamente inseridas nas diversas culturas e portadoras de esperan\u00e7a, para promover uma cultura da verdade e do amor na qual cada pessoa possa corresponder plenamente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de filho de Deus \u00ab na plenitude de Cristo \u00bb (<em>Ef<\/em>\u00a04, 13). A urg\u00eancia da pastoral da cultura \u00e9 grande, a tarefa gigantesca, as modalidades m\u00faltiplas, as possibilidades imensas, no limiar do novo mil\u00eanio da vinda de Cristo, Filho de Deus e Filho de Maria, cuja mensagem de amor e de verdade satisfaz, al\u00e9m de toda expectativa, a necessidade primordial de toda cultura humana. \u00ab \u00c0s culturas, a f\u00e9 em Cristo d\u00e1 uma dimens\u00e3o nova, a da esperan\u00e7a do Reino de Deus. Os crist\u00e3os t\u00eam a voca\u00e7\u00e3o de inscrever no centro das culturas esta esperan\u00e7a duma terra nova e de c\u00e9us novos&#8230; Muito longe de as amea\u00e7ar ou de as empobrecer, o Evangelho oferece-lhes um acr\u00e9scimo de alegria e de beleza, de liberdade e de sentido, de verdade e de bondade \u00bb.(35)<\/p>\n<p>Em resumo, a pastoral da cultura, nas suas m\u00faltiplas express\u00f5es, das quais este documento apresenta algumas propostas selecionadas, n\u00e3o tem outro objetivo que o de ajudar toda a Igreja a cumprir a sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho. No limiar do novo mil\u00eanio, com a for\u00e7a da Palavra de Deus \u00ab inspiradora de toda a exist\u00eancia crist\u00e3 \u00bb (<em>Tertio Millennio Adveniente<\/em>, n. 36), ela ajuda o homem a superar o drama do humanismo ateu e a criar um \u00ab novo humanismo \u00bb (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 55) capaz de suscitar, em toda parte do mundo, culturas transformadas pela prodigiosa novidade de Cristo, que \u00ab se fez homem para que o homem seja divinizado \u00bb,(36) se renove \u00e0 imagem do seu Criador (cf.\u00a0<em>Col\u00a0<\/em>3, 10) e cres\u00e7a como homem novo (cf.\u00a0<em>Ef\u00a0<\/em>4, 24). Que Ele renove todas as culturas pela for\u00e7a criadora do seu Esp\u00edrito Santo, fonte da qual brota a beleza, o amor e a verdade.<\/p>\n<p><em>Cidade do Vaticano, 23 de Maio de 1999, na Solenidade de Pentecostes.<\/em><\/p>\n<p>Paul Cardeal Poupard<br \/>\n<em>Presidente<\/em><\/p>\n<p>Bernard Ardura, O. Praem.<br \/>\n<em>Secret\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p>(1) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/em>, 5 de Outubro de 1995, n. 9.<\/p>\n<p>(2) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Carta Aut\u00f3grafa instituindo o Conselho Pontif\u00edcio da Cultura<\/em>, 20 de Maio de 1982,\u00a0<em>AAS<\/em>, 74 (1982) 683-688.<\/p>\n<p>(3) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso ao Conselho Pontif\u00edcio da Cultura<\/em>, 15 de Janeiro de 1985.<\/p>\n<p>(4) Pontificia Comiss\u00e3o B\u00edblica,\u00a0<em>F\u00e9 e cultura \u00e0 luz da B\u00edblia<\/em>.<\/p>\n<p>(5) Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional,\u00a0<em>F\u00e9 e incultura\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>(6)\u00a0<em>Puebla, a evangeliza\u00e7\u00e3o no presente e no futuro da Am\u00e9rica Latina<\/em>, 1979, n. 385-436;\u00a0<em>Santo Domingo, nova evangeliza\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o humana, cultura crist\u00e3<\/em>, 1992, n. 228-286.<\/p>\n<p>(7) Cf. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso \u00e0 UNESCO<\/em>, 2 de Junho de 1980, n. 12,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.), ano XI, n. 24 (550), p. 14 (338).<\/p>\n<p>(8) Cf.\u00a0<em>Indiferentismo y sincretismo. Desafios y propostas pastorales para la Nueva Evangelizaci\u00f3n de Am\u00e9rica Latina<\/em>, Simposio, San Jos\u00e9 de Costa Rica, 19-23 de Janeiro de 1992, Bogot\u00e1, Celam, 1992.<\/p>\n<p>(9) Cf. IV Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano,\u00a0<em>Santo Domingo<\/em>, op. cit., n. 230.<\/p>\n<p>(10) Cf. III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano,\u00a0<em>Puebla<\/em>, op. cit., n. 405.<\/p>\n<p>(11) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Homilia da missa de entroniza\u00e7\u00e3o<\/em>, 22 de Outubro de 1978,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.), ano IX, n. 44 (465), p. 2.<\/p>\n<p>(12) Conselho Pontif\u00edcio das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, Instru\u00e7\u00e3o pastoral\u00a0<em>Aetatis Novae<\/em>, 1992, n. 4.<\/p>\n<p>(13) Conselho Pontif\u00edcio das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais,\u00a0<em>\u00c9tica na publicidade<\/em>, 22 de Fevereiro de 1997.<\/p>\n<p>(14) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Mensagem para o XXXI Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em>, 14 de Janeiro de 1997,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.), ano XXVIII, n. 5, p. 2.<\/p>\n<p>(15) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral da O.N.U.<\/em>, 5 de Outubro de 1995, n. 8,\u00a0<em>OR<\/em>, (1995) n. 41, p. 4 (492).<\/p>\n<p>(16) Cf. Aa.Vv.,\u00a0<em>Apr\u00e8s Galil\u00e9e. Science et Foi. Nouveau Dialogue<\/em>, Paris, DDB, 1994. Trad. italiana, Piemme, 1996.<\/p>\n<p>(17) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso na audi\u00eancia geral<\/em>, 6 de Dezembro de 1995.<\/p>\n<p>(18) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso \u00e0 UNESCO<\/em>, n. 11.<\/p>\n<p>(19) Cf. IV Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano,\u00a0<em>Santo Domingo<\/em>, op. cit., n. 228-286; e a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal\u00a0<em>Ecclesia in America<\/em>, 22 de Janeiro de 1999, n. 64.<\/p>\n<p>(20) Cf. Consist\u00f3rio extraordin\u00e1rio dos Cardeais, Roma (4-6 de Abril de 1991);\u00a0<em>Les sectes, d\u00e9fi pastoral pour l&#8217;\u00c9glise<\/em>, Cit\u00e9 du Vatican 1986;\u00a0<em>Sectes et nouveaux mouvements religieux. Anthologie des textes de l&#8217;\u00c9glise catholique\u00a0<\/em>1986-1994, Paris, T\u00e9qui, 1996.<\/p>\n<p>(21) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso ao Conselho Pontif\u00edcio da Cultura<\/em>,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.) ano XXVIII, n. 13, p. 4 (136).<\/p>\n<p>(22) Cf. duas cartas do Conselho Pontif\u00edcio para o Di\u00e1logo inter-religioso, \u00ab Pastoral Attention to African Traditional Religions \u00bb,\u00a0<em>Bulletin<\/em>, 68 (1988) XXIII2, 102-106; \u00ab Pastoral Attention to Traditional Religions \u00bb,\u00a0<em>ibid<\/em>., 84 (1993) XXVIII3, 234-240.<\/p>\n<p>(23) Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica,\u00a0<em>O leigo cat\u00f3lico, testemunha da f\u00e9 na escola<\/em>, 15 de Outubro de 1982; Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal\u00a0<em>Christifideles Laici<\/em>, sobre a voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o dos leigos na Igreja e no mundo, n. 44.<\/p>\n<p>(24) Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, Conselho Pontif\u00edcio para os Leigos, Conselho Pontif\u00edcio da Cultura,\u00a0<em>Presen\u00e7a da Igreja na universidade e na Cultura universit\u00e1ria<\/em>, Vaticano 1994.<\/p>\n<p>(25) Pontificium Consilium de Cultura,\u00a0<em>Centres Culturels Catholiques<\/em>, Cit\u00e9 du Vatican 1998; Pontificio Consiglio della Cultura, Commissione Episcopale CEI per l&#8217;Educazione Cattolica, la Cultura, la Scuola e l&#8217;Universit\u00e0,\u00a0<em>I Centri Culturali Cattolici. Idea, esperienza, missione. Elenco e indirizzi<\/em>, 2a ed., Roma, Citt\u00e0 Nuova Editrice, 1998.<\/p>\n<p>(26) Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, IV Instru\u00e7\u00e3o para uma correta aplica\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a liturgia (n. 37-40).<\/p>\n<p>(27) A este respeito, \u00e9 preciso sublinhar as iniciativas de instituir cursos universit\u00e1rios dedicados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de futuros respons\u00e1veis pelo patrim\u00f4nio cultural da Igreja, por exemplo, na Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana (Roma), no Instituto Cat\u00f3lico de Paris e na Universidade Cat\u00f3lica de Lisboa. Cf. Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o para os Bens Culturais da Igreja<em>, Lettre circulaire sur la formation aux biens culturels dans les S\u00e9minaires<\/em>, 15 de Outubro de 1992.<\/p>\n<p>(28) Cf. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso \u00e0 primeira Assembl\u00e9ia plen\u00e1ria da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o para os Bens Culturais da Igreja<\/em>.<\/p>\n<p>(29) Jo\u00e3o Paulo II, Discurso ao Conselho Pontif\u00edcio da Cultura,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.) ano XIV, n. 5, p. 4.<\/p>\n<p>(30) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso ao Conselho Pontificio da cultura<\/em>, 14 de Mar\u00e7o de 1997.<\/p>\n<p>(31)\u00a0<em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p>(32) \u00ab Eu institui o Conselho Pontif\u00edcio da Cultura para ajudar a Igreja a viver o interc\u00e2mbio salv\u00edfico no qual a incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho caminha pari passu com a Evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas \u00bb.\u00a0<em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p>(33) Criado pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II a 6 de Novembro de 1995, o Conselho de Coordena\u00e7\u00e3o das Academias Pontif\u00edcias promove a sua colabora\u00e7\u00e3o conjunta para um humanismo crist\u00e3o no limiar do novo mil\u00eanio. Quando da sua primeira Sess\u00e3o p\u00fablica, reunida sob sua presid\u00eancia, a 28 de Novembro de 1996, o Santo Padre anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um Pr\u00eamio anual das Academias Pontif\u00edcias, destinado a apoiar os talentos e as iniciativas promissoras em vista de um humanismo crist\u00e3o, suas express\u00f5es teol\u00f3gicas, filos\u00f3ficas e art\u00edsticas. O Papa Jo\u00e3o Paulo II concedeu este pr\u00eamio pela primeira vez no curso da Segunda sess\u00e3o p\u00fablica das Academias pontif\u00edcias, a 3 de Novembro de 1997.<\/p>\n<p>(34) Cf. a miss\u00e3o e as compet\u00eancias confiadas ao Conselho Pontif\u00edcio da Cultura: Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Carta Aut\u00f3grafa instituindo o Conselho Pontif\u00edcio da Cultura<\/em>, 20 de Maio de 1982, AAS, t. 74 (1982) 683-688, e Motu Proprio\u00a0<em>Inde a Pontificatus<\/em>, 25 de Mar\u00e7o de 1993, AAS, LXXXV (1993) 549-552.<\/p>\n<p>(35) Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso ao Conselho Pontif\u00edcio da Cultura<\/em>, 15 de Mar\u00e7o de 1997,\u00a0<em>OR\u00a0<\/em>(ed. port.), ano XXVIII (1997), n. 13, p. 4 (136).<\/p>\n<p>(36) Santo Atan\u00e1sio,\u00a0<em>Sobre a Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo<\/em>, 54, 3. PG 25, 92;\u00a0<em>Sources Chr\u00e9tiennes<\/em>, 199, 1973, p. 459.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONSELHO PONTIF\u00cdCIO DA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":118,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-126","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":130,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126\/revisions\/130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}