{"id":12572,"date":"2021-08-18T07:00:49","date_gmt":"2021-08-18T06:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12572"},"modified":"2021-05-24T16:55:05","modified_gmt":"2021-05-24T15:55:05","slug":"oratorio-peregrino-73-serie-beato-pe-eugenio-maria-xii-de-noite-ou-de-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-73-serie-beato-pe-eugenio-maria-xii-de-noite-ou-de-dia\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 73 | [S\u00e9rie Beato Pe. Eug\u00e9nio Maria] XII &#8211; \u00abDe noite ou de dia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">XII &#8211; \u00abDe noite ou de dia\u00bb<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abDe noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como\u00bb (cf. Mc 4, 26-29).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Esta pequena par\u00e1bola real\u00e7a a for\u00e7a, a vida do gr\u00e3o. O gr\u00e3o leva no seu interior a vida; est\u00e1 vivo, desenvolve-se\u2026 Que for\u00e7a (tem) a gra\u00e7a que habita em n\u00f3s! O semeador seguiu o seu caminho, e o dia e anoite passaram. Confiou na vida que havia no gr\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vida do gr\u00e3o desenvolve-se debaixo da terra, \u00e9 independente dos acontecimentos exteriores. Os acontecimentos atmosf\u00e9ricos, tormenta, sol, tudo isso favorece o desenvolvimento da planta. Tememos a chuva, mas a chuva \u00e9 necess\u00e1ria para ela. Tememos o sol e os seus raios ardentes, mas contribuem<\/em> <em>para desenvolver a planta, para lhe dar uma for\u00e7a interior, uma vida que se desenvolve.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O mesmo acontece com o Reino de Deus que est\u00e1 em n\u00f3s. O seu crescimento oco0rre com a obscuridade da f\u00e9, de noite, como acontece com o gr\u00e3o. Todo o problema da gra\u00e7a, do crescimento espiritual est\u00e1 nisto com todo o mist\u00e9rio que cont\u00e9m. Esta vida, a mais importante de todas, est\u00e1 encarnada no humano, oculta-se por tr\u00e1s do humano e n\u00e3o a vemos. Vejo a noite, o dia, as circunst\u00e2ncias exteriores; a sua vida \u00edntima n\u00e3o a vejo, est\u00e1 escondida porque n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel para os sentidos, \u00e9 espiritual.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Confiemos na gra\u00e7a; o crescimento espiritual necessita de tempo. Deus dirige o movimento. O agricultor, semeador, \u00e9 Ele quem faz crescer essa vida, que \u00e9 a sua.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Acreditemos na for\u00e7a da gra\u00e7a, acreditemos nesta chamada \u00e0 santidade que n\u00e3o vem de n\u00f3s, das nossas capacidades, mas da vitalidade<\/em> <em>da gra\u00e7a. Confiemos no desenvolvimento da gra\u00e7a no meio de tudo: no meio das noites, dos acontecimentos e vicissitudes. Nada se perde, a vitalidade continua viva na noite\u2026 Pensai nas folhas que parecem mortas num dia de tormenta, como se a natureza estivesse de luto, e, no dia seguinte, sentimos uma vitalidade nova. O mesmo acontece nas noites da alma <\/em>(I 24-7-44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 o Reino de Deus? \u00c9 o reino da vida de Deus em n\u00f3s. A vida divina, participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria vida de Deus, que se nos d\u00e1, \u00e9 uma vida espiritual e, portanto, misteriosa, inef\u00e1vel. Estamos perante uma realidade que a nossa linguagem humana n\u00e3o pode expressar com exactid\u00e3o, por isso, Jesus f\u00e1-lo com par\u00e1bolas. N\u00e3o diz: \u00abo Reino de Deus \u00e9\u2026\u00bb, mas \u00abo Reino de Deus pode comparar-se a\u2026\u00bb, \u00ab\u00e9 como\u2026\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a vida natural \u00e9, de certo modo, um mist\u00e9rio. O semeador n\u00e3o sabe como cresce o gr\u00e3o que depositou na terra; comprova que \u00aba semente germina e vai crescendo sem ele saber como. A terra vai produzindo sozinha a colheita; primeiro o caule, depois a espiga, depois o gr\u00e3o\u00bb (Mc 4, 27-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim como, ainda mais misteriosamente, se desenvolve a gra\u00e7a. Desenvolve-se \u00abcomo\u00bb o gr\u00e3o porque, como o gr\u00e3o, leva em si mesma o princ\u00edpio do seu crescimento. A par\u00e1bola de Marcos exprime muito bem o dinamismo da gra\u00e7a. Do mesmo modo que o dinamismo da vida est\u00e1 no interior do gr\u00e3o que cresce e d\u00e1 fruto, de mesmo modo acontece com a vida divina, que est\u00e1 em n\u00f3s, possui no seu interior o princ\u00edpio do seu crescimento. <em>A gra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 algo que dorme num recanto da alma, mas est\u00e1 viva e quer desenvolver-se<\/em> (I 23-7-44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos feitos para viver unidos a Deus, para crescer no seu amor. Do mesmo modo que o gr\u00e3o de trigo d\u00e1 espigas de trigo pela sua mesma natureza, faz parte da natureza da gra\u00e7a levar a alma \u00e0 uni\u00e3o divina: \u00ab\u2026 Como Tu, Pai, est\u00e1s em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em N\u00f3s\u00bb (Jo 17, 21). A gra\u00e7a leva-nos a este destino; \u00e9 esta a sua finalidade. <em>Deus \u00e9 o nosso fim; alcan\u00e7\u00e1-lo \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o<\/em> (QV 148). O Conc\u00edlio Vaticano II recorda-nos que estamos todos chamados \u00e0 santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o vemos o desenvolvimento da gra\u00e7a; <em>a vida divina n\u00e3o se percebe pelos sentidos<\/em>. Na sua obra o <em>Castelo Interior<\/em> ou <em>As Moradas<\/em>, Teresa de Jesus indica no entanto etapas precisas de crescimento espiritual. S\u00e3o as sete moradas do castelo, cada uma marcada por um crescimento na uni\u00e3o com Deus; s\u00e3o as transforma\u00e7\u00f5es sucessivas da alma no seu caminhar para o seu centro mais profundo, para a Morada central do castelo, onde reside deus e onde a alma o alcan\u00e7a perfeitamente, quando a gra\u00e7a a conquistou completamente. S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz fala de graus de amor: \u00abquantos mais graus de amor tiver, tanto mais profundamente entra em Deus e se concentra n\u2019Ele\u00bb (CH 1, 13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, se a experi\u00eancia leva os m\u00edsticos a perceber algum ponto de refer\u00eancia no itiner\u00e1rio espiritual que descrevem, nem por isso deixam de afirmar a obscuridade do caminho. Estes marcos, por muito luminosos que sejam por vezes, n\u00e3o os percebemos como percebemos os fen\u00f3menos sens\u00edveis. A pr\u00f3pria Santa Teresa de Jesus indica que h\u00e1 sempre certa instabilidade na alma, e \u00aba alma cresce, e cresce de verdade, mas n\u00e3o como o corpo, embora assim o digamos\u00bb (V 15, 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este crescimento tem altibaixos, avan\u00e7a e recua, e n\u00e3o h\u00e1 modo de encontrar regularidade e l\u00f3gica. Para S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, estas regi\u00f5es por onde a alma caminha s\u00e3o como regi\u00f5es sem caminhos, e s\u00e3o diferentes para cada alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os ju\u00edzes perguntaram a Joana de Arco \u00abse sabe se est\u00e1 em gra\u00e7a de Deus\u00bb, ela responde: \u00abSe n\u00e3o estou, que Deus me ponha; e se estou, que Deus me guarde\u00bb. Uma admir\u00e1vel resposta que nasce da humildade da f\u00e9 e da confian\u00e7a em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Padre Eug\u00e9nio Maria sublinha o <em>desenvolvimento vivo e completo<\/em> da gra\u00e7a e faz-nos voltar \u00e0 f\u00e9. Pois a alma caminha na noite da f\u00e9. Deus \u00e9 quem semeia e realiza o crescimento. A gra\u00e7a possui em si mesma um princ\u00edpio din\u00e2mico, mas necessita de alimento e s\u00f3 Deus \u00e9 o seu alimento: aproximemo-nos das fontes da vida divina que s\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e os sacramentos; aproximemo-nos, de modo especial, da Eucaristia, p\u00e3o de Vida eterna\u00bb (Jo 6, 35). Nada pode parar o dinamismo da gra\u00e7a, excepto o pecado e a falta de confian\u00e7a. E se alguma vez nos parecer que tudo est\u00e1 perdido, \u00e9 mais do que nunca o momento de <em>ter confian\u00e7a na gra\u00e7a<\/em>. Deus \u00e9 fiel. \u00abSe formos infi\u00e9is, Ele permanecer\u00e1 fiel, pois n\u00e3o pode negar-se a si mesmo\u00bb (2 Tm 2, 13). A gra\u00e7a n\u00e3o pode deixar de ser o que \u00e9: gra\u00e7a santificante que nos santifica ao purificar-nos, \u00abpode para fazer imensamente mais do que pedimos ou imaginamos\u00bb (Ef 3, 20). Ofere\u00e7amo-nos a este poder infinito de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu Deus, sou o campo que regais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">depois de o ter semeado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abri os meus olhos e o meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para poder ver as maravilhas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que o vosso amor realiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tempestades que possa encontrar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">nunca\u00a0 diminuam a minha confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como S\u00e3o Paulo, tenho a seguran\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de que nada me poder\u00e1 separar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do vosso amor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/katerinavulcova-7453549\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3944361\">katerinavulcova<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3944361\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12573,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-12572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12572"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12572\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12574,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12572\/revisions\/12574"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}