{"id":12561,"date":"2021-07-28T07:00:07","date_gmt":"2021-07-28T06:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12561"},"modified":"2021-05-24T16:31:45","modified_gmt":"2021-05-24T15:31:45","slug":"oratorio-peregrino-70-serie-beato-pe-eugenio-maria-ix-na-obscuridade-do-dia-a-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-70-serie-beato-pe-eugenio-maria-ix-na-obscuridade-do-dia-a-dia\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 70 | [S\u00e9rie Beato Pe. Eug\u00e9nio Maria] IX &#8211; Na obscuridade do dia-a-dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">IX &#8211; Na obscuridade do dia-a-dia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Porqu\u00ea Nosso Senhor, que quis passar trinta e tr\u00eas anos na terra, passou trinta na solid\u00e3o?&#8230; Porqu\u00ea Jesus agiu assim, mesmo tendo uma miss\u00e3o t\u00e3o grande e tanto trabalho para fazer? Quis viver assim para satisfazer uma necessidade de adora\u00e7\u00e3o e de ora\u00e7\u00e3o, para viver uma vida normal. Nazar\u00e9 mostra a perfei\u00e7\u00e3o da Encarna\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdadeiramente um homem que conhece a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, pois viveu-a como n\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quis dizer-nos que, para cumprirmos a nossa miss\u00e3o, seja qual for a sua abrang\u00eancia, temos que faz\u00ea-lo vivendo a realidade quotidiana. As coisas extraordin\u00e1rias f\u00e1-las-emos quando Deus o permitir. A nossa vida consiste nesse<\/em> <em>dia-a-dia, no qual nos temos que santificar e servir a Igreja. Santa Teresa do Menino Jesus procurou sempre a verdade na realidade da vida (cf. UC 29.8.97), dizia: n\u00e3o gosto das hist\u00f3rias que se contam\u2026 E gostava de insistir nas dificuldades do dia-a-dia, como por exemplo: \u00abQuantas vezes censuram o bom S. Jos\u00e9! Quantas vezes recusaram pagar-lhe o seu trabalho!\u00bb. P\u00f4de ter algum problema com os seus vizinhos, como n\u00f3s\u2026 pois relacionava-se com todos\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A isto nos chama Deus. Queremos fazer coisas extraordin\u00e1rias, ter um poder extraordin\u00e1rio para poder fazer o bem a toda a gente. A vida de Nazar\u00e9 n\u00e3o foi assim; \u00e9 a vida de cada dia com os seus pequenos incidentes, a sua monotonia, a sua simplicidade\u2026 Mas por tr\u00e1s dessa vida ordin\u00e1ria se esconde uma intensa vida de Deus; uma vida de f\u00e9, de amor, tamb\u00e9m de esperan\u00e7a, porque este ambiente do dia-a-dia n\u00e3o impede que a esperan\u00e7a<\/em> <em>esteja viva, e muito viva. Maria e Jos\u00e9 viveram na obscuridade, mas tinham uma esperan\u00e7a forte, viva, que atra\u00eda a realiza\u00e7\u00e3o das promessas. Sabiam bem que tudo se realizaria por Jesus<\/em> (I 20-8-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto fala por si mesmo. Deus normalmente n\u00e3o muda a condi\u00e7\u00e3o do homem ao estabelecer alian\u00e7a com ele, mas transfigura-a. Toda a exist\u00eancia pode ser recuperada, resgatada por Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coloca-se-nos uma quest\u00e3o pr\u00e1tica: Como permanecer unidos a Deus no meio das numerosas obriga\u00e7\u00f5es que enchem as nossas agendas? Ser\u00e1 quest\u00e3o de \u00abescolher a melhor parte\u00bb e deixar de lado os compromissos da vida? Ou temos que acolh\u00ea-los como enviados por Deus? O Padre Eug\u00e9nio Maria afirma: as duas chamadas v\u00eam de Deus, tal como um carro tem dois trav\u00f5es adaptados \u00e0 pot\u00eancia do motor. A vida contemplativa implica tamb\u00e9m uma parte importante de trabalho, querido e aben\u00e7oado por deus. Temos que saber discernir. N\u00e3o de trata de fazer c\u00e1lculos humanos, mas ser fiel ao dever de estado que nos manifesta de maneira concreta a vontade de Deus, e de acolher a chama do Esp\u00edrito Santo que arde em n\u00f3s. Deus nos dar\u00e1 a sua luz. <em>Trabalhei muito na minha vida<\/em>, constatava o padre Eug\u00e9nio Maria. E quando o trabalho era excessivo prolongava o tempo de ora\u00e7\u00e3o para encontrar nela a luz e a for\u00e7a necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, a ora\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o nunca s\u00e3o duas coisas opostas, considera a vida espiritual de maneira global; nela estes dois tempos s\u00e3o um \u00fanico movimento que se entrega ao Esp\u00edrito Santo. Na vida activa, o amor \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o elemento mais necess\u00e1rio para que o crist\u00e3o prolongue em Deus a obra da cria\u00e7\u00e3o e a anime com o seu Esp\u00edrito. O poder da f\u00e9 tem efeitos vis\u00edveis. Os efeitos do encontro com Deus vemo-los no amor a Deus e aos irm\u00e3os. Por isso, o Padre Eug\u00e9nio Maria nos convidava a \u00abmergulharmos\u00bb em Deus durante o dia, nuns \u00abmergulhos\u00bb que podem ser breves mas profundos e n\u00e3o menos importantes que a ora\u00e7\u00e3o. <em>Quando dispusermos de um momento, tornemos Deus presente na nossa vida<\/em> (I 29-1-60).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida ordin\u00e1ria ilumina-se olhando o mist\u00e9rio de Jesus. Deus faz-se homem, as suas grandes vit\u00f3rias t\u00eam lugar no meio da discri\u00e7\u00e3o e at\u00e9 do fracasso: o nascimento, a cruz. Deus parece dormir\u2026 aniquilado, E, no entanto, o fr\u00e1gil menino de Bel\u00e9m, que vem das profundidades de Deus e toca a terra com tanto amor, recria a humanidade sem nenhum ru\u00eddo. Parece-nos sempre que o bem tem que fazer ru\u00eddo. A vida de Jesus em Nazar\u00e9, os rostos de Jos\u00e9 e de Maria iluminam as realidades mais belas das nossas simples vidas. Jos\u00e9 serviu estando no seu lugar, com a humildade que consiste em aceitar ser por fora e por dentro o que Deus quer que sejamos. Se nos entregarmos a Ele desta maneira, Deus une-se connosco no mais profundo do nosso ser; n\u2019Ele, a ac\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, escondida porque \u00e9 divina, incorpora-o misteriosamente a Cristo. Como?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gra\u00e7a est\u00e1 enxertada em n\u00f3s como participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus, unindo-se verdadeira, profunda e intimamente com cada homem; adaptando-se ao seu temperamento; \u00e0s fibras do seu ser, \u00e0 sua singularidade, at\u00e9 \u00e0s suas pr\u00f3prias feridas. A gra\u00e7a adapta-se, dilata, cura. O que glorifica a Deus \u00e9 o que Ele salvou. Por isso, nada do que tem a ver com a nossa vida Lhe \u00e9 indiferente ou deixa de o ter presente; nada \u00e9 insignificante, Deus n\u00e3o exclui nada. Por isso, se quero, a minha vida com cada um dos seus actos pode ser visitada por Ele. Cada momento ser\u00e1 esse encontro, esse tesouro, o acto de amor. A\u00ed vem ao meu encontro. A gra\u00e7a \u00e9 filial: a crian\u00e7a vive constantemente do tesouro do seu Pai e esperando tudo d\u2019Ele. E quando a uni\u00e3o for plena, Jo\u00e3o da Cruz afirma que \u00abtodos os nossos actos s\u00e3o divinos\u00bb (CH 1) e \u00fateis ao mundo. Nazar\u00e9 mostra-nos a perfei\u00e7\u00e3o da Encarna\u00e7\u00e3o e as suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Apoiados na vossa gra\u00e7a<\/em>, dizia o Padre Eug\u00e9nio Maria. \u00abMinha gra\u00e7a\u00bb, express\u00e3o surpreendente, \u00e9 o dom sem igual que Cristo me concede, a pedra branca (cf. Ap 2, 17) que recebi, o mist\u00e9rio pessoal da minha vida e da minha voca\u00e7\u00e3o divina, que ela ilumina at\u00e9 nos pormenores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se para n\u00f3s, por vezes, monotonia \u00e9 sin\u00f3nimo de mediocridade, n\u00e3o tenhamos medo de a dar a Jesus para Ele a elevar \u00e0 medida do des\u00edgnio de Deus. Maria e Jos\u00e9 chamam-nos no meio da obscuridade. Se as suas vidas s\u00e3o exteriormente ordin\u00e1rias, n\u00e3o h\u00e1 nada de ordin\u00e1rio na sua vida interior, que se alimenta de adora\u00e7\u00e3o e cuja luz \u00e9 o amor silencioso. Por aqui vemos o que Deus quer que mostremos ao mundo. A actividade do homem \u00e9 necess\u00e1ria, mas a de Deus \u00e9 soberana: <em>Sabiam que tudo se faria por meio d\u2019Ele<\/em>. A nossa colabora\u00e7\u00e3o, no dia-a-dia, consiste em segui-Lo e colaborar, com as obras da f\u00e9 e do amor e com o olhar da confian\u00e7a. O testemunho expl\u00edcito \u00e9 necess\u00e1rio, mas a nossa vida simples, embora n\u00e3o o vejamos, irradia esperan\u00e7a e anuncia a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem sen\u00e3o Jos\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">esteve mais perto de Maria e de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que via? Nada de extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olhar da sua f\u00e9 ia mais al\u00e9m do sil\u00eancio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para chegar mais longe,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">at\u00e9 \u00e0s profundezas do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja Ele o nosso mestre de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos ensine<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a ler o Evangelho com a pureza da sua luz,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que nos descobre a verdade em si mesma<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e a esperan\u00e7a que h\u00e1 nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado de Jos\u00e9 e de Maria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que Jesus nos baste.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/joshuaworoniecki-12734309\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5996682\">Joshua Woroniecki<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5996682\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12564,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-12561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12561"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12565,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12561\/revisions\/12565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}