{"id":12559,"date":"2021-07-21T07:00:28","date_gmt":"2021-07-21T06:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12559"},"modified":"2021-05-24T16:26:11","modified_gmt":"2021-05-24T15:26:11","slug":"oratorio-peregrino-69-serie-beato-pe-eugenio-maria-viii-o-preco-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-69-serie-beato-pe-eugenio-maria-viii-o-preco-da-liberdade\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 69 | [S\u00e9rie Beato Pe. Eug\u00e9nio Maria] VIII &#8211; O pre\u00e7o da liberdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">VIII &#8211; O pre\u00e7o da liberdade<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vida espiritual \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o de duas actividades: a nossa e a de Deus. Mas Deus respeita a nossa liberdade, n\u00e3o nos far\u00e1 santos se n\u00f3s n\u00e3o quisermos. Criou-nos livres para podermos fazer o dom total de n\u00f3s mesmos. Quer que colaboremos na obra que quer realizar em n\u00f3s. Nisto consiste o mist\u00e9rio da actividade divina e da nossa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O dom de n\u00f3s mesmos! N\u00e3o \u00e9 um acto passageiro. N\u00e3o s\u00f3 o temos que fazer hoje, mas amanh\u00e3 e depois de amanh\u00e3 e sempre. Que a nossa vida espiritual seja um dom cont\u00ednuo de n\u00f3s mesmos, repetido e realizado cada vez com mais humildade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O acto de amor perfeito \u00e9 o dom de n\u00f3s mesmos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Para compreender o valor deste dom de n\u00f3s mesmos, temos que olhar para Nosso Senhor. \u00abAo entrar no mundo, Cristo disse: Eis que venho para fazer, \u00f3 Deus, a tua vontade\u00bb (Hb 10, 5). O primeiro gesto da humanidade de Cristo foi oferecer-se. E no momento de morrer coroa toda a sua vida com outro acto de oferecimento que confirma o primeiro: \u00abPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb (Lc 23, 46). Estes dois gestos de Cristo dizem-nos todo o valor que tem o dom de n\u00f3s mesmos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Poder\u00edamos dizer que toda a \u00abvida espiritual\u00bb de Nosso Senhor se resume nisto: dar-se, oferecer-se para realizar o des\u00edgnio de Deus. Quando estava com a Samaritana, no po\u00e7o de Sicar, os ap\u00f3stolos trouxeram-lhe comida, e Ele disse-lhes: \u00abO meu alimento \u00e9 fazer a vontade d\u2019Aquele que me enviou\u00bb (Jo 4, 34). Isto revela-nos a alma de Cristo. Ama o seu Pai e oferece-se a seu Pai.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Para a realiza\u00e7\u00e3o da nossa santifica\u00e7\u00e3o pessoal ou para a constru\u00e7\u00e3o do Corpo m\u00edstico de Cristo, quer dizer, para toda a obra de miseric\u00f3rdia, Deus quer a colabora\u00e7\u00e3o da liberdade humana. Como base de tudo, desta colabora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m tem que estar presente o dom de tudo o que somos <\/em>(I 24-7-44; I 2-8-61).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSe conhecesses o dom de Deus\u00bb, diz Jesus \u00e0 Samaritana (Jo 4, 10). No come\u00e7o est\u00e1 o dom de Deus. Ele tem a iniciativa em todo o dom, desde a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 salva\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dando-nos o seu Filho, O Pai revela-nos o seu amor e se d\u00e1 a Si mesmo; e no amor que O une a seu Pai, Jesus realiza o dom total de si mesmo; vem ao mundo e d\u00e1 a sua vida livremente: \u00ab\u00c9 por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida\u2026 sou Eu que a ofere\u00e7o livremente\u00bb (Jo 10, 17-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Disposi\u00e7\u00e3o fundamental de Cristo, o dom de si \u00e9 uma disposi\u00e7\u00e3o fundamental crist\u00e3<\/em> (QV 376). A gra\u00e7a, participa\u00e7\u00e3o da vida divina, \u00e9 filial. Faz-nos ser filhos \u00e0 imagem de Cristo, o Filho \u00fanico, e s\u00f3 podemos estar unidos a deus se realizamos Cristo, vivendo no seu movimento de amor ao Pai, adequando a nossa vida com \u00abos sentimentos pr\u00f3prios de uma vida em Cristo Jesus\u00bb (Fl 2, 5). O dom de n\u00f3s mesmos \u00e9 a mais alta express\u00e3o da nossa liberdade, e descobrimos o seu valor olhando-o \u00e0 luz do dom total de Cristo, do seu amor livre e obediente aa seu Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na base da vida espiritual est\u00e1 este dom, que surge numa pessoa livre. \u00c9 a resposta de amor \u00e0 loucura do amor de Deus por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa Teresa de Jesus adverte-nos: \u00abComo Ele (Deus) n\u00e3o quer for\u00e7ar a nossa vontade, toma o que Lhe damos, mas n\u00e3o Se d\u00e1 a Si de todo, at\u00e9 que de todo nos demos a Ele\u00bb (CV 28, 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto mostra-nos at\u00e9 que ponto o dom responde ao dom. Ao amor de Deus que se d\u00e1 totalmente, o crist\u00e3o corresponde dando-se totalmente a Deus, e recebe em heran\u00e7a um amor que o invade e o enche cada vez mais, uma caridade cada vez mais viva. Este \u00e9 o dinamismo do dom que nos leva a realizar perfeitamente a nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Padre Eug\u00e9nio Maria precisa algumas qualidades que o dom de n\u00f3s mesmos tem que ter para ser verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem que ser um dom total, sem restri\u00e7\u00f5es, incondicional. N\u00e3o se trata de um \u00absim, mas\u2026\u00bb, mas de acolher o radicalismo evang\u00e9lico: \u00abSe queres ser perfeito, vai, vende o que tens\u2026\u00bb (Mt 19, 21). O dom total liberta! Deus chama-me cada dia, e a minha resposta de amor \u00e9 um dom di\u00e1rio de mim mesmo at\u00e9 ao \u00faltimo suspiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa de Jesus diz-nos tamb\u00e9m \u2013 talvez com um pouco de tristeza? \u2013 \u00abSomos t\u00e3o tardios em nos darmos de todo a Deus que\u2026 n\u00e3o acabamos de nos dispor\u00bb (V 11, 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este dom total \u00e9 um dom na obscuridade, um dom <em>indeterminado<\/em>. H\u00e1 certo perigo quando o determinamos tendo em conta os nossos gostos, o que nos atrai; temos que ter cuidado de n\u00e3o cair no engano da imagina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos fazermos ilus\u00f5es, que nos assaltam sempre. Deste ponto de vista, o Padre Eug\u00e9nio Maria falava de uma <em>espiritualidade do acontecimento: a f\u00e9 deve estar desperta nas situa\u00e7\u00f5es providenciais\u2026 fontes de luz e de gra\u00e7a<\/em> (QV 685). Se partimos do que sabemos pela f\u00e9, que Deus \u00e9 Provid\u00eancia, acaso n\u00e3o s\u00e3o frequentemente os acontecimentos e as situa\u00e7\u00f5es os mensageiros mais seguros da vontade de Deus? \u00abSabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus\u00bb (Rm 8, 28). Deus serve-se dos acontecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 onde nos pode levar este compromisso na obscuridade, esta indetermina\u00e7\u00e3o nas realiza\u00e7\u00f5es? Nos conduzir\u00e1 com Jesus at\u00e9 ao Gets\u00e9mani? N\u00e3o queiramos saber. O que conta no dom n\u00e3o \u00e9 o esfor\u00e7o, mas o movimento de amor que nos faz entrar em comunh\u00e3o com Deus. O essencial \u00e9 viver uma fidelidade de amor cada vez mais generosa e desinteressada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom <em>identifica-nos com Cristo nas profundidades.<\/em> <em>N\u00e3o se trata de imitar a Cristo de maneira superficial<\/em>\u2026 <em>por meio de um v\u00e3o formalismo exterior<\/em>, mas de uma constante disposi\u00e7\u00e3o que <em>nos entrega \u00e0 gra\u00e7a de Cristo que vive em n\u00f3s<\/em> (QV 376). O \u00absim\u00bb permanente ao amor de Deus, o dom de n\u00f3s mesmos renovado cada dia, n\u00e3o pode sen\u00e3o atrair o Amor e fazer-nos entrar na profundidade do seu inesgot\u00e1vel mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um de n\u00f3s tem uma miss\u00e3o na Igreja, e o dom de n\u00f3s mesmos associa-nos \u00e0 obra de Deus. Somos os ramos que d\u00e3o fruto na medida em que est\u00e3o unidos \u00e0 videira (Jo 15, 4-5). Deste modo, por muito modestas que sejam as nossas obras, t\u00eam a fecundidade das obras divinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta colabora\u00e7\u00e3o, deus confia no homem, e isto faz que o nosso dom seja cada vez mais <em>humilde<\/em>. Que diz a Virgem quando o esp\u00edrito Santo pediu a colabora\u00e7\u00e3o dela? \u00abOlhou para a humildade da sua serva\u00bb (Lc 1, 48). Deus pede-lhe o seu <em>fiat<\/em>. \u00abFa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u00bb (Lc 1, 38). Nesta chamada, Maria s\u00f3 v\u00ea o olhar da miseric\u00f3rdia do seu Senhor. Diz um sim sem reservas, e \u00e9 associada ao mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, da Reden\u00e7\u00e3o, \u00e0 obra mais elevada do Deus Trindade. E est\u00e1 chamada a ser M\u00e3e da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abJesus tem por n\u00f3s um amor t\u00e3o incompreens\u00edvel que quer que tenhamos parte com Ele na salva\u00e7\u00e3o das almas. N\u00e3o quer fazer nada sem n\u00f3s\u00bb, diz Santa Teresa do Menino jesus (Ca 135). As miss\u00f5es e voca\u00e7\u00f5es na Igreja s\u00e3o sempre variadas porque s\u00e3o pessoais, mas todas s\u00e3o express\u00e3o do amor, dom de n\u00f3s mesmos a Deus para a Igreja: \u00abCompreendi que s\u00f3 o Amor fazia agir os membros da Igreja\u2026 o Amor encerra todas as Voca\u00e7\u00f5es, que o Amor \u00e9 tudo\u00bb exclama Teresa (Ms B 3 v).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/stevepb-282134\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1580168\">Steve Buissinne<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1580168\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12560,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-12559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12559"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12563,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12559\/revisions\/12563"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}