{"id":12552,"date":"2021-07-07T07:00:59","date_gmt":"2021-07-07T06:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12552"},"modified":"2021-05-24T12:28:41","modified_gmt":"2021-05-24T11:28:41","slug":"oratorio-peregrino-67-serie-beato-pe-eugenio-maria-vi-seguros-em-plena-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-67-serie-beato-pe-eugenio-maria-vi-seguros-em-plena-noite\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 67 | [S\u00e9rie Beato Pe. Eug\u00e9nio Maria] VI &#8211; Seguros em plena noite"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">VI &#8211; Seguros em plena noite<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma evid\u00eancia; a f\u00e9 \u00e9 um conhecimento obscuro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c0s vezes parece que o nosso acto de f\u00e9 s\u00f3 encontra obscuridade. Sim! \u00c9 a experi\u00eancia normal; no entanto, atrav\u00e9s da obscuridade \u00abtocamos\u00bb a Deus. O Evangelho afirma que a f\u00e9 chega at\u00e9 Deus; algumas passagens o demonstram. Temos que ter f\u00e9 nesta lei do Evangelho; crer que a f\u00e9 nos ilumina. Deus faz-nos sentir a obscuridade, quer deslumbrar a nossa intelig\u00eancia; a luz de Deus produz sempre este efeito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dir\u00edamos com gosto que a f\u00e9 \u00e9 quase um acto de amor. \u00c9 um compromisso.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Evangelho fala-nos da pecadora que unge os p\u00e9s de Jesus, em casa de Sim\u00e3o o fariseu, com um perfume muito caro (Lc 7, 36-50): \u00abA tua f\u00e9 te salvou, vai em paz\u00bb. A pecadora manifesta o seu amor. E Nosso senhor enaltece a sua f\u00e9: f\u00e9 que \u00e9 um acto de amor e de entrega de n\u00f3s mesmos. \u00c9 um dom da pessoa, \u00e9 a pessoa que se compromete. O que tinha movido esta mulher a ir ao encontro de Nosso Senhor tinha sido o arrependimento dos seus pecados, ia ao seu encontro com todo o seu ser e queria mostrar-lhe a sua submiss\u00e3o. Voltou para casa transformada. Cito o Evangelho, n\u00e3o invento nada. S\u00e3o realidades que apenas nos atrevemos a contar se n\u00e3o estivessem no Evangelho.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Temos que sublinhar o papel insubstitu\u00edvel da f\u00e9 na vida espiritual. \u00c9 uma ades\u00e3o razo\u00e1vel, \u00e9 um compromisso. Se n\u00e3o houver entrega, compromisso de n\u00f3s mesmos, como no caso da pecadora, a f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 completa. Mas quando existe a entrega, Deus se d\u00e1 e realiza-se uma uni\u00e3o entre Deus e eu. A f\u00e9 \u00e9 obscura e, portanto, n\u00e3o percebemos os seus efeitos nem com a intelig\u00eancia nem com os sentidos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O primeiro acto de ades\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil; uma vez que nos comprometemos, Deus d\u00e1-nos o seu amor, e o amor nos transforma progressivamente. A f\u00e9 manifesta-se no compromisso. Temos que passar pela obscuridade, as trevas, temos que nos comprometer. Sejam quais forem os obst\u00e1culos que se interp\u00f5em entre deus e n\u00f3s, podemos salv\u00e1-los pela f\u00e9 e estabelecer contacto com Deus<\/em> (I, 6-4-66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, oro e \u00abtocou\u00bb a Deus pela f\u00e9\u2026 Mas n\u00e3o sinto nada, s\u00f3 encontro obscuridade. Tenho f\u00e9? Temos que compreender que a f\u00e9 \u00e9 uma noite\u00bb e n\u00e3o devemos fiar-nos do que sentimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Noite, para quem? E porqu\u00ea? Fundamentalmente para a sensibilidade e para a intelig\u00eancia, que n\u00e3o est\u00e3o adaptadas ao sobrenatural. Os sentidos est\u00e3o adaptados ao mundo sens\u00edvel e a intelig\u00eancia est\u00e1 feita para ter ideias claras. Embora o acto de f\u00e9 necessite da intelig\u00eancia, no entanto esta permanece na obscuridade quando se trata da transcend\u00eancia, do infinito, de Deus. O nosso Deus \u00e9 \u00abum Deus escondido\u00bb (Is 45, 15). Um Deus escondido que se manifesta, um Deus revelado que continua a estar escondido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o da Cruz repete sem cessar que \u00aba f\u00e9 \u00e9 noite escura para a alma\u00bb, mas, a seguir, acrescenta: desta maneira d\u00e1-lhe luz\u2026 porque cegando lhe d\u00e1 luz\u00bb (2 S 3). A f\u00e9 est\u00e1 acima de todo o entender, gostar, sentir e imaginar; por isso, \u00e9 um conhecimento obscuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O acto de f\u00e9 introduz a intelig\u00eancia no mist\u00e9rio de Deus. Em nada destr\u00f3i os conhecimentos humanos que lhe servem de suporte, mas vai mais longe, mais al\u00e9m das ideias, unicamente para Deus, para mergulhar n\u2019Ele. A intelig\u00eancia adere \u00e0 verdade de Deus, embora n\u00e3o a compreenda claramente. Mas crer n\u00e3o \u00e9 apenas conectar intelectualmente; \u00e9 comprometer-se pessoalmente. A f\u00e9, embora seja um dom de Deus, \u00e9 tamb\u00e9m um acto da vontade livre. Na ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o procuro compreender a Deus; quero encontrar-me com Ele, unir-me a Ele com todo o meu ser; procuro penetrar no seu mist\u00e9rio por meio da f\u00e9 viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 uma vida. E o amor \u2013 caridade sobrenatural \u2013 \u00e9 quem guia a alma na noite da f\u00e9. A pecadora perdoada manifestou a sua f\u00e9 mostrando muito amor (Lc 7, 47); o seu gesto \u00e9 um gesto de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA f\u00e9 e o amor s\u00e3o esses dois mo\u00e7os do cego que te h\u00e3o-de guiar por onde n\u00e3o sabes, l\u00e1 ao escondido de Deus\u00bb, diz-nos tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (CB 1, 11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O Padre Eug\u00e9nio Maria apresenta muitas vezes Maria como modelo de f\u00e9. Maria vivia ao lado do seu Filho na escurid\u00e3o do mist\u00e9rio divino. Sabia com absoluta certeza que trouxera no seu seio o Salvador. O <em>fiat <\/em>de Anuncia\u00e7\u00e3o foi um compromisso na f\u00e9 e, ao mesmo tempo, uma resposta de amor; vivia de f\u00e9. \u00abFeliz de ti que acreditaste\u00bb (Lc 1, 45). O que o Esp\u00edrito Santo exalta por meio de Isabel \u00e9 a f\u00e9 de Maria. F\u00e9: certeza e noite ao mesmo tempo! <em>Ningu\u00e9m conheceu melhor a noite que a Sant\u00edssima Virgem, porque ningu\u00e9m penetrou mais no mist\u00e9rio de Deus<\/em> (P 187).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 mulher que grita no meio da multid\u00e3o: \u00abFelizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!\u00bb, Jesus responde: \u00abFelizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a p\u00f5em em pr\u00e1tica\u00bb (Lc 11, 27-28). O que torna Maria \u00abbem-aventurada\u00bb n\u00e3o \u00e9 ter levado o Salvador no seu seio. Jesus exalta a f\u00e9 de Maria; Maria \u00e9 \u00abfeliz\u00bb porque acreditou na palavra de Deus. E ao ap\u00f3stolo Tom\u00e9, o incr\u00e9dulo, que professa a sua f\u00e9 depois de ter tocado o corpo do Ressuscitado \u2013 \u00abMeu Senhor e meu Deus\u00bb \u2013 Jesus revela-lhe a bem-aventuran\u00e7a da f\u00e9: \u00abFelizes os que cr\u00eaem sem terem visto!\u00bb (Jo 20, 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 meu Deus, na noite em que me encontro, creio que est\u00e1s a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vejo, mas creio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Creio que est\u00e1s a meu lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guia-me para essa long\u00ednqua luz que me atrai apesar da obscuridade que me rodeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da noite, a f\u00e9 \u00e9 luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSem outra luz nem guia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sen\u00e3o a que no cora\u00e7\u00e3o ardia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 noite que guiaste!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 noite am\u00e1vel mais que a alvorada!\u00bb (NE 3 e 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nesta vida de f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">tem-se uma experi\u00eancia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que n\u00e3o \u00e9 claridade para a intelig\u00eancia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">mas sim certeza para a alma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus est\u00e1 presente e vivo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus luz\u2026 Deus Amor\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continua a ser noite,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">mas a alma est\u00e1 como absorta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">nesta obscuridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus d\u00e1-se. Deus sustenta-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma luz que vem do amor, n\u00e3o da intelig\u00eancia. Nesta noite, a comunica\u00e7\u00e3o entre Deus e a alma n\u00e3o \u00e9 de ideias, mas um interc\u00e2mbio de amor. \u00c9 uma fonte de luz diferente! \u00c9 um conhecimento produzido pelo amor, uma ades\u00e3o realizada pelo amor. A f\u00e9 reside na firmeza da ades\u00e3o que compromete a pessoa: f\u00e9 viva, f\u00e9 amorosa, que se desenvolve na esperan\u00e7a e conduz \u00e0 uni\u00e3o da alma com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nesta obscuridade,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a alma caminha com seguran\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Acaso n\u00e3o tem o Mestre<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>que despertou nela?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o est\u00e1 s\u00f3\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sabe-o obscuramente\u2026 mais feliz do que nunca;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Caminha segura sob a luz<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Da chama viva que arde no seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jplenio-7645255\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3120484\">jplenio<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3120484\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12553,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-12552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12552"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12554,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12552\/revisions\/12554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}