{"id":12261,"date":"2021-04-01T07:00:15","date_gmt":"2021-04-01T06:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12261"},"modified":"2021-04-27T10:57:32","modified_gmt":"2021-04-27T09:57:32","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-oitava-perspectiva-extatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-oitava-perspectiva-extatica\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | Oitava Perspectiva: Ext\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Oitava Perspectiva: Ext\u00e1tica<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma flor tem de se abrir para mostrar ao mundo a sua beleza. Se uma ideia n\u00e3o sair de n\u00f3s por palavras ou gestos, permanece escondida na inexist\u00eancia. Por vezes, sentimos uma felicidade tremenda em dar um pouco de n\u00f3s aos outros que ficamos <em>fora de n\u00f3s.<\/em> E embora essa sa\u00edda de n\u00f3s mesmos possa levar-nos a uma certa aliena\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 \u00e0 nossa volta, quando sa\u00edmos por darmos um pouco do nosso tempo, aten\u00e7\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o ou m\u00e3os, isto \u00e9, quando sa\u00edmos de n\u00f3s no dom-de-n\u00f3s-mesmos, vivemos um amor-\u00e1gape. Um amor que nos d\u00e1 uma perspectiva <em>ext\u00e1tica<\/em> sobre tudo e todos os que est\u00e3o \u00e0 nossa volta. Um sair de n\u00f3s para nos reencontrarmos naquilo ou naqueles a quem damos um pouco de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma consci\u00eancia que vive para si mesma, isolada dos outros e do mundo em torno de si, a um dado momento, creio que comece a duvidar da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. E mesmo as pessoas que se isolam de outras pessoas, como os eremitas, encontram nos espa\u00e7os naturais onde habitam, e nos ritmos da natureza que os circunda, a fonte de relacionamentos que lhes permite sair de si mesmos. \u00c9 imposs\u00edvel extrair os relacionamentos da nossa exist\u00eancia sem perder o sentido da mesma nesse processo. Somos rela\u00e7\u00e3o e feitos para a rela\u00e7\u00e3o. E toda a rela\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e actos de doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, actos \u2014 por assim dizer \u2014 de amor, se entendermos amar como dar-se-a-si-mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil entender a perspectiva ext\u00e1tica porque o sentido que damos aos momentos de \u00eaxtase est\u00e3o demasiado influenciados pela cinematografia dos que consomem estupefacientes para se alienar do mundo que os rodeia. N\u00e3o sei por que raz\u00e3o a cultura associou a \u00eaxtase somente a essa atitude quando, na realidade, essas pessoas n\u00e3o vivem fora de si, mas para-si-mesmos. E o que distingue ambas \u00e9 que, viver fora de n\u00f3s mesmos, n\u00e3o acontece escamoteando a dor que experimentamos na pele, nem exclui a dor que vive o outro que \u00e9 o nosso pr\u00f3ximo. Pois, os que vivem para-si-mesmos, vivem desligados, desconectados. Logo, vivem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior acto de doa\u00e7\u00e3o e, por isso, o maior acto de amor, \u00e9 aquele de quem d\u00e1 a sua vida pelos outros e pelo mundo \u00e0 sua volta. E o maior exemplo disso \u00e9 Jesus. A perspectiva ext\u00e1tica revela-se no momento de maior dor de Jesus ao sentir o abandono do Pai na cruz. Esse momento ins\u00f3lito da hist\u00f3ria do cristianismo encontra uma semelhan\u00e7a tremenda com as dores de parto que antecedem a alegria sem palavras que sentimos diante de uma nova vida. A vida que nasce da dor \u00e9 o sinal \u00faltimo da perspectiva ext\u00e1tica de quem vive, permanentemente, no amor como dom-de-si. Por isso, o abandono do Pai n\u00e3o \u00e9 mais um momento hist\u00f3rico, mas o rosto que contemplamos em cada situa\u00e7\u00e3o de dor e divis\u00e3o no mundo actual, e que nos ensina a amar na adversidade para reencontrar o sentido da exist\u00eancia. Uma exist\u00eancia aberta, ou seja, ext\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se procurarmos pela perspectiva ext\u00e1tica no manancial de informa\u00e7\u00e3o que a rede nos d\u00e1 acesso, encontramos todo e qualquer tipo de liga\u00e7\u00f5es \u00e0 biologia, e \u00e0 dita no\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de \u00eaxtase com tra\u00e7os psic\u00f3ticos completamente diferentes do sentido com que partilho um olhar sobre esta perspectiva. Senti na pesquisa que fiz uma am\u00e1lgama de conceitos que misturam a fisiologia com a filosofia e uma pitada de teologia. Da\u00ed que n\u00e3o seja uma perspectiva f\u00e1cil de abordar. Mas quando focamos essa perspectiva num determinado movimento, percebemos o seu elevado grau de profundidade e o enorme impacte que pode produzir na vis\u00e3o que temos de n\u00f3s, dos outros, do mundo, uma vez que a centramos na relacionalidade presente no cosmos. Esse movimento \u00e9 na direc\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil imaginar o que sentimos quando estamos com uma pessoa aberta e que nos acolhe tal como somos. Isto \u00e9, quando vivemos com essa pessoa momentos de m\u00fatua \u00edntima iman\u00eancia, ou seja, momentos de comunh\u00e3o. Como diz John Zizioulas, <em>\u00aba<\/em> ek-stasis<em> do ser, isto \u00e9, um movimento em direc\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o (&#8230;) leva-nos a transcender as fronteiras do \u201ceu&#8221; e, por isso, leva-nos \u00e0 <\/em>liberdade<em>. (\u2026) Ao mesmo tempo, (\u2026) a pessoa no seu car\u00e1cter ext\u00e1tico revela o seu ser de um modo <\/em>cat\u00f3lico<em>, isto \u00e9, integral e indiviso\u00bb<\/em> (<em>Communion and Otherness<\/em>, p. 213). Deste modo, o resultado final desta perspectiva ext\u00e1tica acaba por ser uma experi\u00eancia de totalidade que extravasa os reducionismos gerados pelos modos limitados de ver, abrindo-nos a um futuro de esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao quanto mais somos chamados a ser.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Video by\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/adege-4994132\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=33687\">adege<\/a>\u00a0from\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=33687\">Pixabay<\/a><\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-12261-1\" width=\"640\" height=\"360\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Plum-Blossom-33687.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Plum-Blossom-33687.mp4\">https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Plum-Blossom-33687.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/darksouls1-2189876\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1702087\">Enrique Meseguer<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1702087\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12264,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-12261","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12261"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12424,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12261\/revisions\/12424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}