{"id":12039,"date":"2021-03-01T07:00:59","date_gmt":"2021-03-01T07:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12039"},"modified":"2021-02-27T15:37:47","modified_gmt":"2021-02-27T15:37:47","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-setima-perspectiva-interioridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-setima-perspectiva-interioridade\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | S\u00e9tima Perspectiva: Interioridade"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">S\u00e9tima Perspectiva: Interioridade<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma realidade que apenas n\u00f3s conhecemos, a que vivemos na interioridade. A perspectiva da interioridade \u00e9 muito particular porque a experimentamos como algo real e palp\u00e1vel, mas que os outros n\u00e3o podem medir ou observar, sem que lhes partilhemos. Ainda que as neuroci\u00eancias me\u00e7am as zonas activadas do nosso c\u00e9rebro quando pensamos e sentimos, essas nada dizem sobre o conte\u00fado daquilo que se passa no nosso interior. Nesse sentido, esta \u00e9 uma perspectiva misteriosa e infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando queremos criar um h\u00e1bito, o nosso objectivo \u00e9 mudar um determinado comportamento. E mudar um comportamento implica um movimento radial entre tr\u00eas camadas. A camada mais exterior s\u00e3o os resultados. Por exemplo, escrever um livro. A camada mais interior seguinte s\u00e3o os processos que criamos para chegar aos resultados; por exemplo, o h\u00e1bito de escrever todos os dias. E a camada mais interior de todas \u00e9 a <em>identidade<\/em>. Isto \u00e9, por querer escrever um livro torno-me escritor. E parece que o movimento dos resultados aos processos at\u00e9 \u00e0 identidade \u00e9 o caminho da interioridade, mas esse d\u00e1-se, precisamente, no movimento contr\u00e1rio da identidade pelos processos at\u00e9 aos resultados. Assim, a perspectiva da interioridade \u00e9 um ponto de partida. No exemplo anterior, primeiro sou escritor, logo, desenvolvo um h\u00e1bito de escrita e o resultado \u00e9 o livro que escrevo. A perspectiva aberta pela interioridade \u00e9 a dos actos enraizados na identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A demonstra\u00e7\u00e3o do infinito presente nesta perspectiva est\u00e1 na ilimitada imagina\u00e7\u00e3o humana. Dentro da nossa cabe\u00e7a podemos criar mundos e enredos maiores do que os que os jovens criam no <em>Minecraft<\/em>. A imagina\u00e7\u00e3o tem apenas os limites que impomos a n\u00f3s pr\u00f3prios. E n\u00e3o h\u00e1 forma de a demonstrar aos outros sen\u00e3o pela comunica\u00e7\u00e3o da nossa interioridade. O que acontece, ent\u00e3o, a quem afirma n\u00e3o ter imagina\u00e7\u00e3o? Penso que precisa de recuperar a perspectiva da interioridade. Pois, al\u00e9m da sua infinitude, nela reside tamb\u00e9m o mist\u00e9rio. Mas n\u00e3o somente o significado de mist\u00e9rio como um enigma a resolver, mas, antes, tudo o que por dentro da nossa mente passa e n\u00e3o entendemos. Quando isso acontece desperta em n\u00f3s a curiosidade. Por isso, qualquer mist\u00e9rio como realidade que se esconde aos nossos olhos f\u00edsicos, mas se abre ao olhar da imagina\u00e7\u00e3o, desenvolve em n\u00f3s a capacidade humana da curiosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um risco para quem resiste a esta perspectiva e prefere viver na superficialidade dos fluxos de informa\u00e7\u00e3o. Esse risco \u00e9 o de pensar que apenas o ser humano possui interioridade. Mas, a verdade \u00e9 que at\u00e9 uma montanha possui interioridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando contemplamos a natureza apenas como paisagem, perdemos a oportunidade de a conhecer <em>profundamente.<\/em> H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o que \u00e9 contemplado ao largo e o que \u00e9 contemplado em profundidade. E dessa distin\u00e7\u00e3o prov\u00e9m a perspectiva da interioridade sobre o mundo \u00e0 nossa volta. A escritora Nan Shepherd diz que \u2014 <em>\u00abh\u00e1 mais do que a lux\u00faria pelo topo de uma montanha que um ajuste fisiol\u00f3gico perfeito exige. O que h\u00e1 de novo reside no interior da montanha. Algo move-se entre mim e ela. O lugar e a mente podem interpenetrar-se at\u00e9 que a natureza de ambos se altere. (\u2026) A montanha tem um interior.\u00bb<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva da interioridade \u00e9 a de um fio t\u00e9nue, fin\u00edssimo, que serve de interface entre o mundo f\u00edsico que podemos tocar, passando pelo mundo para l\u00e1 do f\u00edsico que podemos imaginar, para culminar no mundo Real que ningu\u00e9m pode conhecer a n\u00e3o ser que lhe seja dado a conhecer. Tudo o que conseguimos \u00e9 vislumbrar a Realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a nossa interioridade acolhe a possibilidade de que tudo \u00e0 sua volta possui, tamb\u00e9m, uma interioridade, abrimos dentro de n\u00f3s uma oportunidade para deixar falar Aquele que conhece tudo o que existe a partir do seu interior. Aquela voz \u00e9 mais do que uma intui\u00e7\u00e3o ou consci\u00eancia. \u00c9 uma presen\u00e7a misteriosa que une as diversas interioridades para as transformar. A perspectiva da interioridade acaba por nos levar a fazer uma experi\u00eancia de Deus, ainda que seja dif\u00edcil de O reconhecer. Por vezes analisamos mais as nossas experi\u00eancias do que acolhemos a transforma\u00e7\u00e3o que podem fazer em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixar-se conduzir pela perspectiva da interioridade significa confiar na permanente evolu\u00e7\u00e3o do olhar que temos sobre as coisas ao reconhecer-lhes a posse de um \u201cinterior.\u201d E o que emerge da diversidade de \u201cinteriores\u201d ser\u00e1 uma unidade entre a nossa consci\u00eancia e tudo o que existe na cria\u00e7\u00e3o. Uma unidade que n\u00e3o subsiste pela nossa vontade, mas pela experi\u00eancia de uma subtil e silenciosa Presen\u00e7a.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/comfreak-51581\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2929646\">Comfreak<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2929646\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-12039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12039"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12042,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12039\/revisions\/12042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}