{"id":11985,"date":"2021-02-20T13:17:55","date_gmt":"2021-02-20T13:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11985"},"modified":"2021-02-20T13:17:55","modified_gmt":"2021-02-20T13:17:55","slug":"deus-na-literatura-dostoievski-joao-guimaraes-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/deus-na-literatura-dostoievski-joao-guimaraes-rosa\/","title":{"rendered":"Deus na literatura: Dostoievski, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo e foto recolhidos do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/Deus_na_literatura_dostoievski_joao_guimaraes_rosa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SNPC<\/a><\/h6>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNunca me despedi desta obra-prima. O primeiro contacto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas, quando se entra naquele mundo, \u00e9 dif\u00edcil abandon\u00e1-lo\u00bb: o universo de \u201cGrande sert\u00e3o: veredas\u201d, de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa (1908-1967) est\u00e1 no centro da coluna semanal que Fr. Bento Domingues prop\u00f4s, este domingo, no \u201cP\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Riobaldo Rosa \u00e9 o \u00abgrande te\u00f3logo narrador\u00bb que \u00abprocura decifrar as coisas que s\u00e3o importantes\u00bb, conduzindo o leitor por um \u00abgrande romance\u00bb, no qual \u00abn\u00e3o se discute, de forma abstrata, se Deus existe ou n\u00e3o existe\u00bb, porque \u00e9 \u00abuma evid\u00eancia tumultuosa\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A determinado passo das mais de 450 p\u00e1ginas, h\u00e1 \u00abinterroga\u00e7\u00f5es que se desdobram sempre em novas interroga\u00e7\u00f5es: \u201cComo n\u00e3o ter Deus?! Com Deus existindo, tudo d\u00e1 esperan\u00e7a: sempre um milagre \u00e9 poss\u00edvel, o mundo se resolve. Mas, se n\u00e3o tem Deus, h\u00e1 de a gente perdidos no vaiv\u00e9m e a vida \u00e9 burra\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSomente, n\u00e3o ache que religi\u00e3o afraca. Senhor, ache o contr\u00e1rio. E dar tudo a Deus, que de repente vem, com novas coisas mais altas, e paga e repaga, os juros dele n\u00e3o obedecem medida nenhuma. Deus \u00e9 alegria e coragem \u2013 que Ele \u00e9 bondade adiante, quer dizer\u00bb, assevera o personagem criado pelo autor mineiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na religi\u00e3o de \u201cGrande sert\u00e3o: veredas\u201d, express\u00e3o do \u00abencontro com o Essencial, nas muitas e variadas media\u00e7\u00f5es do divino\u00bb, o \u00abAmor vem sempre acompanhado de justi\u00e7a. \u00c9 ele que faz madrugar e amanhecer\u00bb.<\/p>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u00abNeste universo, n\u00e3o h\u00e1 conflito entre a afirma\u00e7\u00e3o religiosa e a afirma\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o s\u00e3o rivais, fortalecem-se mutuamente. \u00c9 o testemunho desta grande e dif\u00edcil obra da literatura brasileira\u00bb, conclui o Fr. Bento Domingues.<\/p>\n<p>\u201cDostoievski, nosso contempor\u00e2neo\u201d \u00e9 o tema da cr\u00f3nica que o cardeal Tolentino Mendon\u00e7a assinou, sexta-feira da semana passada, no \u201cExpresso\u201d, no contexto do bicenten\u00e1rio do seu nascimento e dos 140 anos da morte, que se assinalam em 2021.<\/p>\n<p>\u00abQuando nos abeiramos de Dostoievski, um s\u00e9culo e meio n\u00e3o faz qualquer diferen\u00e7a. Os seus livros continuam a dirigir-se a n\u00f3s, a oferecer-nos instrumentos para o conhecimento de n\u00f3s pr\u00f3prios, a falar connosco sobre coisas que j\u00e1 sabemos, e, ao mesmo tempo, a destapar nos vazios da alma (no nosso \u201csubsolo\u201d, como ele diria) o que ignoramos ou tememos reconhecer\u00bb, sublinha.<\/p>\n<p>Dostoievski \u00ab\u00e9 um profeta enviado para revelar os mist\u00e9rios da alma humana\u00bb, que se recusa a \u00abacreditar que o mal deva ser considerado um estado normal dos homens\u00bb, porque \u00abcada cora\u00e7\u00e3o conserva um rastro de causa do mal, mas tamb\u00e9m um vest\u00edgio inapag\u00e1vel do rem\u00e9dio\u00bb.<\/p>\n<p>O texto termina com uma cita\u00e7\u00e3o de Herman Hesse: \u00abDevemos ler Dostoievski quando estamos mal, quando sofremos at\u00e9 o limite do suport\u00e1vel e sentimos a vida como uma ferida total, corrosiva e ardente. Nesse momento deixamos de ser espetadores, e tornamo-nos apenas irm\u00e3os desses pobres desgra\u00e7ados a que ele deu vida nas suas cria\u00e7\u00f5es, e conseguimos ent\u00e3o colher a m\u00fasica, a sua consola\u00e7\u00e3o, o significado admir\u00e1vel do seu mundo\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">Rui Jorge Martins<br \/>\nFontes:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/02\/14\/opiniao\/noticia\/deus-enfraquece-energia-humana-1950235\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00fablico<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2021-02-12-Dostoievski-nosso-contemporaneo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Expresso<\/a><br \/>\nImagem: D.R.<\/span><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo e foto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11986,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-11985","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11985"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11985\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11987,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11985\/revisions\/11987"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}