{"id":11925,"date":"2021-05-27T07:00:23","date_gmt":"2021-05-27T06:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11925"},"modified":"2021-02-16T13:31:29","modified_gmt":"2021-02-16T13:31:29","slug":"pensamento-de-edith-stein-o-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-o-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | O ESP\u00cdRITO SANTO"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">O ESP\u00cdRITO SANTO<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pessoa do Esp\u00edrito Santo \u00e9 objecto de profundas reflex\u00f5es por parte de Edite, e outorga-lhe um protagonismo central, tanto na sua vida, como na vida da Igreja: A miss\u00e3o do Esp\u00edrito de Jesus consiste em manter e levar avante a sua obra. S\u00f3 o Esp\u00edrito assegura o \u00eaxito da reden\u00e7\u00e3o na humanidade. Sem o Esp\u00edrito n\u00e3o h\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre Deus e o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite Stein est\u00e1 em dia com a reflex\u00e3o dogm\u00e1tica sobre o Esp\u00edrito Santo, e inclusive fala e reflecte sobre ele no seu escrito filos\u00f3fico <em>Ser finito e ser eterno<\/em>: \u00abO Esp\u00edrito Santo \u00e9 a terceira pessoa da Trindade, \u00e9 o amor que vai do Pai ao Filho, \u00e9 a fonte da vida e a causa primeira dela, \u00e9 dom, \u00e9 a pot\u00eancia de Deus: \u00abPara compreender agora como o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o dispensador da vida criada&#8230;, conv\u00e9m considerar imediatamente, sumariamente, a posi\u00e7\u00e3o da terceira pessoa na divindade&#8230;, n\u00e3o existe entre as pessoas outra diferen\u00e7a mais do que a das suas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, que se pode explicar pela maneira como elas aparecem&#8230; A terceira pessoa chama-se <em>Esp\u00edrito Santo<\/em> \u201cporque procede do Pai e do Filho por meio de um sopro \u00fanico segundo o modo do amor; \u00e9 o primeiro e supremo amor, que move os cora\u00e7\u00f5es e os conduz \u00e0 santidade que consiste em \u00faltimo termo no amor a Deus\u00bb (SF 432-433). O Esp\u00edrito \u00e9 tamb\u00e9m a Gra\u00e7a de Deus no cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. ESW VI, 158).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas este pensar de Edite transforma-se ainda mais c\u00e1lido e vivo quando fala nos seus escritos espirituais sobre a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. O Esp\u00edrito apresenta-se ao homem como amor, como aquele que guia para a uni\u00e3o com Deus. Desde aqui contempla a presen\u00e7a essencial do Esp\u00edrito na vida do homem e no destino da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) A sua presen\u00e7a cont\u00ednua na Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a presen\u00e7a de Deus na Hist\u00f3ria do homem. A sua ac\u00e7\u00e3o no escondido e caracterizada pelo sil\u00eancio, nunca esteve ausente da vida do homem: \u00aba luz divina, o Esp\u00edrito Santo, nunca deixou de iluminar nas trevas do mundo ca\u00eddo. Ele permanece fiel \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o sem ter em conta as infidelidades das criaturas. E mesmo quando as trevas n\u00e3o se queriam deixar penetrar pela luz celeste, houve sempre alguns lugares onde p\u00f4de iluminar\u00bb (OC V, 636).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa presen\u00e7a manteve o fio da Hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, uma hist\u00f3ria na qual Deus nunca se afastou do seu povo, nem deixou de agir no meio deles. Encontramos provas disto no Antigo Testamento. Edite Stein sublinha especialmente a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no interior do homem desde Ad\u00e3o, e est\u00e1 convencida de que \u00abos cora\u00e7\u00f5es dos homens foram tocados na sucess\u00e3o do tempo. Esta luz, escondida aos olhos do mundo, iluminava e purificava esses cora\u00e7\u00f5es enquistados e deformados, abrandava a sua dureza e dava-lhes nova forma com m\u00e3o delicada de artista, segundo a imagem de Deus\u00bb (OC V, 636).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo alcan\u00e7ou o seu ponto \u00e1lgido na obra da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus. Ele \u00e9 o art\u00edfice da uni\u00e3o da natureza humana e divina, a qual pretender\u00e1 realizar depois em todos os homens (Cf. OC V, 115). Acompanhou tamb\u00e9m a Jesus durante toda a sua vida, especialmente nos momentos chave da sua vida, no baptismo (onde se torna vis\u00edvel em forma de pomba) e na sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, o melhor dom que Jesus podia conceder \u00e0 sua Igreja, como sinal da sua presen\u00e7a salvadora, n\u00e3o podia ser outro que o Esp\u00edrito Santo. A partir deste momento, a miss\u00e3o do Esp\u00edrito Santo adquire um novo protagonismo. Sem a sua presen\u00e7a n\u00e3o existe nem Igreja nem Salva\u00e7\u00e3o (cf. OC IV, 241).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b) Vida da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 o sacramento da presen\u00e7a salvadora de Cristo no mundo, a continua\u00e7\u00e3o da sua obra de reden\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 no Esp\u00edrito, pelo Esp\u00edrito e desde o Esp\u00edrito que esta realidade \u00e9 poss\u00edvel. A Igreja nasce com o dom do Esp\u00edrito Santo aos disc\u00edpulos. Uma Igreja que vive e cresce gra\u00e7as ao impulso vital do Esp\u00edrito Santo: \u00abOcultas aos olhos dos homens, foram e s\u00e3o formadas as pedras vivas que constituem a Igreja vis\u00edvel. Mas desta Igreja invis\u00edvel cresce a Igreja vis\u00edvel, que se manifesta sempre de novo e por todas as partes com luminosas <em>obras<\/em> e <em>revela\u00e7\u00f5es<\/em> divinas, com novas <em>epifanias<\/em>\u00bb (OC V, 636).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ser a vida da Igreja, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o \u00fanico que pode gui\u00e1-la na realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o encomendada por Cristo. Mais ainda, a vida lit\u00fargica e a ora\u00e7\u00e3o do crente perdem a sua validez se n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito: \u00abQuando rompe com as formas tradicionais, f\u00e1-lo porque vive nela o Esp\u00edrito que sopra onde quer: o Esp\u00edrito que criou as formas tradicionais e que tem que criar continuamente formas novas. Sem Ele n\u00e3o haveria nem liturgia nem Igreja\u00bb (OC V, 118).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um elemento que se torna original em Edite Stein \u00e9 que contempla em Maria o rosto mesmo do Esp\u00edrito Santo. Na sua poesia titulada <em>Esposa do Esp\u00edrito Santo<\/em> (OC V, 826), transmite-nos este belo pensamento: \u00abMas tu criastes uma fiel imagem, \/ pur\u00edssima flor da cria\u00e7\u00e3o, divina mansa. \/ Num rosto humano, celeste, claro, \/ revela-se a plenitude da tua luz. (&#8230;) Como esposa est\u00e1 unida indissoluvelmente a ti. \/ Oh, doce Esp\u00edrito, eu encontrei-te. \/ Revelas-me a luz da tua divindade, \/ clara resplandecente, no rosto de Maria\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c) O Esp\u00edrito na vida do crente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a activa do Esp\u00edrito Santo torna-se especialmente relevante na vida do crente. Por meio d\u2019Ele o homem \u00e9 capaz de acolher a divindade dentro de si e transformar-se no seu Templo. O Esp\u00edrito Santo garante ao homem a sua salva\u00e7\u00e3o. Mas a primeira experi\u00eancia que o homem faz do Esp\u00edrito de Deus \u00e9 a do guia, que no mais escondido do seu interior o vai levando para a plenitude do seu ser (\u00abpara que nos ensine a verdade\u00bb), e para a uni\u00e3o com Deus: \u00abo Esp\u00edrito Santo penetra o ser da alma, ilumina-a e diviniza-a\u00bb (CC 241).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom e amor, por isso actua na alma do crente transformando-o com os seus dons, que s\u00e3o a equipagem necess\u00e1ria no caminho para a uni\u00e3o. Edite Stein, no seu escrito <em>Sancta Discretio<\/em>, reflecte sobre isto (cf. OC V, 628 s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dons do Esp\u00edrito Santo t\u00eam como objectivo final, preparar e conduzir o homem para a uni\u00e3o de amor com Deus. Por isso produz os seus frutos na vida quotidiana do indiv\u00edduo, como a capacidade do discernimento, de docilidade, de obedi\u00eancia, de liberdade (cf. OC V, 652); a sua ac\u00e7\u00e3o liberta do erro e conduz \u00e0 convers\u00e3o como din\u00e2mica de vida. Ele \u00e9, em definitivo, a fonte da paz e da alegria. Edite oferece-nos um amplo\u00a0 leque da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no crente,\u00a0 numa das suas mais belas poesias: <em>Novena de Pentecostes<\/em> (cf. OC V, 770 s.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 181-183.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: Representa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro,\u00a0Cidade do Vaticano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11926,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11925"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11927,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925\/revisions\/11927"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}