{"id":11922,"date":"2021-05-20T07:00:35","date_gmt":"2021-05-20T06:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11922"},"modified":"2021-02-16T13:28:18","modified_gmt":"2021-02-16T13:28:18","slug":"pensamento-de-edith-stein-a-vida-sacramental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-a-vida-sacramental\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | A VIDA SACRAMENTAL"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">A VIDA SACRAMENTAL<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos formam parte integrante da vida da Igreja, Para Edite Stein adquirem um lugar central de valor, enquanto meios da gra\u00e7a e encontro com Cristo. Aqui vamos unicamente sublinhar algum dos principais elementos que ela pr\u00f3pria sublinha. Mas o seu sentido e valor ter\u00e3o que ser complementados, necessariamente, com tudo o que ela diz sobre a liturgia (ficha 94) e a eucaristia (ficha 95).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite Stein assume a grande tradi\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Igreja considerando os sacramentos como institui\u00e7\u00e3o divina e como meios ordin\u00e1rios de participa\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, da salva\u00e7\u00e3o. Pronuncia-se directamente sobre o tema em diversos dos seus escritos, sobretudo quando aborda o tema da antropologia teol\u00f3gica cat\u00f3lica. Trata dele em dois dos seus escritos: <em>Natureza, liberdade e gra\u00e7a<\/em> (cf. ESW VI, 180 ss.) e <em>Que \u00e9 o homem?<\/em> (OC IV, 877 ss.). Os aspectos dogm\u00e1ticos que ela trata, por ser doutrina comum da Igreja, n\u00e3o os anotamos aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos t\u00eam a miss\u00e3o essencial de conduzir o h0mem, \u00abno estado de peregrino, \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o\u00bb (OC IV, 879), S\u00e3o a fonte da for\u00e7a \u00absempre nova\u00bb para viver o dia a dia em comunh\u00e3o com Deus (Cf. Ct 922). S\u00e3o os meios de salva\u00e7\u00e3o que o Senhor nos concedeu (Cf. ESW VI 180 ss).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>a) Baptismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O baptismo \u00e9 o sacramento atrav\u00e9s do qual o homem, limpo do pecado, recupera a sua condi\u00e7\u00e3o de filho de Deus. Significa o nascimento para a vida da gra\u00e7a e a incorpora\u00e7\u00e3o ao corpo de Cristo (OC IV, 881), ao seu mist\u00e9rio de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (ib. 882). \u00c9 um nascer de novo para poder alcan\u00e7ar a uni\u00e3o com Deus (SF 414, nota 67). O sacramento do baptismo outorga ao homem a possibilidade de realizar a sua voca\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria para a vida eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Confirma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confirma\u00e7\u00e3o concede ao crente o dom do Esp\u00edrito Santo que \u00abmarca e fortalece o soldado de Cristo para a sua confiss\u00e3o valente\u00bb (OC V, 121). Uma vez que toda a vida do crist\u00e3o se configura como uma cont\u00ednua luta contra o pecado, a confirma\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00abum meio especial para fortalecer o crist\u00e3o em ordem a essa luta\u00bb (OC IV, 884).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Penit\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacramento da penit\u00eancia contempla-o Edite Stein em estreita uni\u00e3o com o baptismo, como a possibilidade sempre aberta de recuperar a gra\u00e7a baptismal, porque \u00ablimpa-nos dos pecados, abre-nos os olhos \u00e0 luz eterna, os ouvidos \u00e0 palavra divina e os l\u00e1bios ao louvor, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de expia\u00e7\u00e3o, de peti\u00e7\u00e3o, de agradecimento, que s\u00e3o todas formas diferentes da adora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da homenagem do ser criado ao Todo-Poderoso e Todo-Bom\u00bb (OC V, 121). Concede a possibilidade de restabelecer constantemente a \u00abvida que se tivesse extinguido\u00bb (OC IV, 898). Sublinha, com especial interesse, que a doutrina\u00a0 e o rito da penit\u00eancia manifestam \u00aba bondade maternal da Santa Igreja\u00bb (ib. 908).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>d) Un\u00e7\u00e3o dos doentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora Edite se encontre com uma concep\u00e7\u00e3o deste sacramento como de \u00abextrema-un\u00e7\u00e3o\u00bb, pronuncia-se sobre a un\u00e7\u00e3o dos doentes definindo-a como \u00abmostra especial da miseric\u00f3rdia divina\u00bb (OC IV, 910). Um Deus que por meio da Igreja quer conceder a sua assist\u00eancia e consola\u00e7\u00e3o na doen\u00e7a com o perd\u00e3o dos pecados e a esperan\u00e7a da vida eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>e) Ordem sacerdotal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacramento da Ordem n\u00e3o \u00e9 objecto de profunda reflex\u00e3o nos seus escritos, embora n\u00e3o deixe de estar presente, ainda que prefira estud\u00e1-lo em liga\u00e7\u00e3o com a Eucaristia e a Igreja, onde encontra o seu verdadeiro sentido (cf. OC IV, 914 ss). O sacerdote \u00e9 \u00abrepresentante vis\u00edvel de Cristo\u00bb, e o seu minist\u00e9rio \u00e9 \u00abcoopera\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio sacrificial de Cristo\u00bb (OC IV, 925).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o de Edite com os sacerdotes ao longo de toda a sua vida mereceria um estudo \u00e0 parte, o respeito e a venera\u00e7\u00e3o que sempre lhes manifestou; e que surge da sua convic\u00e7\u00e3o de que o sacramento \u00e9 encontro com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema do sacerd\u00f3cio da mulher \u00e9 um elemento \u00aboriginal\u00bb em Edite, sobretudo pela \u00e9poca em que o trata. Embora n\u00e3o veja nenhum tipo de impedimento dogm\u00e1tico, julga que o acesso da mulher ao sacerd\u00f3cio ministerial n\u00e3o foi favorecido directamente por Cristo, que n\u00e3o escolheu nenhuma mulher para tal minist\u00e9rio. O que n\u00e3o implica, segundo Edite Stein, a priva\u00e7\u00e3o total do sacramento da Ordem para a mulher, que bem poderia ter acesso ao diaconado por n\u00e3o se tratar propriamente do exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio ministerial, embora sim do sacramento da Ordem: \u00abSe contemplamos a atitude do Senhor neste ponto, vemos ent\u00e3o que Ele acolheu as mulheres para o seu servi\u00e7o e o dos seus, e que entre os seus disc\u00edpulos e mais \u00edntimos confidentes havia tamb\u00e9m mulheres; no entanto, n\u00e3o lhes confiou o sacerd\u00f3cio, nem sequer \u00e0 sua pr\u00f3pria M\u00e3e, a rainha dos ap\u00f3stolos, que foi elevada por cima de toda a humanidade em perfei\u00e7\u00e3o humana e em plenitude de gra\u00e7a. A Igreja primitiva conhecia uma m\u00faltipla actividade caritativa das mulheres que foram confessoras da f\u00e9 e m\u00e1rtires; conhecia as virgens consagradas ao servi\u00e7o lit\u00fargico e tamb\u00e9m um of\u00edcio eclesi\u00e1stico consagrado, o diaconado feminino, com uma consagra\u00e7\u00e3o diaconal pr\u00f3pria&#8230; \u00bb (OC IV, 294).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais interessante pode parecer o argumento antropol\u00f3gico e teol\u00f3gico que Edite d\u00e1 contra o sacerd\u00f3cio da mulher: \u00abCristo veio \u00e1 terra como filho do homem, e por isso, a primeira criatura sobre a terra que foi criada de forma eminente \u00e0 imagem de Deus foi um homem. Isto parece-me indicar que, para exercer como seus representantes ministeriais na terra, s\u00f3 queria homens\u00bb (ib. 295).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>f) Matrim\u00f3nio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o sacramento do matrim\u00f3nio \u00e9 onde a nossa autora se mostra mais original e qual, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o do sacramento da Eucaristia, dedica mais p\u00e1ginas. A sua preocupa\u00e7\u00e3o pelo matrim\u00f3nio adv\u00e9m-lhe das suas preocupa\u00e7\u00f5es educativas e antropol\u00f3gicas. Considera a fam\u00edlia como a primeira c\u00e9lula e a mais importante da sociedade. A base sobre a qual se constr\u00f3i uma aut\u00eantica fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 o sacramento do matrim\u00f3nio. No sacramento o casal confirma a sua voca\u00e7\u00e3o e recebe a gra\u00e7a para o seu pleno desenvolvimento. Mais ainda, \u00aba sagrada uni\u00e3o\u00bb \u00e9 a \u00abferramenta de santifica\u00e7\u00e3o para os esposos\u00bb, o lugar teol\u00f3gico da sua salva\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o com Deus (cf. OC IV, 400-401).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacramento do matrim\u00f3nio cont\u00e9m em si mesmo um grande mist\u00e9rio que o qualifica como voca\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do ser humano: \u00ab\u00e9 um grande mist\u00e9rio enquanto s\u00edmbolo e sinal da uni\u00e3o de Cristo com a Igreja, e ao mesmo tempo, como seu instrumento\u00bb (Obras 238). Deste modo, o matrim\u00f3nio transforma-se num instrumento que colabora com Deus na cria\u00e7\u00e3o, e com Cristo na obra da reden\u00e7\u00e3o, sendo o \u00ab\u00f3rg\u00e3o da Igreja\u00bb que conquista novos membros para o Reino de Deus, dando vida e educando para ele\u00bb (ESW XII, 225).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 188-190.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jclk8888-894784\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=706654\">James Chan<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=706654\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11924,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922\/revisions\/11924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}