{"id":11909,"date":"2021-04-22T07:00:43","date_gmt":"2021-04-22T06:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11909"},"modified":"2021-02-16T12:26:44","modified_gmt":"2021-02-16T12:26:44","slug":"pensamento-de-edith-stein-a-mistica-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-a-mistica-da-cruz\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | A M\u00cdSTICA DA CRUZ"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">A M\u00cdSTICA DA CRUZ<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos come\u00e7ar afirmando que a \u00abm\u00edstica ou viv\u00eancia da cruz\u00bb, forma parte integrante do viver nas m\u00e3os de Deus. A configura\u00e7\u00e3o com o mist\u00e9rio da cruz \u00e9 configura\u00e7\u00e3o com Cristo, \u00e9 associa\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o, \u00e9 o caminho que d\u00e1 valor \u00abapost\u00f3lico\u00bb \u00e1 vida do crente: qualquer ac\u00e7\u00e3o ou ora\u00e7\u00e3o vivida em comunh\u00e3o com o Crucificado adquire esse sentido. Da\u00ed a import\u00e2ncia do tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>a) A cruz como experi\u00eancia de cristifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ocasi\u00e3o, podemos muito bem acudir directamente \u00e0 experi\u00eancia vital de Edite Stein ao longo da sua vida. Ali podemos descobrir quais s\u00e3o os conte\u00fados e valores fundamentais da viv\u00eancia do mist\u00e9rio da cruz. Enunciamo-los apenas, tendo muito presente que o definitivo na viv\u00eancia da cruz \u00e9 que ela \u00e9 fonte de salva\u00e7\u00e3o e caminho de configura\u00e7\u00e3o com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da sua vida constatamos que os seus encontros com o mist\u00e9rio da cruz s\u00e3o fonte de vida e de esperan\u00e7a, outorga-lhe como fruto a paz, a serenidade, a energia e a alegria. Constitui-se tamb\u00e9m no conte\u00fado e sentido da sua voca\u00e7\u00e3o no meio de uma realidade hist\u00f3rica negativa, onde sublinha o seu valor de reden\u00e7\u00e3o e de solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido que ela d\u00e1 ao seu caminho de cruz \u00e9 o da intercess\u00e3o e obla\u00e7\u00e3o; o acolher com alegria os pequenos sacrif\u00edcios de cada dia, e os grandes acontecimentos dolorosos que a situa\u00e7\u00e3o lhe proporciona, como a persegui\u00e7\u00e3o do seu povo judaico ou o ter que mudar de convento. Mas o sentido \u00faltimo da sua voca\u00e7\u00e3o de cruz descobre-o na sua disposi\u00e7\u00e3o total para entregar a vida. A partir desta uni\u00e3o com Cristo a sua voca\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a valor supremo, porque participa do valor eterno da cruz de Cristo (cf. Temas 287 ss.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Mist\u00e9rio do abandono<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplar o Crucificado no seu extremo abandono ajuda-nos a compreender as profundas exig\u00eancias que entranha o seguimento da cruz. Um seguimento que nunca poder\u00e1 realizar-se sem o aux\u00edlio da gra\u00e7a divina, e que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na medida em que se amadureceu espiritualmente neste caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz enquanto s\u00edmbolo da Paix\u00e3o e Morte de Cristo, e de tudo o que com estas se relaciona, como sua causa e chave de explica\u00e7\u00e3o (OC V, 415), compreende tanto a dimens\u00e3o do abandono nas m\u00e3os de Deus, como a experi\u00eancia do abandono de Deus, de tal forma que se constitui no \u00abs\u00edmbolo da f\u00e9 e no distintivo dos crentes\u00bb (OC V, 660).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz p\u00f5e diante dos nossos olhos a Cristo pobre, humilhado, crucificado e na mesma cruz abandonado por seu Pai.\u00a0 Imitando o seu comportamento, exige uma entrega livre e volunt\u00e1ria nas m\u00e3os do Pai. E na sua dimens\u00e3o negativa configura-se como o term\u00f3metro da confian\u00e7a em Deus. A sua assun\u00e7\u00e3o conduz \u00e0 uni\u00e3o com Ele: \u00abQuando conhece que Cristo na sua maior humilha\u00e7\u00e3o e aniquila\u00e7\u00e3o na Cruz foi quando precisamente realizou a sua maior proeza, a Reden\u00e7\u00e3o e a uni\u00e3o do homem com Deus, desperta nela o pensamento de que tamb\u00e9m para ela a aniquila\u00e7\u00e3o&#8230; leva \u00e0 uni\u00e3o com Deus\u00bb (OC V, 305). \u00c9 a prova suprema do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo permanece sempre o modelo. E \u00e9 s\u00f3 atrav\u00e9s d\u2019Ele, como dom privilegiado do seu amor, que se pode participar desta experi\u00eancia (cf. ib. 227).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Carregar com a pr\u00f3pria cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz \u00e9 o caminho para a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um momento na vida, mas implica uma continuidade e unidade com tudo o que \u00e9 a vida do homem. O mist\u00e9rio da cruz, embora seja algo incompreens\u00edvel na sua totalidade, n\u00e3o deixa de ter o seu aspecto concreto na vida do homem. A mesma realidade, o momento hist\u00f3rico, a pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o e a debilidade s\u00e3o mensagens cont\u00ednuas da cruz. Por isso, para Edite assumir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria com sentido de f\u00e9, \u00e9 carregar activamente com a cruz: \u00abrecorrer os sujos e \u00e1speros caminhos desta terra, (&#8230;), rir e chorar com os filhos deste mundo\u00bb (OC V, 625). \u00c9 a\u00ed onde come\u00e7a o caminho de Cruz: \u00ab&#8230; a Cruz \u00e9 o s\u00edmbolo de tudo o que \u00e9 dif\u00edcil e pesado, e que resulta t\u00e3o oposto \u00e0 natureza que, quando tomamos esta carga sobre n\u00f3s, temos a sensa\u00e7\u00e3o de caminhar para a morte. E esta \u00e9 a carga que h\u00e1-de levar diariamente o disc\u00edpulo de Cristo\u00bb (OC V, 212).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma carga que ajuda progressivamente a desprender-se de si mesmo para deixar espa\u00e7o a Cristo. Um caminho de ren\u00fancia e de penit\u00eancia. Mas, em que consiste esta carga, este caminho de ren\u00fancia? De modo geral seriam \u00abtodas as cargas e sofrimentos da vida\u00bb (Ib. 30). Por isso, a cruz apresenta dimens\u00f5es muito diferentes na vida. Mas n\u00e3o s\u00e3o as circunst\u00e2ncias que qualificam algo como cruz, mas a capacidade de fazer de cada situa\u00e7\u00e3o um lugar de salva\u00e7\u00e3o. Por isso, Edite compreende como cruz aspectos tais como a natureza corrompida (OC V, 623), o dia a dia, a doen\u00e7a, as dificuldades ou problemas, a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (ib.), a cruz pessoal (OC IV, 237), a cruz do pr\u00f3ximo (Ct 793), tamb\u00e9m tudo aquilo que se define dentro da categoria de \u00abcruzes espirituais\u00bb, como \u00absecura, t\u00e9dio, fadiga\u00bb (OC V, 305). Um arco de momentos e situa\u00e7\u00f5es que englobam toda a vida e fazem do seguimento da cruz um caminho concreto ao qual \u00e9 chamado todo o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>d) Reden\u00e7\u00e3o e apostolado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00edstica da cruz tem como finalidade \u00faltima a mesma que o mist\u00e9rio da cruz de Cristo: a reden\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero humano. A obra de Cristo na cruz \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus \u00e0 humanidade: liberta o homem do pecado e condu-lo de novo ao seu estado original de filho de Deus (cf. SF 536-538).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A configura\u00e7\u00e3o com o Crucificado une-nos com a sua obra redentora, que come\u00e7a necessariamente pela expia\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio pecado. O seguidor de Cristo sabe que s\u00f3 com a Cruz pode libertar-se dele, porque ela \u00e9 \u00abvit\u00f3ria sobre o pecado\u00bb, \u00e9 a \u00abarma\u00bb necess\u00e1ria na luta contra o mal (OC V, 653).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mist\u00e9rio pascal \u00e9 o sinal supremo do amor de Deus. Por isso, quem se unir \u00e0 Cruz encontra nela a for\u00e7a necess\u00e1ria para amar o pr\u00f3ximo, sentindo como pr\u00f3pria a miss\u00e3o de \u00ablibertar o mundo\u00bb da carga do pecado (OC V, 624). \u00c9 a for\u00e7a apost\u00f3lica que nasce da comunh\u00e3o com o Crucificado: \u00abunida a Ele \u00e9s omnipotente como Ele&#8230; No poder da Cruz podes estar em todas a frentes&#8230; o teu amor misericordioso, o amor do cora\u00e7\u00e3o divino levar-te-\u00e1 a todas as partes\u00bb (Ib. 634). E est\u00e1 ligada intimamente ao sentido que a Cruz tem como reden\u00e7\u00e3o, enquanto caminho de recupera\u00e7\u00e3o da amizade com Deus. Pela Cruz recuperamos o estado de filia\u00e7\u00e3o divina: (Ib. 624-625). Mas aberta a toda a humanidade: \u00abDesta forma encontram-se indissoluvelmente unidas a pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o, a uni\u00e3o com Deus, o trabalho para que o pr\u00f3ximo alcance a uni\u00e3o com Deus e a perfei\u00e7\u00e3o. E o caminho para tudo isso \u00e9 a Cruz. E a prega\u00e7\u00e3o da cruz seria v\u00e3 se n\u00e3o fosse a express\u00e3o de uma vida unida a Cristo Crucificado\u00bb (Ib. 450).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um caminho que \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 certeza da f\u00e9 da vit\u00f3ria j\u00e1 realizada em Cristo: a vit\u00f3ria definitiva sobre o pecado e a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 209-211.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/sspiehs3-3438126\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1772560\">sspiehs3<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1772560\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11910,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11909","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11909"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11911,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11909\/revisions\/11911"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}