{"id":11904,"date":"2021-04-15T07:00:24","date_gmt":"2021-04-15T06:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11904"},"modified":"2021-02-16T12:14:37","modified_gmt":"2021-02-16T12:14:37","slug":"pensamento-de-edith-stein-viver-nas-maos-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-viver-nas-maos-de-deus\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | VIVER NAS M\u00c3OS DE DEUS"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">VIVER NAS M\u00c3OS DE DEUS<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver nas m\u00e3os de Deus \u00e9 a din\u00e2mica da vida crist\u00e3 que caracteriza a viv\u00eancia espiritual de Edite Stein. Uma atitude que empapa a sua vida e permeia, inclusive, a sua ontologia, a sua compreens\u00e3o \u00faltima do ser \u00absustentado\u00bb nas m\u00e3os de Deus. Poder\u00edamos afirmar que nesta din\u00e2mica espiritual se englobam todos os elementos caracter\u00edsticos do seu pensamento antropol\u00f3gico, teol\u00f3gico e espiritual convertidos em pr\u00e1tica existencial Indicamos os elementos mais caracter\u00edsticos (cf. Temas 267 ss.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>a) Consci\u00eancia do pr\u00f3prio ser<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As consequ\u00eancias pr\u00e1ticas de toda a espiritualidade steinina radicam na sua vis\u00e3o antropol\u00f3gica e teol\u00f3gica. O conhecimento do ser da pessoa humana constitui a base de todo um processo de entrega e confian\u00e7a. A tomada de consci\u00eancia da pr\u00f3pria pequenez, finidade, limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto de partida imprescind\u00edvel no caminho, tal como indicam tamb\u00e9m Teresa de Jesus ou Jo\u00e3o da Cruz. Edite Stein observa-o a partir de um car\u00e1cter mais antropl\u00f3gico existencial: o ser do homem que descobre o seu \u00abnada\u00bb, o seu vazio, que percebe que n\u00e3o se pode dar a vida a si mesmo, a qual lhe \u00e9 dada continuamente (cf. SF 72).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Descobrindo o sentido de Deus na pr\u00f3pria vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntamente com esta descoberta da pr\u00f3pria finidade, \u00e9 necess\u00e1ria a experi\u00eancia de que o ser vazio remete para a exist\u00eancia de um Ser que sust\u00e9m o ser, que lhe d\u00e1 sentido e lhe assegura a perman\u00eancia. \u00c9 o reconhecimento do sentir-se \u00absustido\u00bb por uma m\u00e3o forte, que protege e cuida. \u00c9 a tomada de consci\u00eancia de quanto a f\u00e9 apresenta diante dos olhos (cf. SF 131).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 come\u00e7ar a viver em consequ\u00eancia com quanto a f\u00e9 me anuncia: \u00e9 come\u00e7ar a descobrir o sentido que Deus tem para a minha vida, e como sem Ele n\u00e3o posso alcan\u00e7ar a plenitude do meu ser. Implicar\u00e1 transformar o conte\u00fado da f\u00e9 em vida, abrindo-se \u00e0 amizade com Ele, \u00e0 gra\u00e7a; descobrindo que Ele \u00e9 Pai misericordioso que s\u00f3 deseja a minha felicidade. Para Edite Stein, enquanto n\u00e3o se descobre e experimenta que Deus \u00e9 antes de tudo \u00abamor\u00bb, dificilmente a pessoa chega a encaminhar-se pelo abandono.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Viver segundo a Sua vontade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se entregar a Deus sem reservas, para fazer da vida uma vida nas m\u00e3os de Deus, o homem h\u00e1-de viver convencido da sua pequenez e da bondade de Deus. Quer dizer, compreender que o seu caminho para a plenitude se identifica com a uni\u00e3o com Deus. Mas, para viver a uni\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio configurar-se com a vontade de Deus: \u00abA confian\u00e7a em Deus pode chegar a ser inamov\u00edvel s\u00f3 se estivermos dispostos a aceitar tudo o que vier da m\u00e3o do Pai\u00bb, pois \u00abs\u00f3 Ele sabe o que nos conv\u00e9m\u00bb (OC IV, 238). Al\u00e9m disso, \u00e9 o aut\u00eantico caminho de seguimento de Cristo e de Maria que fizeram da vontade do Pai o \u00fanico conte\u00fado da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disposi\u00e7\u00e3o para cumprir e aceitar a vontade de Deus h\u00e1-de definir a vida do crist\u00e3o, ser o fio condutor da sua exist\u00eancia. \u00c9 um descobrir progressivamente quanto Deus nos pede, quanto Deus espera de cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>O fa\u00e7a-se a tua vontade<\/em> em todo o seu conte\u00fado tem que ser o fio condutor de toda a vida crist\u00e3. Tem que regular o curso do dia, da manh\u00e3 \u00e0 noite, o passar dos anos e a vida inteira. Esta ser\u00e1 ent\u00e3o a +\u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o\u00bb (OC IV, 239).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>d) A seguran\u00e7a de saber-se protegido<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a nossa autora, a pessoa que configura o seu viver com a vontade de Deus vive toda a realidade em atitude de profunda confian\u00e7a. \u00c9 a f\u00e9 daquele que experimenta que Deus sust\u00e9m toda a sua vida: \u00abEu sei que sou protegido e esta protec\u00e7\u00e3o d\u00e1-me calma e seguran\u00e7a. Certamente que n\u00e3o \u00e9 a confian\u00e7a segura de si mesma do homem que, com a sua pr\u00f3pria for\u00e7a, se mant\u00e9m de p\u00e9 sobre um ch\u00e3o firme, mas a seguran\u00e7a suave e alegre da crian\u00e7a que repousa sobre um bra\u00e7o forte, quer dizer, uma seguran\u00e7a que, vista objectivamente, n\u00e3o \u00e9 menos razo\u00e1vel. Efectivamente, a crian\u00e7a que vivesse constantemente na ang\u00fastia de que a sua m\u00e3e a deixasse cair, seria razo\u00e1vel?\u00bb (SF 75).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este saber-se protegido, tal como ela afirma, n\u00e3o \u00e9 fruto de uma seguran\u00e7a humana, mas da experi\u00eancia amorosa de Deus. N\u00e3o \u00e9 resultado da observ\u00e2ncia de umas normas, nem de m\u00e9ritos conquistados e acumulados. T\u00e3o-pouco surge de uma palavra externa, de um dogma ou de uma promessa. \u00c9 dom do pr\u00f3prio Deus que acolhe a quem na humildade e simplicidade se entrega a Ele. Edite Stein vive convencida desta verdade que est\u00e1 no centro da espiritualidade de Teresa de Lisieux. Quem se descobre t\u00e3o s\u00f3 uma vez\u00a0 amado por Deus, j\u00e1 n\u00e3o pode duvidar nem da sua exist\u00eancia nem do seu cora\u00e7\u00e3o misericordioso. A partir desta experi\u00eancia v\u00ea-se tudo como que inscrito no plano da provid\u00eancia divina. Toda a vida \u00e9 contemplada como que inscrita no projecto de Deus: \u00abO que n\u00e3o estava nos <em>meus<\/em> projectos, encontrava-se nos projectos de Deus. E quanto mais vezes se me apresentam tais acontecimentos, mais viva se torna em mim a convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 de que n\u00e3o existe o azar \u2013 visto da parte de Deus \u2013, que toda a minha vida, at\u00e9 nos seus mais pequenos pormenores, est\u00e1 prevista no plano da provid\u00eancia divina e que ela \u00e9, diante dos olhos de Deus que v\u00ea tudo, uma coer\u00eancia intelig\u00edvel perfeita. Ent\u00e3o come\u00e7o a alegrar-me de antem\u00e3o da luz da gl\u00f3ria na qual me ser\u00e1 descoberta esta coer\u00eancia intelig\u00edvel. No entanto, esta considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o vale somente para a vida humana individual, mas tamb\u00e9m para a vida da humanidade inteira e, ainda mais, para a totalidade de todo o ser\u00bb (SF 130).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem se entrega a Deus sabe que Ele \u00ab\u00e9 paciente e rico em miseric\u00f3rdia\u00bb. Por isso, a seguran\u00e7a que surge da confian\u00e7a em Deus Pai, empurra o homem a seguir aprofundando nessa entrega. Saboreou a suavidade da m\u00e3o de Deus e quer entregar-se cada dia mais. Conheceu que o abandono \u00e9 o \u00fanico caminho para chegar a Deus, \u00e9 <em>o acto mais livre da liberdade<\/em>. S\u00f3 o Deus Amor \u00e9 que te d\u00e1 seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>e) Viv\u00eancia do quotidiano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viv\u00eancia de se sentir seguro em Deus n\u00e3o \u00e9 um sentimento que se perceba s\u00f3 nalguns momentos. \u00c9 a din\u00e2mica que empapa toda a vida da pessoa, em todo o momento e circunst\u00e2ncia. Quer dizer, o dia a dia, o minuto a minuto, adquirem um sentido totalmente diferente e desaparece a \u00abmonotonia\u00bb. O homem sente-se salvo nas m\u00e3os de Deus. P\u00f5e a sua vida nas m\u00e3os de Deus, e deixa que seja Ele a indicar o caminho. A confian\u00e7a leva consigo a aceita\u00e7\u00e3o do modo de agir de Deus (cf. Ct 941).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00f4r-se nas suas m\u00e3os implica tamb\u00e9m a aceita\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio ao qual se entrega, e um compromisso constante por tornar vida a vontade salvadora de Deus em qualquer circunst\u00e2ncia (cf. Ct 854-856). Em definitivo, viver protegidos nas m\u00e3os de Deus n\u00e3o \u00e9 uma atitude passiva. Implica colaborar com Deus na sua obra de salva\u00e7\u00e3o fazendo da jornada uma obla\u00e7\u00e3o ao Senhor. Prop\u00f5e um caminho pr\u00e1tico e simples: iniciar o dia com um momento dedicado ao di\u00e1logo com o Senhor, e a ser poss\u00edvel com a Eucaristia, para p\u00f4r nas suas m\u00e3os o dia que come\u00e7a e obter as for\u00e7as necess\u00e1rias para fazer tudo segundo a sua vontade (cf. Ct 809-810).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 206-208.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/myriams-fotos-1627417\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1926414\">Myriams-Fotos<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1926414\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11905,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11904","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11904"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11908,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11904\/revisions\/11908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}