{"id":11884,"date":"2021-02-16T11:27:14","date_gmt":"2021-02-16T11:27:14","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11884"},"modified":"2021-02-16T11:27:14","modified_gmt":"2021-02-16T11:27:14","slug":"pe-georgino-rocha-a-caminho-da-pascoa-domingo-i-da-quaresma-convertei-vos-e-acreditai-no-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-a-caminho-da-pascoa-domingo-i-da-quaresma-convertei-vos-e-acreditai-no-evangelho\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | A caminho da P\u00e1scoa: Domingo I da Quaresma &#8211; Convertei-vos e acreditai no Evangelho"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Pe. Georgino Rocha<\/em><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 impressionante o que acontece a Jesus, ap\u00f3s o baptismo. Imediatamente, se dirige ao deserto onde fica quarenta dias. F\u00e1-lo \u201cimpelido\u201d pelo Esp\u00edrito Santo que sempre o acompanhar\u00e1 ao longo da sua miss\u00e3o.\u00a0<em>Mc 1, 12-15<\/em>. Tamb\u00e9m a n\u00f3s o Esp\u00edrito nos conduz ao deserto e nos faz ver as tenta\u00e7\u00f5es que nos habitam: \u201ceu sei, eu posso, eu tenho; .., as tenta\u00e7\u00f5es de n\u00e3o olhar, de fugir, de dissimular e esconder, de n\u00e3o ouvir o que n\u00e3o nos agrada\u201d. Sempre o meu eu referencial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 esclarecedor e provocante o motivo que o leva ao deserto: ser tentado por Satan\u00e1s, a figura\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia das for\u00e7as do mal. A tenta\u00e7\u00e3o assalta-o ao longo de quarentas dias, o tempo da sua estadia entre animais selvagens, com os quais convive em harmonia. Vencida a tenta\u00e7\u00e3o, surge o apelo\/exorta\u00e7\u00e3o: \u201cConvertei-vos e acreditai no Evangelho\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O deserto e a tenta\u00e7\u00e3o surgem como met\u00e1foras da realidade humana. Hoje, revestem as formas da nossa situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social, da nossa cultura fragmentada e subjectivista, da nossa economia prec\u00e1ria e subjugada, da nossa religi\u00e3o predominantemente pendente do gosto do \u201ccliente\u201d e das tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O deserto instalou-se no cora\u00e7\u00e3o humano e da sociedade: As rela\u00e7\u00f5es sociais quase se desvitalizam, o isolamento solit\u00e1rio aumenta, qual sombra negra a coar a luz intermitente que ainda resta, o individualismo ego\u00edsta e insolid\u00e1rio cresce como \u201cferas indomadas\u201d, o ass\u00e9dio aos indefesos e humilhados instala-se, e prepara-se o assalto final para a vict\u00f3ria do \u201cbezerro de ouro\u201d \u2013 o \u00eddolo do tempo de Mois\u00e9s &#8211; sobre a pessoa e a sua dignidade reconfigurada em Jesus Cristo, o vencedor absoluto da dizimadora tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Sinais e exemplos mortificantes desta situa\u00e7\u00e3o provocadora est\u00e3o \u00e0 vista de todos: or\u00e7amentos familiares dram\u00e1ticos, perda de emprego, redu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os essenciais, esmorecimento da esperan\u00e7a, especialmente nos casais jovens, emigra\u00e7\u00e3o de quadros qualificados, preparados com grandes sacrif\u00edcios dos familiares ou do er\u00e1rio p\u00fablico, venda de habita\u00e7\u00f5es que, com tanto amor, foram adquiridas, ou entrega de casas endividadas aos bancos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Situa\u00e7\u00f5es, de sinal contr\u00e1rio, ostentam-se, em an\u00fancios de publicidade sedutora, que oferece \u201cprodutos inteiramente desnecess\u00e1rios, mas apresentados como se fossem urgentes: luxo, divers\u00e3o, sexo, abund\u00e2ncia de alimentos at\u00e9 ao desperd\u00edcio&#8221;. O contexto cultural est\u00e1 eivado de grande consumismo que surge como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a felicidade. Esta cultura do consumo tem um pre\u00e7o muito alto que est\u00e1 a ser pago: desastres ecol\u00f3gicos e ambientais, pobreza crescente em pa\u00edses empobrecidos, aumento da fome no mundo, de viol\u00eancia f\u00edsica, de abuso de drogas, de crime organizado e de usura. Outras situa\u00e7\u00f5es podem facilmente encontrar-se, aumentando o cortejo apresentado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O deserto \u00e9 tamb\u00e9m espa\u00e7o de vit\u00f3ria. Tantos homens bons e justos fazem da sua travessia um percurso solid\u00e1rio, um tempo de aten\u00e7\u00e3o ao outro, de partilha de bens, de alento na esperan\u00e7a de chegar ao o\u00e1sis desejado, de advert\u00eancia contra as falsas miragens, de resist\u00eancia paciente face \u00e0 pressa ing\u00e9nua de enveredar por atalhos, de alimentar \u201co sonho que comanda a vida\u201d. \u00c9 verdadeiramente um espa\u00e7o terap\u00eautico para quem vive a quaresma a caminho da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cComo a Jesus, o Esp\u00edrito nos leva como Igreja e comunidade reunida ao deserto\u2026 Experimentamos estar numa travessia por v\u00e1rios \u00abdesertos\u00bb: a fragilidade que a pandemia acentua, a transi\u00e7\u00e3o de valores que se cruzam na cultura actual e geram confus\u00e3o \u00e9tica em quest\u00f5es fundamentais\u2026 Experimentamos incerteza e inseguran\u00e7a, vacilamos em como contar a nossa experi\u00eancia de Deus no meio da sociedade de hoje\u2026 Temos que aprender a voz do Esp\u00edrito de Deus que nos fala em comunidade: devemos p\u00f4r-nos em marcha por novos carreiros e atalhos. No deserto, olhamos de frente as tenta\u00e7\u00f5es que nos habitam como humanidade solid\u00e1ria, como Igreja no meio do mundo: o cuidado da casa comum, o cuidado dos mais desfavorecidos, as consequ\u00eancias do ego\u00edsmo econ\u00f3mico, as feridas das ambi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas\u201d. Homil\u00e9tica, 2021\/2, 122.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Papa Francisco afirma que a quaresma \u00e9 o tempo para \u201crenovar a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade\u201d. E exorta-nos a viver uma quaresma de caridade que \u201csignifica cuidar de quem se encontra em condi\u00e7\u00f5es de sofrimento, abandono ou ang\u00fastia por causa da pandemia de Covid-19\u201d. Aborda v\u00e1rias das pr\u00e1ticas tradicionais deste per\u00edodo, que apresenta como \u201ccondi\u00e7\u00f5es\u201d para uma convers\u00e3o pessoal. Recomenda um jejum que combata tamb\u00e9m a \u201csatura\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es \u2013 verdadeiras ou falsas \u2013 e produtos de consumo\u201d, para permitir uma vida marcada pela \u201csimplicidade de cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><em>O caminho da pobreza e da priva\u00e7\u00e3o (o jejum), a aten\u00e7\u00e3o e os gestos de amor pelo homem ferido (a esmola) e o di\u00e1logo filial com o Pai (a ora\u00e7\u00e3o) permitem-nos encarnar uma f\u00e9 sincera, uma esperan\u00e7a viva e uma caridade operosa\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus vence a tenta\u00e7\u00e3o e rasga horizontes ao nosso peregrinar. \u00c9 livre, confirma o baptismo recebido, adere confiadamente ao projecto de Deus Pai. Como Ele estamos em tr\u00e2nsito no deserto da vida. A meta j\u00e1 se vislumbra. Ele j\u00e1 a viveu na sua P\u00e1scoa. Para l\u00e1 caminhamos seguindo os seus passos. A isto nos convida o tempo quaresmal que a Igreja nos prop\u00f5e.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jpeter2-697843\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1270345\">J\u00f6rg Peter<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1270345\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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