{"id":11745,"date":"2021-03-11T07:00:41","date_gmt":"2021-03-11T07:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11745"},"modified":"2021-02-13T15:28:02","modified_gmt":"2021-02-13T15:28:02","slug":"oratorio-peregrino-51-o-matrimonio-de-maria-e-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-51-o-matrimonio-de-maria-e-jose\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 51 | O MATRIM\u00d3NIO DE MARIA E JOS\u00c9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"padding-left: 40px; text-align: center;\">LI Passo | <strong>O MATRIM\u00d3NIO DE MARIA E JOS\u00c9<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro t\u00edtulo que Mateus d\u00e1 a Jos\u00e9 \u00e9 \u201c<em>Esposo de Maria<\/em>\u201d(Mt 1,16) e o segundo \u00e9 \u201c<em>Filho de Davi<\/em>\u201d (Mt, 1,20). Entre os dois insere o qualificativo \u201cJusto\u201d (Mt 1,19) exprimindo desta forma o grau de santidade exigido no objetivo pelo qual estes dois t\u00edtulos lhe s\u00e3o atribu\u00eddos, ou seja, a entrada do Verbo na fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo que a messianidade de Jesus depende do casamento de Maria com Jos\u00e9, \u00e9 natural que Mateus evidencie que ele \u00e9 esposo de Maria. O evangelista interessa definir que Jesus foi concebido pelo Esp\u00edrito Santo e n\u00e3o o momento da concep\u00e7\u00e3o, durante ou depois do casamento, mesmo porque o verbo \u201cMineste\u00fao\u201d (v 18) utilizado por Mateus pode ser interpretado tanto como namoro como tamb\u00e9m para mulher casada que coabita com o marido (Lc 2,5). A Igreja ret\u00e9m que entre Maria e Jos\u00e9 houve um estreito v\u00ednculo conjugal e pr\u00f3prio por isto Jos\u00e9 participa da excelsa grandeza de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio entre ambos foi verdadeiro porque entre eles houve a uni\u00e3o conjugal, n\u00e3o a uni\u00e3o sexual. Houve a \u201cuni\u00e3o indivis\u00edvel dos \u00e2nimos\u201d<em>\u00a0<\/em>que os levou a manterem-se perpetuamente fi\u00e9is um ao outro. Como tal, o matrim\u00f3nio de Maria e Jos\u00e9 n\u00e3o foi\u00a0 um\u00a0 jogo de simples circunst\u00e2ncias humanas, ou simplesmente o resultado de uma interven\u00e7\u00e3o de Deus. Mas uma necessidade para que o Verbo Divino fizesse parte duma fam\u00edlia humana e para que fosse reconhecido como filho de Davi. O lar de Jos\u00e9 e Maria foi destinado para acolher e educar Jesus, e por isso comportava a m\u00e1xima express\u00e3o da uni\u00e3o conjugal, ou seja, o grau supremo do dom de si. Neste sentido a virgindade exprime e garante a gratuidade deste dom, e assim esta uni\u00e3o apenas\u00a0 n\u00e3o compromete a ess\u00eancia do matrim\u00f3nio e da paternidade, mas evidencia-a e defende-a, segundo a afirma\u00e7\u00e3o de santo Agostinho: \u201c<em>Esposo tanto mais verdadeiro quanto mais casto\u201d, \u201cPai\u00a0 tanto mais verdadeiro quanto mais casto\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O dom de si coincide, para S\u00e3o Tom\u00e1s, com o amor amizade que n\u00e3o \u00e9 o amor concupisc\u00eancia, pois ama-se querendo o bem do outro e n\u00e3o o bem pr\u00f3prio; ama-se numa dimens\u00e3o de amor rec\u00edproco. De fato, a afinidade espiritual de Maria e Jos\u00e9 foi t\u00e3o grande que Maria aceitou a divina maternidade sem lhe pedir o consentimento, porque sabia que Deus tinha sobre ela todo direito e que o desejo profundo de Jos\u00e9 era que ela fosse toda de Deus. Desta forma a atitude de Maria para com Jos\u00e9 n\u00e3o foi uma falta de delicadeza, mas um sinal de confian\u00e7a. Em vista disto, Bernardino de Bustis afirma que: \u201d<em>entre Maria e Jos\u00e9 existiu um amor indivis\u00edvel e sant\u00edssimo; de fato, depois\u00a0 de Cristo, seu Filho, a Virgem pur\u00edssima n\u00e3o amou nenhum homem ou criatura assim como a Jos\u00e9 e da mesma forma Jos\u00e9 amou a beata Virgem acima de todas as criaturas\u201d.<\/em>\u00a0(Sermo 12, de BMV Desponsatione). Maria distinguiu-se no seu amor para com Jos\u00e9 e n\u00e3o houve ningu\u00e9m que ela tratasse com tanta familiaridade como a Jos\u00e9, seu esposo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na comunh\u00e3o de amor com Maria est\u00e1 tamb\u00e9m o segredo de toda a santidade de Jos\u00e9 e, se \u00e9 verdade, como afirma Francisco Suar\u00e9z:<em>\u00a0\u201cque um dos meios mais eficazes para obter de Deus os dons da gra\u00e7a \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o para com a Virgem e a\u00a0 sua intercess\u00e3o, podemos acreditar que o sant\u00edssimo Jos\u00e9, dilet\u00edssimo \u00e0 Virgem e devot\u00edssimo, obteve por seu meio a ex\u00edmia perfei\u00e7\u00e3o e santidade. Desta forma, como \u00e9 o parecer de S\u00e3o Bernardino de Sena, Maria amou Jos\u00e9 com toda sinceridade e com todo o afeto de seu cora\u00e7\u00e3o e ofereceu-lhe livremente o tesouro de seu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus designou Jos\u00e9 \u201cfilho de Davi\u201d, para transmitir a Jesus a descend\u00eancia dav\u00eddica\u00a0 e f\u00ea-lo atrav\u00e9s do matrim\u00f3nio com Maria. Se Maria esposa de Jos\u00e9 tem um filho, este legalmente \u00e9 tamb\u00e9m filho de Jos\u00e9 pelos efeitos civis e familiares. Daqui a import\u00e2ncia deste matrim\u00f3nio, pois juntamente com Maria, Jos\u00e9 foi envolvido na realidade do acontecimento salv\u00edfico, sendo o deposit\u00e1rio do mesmo amor do Eterno Pai (RC 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O anjo ao dirigir-se a Jos\u00e9 com o t\u00edtulo, \u201cFilho de Davi\u201d, \u201c<em>introduz Jos\u00e9 no mist\u00e9rio da maternidade de Maria\u201d<\/em>, a qual se tornou m\u00e3e por obra do Esp\u00edrito Santo. O anjo tamb\u00e9m se dirige a Jos\u00e9 como \u201c<em>ao esposo de Maria<\/em>\u201d, como aquele que dever\u00e1 dar o nome ao Filho que nascer\u00e1 da Virgem de Nazar\u00e9, sua esposa; portanto, confia-lhe uma tarefa de pai terreno a respeito do Filho de Maria (RC 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 que a \u201c<em>Uni\u00e3o virginal e santa de Jos\u00e9 e Maria constitui o v\u00e9rtice do qual a santidade se espalha sobre a terra<\/em>\u201d, \u00e9 particularmente oportuno celebrar a festa dos Santos Esposos Maria e Jos\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Salve, Jos\u00e9, cheio de gra\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">O Senhor \u00e9 contigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Bendito \u00e9s tu entre todos os homens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">E bendito \u00e9 Deus que te escolheu para seres o pai<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Do seu Filho, Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">S\u00e3o Jos\u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Esposo de Maria,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Roga por n\u00f3s pecadores,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Agora e na hora da nossa morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">\u00c1men.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: right;\"><i>Imagem: Sagrada Fam\u00edlia<\/i>\u00a0por\u00a0Julius Frank [1826-1908].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11746,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-11745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11745"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11747,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11745\/revisions\/11747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}