{"id":11535,"date":"2021-02-02T07:00:24","date_gmt":"2021-02-02T07:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11535"},"modified":"2021-01-31T20:43:18","modified_gmt":"2021-01-31T20:43:18","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-sexta-perspectiva-construtal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-sexta-perspectiva-construtal\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | Sexta Perspectiva: Construtal"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Sexta Perspectiva: Construtal<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo no mundo encontra-se em movimento. Quando nos referimos a equil\u00edbrio, na pr\u00e1tica, estamos a reconhecer que os movimentos numa direc\u00e7\u00e3o s\u00e3o, permanentemente, compensados por movimentos na direc\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Mas o curioso est\u00e1 na arquitectura gerada por aquilo que se move. Da\u00ed que um vale tenha na sua g\u00e9nese o fluir de um rio, ou que as ramifica\u00e7\u00f5es de uma \u00e1rvore tenham na sua g\u00e9nese o fluir da seiva. E a semelhan\u00e7a que encontramos entre as ramifica\u00e7\u00f5es no estu\u00e1rio de um rio, os ramos de uma \u00e1rvore, ou a estrutura alveolar dos nossos pulm\u00f5es, faz-nos pensar na exist\u00eancia de um princ\u00edpio universal subjacente. Esse princ\u00edpio \u00e9 o <em>construtal<\/em>, e oferece uma nova perspectiva sobre tudo o que flui no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1996, ap\u00f3s alguma perplexidade por ter ouvido o pr\u00e9mio Nobel Ilia Prigogine afirmar que as estruturas na natureza provinham do acaso, Adrian Bejan estranhou por n\u00e3o corresponder ao que havia estudado, conseguindo explicar a raz\u00e3o do seu desacordo ao formular a Lei Construtal,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 40px;\">\u00abpara um sistema que flui de tamanho finito (n\u00e3o infinitesimal, uma part\u00edcula, ou subpart\u00edcula) persistir no tempo (viver) deve evoluir com liberdade, de tal modo que providencia um acesso cada vez mais f\u00e1cil e maior ao que flui.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz Bejan na introdu\u00e7\u00e3o do seu \u00faltimo livro <em>\u201dFreedom and Evolution\u201d<\/em> que se dermos liberdade \u00e0 natureza, essa devolve-nos a liberdade na forma de vida. Ou seja, o <em>design<\/em> na natureza tem a sua raiz num princ\u00edpio f\u00edsico assente nas ci\u00eancias cl\u00e1ssicas de engenharia como a termodin\u00e2mica, mec\u00e2nica dos fluidos e a transmiss\u00e3o de calor. Esta perspectiva n\u00e3o s\u00f3 despertou o meu interesse cient\u00edfico, tendo feito deste tema parte do meu trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, mas fez-me lembrar como nunca foi usada para interagir com a sensibilidade espiritual de quem se reconhece como fruto de um Deus-Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012 quando li um outro livro de Bejan sobre \u201cDesign na Natureza,\u201d percebi que sentiu a necessidade de clarificar como \u201cencontrar o design na natureza,\u201d nada tinha a ver com pensar num <em>Designer<\/em> Inteligente. Talvez estivesse ainda marcado com o pol\u00e9mico artigo em 2005 no <em>New York Times<\/em>, com o mesmo t\u00edtulo, onde o Cardeal Sch\u00f6nborn afirmou que <em>\u00aba Igreja Cat\u00f3lica defender\u00e1 de novo a raz\u00e3o humana ao proclamar que o design imanente na natureza \u00e9 real. As teorias cient\u00edficas que procuram explicar o aparecimento do design como o resultado do \u201cacaso e da necessidade\u201d n\u00e3o s\u00e3o cient\u00edficas de todo, mas, como diria Jo\u00e3o Paulo, um abdicar da intelig\u00eancia humana.\u00bb<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linguagem \u00e9 ponto crucial em toda esta pol\u00e9mica. Pois, a l\u00edngua anglo-sax\u00f3nica tem a mesma palavra para \u201cprojecto\u201d e \u201cdes\u00edgnio\u201d \u2014 <em>design<\/em> \u2014 embora possuam significados distintos. E quando Bejan afirma que <em>\u00abao longo do tempo, eu iria desenvolver uma nova compreens\u00e3o do fen\u00f3meno evolucion\u00e1rio e da unicidade da natureza que revelaria como o design emerge sem um designer inteligente\u00bb<\/em>, eu n\u00e3o poderia estar mais de acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva construtal seria o que esperaria de um <em>Deus-Criador<\/em> e n\u00e3o de um deus-designer. Um Deus que cria, do ponto de vista da experi\u00eancia crist\u00e3, \u00e9 um Deus que confere a autonomia e a liberdade para que o mundo seja por si mesmo. Liberdade e autonomia s\u00e3o, precisamente, a raz\u00e3o que d\u00e1 sentido a algo que surge a partir do nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas perspectivas procuram explica\u00e7\u00f5es em jogos finitos, esquecendo-se de que a cria\u00e7\u00e3o em Deus \u00e9 um jogo infinito onde o mais importante \u00e9 mantermo-nos a jogar \u2014 por assim dizer \u2014 e n\u00e3o chegar a um determinado fim. Esse permanece aberto. Por outro lado, as limita\u00e7\u00f5es perfazem as imperfei\u00e7\u00f5es que tornam o jogo da vida, onde tanto flui, t\u00e3o interessante. E, de acordo com a perspectiva construtal, todo o sistema evolui no sentido de distribuir as suas imperfei\u00e7\u00f5es. O que me parece ser uma perspectiva interessante porque n\u00e3o as nega, mas enquadra-as como parte integrante da arquitectura da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspectiva construtal existe a liberdade de mudar, onde o recome\u00e7ar pode levar-nos a construir um novo terreno onde continua a hist\u00f3ria do que fluir\u00e1 pelo mundo depois de n\u00f3s. A quest\u00e3o que esta perspectiva nos abre \u00e9 simples: querer ser rio ou f\u00f3ssil. Ser rio implica darmo-nos totalmente quando desaguamos no mar da humanidade e na hist\u00f3ria, enquanto desapegados daquilo que constru\u00edmos com o nosso fluir. Ser f\u00f3ssil implica deixarmos uma marca para o futuro de um passado que deixou de fluir.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/wikiimages-1897\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=11102\">WikiImages<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=11102\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11536,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-11535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11535"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11537,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11535\/revisions\/11537"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}