{"id":11264,"date":"2020-12-31T14:00:51","date_gmt":"2020-12-31T14:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11264"},"modified":"2021-01-08T20:14:17","modified_gmt":"2021-01-08T20:14:17","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-quinta-perspectiva-profundidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-quinta-perspectiva-profundidade\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | Quinta Perspectiva: Profundidade"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Quinta Perspectiva: Profundidade<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando come\u00e7a um novo ano, muitas pessoas pensam na sua vida e procuram fazer um exame de consci\u00eancia. Ningu\u00e9m poderia imaginar que 2020 pudesse ser do modo como foi para todo o mundo. Muitas das fragilidades da vida antes da Covid-19 vieram \u00e0 tona com a pandemia. Nomeadamente, a superficialidade de vidas assentes em efemeridades. Mas pode haver algo que produza em qualquer dia do ano o impacte que tem o virar de um novo ano? Talvez a perspectiva da <em>profundidade<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O oposto \u00f3bvio de uma vida superficial \u00e9 o de uma <em>vida profunda<\/em>. Mas esse modo de ser e estar demora tempo a formar-se e informar-nos, e constr\u00f3i-se, inevitavelmente, atrav\u00e9s do sofrimento como motor de crescimento pessoal em maturidade. Pressup\u00f5e encontrar o espa\u00e7o para estarmos junto com os nossos pensamentos em solitude, ultrapassando toda e qualquer solid\u00e3o. Pressup\u00f5e um conhecimento da ess\u00eancia de cada aspecto da nossa vida, dos nossos actos, escolhas e, sobretudo, da ess\u00eancia dos relacionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a pandemia, muitas pessoas foram criando anti-corpos a todas as exig\u00eancias para a conter, como o uso da m\u00e1scara, o distanciamento f\u00edsico, as restri\u00e7\u00f5es nos hor\u00e1rios, os ajuntamentos advenientes dos encontros nas nossas comunidades, e a dureza dos momentos de confinamento. Quando isso aconteceu, sobretudo, nos per\u00edodos de confinamento, naturalmente, o meu olhar e mente voltaram-se para a leitura silenciosa. Na altura desconhecia os efeitos da <em>biblioterapia<\/em>, e s\u00f3 depois de aumentar substancialmente o tempo de leitura (superior a uma hora de cada vez que pego num livro dos 6 que leio ao mesmo tempo), comecei a dar-me conta de que algo estava a mudar em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada livro leva-me a mergulhar em hist\u00f3rias de vida impens\u00e1veis, experi\u00eancias transformativas, novas vis\u00f5es da natureza e do nosso relacionamento com essa, um maior conhecimento do nosso corpo e de como funciona, e, tamb\u00e9m, como tudo se ligava entre os assuntos, as pessoas, e o tempo. Sentia que a minha mente se agu\u00e7ava. Sentia haver novos horizontes de vida que se ampliavam. Sentia que a minha vida podia ser mais profunda do que era. Mas o mais not\u00f3rio (e doloroso), passou a ser a superficialidade que via, e vivia, \u00e0 minha volta, e me entristecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida pessoal, social, cultural e espiritual passou a ser impulsionada pelo grau de entretenimento consumido pelas pessoas atrav\u00e9s dos conte\u00fados que lhe chegam pelos seus ecr\u00e3s. No <em>\u201dThe Machine Stops\u201d<\/em> de E.M. Forster, ou no <em>\u201dAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d<\/em> de Aldous Huxley, ou no <em>\u201dAmusing ouselves to death\u201d<\/em> de Neil Postman, encontrava a premoni\u00e7\u00e3o para muito daquilo que vivemos durante 2020 e que a pandemia trouxe \u00e0 tona: a superficialidade da vida interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma ferida superficial produz mais dor do que uma profunda por termos os nervos \u00e0 flor da pele. Mas se me ferir superficialmente no mesmo s\u00edtio, vezes sem conta, o resultado \u00e9 a dorm\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dor causada. De tal modo que os gestos que nos levam a uma vida mais profunda n\u00e3o se realizam por nega\u00e7\u00e3o, mas por desinteresse. O maior perigo da superficialidade \u00e9 uma vida anestesiada pelo entretenimento que bloqueia as oportunidades que a perspectiva da profundidade pode oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo ano que temos pela frente \u00e9 uma oportunidade para recome\u00e7armos e abra\u00e7armos a experi\u00eancia transformativa dada pela perspectiva da <em>profundidade<\/em>. Mas acolher, tamb\u00e9m, a possibilidade de que essa perspectiva nos transforme por dentro e, depois, por fora. N\u00e3o h\u00e1 sociedade, cultura ou religi\u00e3o que n\u00e3o passe pelo tipo de vida de cada pessoa. Cada vida d\u00e1 corpo \u00e0s realidades na esfera da consci\u00eancia. Realidades vis\u00edveis atrav\u00e9s dos gestos, mas, sobretudo, pelas palavras ditas ou escritas. A superficialidade das vidas leva-nos \u00e0s divis\u00f5es que destroem o potencial humano de transforma\u00e7\u00e3o do cosmos a que Deus nos chama desde sempre. Sim, Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva da profundidade abre-nos ao infinito no \u00edntimo de n\u00f3s mesmos. H\u00e1 quem n\u00e3o acredite em Deus, mas eu n\u00e3o posso deixar de expressar que n\u00e3o acredito na sua descren\u00e7a. Vivem, talvez o Deus-Escondido na profundidade da sua vida que n\u00e3o encontrou ainda o motivo certo para o procurar dentro de si. Deus. Qual sentido \u00faltimo da exist\u00eancia que se encontra, frequentemente, rec\u00f4ndito no inconsciente, mas que pode entrar no mundo atrav\u00e9s do acto consciente da palavra. Ali\u00e1s, entrou quando se fez Palavra. A perspectiva da profundidade vive da esperan\u00e7a, e vive para o amor como a for\u00e7a subtil que move tudo no universo. Que o pr\u00f3ximo ano seja uma oportunidade de (re)encontrar esta perspectiva.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/publicdomainpictures-14\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=21849\">PublicDomainPictures<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=21849\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11265,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-11264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11264"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11404,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11264\/revisions\/11404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}