{"id":11243,"date":"2021-01-28T07:00:41","date_gmt":"2021-01-28T07:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11243"},"modified":"2020-12-30T12:58:34","modified_gmt":"2020-12-30T12:58:34","slug":"pensamento-de-edith-stein-a-estrutura-tridimensional-do-ser-humano-corpo-alma-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-a-estrutura-tridimensional-do-ser-humano-corpo-alma-espirito\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | A ESTRUTURA TRIDIMENSIONAL DO SER HUMANO: CORPO-ALMA-ESP\u00cdRITO"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">A ESTRUTURA TRIDIMENSIONAL DO SER HUMANO: CORPO-ALMA-ESP\u00cdRITO<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande maioria das investiga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas realizadas por Edite s\u00e3o encaminhadas para a compreens\u00e3o do ser humano, tanto em si mesmo como no seu ser relacional. \u00c9 fundamental para Edite compreender a estrutura do homem em todas as suas dimens\u00f5es. Disso vai depender a aplica\u00e7\u00e3o correcta e o \u00eaxito de todas as ci\u00eancias que, de uma maneira ou de outra, t\u00eam que ver com o homem: a pedagogia, a psicologia, e at\u00e9 a mesma vida espiritual. Aqui podemos sintetizar apenas em grandes tra\u00e7os os elementos deduzidos da sua an\u00e1lise do homem visto a partir das tr\u00eas dimens\u00f5es que o configuram: corporal, an\u00edmica e espiritual. Para uma maior compreens\u00e3o e aprofundamento remetemos para as suas principais obras, mais concretamente a <em>Estrutura da pessoa<\/em> <em>humana<\/em> (OC IV, 555 ss).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>a) Enquanto ser corporal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem mais do que como corpo (K\u00f6rper) define-se como corporalidade, a saber, como corpo vivido como experi\u00eancia da unidade pessoal (Leib). Da\u00ed que a sua principal caracter\u00edstica \u2013 apesar de quanto de limita\u00e7\u00e3o espacial e temporal leva consigo \u2013, \u00e9 a sua vida. Por isso, o homem contempla o seu corpo como fundamento de tudo o que nele \u00e9 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas uma vida que n\u00e3o se reduz meramente ao instinto ou \u00e0s reac\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, mas tamb\u00e9m se experimenta e vive como fundamento da sua vida espiritual (cf. SF 387 ss). Esta concep\u00e7\u00e3o implica uma revaloriza\u00e7\u00e3o da corporalidade ou do corpo para a vida espiritual, que no homem n\u00e3o se pode dar sem esta dimens\u00e3o. Por isso, o corpo \u00e9 para o ser humano fonte e express\u00e3o da sua vida espiritual. Uma vida espiritual que prescinda da materialidade do homem, anula o seu fundamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite Stein \u00e9 consciente de que dentro da funcionalidade da corporalidade humana esta se vive tamb\u00e9m como limita\u00e7\u00e3o, como barreira nas \u00e2nsias de liberdade que o seu eu espiritual sente. No entanto, esta \u00ablimita\u00e7\u00e3o natural\u00bb assumida, serve de fundamento para uma forma\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e unificadora da corporalidade: \u00abO fundamento sobre o qual se elevam a vida espiritual e a actividade livre e com o qual elas permanecem comprometidas \u00e9-lhes dado como mat\u00e9ria; e elas esclarecem, formam e utilizam este fundamento. A vida f\u00edsica e sens\u00edvel do homem \u00e9 formada de uma maneira pessoal e converte-se numa parte da pessoa. Contudo, nunca deixa de ser um fundo escuro. A tarefa da espiritualidade livre consiste em ilumin\u00e1-lo cada vez mais, e em form\u00e1-lo de uma maneira mais pessoal durante toda a vida\u00bb (SF 387).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui compreende a raz\u00e3o de ser uma ascese corporal, n\u00e3o como mortifica\u00e7\u00e3o do corpo, mas como processo de integra\u00e7\u00e3o do ser corp\u00f3reo a partir da vontade orientada para alcan\u00e7ar um fim concreto: o da unifica\u00e7\u00e3o harm\u00f3nica de todas as tend\u00eancias a partir da consci\u00eancia livre da pessoa. \u00abA educa\u00e7\u00e3o corporal \u2013 diz Edite Stein \u2013\u00a0 n\u00e3o \u00e9, pois, os cuidados dados ao corpo, nem um costume, mas uma direc\u00e7\u00e3o dada \u00e0 vontade em ordem \u00e0 informa\u00e7\u00e3o do corpo segundo um plano livre e determinado de antem\u00e3o, isto \u00e9, consciente dos fins que persegue e alcan\u00e7a\u00bb (SF 442).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzir a corporalidade s\u00f3 a estes elementos, deixaria muito na sombra a totalidade do pensamento steiniano. No seu processo de estudo do corporal no homem, observa-o tamb\u00e9m do ponto de vista da sua constitui\u00e7\u00e3o material, do movimento, da sua configura\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, do seu car\u00e1cter instintivo e sensorial, do processo vital e da sua constitui\u00e7\u00e3o individual, etc&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Ser an\u00edmico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem n\u00e3o \u00e9 um ser que tem uma alma, mas visto na sua unidade estrutural, \u00e9 alma. A dimens\u00e3o da alma desempenha um papel primordial na constitui\u00e7\u00e3o da pessoa: porque a pessoa configura-se a partir de dentro, desde essa forma interior ou alma vital que \u00e9 a fonte da sua vida (Cf. OC IV, 601 ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esse princ\u00edpio une-se outro de car\u00e1cter teol\u00f3gico: a alma \u00ab\u00e9 criada directamente pela m\u00e3o de Deus\u00bb (SF 281), mas n\u00e3o como um ser em si, mas unida a um corpo ao qual d\u00e1 forma: \u00abpor isso a alma humana n\u00e3o s\u00f3 um intermedi\u00e1rio entre o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma criatura espiritual, n\u00e3o s\u00f3 um produto do esp\u00edrito mas tamb\u00e9m um esp\u00edrito informante. Pois bem, de maneira nenhuma deixa de ser um intermedi\u00e1rio nem um passo: enquanto forma do corpo, insere-se no espa\u00e7o da mesma maneira que as formas inferiores: a sua pr\u00f3pria espiritualidade leva em si os tra\u00e7os da sua atadura com a mat\u00e9ria; enfim, constitui um fundamento escondido sobre o qual se eleva a vida espiritual\u00bb (SF 440-441). O ser \u00abforma do corpo\u00bb caracteriza o seu papel dentro da unidade do homem, que consiste fundamentalmente em \u00abench\u00ea-lo de sentido e de vida\u00bb, favorecendo o desenvolvimento da sua vida espiritual (cf. SF 476).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este desenvolvimento consiste principalmente em que a alma chegue ao conhecimento e posse do seu ser, que alcance o seu \u00abcentro\u00bb mais profundo onde encontra o lugar da sua liberdade e da sua uni\u00e3o com Deus, onde se sente como na sua pr\u00f3pria casa: \u00abNa interioridade capta-se interiormente a ess\u00eancia da alma. Quando o eu vive nessa interioridade sobre o fundamento do seu ser, ali onde ele est\u00e1 totalmente como em sua casa e habita, adivinha ent\u00e3o em parte o sentido do seu ser, experimenta a sua for\u00e7a concentrada neste ponto antes da sua divis\u00e3o em for\u00e7as separadas. E quando a sua vida se alimenta desta interioridade, vive plenamente e alcan\u00e7a o grau mais elevado do seu ser. Os elementos recebidos do exterior n\u00e3o subsistem s\u00f3 a t\u00edtulo de recorda\u00e7\u00f5es, mas estes podem transformar-se na carne e no sangue. Assim convertem-se nele numa fonte din\u00e2mica dispensadora de vida\u00bb (SF 451).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem descobre a vida da sua alma na medida em que penetra na sua interioridade. Edite Stein reflecte sobre os caminhos alternativos ao da ora\u00e7\u00e3o que podem conduzir o homem a penetrar na sua alma e conhecer-se. Fundamentalmente s\u00e3o tr\u00eas: a rela\u00e7\u00e3o com os outros, a experi\u00eancia pessoal, e a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica realizada pelas ci\u00eancias do esp\u00edrito (cf. OC V, 99 ss). Caminhos que, depois de tudo, conduzem s\u00f3 at\u00e9 um determinado ponto. O centro mais profundo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ser alcan\u00e7ado como dom da gra\u00e7a e do caminho da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sintetizando: para Edite a alma tem a miss\u00e3o de formar o corpo, unificar as pessoa e inform\u00e1-la. O seu car\u00e1cter vocacional radica no seu \u00abser\u00bb: levar o homem \u00e0 uni\u00e3o com Deus, pois procede d\u2019Ele, e tornar-se presente e realizar-se no mundo e na hist\u00f3ria, pois \u00e9 essa a sua natureza \u00abunida a um corpo\u00bb com o qual forma uma unidade pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Enquanto esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito ou a dimens\u00e3o espiritual \u00e9 pr\u00f3pria e exclusiva dos seres pessoais. Por isso, no homem, \u00e9 elemento constitutivo e qualificador, tanto do seu ser unit\u00e1rio como da sua dimens\u00e3o an\u00edmica. O que distingue a alma do homem do resto das criaturas \u00e9 a sua dimens\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito no homem \u00e9 o que o torna capaz de sair de si, de se abrir. \u00c9, ao mesmo tempo, o seu \u00absentido e vida\u00bb. Edite analisa esta dimens\u00e3o j\u00e1 desde a sua primeira obra sobre a empatia. A ela remetemos para uma maior compreens\u00e3o (cf. Modelo 331 ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/stocksnap-894430\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2570741\">StockSnap<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2570741\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11244,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11243","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11243"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11243\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11245,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11243\/revisions\/11245"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}