{"id":11237,"date":"2021-01-14T07:00:34","date_gmt":"2021-01-14T07:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11237"},"modified":"2020-12-30T12:47:34","modified_gmt":"2020-12-30T12:47:34","slug":"pensamento-de-edith-stein-ciencia-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-ciencia-da-cruz\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | CI\u00caNCIA DA CRUZ"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">CI\u00caNCIA DA CRUZ<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>a) Edite Stein e Jo\u00e3o da Cruz<\/strong><\/h4>\n<p>Sabemos com certeza que o encontro de Edite Stein com Teresa de Jesus se deu no m\u00eas de Junho de 1921. Ao contr\u00e1rio, em rela\u00e7\u00e3o a Jo\u00e3o da Cruz os dados n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o precisos. Contudo, podemos seguir uma linha descendente que nos vai levar a um poss\u00edvel encontro com o Doutor m\u00edstico nos primeiros anos do seu catolicismo, por 1927. Embora, como constataremos, parece que n\u00e3o fez uma leitura em profundidade do Santo sen\u00e3o pelos anos 30, possivelmente durante a sua prepara\u00e7\u00e3o para a tomada de h\u00e1bito (1934).<\/p>\n<p>Como dado mais do que evidente temos a sua \u00faltima obra <em>A Ci\u00eancia da Cruz<\/em> (CC), escrita nos \u00faltimos anos da sua vida (1941-1942). No seu escrito imediatamente anterior sobre o Pseudo-Dion\u00edsio, <em>Caminhos do conhecimento de Deus<\/em>, manifesta j\u00e1 uma clara influ\u00eancia sanjoanina. Na sua obra <em>Ser finito e ser eterno<\/em> (1936) transparece claramente a influ\u00eancia sanjoanina, ao qual cita explicitamente (cf SF 407-408).<\/p>\n<p>Pouco antes, em Abril de 1935, mergulhava na doutrina do Santo como prepara\u00e7\u00e3o para a sua profiss\u00e3o, tal como faria um ano antes para a sua tomada de h\u00e1bito (1934) (cf. Ct 1121). Em tr\u00eas dos seus escritos preparados entre 1934-1935 fazia tamb\u00e9m refer\u00eancias expl\u00edcitas a Jo\u00e3o da Cruz: <em>Amor com Amor. Vida e obra de Santa Teresa de Jesus<\/em>; <em>Teresa de Jesus: Uma mestra na educa\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o<\/em>; e <em>Sobre\u00a0 a hist\u00f3ria e o esp\u00edrito<\/em> <em>do Carmelo<\/em>. O seu escrito para a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u2013 <em>Amor \u00e0 Cruz<\/em> \u2013 parece ser do ano de 1933. Entre os escritos que se conservam de Edite \u00e9 a primeira vez que escreve directamente sobre um tema da m\u00edstica sanjoanina. Nalgumas das suas confer\u00eancias dos anos 30 nota-se tamb\u00e9m certa influ\u00eancia sanjoanina (Cf. OC IV, pp. 202. 240).<\/p>\n<p>Podemos situar a aproxima\u00e7\u00e3o de Edite a Jo\u00e3o da Cruz a partir do ano de 1927. Tomamos a not\u00edcia de uma carta escrita ao fil\u00f3sofo Roman Ingarden, onde, ao falar sobre a experi\u00eancia religiosa, coloca a Jo\u00e3o da Cruz e a Teresa de Jesus como \u00abhomines religiosi\u00bb (cf. Ct 802).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Escrevendo a \u00abCi\u00eancia da Cruz\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>A Madre Ambr\u00f3sia Ant\u00f3nia Engelmann, prioresa de Echt desde Setembro de 1940, animar\u00e1 a Edite para realizar um estudo sobre S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (Ct 1359) para a celebra\u00e7\u00e3o do IV Centen\u00e1rio do seu nascimento (1542-1942).<\/p>\n<p>O tempo \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para realizar esta obra \u00e9 relativamente breve. O encargo \u00e9 feito no fim de 1940 e a celebra\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio \u00e9 em 1942. Disp\u00f5e apenas de dois anos. Os primeiro meses s\u00e3o de busca de material necess\u00e1rio e, ao mesmo tempo, de penetra\u00e7\u00e3o nos textos do Santo para fazer deles objecto de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dado interessante \u00e9 que o seu desejo de fazer um bom trabalho leva-a a ler o texto sanjoanino na l\u00edngua original, dedicando-se a um estudo mais profundo da mesma para chegar a uma melhor compreens\u00e3o da linguagem sanjoanina. Vimos j\u00e1 como fez o mesmo com Tom\u00e1s de Aquino e o Pseudo Areopagita.<\/p>\n<p>Podemos afirmar que o per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o e de recolha do material vai desde os fins de 1940 at\u00e9 Outubro de 1941. Come\u00e7a a escrever a partir de Novembro de 1941, nove meses antes de que a Gestapo a tirar do convento para a levar para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz. No in\u00edcio do Ver\u00e3o de 1942 j\u00e1 tinha dado todo o texto a Ruth Kantorowich para o escrever \u00e0 m\u00e1quina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Estrutura e conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p>A <em>Ci\u00eancia da Cruz<\/em> (cujo t\u00edtulo original escrito por Edite era: \u00abA Ci\u00eancia da Cruz. Ao doutor da m\u00edstica e Pai dos carmelitas, Jo\u00e3o da Cruz, no 400 anivers\u00e1rio do seu nascimento\u00bb: <em>Kreuzeswissenschaft. Dem Kirchenlehrer der Mystik und Vater der<\/em> <em>Karmeliten Johannes vom Kreuz zum 400. Jahrestagen seiner Geburt)<\/em>, \u00e9 uma das obras steinianas mais conhecidas e difundidas. Pensada originalmente para ser publicada em 1942 por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o do IV centen\u00e1rio do nascimento de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, contudo, n\u00e3o ver\u00e1 a luz sen\u00e3o em 1950, como 1\u00ba volume da ESW.<\/p>\n<p>Edite pretende fundamentalmente fazer um estudo unit\u00e1rio e global da doutrina sanjoanina, tanto do ponto de vista biogr\u00e1fico, como doutrinal e experiencial. Esta obra. Contrariamente a quanto se veio afirmando, \u00e9 uma obra completa e conclu\u00edda. N\u00e3o apenas pela sua estrutura e conte\u00fado, mas porque o estudo do manuscrito e dos outros documentos, demonstram contundentemente que estava acabada (cf. OC V, 185 ss).<\/p>\n<p>A CC \u00e9 antes de tudo uma obra de espiritualidade carmelita. A inten\u00e7\u00e3o de Edite ao escrev\u00ea-la deve ser considerada como algo fundamental. Deixa-o bem claro no pr\u00f3logo da sua obra: \u00abNas p\u00e1ginas seguintes ser\u00e1 feita uma tentativa de compreender a Jo\u00e3o da Cruz na unidade da sua ess\u00eancia, tal como se depreende da sua vida e obras, de um ponto de vista que possibilite perceber esta unidade\u00a0 num s\u00f3 olhar. Por isso, n\u00e3o se oferecer\u00e1 nenhuma descri\u00e7\u00e3o da sua vida e nenhuma exposi\u00e7\u00e3o universal interpretativa da doutrina\u00bb (OC V, 201).<\/p>\n<p>Esta \u00abunidade da sua ess\u00eancia\u00bb vai descobri-la no sinal redentor da Cruz. A cruz como ci\u00eancia que \u00e9 vida. A cruz como \u00abforma \u00edntima\u00bb. A cruz como caminho m\u00edstico de transforma\u00e7\u00e3o em Cristo, como participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o esque\u00e7amos t\u00e3o-pouco o fim indirecto que se prop\u00f5e: \u00abo que autora julga ter compreendido das leis do ser e da vida espiritual ao longo dos esfor\u00e7os da sua vida\u00bb (ib. 202). Isto quer dizer, que em certo momento da obra, Edite vai procurar fazer-nos ver como o resultado de uma compreens\u00e3o \u00abcient\u00edfica\u00bb da vida espiritual do ser humano, coincide com a experi\u00eancia do M\u00edstico, ou melhor dito, encontra confirma\u00e7\u00e3o e esclarecimento nele.<\/p>\n<p>A obra est\u00e1 dividida em tr\u00eas partes que convergem para alcan\u00e7ar o objectivo da autora:<\/p>\n<p>Na primeira parte, titulada \u00abMensagem da cruz\u00bb, prop\u00f5e-se descobrir quais s\u00e3o os caminhos ou meios atrav\u00e9s dos quais a mensagem da cruz se foi\u00a0 impregnando na vida de Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Na segunda parte, \u00aba doutrina da cruz\u00bb,\u00a0 de longe a mais extensa e central, prop\u00f5e-se fazer uma leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de toda a obra sanjoanina desde uma chave que a unifique: a cruz vista como ci\u00eancia, ou dito de outro modo, a configura\u00e7\u00e3o com o mist\u00e9rio de Cristo em todas as suas fases. Nesta parte, al\u00e9m de analisar todos os escritos maiores do Santo, apresenta-os numa unidade ascendente, seleccionando aqueles textos e temas que aparecem essenciais no caminho do seguimento.<\/p>\n<p>A terceira e \u00faltima parte, \u00abseguimento da cruz\u00bb, \u00e9 a conclus\u00e3o e a demonstra\u00e7\u00e3o de toda a doutrina: como a vida de Jo\u00e3o segue os mesmos par\u00e2metros estabelecidos na sua doutrina. N\u00e3o se trata de uma fria e bela teoria, mas de uma pr\u00e1tica existencial configuradora: a sua vida e a sua morte s\u00e3o a prova disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 158-159.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/photos\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1246272\">Free-Photos<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1246272\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11238,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11237","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11237"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11239,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11237\/revisions\/11239"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}