{"id":11234,"date":"2021-01-06T07:00:51","date_gmt":"2021-01-06T07:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=11234"},"modified":"2021-01-06T18:39:38","modified_gmt":"2021-01-06T18:39:38","slug":"pensamento-de-edith-stein-dionisio-o-areopagita-caminhos-do-conhecimento-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-dionisio-o-areopagita-caminhos-do-conhecimento-de-deus\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | DION\u00cdSIO O AREOPAGITA. CAMINHOS DO CONHECIMENTO DE DEUS"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">DION\u00cdSIO O AREOPAGITA. CAMINHOS DO CONHECIMENTO DE DEUS<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>a) Em contacto com o Areopagita<\/strong><\/h4>\n<p>O interesse de Edite Stein pela figura e o pensamento de Dion\u00edsio o Areopagita come\u00e7a a tornar-se presente na sua obra <em>Ser finito e ser eterno<\/em>. Mas ser\u00e1 apenas em 1940 que afronta em cheio os escritos de a doutrina do Areopagita.<\/p>\n<p>Em 1940, enquanto se encontra no Carmelo de Echt, solicitam a sua colabora\u00e7\u00e3o para uma nova revista de fenomenologia americana: \u00abJournal of Philosophy and Phenomenological Research\u00bb (Cf. OC I, 1597). Edite prop\u00f5e um trabalho sobre o Areopagita, no qual trabalhar\u00e1 entre 1940 e 1941. Fruto do seu estudo das obras do Pseudo Dion\u00edsio surgir\u00e1, al\u00e9m disso, a tradu\u00e7\u00e3o dos seus escritos. Em pouco tempo Edite converteu-se numa grande conhecedora da doutrina do Areopagita. E fruto do seu trabalho ser\u00e3o os seguintes contributos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Tradutora dos escritos de Dion\u00edsio Areopagita<\/strong><\/p>\n<p>Podemos afirmar, com toda a probabilidade, que o objectivo de Edite n\u00e3o era publicar uma tradu\u00e7\u00e3o dos escritos do Areopagita em alem\u00e3o. Contudo, entre os materiais deixados por ela, conserva-se um grande manuscrito no qual verte a tradu\u00e7\u00e3o das obras de Dion\u00edsio. E ainda que por se tratar de uma tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresente \u00abmaior interesse\u00bb de difus\u00e3o noutras l\u00ednguas, diz-nos muito at\u00e9 que ponto mergulhou no pensamento do Areopagita.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es pelas quais Edite faz esta tradu\u00e7\u00e3o parecem obvias, embora na pr\u00e1tica se reduzam a uma: a inexist\u00eancia em l\u00edngua alem\u00e3 de uma edi\u00e7\u00e3o completa dos escritos do Areopagita. Dedicou-se possivelmente a este trabalho durante os meses de 1940 e primeiros de 1941. De facto, n\u00e3o parece que afronte o escrito <em>Caminhos do<\/em> <em>conhecimento de Deus<\/em>, at\u00e9 Mar\u00e7o de 1941 (cf. Ct 1364).<\/p>\n<p>Na obra Edite recolhe todos os escritos conservados se Dion\u00edsio Areopagita:<\/p>\n<ol>\n<li>Os nomes de Deus<\/li>\n<li>Hierarquia Celeste<\/li>\n<li>Hierarquia eclesi\u00e1stica<\/li>\n<li>Teologia m\u00edstica<\/li>\n<li>Cartas<\/li>\n<\/ol>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o destes escritos, tal como sucedeu com S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, foi passo pr\u00e9vio para penetrar mais profundamente na sua doutrina e poder elaborar um trabalho sobre ele. Esta tradu\u00e7\u00e3o permaneceu in\u00e9dita at\u00e9 ao presente. S\u00f3 recentemente foi publicada em ESGA volume 17, no ano de 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Os caminhos do conhecimento de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Tal como acabamos de afirmar, Edite escreve este artigo em Echt. Come\u00e7a a sua redac\u00e7\u00e3o no m\u00eas de Mar\u00e7o de 1941, e parece t\u00ea-lo conclu\u00eddo nos fins do m\u00eas de Maio. Numa carta datada a 13 de Junho afirma t\u00ea-lo j\u00e1 conclu\u00eddo: \u00abest\u00e1 a pass\u00e1-lo \u00e0 m\u00e1quina actualmente Ruth K. Antes de o publicar e continuar, enviei-o primeiro a Valkenburg, onde residem dois bons conhecedores do Pseudo-Dion\u00edsio, para ouvir um ju\u00edzo formal de pessoas competentes\u00bb (Ct 1374). Estas duas pessoas foram: Alois Lieske e o seu confessor Johannes Hirschmann. Este \u00faltimo respondeu-lhe a 21 de Agosto com algumas correc\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es (OC I, 1625 ss). O mesmo Hirchmann ser\u00e1 nomeado censor da mesma obra pelo bispo de Roerdmond. Dar\u00e1 o \u00abnihil obstat\u00bb a 11 de Setembro de 1941 (OC I, 1628).\u00a0 Obtida a licen\u00e7a de publica\u00e7\u00e3o enviou-o a Martin Farber, director da revista americana de fenomenologia. Este, por sua vez, enviou-o para sua tradu\u00e7\u00e3o a Rudolf Allers, ent\u00e3o residente na Am\u00e9rica e colaborador da revista \u00abThe Thomist\u00bb. Este senhor teve ocasi\u00e3o de conhecer a Edite numa das suas confer\u00eancias.<\/p>\n<p>O tema apresentado por Edite n\u00e3o \u00e9 o mais apropriado para uma revista de fenomenologia, ela o reconhece, e pensa public\u00e1-lo tamb\u00e9m na Holanda: \u00abDificilmente posso julgar se \u00e1 apropriado para a revista&#8230; parece-lhe que tamb\u00e9m possa aparecer aqui em tradu\u00e7\u00e3o holandesa?\u00bb (Ct 1378).<\/p>\n<p>Mas a publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontecer\u00e1 t\u00e3o depressa como era de esperar. E assim, embora fosse preparado para a revista americana <em>Journal of Philosophy and Phenomenological<\/em> <em>Research<\/em>, a sua primeira publica\u00e7\u00e3o aparecer\u00e1 finalmente na revista <em>Tijdschrift voor<\/em> <em>Philosophie<\/em>, Fevereio de 1942, pp. 27-74. Poucos meses depois ser\u00e1 publicado pela revista americana <em>The Thomist<\/em>, em Julho de 1944, pp. 376-420.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo definitivo do trabalho foi: <em>Caminhos do conhecimento de Deus<\/em>. <em>A \u201cteologia<\/em> <em>simb\u00f3lica\u201d do Areopagita e os seus pressupostos objectivos (Wege der<\/em> <em>Gotteserkenntnis. <\/em><em>Die \u201cSymboliche Theologie\u201d des Areopagiten und ihre sachliche<\/em> <em>Voraussetzungen)<\/em>. Na \u00faltima publica\u00e7\u00e3o espanhola (OC V, 125 ss) acrescentaram-se al\u00e9m disso, uma s\u00e9rie de p\u00e1ginas ou ap\u00eandices que, com toda a certeza, s\u00e3o folhas descartadas por Edite durante a elabora\u00e7\u00e3o e correc\u00e7\u00e3o final do escrito.<\/p>\n<p>A obra est\u00e1 dividida em duas partes muito desiguais. A primeira, mais breve, tem car\u00e1cter introdut\u00f3rio. Nela Edite afronta diversas quest\u00f5es que lhe interessa esclarecer: os escritos de Dion\u00edsio, a ontologia e o conhecimento no Areopagita, e os \u00abgraus\u00bb que estabelece na teologia.<\/p>\n<p>A segunda parte, muito mais ampla, afronta o tema da \u00abteologia simb\u00f3lica\u00bb. Em seis cap\u00edtulos vai analisando sucessivamente o tema. Enunciamo-los para dar uma vis\u00e3o mais vasta da tem\u00e1tica desenvolvida pela autora:<\/p>\n<ol>\n<li>Explica\u00e7\u00f5es da \u00abteologia simb\u00f3lica\u00bb a partir da obra do Areopagita<\/li>\n<li>O significado imediato e mediato dos nomes simb\u00f3licos<\/li>\n<li>O s\u00edmbolo como imagem<\/li>\n<li>A rela\u00e7\u00e3o da imagem e seus pressupostos em quem fala e em quem escuta. Apresenta aqui o que \u00e9 o conhecimento natural de Deus, a F\u00e9 e a experi\u00eancia sobrenatural de Deus<\/li>\n<li>A teologia simb\u00f3lica como v\u00e9u do mist\u00e9rio<\/li>\n<li>Graus de encobrimento e descobrimento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Conclui o escrito com uma nota final sobre a teologia simb\u00f3lica e as outras teologias.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 156-157.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/seaq68-4191072\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2942477\">Sven Lachmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2942477\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11235,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-11234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11234"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11234\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11236,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11234\/revisions\/11236"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}