{"id":1104,"date":"2017-06-15T10:38:23","date_gmt":"2017-06-15T09:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1104"},"modified":"2017-06-15T10:38:23","modified_gmt":"2017-06-15T09:38:23","slug":"ide-anunciar-o-evangelho-da-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/ide-anunciar-o-evangelho-da-misericordia\/","title":{"rendered":"IDE ANUNCIAR O EVANGELHO DA MISERIC\u00d3RDIA"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/h5>\n<p><strong>O entusiasmo das multid\u00f5es em seguir Jesus contrasta radicalmente com a hostilidade dos fariseus. Aquelas, desde o in\u00edcio, seguem-no encantadas com os seus ensinamentos; estes chocados com o seu proceder, desconfiam cada vez mais da novidade que anuncia e das pretens\u00f5es que revela. A situa\u00e7\u00e3o daquelas desperta em Jesus sentimentos de compaix\u00e3o benevolente; e a reac\u00e7\u00e3o destes provoca em Jesus uma atitude de aten\u00e7\u00e3o vigilante. Ningu\u00e9m fica indiferente. Cada um, a seu modo, vai tomando partido. E hoje? A realidade d\u00e1-nos sinais contrastantes que muito nos interpelam.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O movimento espont\u00e2neo da Galileia surge a partir da ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de Jesus que percorre cidades e aldeias e ensina nas sinagogas, anuncia a boa nova do Reino de Deus e cura toda a esp\u00e9cie de doen\u00e7as. Mateus, o autor que narra os factos, faz-nos advertir num modo original de proceder: Ver a realidade, sentir compaix\u00e3o, agir no presente, prevendo e acautelando o futuro. O cansa\u00e7o e o abatimento das multid\u00f5es estavam relacionados com a falta de pastores, de serem como rebanho abandonado e esquecido. O amor compassivo torna-se criativo e nasce o projecto de prover a que haja quem cuide do povo de Deus e tenha em conta o exemplo de Jesus, o Bom Pastor, como ele mesmo afirmar\u00e1 mais tarde. Cuide e sirva.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A poetisa chilena, Gabriela Mistral, 1889-1957, (aaldeia.net) d\u00e1 rosto liter\u00e1rio \u00ab\u00e0 imensa alegria de servir\u00bb em versos cheios de realismo e de verdade. Transcrevem-se alguns:<\/strong><\/p>\n<p><strong>H\u00e1 a alegria de ser sincero e de ser justo; h\u00e1, por\u00e9m, mais do que isso, a imensa alegria de servir. Como seria triste o mundo se tudo j\u00e1 estivesse feito, se n\u00e3o houvesse uma roseira para plantar, uma iniciativa para lutar! N\u00e3o te seduzam as obras f\u00e1ceis. \u00c9 belo fazer tudo o que os outros se recusam a executar. N\u00e3o cometas, por\u00e9m, o erro de pensar que s\u00f3 tem merecimento executar as grandes obras; h\u00e1 pequenos pr\u00e9stimos que s\u00e3o bons servi\u00e7os: enfeitar uma mesa, arrumar uns livros, pentear uma crian\u00e7a\u2026 Deus, que nos d\u00e1 fruto e luz, serve. Poderia chamar-se: o Servidor. E tem os seus olhos fixos nas nossas m\u00e3os e pergunta-nos todos os dias: Serviste hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>O primeiro passo do projecto de Jesus, que se manter\u00e1 para sempre, consiste em pedir ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. \u00c9 feito em linguagem rural e agr\u00edcola, mas que se alarga a todas as culturas, Mateus apresenta duas verdades sublimes: a seara\/o povo \u00e9 de Deus; a primeira atitude do disc\u00edpulo\/crist\u00e3o \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o humilde e confiante. Verdades que servem de refer\u00eancia constante \u00e0 ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica de todos os tempos. Em sintonia afectiva com o \u00fanico Senhor da miss\u00e3o, aferida no di\u00e1logo de ora\u00e7\u00e3o insistente, encontra o trabalhador da messe a verdade do seu pensar e a norma do seu agir.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A esta recomenda\u00e7\u00e3o primeira, segue-se o chamamento daqueles que j\u00e1 tinham alguma familiaridade com Jesus. Mateus d\u00e1-lhes o nome de ap\u00f3stolos e indicam que s\u00e3o doze. Esta precis\u00e3o \u00e9 significativa: N\u00e3o h\u00e1 gente an\u00f3nima, cada pessoa tem nome pr\u00f3prio e, \u00e0s vezes, apelido; o n\u00famero doze dos escolhidos simboliza todo o povo de Deus, como outrora as dozes tribos de Israel. A familiaridade ser\u00e1 crescente e amadurecer\u00e1 no dia-a-dia com surpresas agrad\u00e1veis e com fracassos rotundos. Alguns, como Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, ter\u00e3o momentos especiais de proximidade e de confid\u00eancia. Em toda a caminhada por vilas e aldeias, os ap\u00f3stolos sentem o apelo a centrarem as suas aten\u00e7\u00f5es na novidade de Jesus: o Reino que anuncia e est\u00e1 em realiza\u00e7\u00e3o. Apelo que \u00e9 de sempre. Especialmente numa \u00e9poca, como a nossa, marcada pela cultura do ego\u00edsmo e da acomoda\u00e7\u00e3o, da indiferen\u00e7a e do \u201cdescarte\u201d. O cultivo do ego acentua a avareza dos sentimentos e da rela\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cTem-se muitas vezes a tenta\u00e7\u00e3o de negar ao pr\u00f3ximo n\u00e3o tanto o dinheiro (um gesto de caridade por vezes n\u00e3o custa muito e p\u00f5e a consci\u00eancia em paz) mas sobretudo o pr\u00f3prio tempo na escuta, na proximidade, na ternura, afirma o Cardeal Ravasi, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura. Paradoxalmente esta avareza \u00e9 muito mais s\u00e9ria porque recusa n\u00e3o tanto um bem material, ainda que importante, mas uma realidade \u00edntima e profunda que n\u00e3o pode ser adquirida. Todos, creio, devemos confessar termos dito n\u00e3o a quem queria apenas ouvir-nos ao telefone para ter uma palavra boa, ter evitado quem desejava ser escutado, ter recusado a companhia a uma pessoa s\u00f3 e doente. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma avareza mesquinha\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Centrados no an\u00fancio do Reino (cujos valores fundamentais s\u00e3o em Jesus Cristo a verdade para a intelig\u00eancia, a liberdade para pensar e agir, a mansid\u00e3o e humildade para se expressar, a justi\u00e7a e a paz para edificar a sociedade e revelar a dignidade humana), os ap\u00f3stolos s\u00e3o enviados em miss\u00e3o. E partem pelos caminhos do Imp\u00e9rio romano, procurando chegar onde as pessoas se encontram; pelas vias da cultura, ajudando-a a assumir e valorizar a riqueza das suas m\u00faltiplas express\u00f5es; pelas sendas do esp\u00edrito, estimulando a liberta\u00e7\u00e3o de preconceitos inibidores e favorecendo a abertura ao Transcendente e \u00e0 comunh\u00e3o com Deus em Jesus Cristo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ide! Os caminhos s\u00e3o novos, a miss\u00e3o \u00e9 de sempre. H\u00e1 novos rostos, novas linguagens, novas proximidades de lonjuras quase esquecidas, o amor de miseric\u00f3rdia est\u00e1 em todos e perpasse pelos gestos de cada um.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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