{"id":10984,"date":"2020-11-30T17:57:30","date_gmt":"2020-11-30T17:57:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10984"},"modified":"2020-11-30T17:58:11","modified_gmt":"2020-11-30T17:58:11","slug":"pe-georgino-rocha-advento-do-natal-domingo-ii-preparai-a-chegada-do-mais-forte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-advento-do-natal-domingo-ii-preparai-a-chegada-do-mais-forte\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | ADVENTO DO NATAL: DOMINGO II &#8211; Preparai a chegada do mais forte"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>\u00a0Pe. <\/strong><strong><em>Georgino Rocha\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Que estranha figura escolhe Marcos para abrir o cen\u00e1rio do in\u00edcio \u00e0 narra\u00e7\u00e3o do Evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus! Que protagonista desconcertante nos vem fazer apelo t\u00e3o interpelante e dar not\u00edcia t\u00e3o alegre! Que multid\u00f5es, dos campos e de cidades, cheias de expectativas, acorrem a ouvir Jo\u00e3o Baptista e os seus exigentes apelos de convers\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Estas exclama\u00e7\u00f5es cont\u00eam interroga\u00e7\u00f5es que encontram resposta na proclama\u00e7\u00e3o da mensagem que nos chega dos crist\u00e3os de Roma e foi redigida um pouco antes da destrui\u00e7\u00e3o do Tempo de Jerusal\u00e9m (ano 70 da nossa era).\u00a0<em>Mc 1, 1-8.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cA sua mensagem \u00e9 um testemunho vivo de um homem que est\u00e1 consciente das prioridades e n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia aos aspectos secund\u00e1rios da vida como sejam roupas de marca, comer ou beber. Ser mensageiro que prepara o caminho para o Messias, denuncia o pecado, anuncia o perd\u00e3o e disp\u00f5e o homem a converter-se\u201d. A. G. Dalla Costa, CS, Brasil.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A figura de Jo\u00e3o \u00e9 estranha, desconcertante, irreverente, subversiva. A sua retirada para o deserto assemelha-se \u00e0 de Elias: contesta\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios imperantes nas classes dirigentes, pol\u00edticas e religiosas, den\u00fancia do sistema social estabelecido, apelo veemente \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da estrutura\u00e7\u00e3o da sociedade e ao estilo de vida s\u00f3bria, reduzida ao essencial. O deserto surge como espa\u00e7o de encontro com Deus, prop\u00edcio para escutar a voz da consci\u00eancia em suas aspira\u00e7\u00f5es fundamentais, distante dos interesses e dos privil\u00e9gios dos poderosos, liberto de temores e de repres\u00e1lias, das simples apar\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O seu vestu\u00e1rio acentua a semelhan\u00e7a com o profeta da \u201climpeza\u201d religiosa, do regresso \u00e0 pureza das origens, da autenticidade nas rela\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis de uns com outros, do culto genu\u00edno a Deus. A voz autorizada de Jo\u00e3o devia ser escutada; ele era o grande profeta esperado pelo povo. Afirma a sua miss\u00e3o de precursor, de quem vem a preparar os caminhos e a querer endireitar as veredas entortadas pelos desvios sociais e religiosos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A sua prefer\u00eancia pelo alimento, que nasce e cresce no deserto. \u00e9 sintom\u00e1tica: recusa do que nasce da sociedade corrupta, da \u201crede\u201d comercial fraudulenta, da injusta reparti\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da terra. O deserto, na sua nudez austera, oferece uma alternativa simb\u00f3lica: a de buscar o essencial puro e aut\u00eantico, o indispens\u00e1vel que evita pesos na viagem e facilita a travessia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jo\u00e3o, homem \u00edntegro e consistente, anuncia uma mensagem libertadora: Vai chegar quem \u00e9 mais forte do que eu. Mais forte no testemunho do amor e do servi\u00e7o; na den\u00fancia da riqueza que \u201camarra\u201d o cora\u00e7\u00e3o e a disponibilidade; na defesa da vida e dos seus direitos e deveres humanizados; na frontalidade serena com que se op\u00f5e aos exploradores dos humildes e simples do povo; na entrega, sem reservas, \u00e0 miss\u00e3o que o Pai lhe confia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mais forte do que eu pelo Esp\u00edrito que transforma e anima. A boa nova \u00e9 Jesus, o Filho de Deus que se faz humano para nos ensinar a viver e apreciar a nossa comum humanidade e nos desvendar a sua fonte inesgot\u00e1vel: o amor de Deus Pai, fundamento da nossa confian\u00e7a filial, da nossa comum fraternidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Marcos, com sentido prof\u00e9tico, adverte-nos de que faz apenas o in\u00edcio do Evangelho de Jesus; in\u00edcio que n\u00e3o pode acabar com a escrita do texto, mas tem de continuar em todos os tempos, particularmente nos tempos mais dif\u00edceis, de persegui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, de progressivo despojamento de tudo, at\u00e9 da pr\u00f3pria vida. Vivemos estes tempos em muitos pa\u00edses, tamb\u00e9m entre n\u00f3s, ainda que em surdina, mas com efeitos vis\u00edveis. Por isso, continua a urg\u00eancia de fazer soar a boa nova da espera activa e vigilante, sobretudo nestes tempos de pandemia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Acolhamos a recente mensagem dos nossos Bispos: \u201cO Deus do Advento vem para o meio desta pandemia, pega na nossa m\u00e3o, muda o nosso cora\u00e7\u00e3o e envia-nos a mudar a situa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 aberta a oficina do Advento: enquanto uns se afadigam na vacina, outros nos hospitais, outros nos lares, nas farm\u00e1cias, na padaria, empenhemo-nos todos em encher este mundo de Paz, de Esperan\u00e7a e de \u2018Bom-Dia\u2019, \u00e0 imagem e sob a prote\u00e7\u00e3o maternal de Maria\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem<i>: Jo\u00e3o Batista a pregar no deserto<\/i> |\u00a0Anton Raphael Mengs &#8211;\u00a01760<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10985,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,14],"tags":[],"class_list":["post-10984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10984"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10988,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10984\/revisions\/10988"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}