{"id":10956,"date":"2020-12-09T07:00:49","date_gmt":"2020-12-09T07:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10956"},"modified":"2020-11-30T12:34:51","modified_gmt":"2020-11-30T12:34:51","slug":"cultura-devida-por-uma-cultura-da-vida-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/cultura-devida-por-uma-cultura-da-vida-2\/","title":{"rendered":"Cultura (de)vida | Por uma cultura da vida 2"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Cultura de|vida | Parceria com a Associa\u00e7\u00e3o <em>In familia<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com esta reflex\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o In Familia d\u00e1 continuidade a uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es, na defesa da cultura da vida, com a colabora\u00e7\u00e3o dos seus amigos e associados, numa altura em que algumas for\u00e7as pol\u00edticas insistem na tentativa de legalizar a morte a pedido.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201ceutan\u00e1sia\u201d teve, ao longo dos tempos, v\u00e1rios significados. Etimologicamente, \u00a0significa apenas \u201cboa morte\u201d. No entanto, adquiriu outro sentido, bastante mais espec\u00edfico: proporcionar a morte sem dor, \u00e0s pessoas que sofrem.\u00a0 Este sentido, por\u00e9m, \u00e9 muito amb\u00edguo, visto que, a eutan\u00e1sia, assim entendida, pode significar realidades n\u00e3o s\u00f3 muito diferentes, como tamb\u00e9m opostas entre si, como seria, por exemplo, dar a morte a um rec\u00e9m nascido deficiente, que se presumisse que iria ter uma vida com muitas limita\u00e7\u00f5es. De igual modo, seria prestar ajuda a um suicida para que consumasse o seu prop\u00f3sito, ou a elimina\u00e7\u00e3o de um idoso, sobre o qual se pressup\u00f5e que n\u00e3o vive j\u00e1 uma vida digna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma mais clara, entende-se hoje a eutan\u00e1sia como o chamado homic\u00eddio por compaix\u00e3o, isto \u00e9, causar a morte de outr\u00e9m por piedade, em presen\u00e7a do seu sofrimento, ou atendendo ao seu desejo de morrer, por v\u00e1rias raz\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, \u00e9 de grande import\u00e2ncia o significado das palavras nesta mat\u00e9ria, porque a pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia, pode aparecer como um crime para uns, ou como um ato de miseric\u00f3rdia ou uma \u201cmorte digna\u201d \u00a0para outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate sobre a eutan\u00e1sia deixaria de existir, se todos fal\u00e1ssemos a mesma linguagem e outorg\u00e1ssemos ao termo, id\u00eantico significado. Al\u00e9m disso, o debate tamb\u00e9m seria mais claro, se todos entendessem o que est\u00e1 em jogo: causar a morte de algu\u00e9m, com o seu consentimento ou n\u00e3o, a fim de lhe evitar sofrimentos de v\u00e1ria ordem, que fossem considerados insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerada a eutan\u00e1sia desta forma, existem pessoas e grupos partid\u00e1rios de a legalizar, atribuindo-lhe uma certa respeitabilidade social, porque interpretam que a vida humana n\u00e3o deve ser vivida, se n\u00e3o estiverem reunidas as condi\u00e7\u00f5es de plenitude. Outros, pelo contr\u00e1rio, consideram que a vida humana \u00e9 um bem superior e um direito inalien\u00e1vel, que n\u00e3o pode estar \u00e0 merc\u00ea da decis\u00e3o de outros nem do pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos a eutan\u00e1sia como \u00a0a atua\u00e7\u00e3o cujo objeto \u00e9 causar a morte a um ser humano para lhe evitar sofrimentos, a pedido do pr\u00f3prio, por este considerar que a sua vida carece da qualidade m\u00ednima para merecer o qualificativo de \u201cdigna\u201d. Assim considerada, a eutan\u00e1sia \u00e9 sempre uma forma de homic\u00eddio, visto implicar que um ser humano cause a morte a outro, mediante a omiss\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o e cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E porque defendemos esta posi\u00e7\u00e3o? Porque nela se re\u00fanem os elementos essenciais que configuram um fen\u00f3meno complexo, como \u00e9 a eutan\u00e1sia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A morte aparece como aquilo que se procura e est\u00e1 presente na inten\u00e7\u00e3o de quem pratica a eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pode produzir-se por a\u00e7\u00e3o (administrar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas mortais) ou por omiss\u00e3o (negar a assist\u00eancia m\u00e9dica devida). O que se procura \u00e9 a morte da pessoa supostamente requerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m esclarecer que o sentimento subjetivo de se estar a eliminar a dor ou as defici\u00eancias alheias, constitui um elemento necess\u00e1rio na eutan\u00e1sia porque, em caso contr\u00e1rio, estar\u00edamos em presen\u00e7a de outras formas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspeto n\u00e3o menos pertinente, \u00e9 o que se refere \u00e0s diversas formas de eutan\u00e1sia, dependentes tamb\u00e9m do significado que se aplique ao termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da v\u00edtima, a eutan\u00e1sia pode ser volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria, de acordo com o facto de ser solicitada por quem deseja a morte ou n\u00e3o: perinatal, ag\u00f3nica, ps\u00edquica ou social, quando aplicada a rec\u00e9m nascidos ou deficientes, a doentes terminais, a afetados por les\u00f5es cerebrais irrevers\u00edveis, ou a idosos ou outras pessoas consideradas socialmente improdutivas, etc. Alguns falam de auto eutan\u00e1sia, referindo-se ao suic\u00eddio, mas tal n\u00e3o constitui propiamente uma forma de eutan\u00e1sia, ainda que muitos dos seus patrocinadores defendam o direito ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista de quem a pratica, distingue-se entre eutan\u00e1sia ativa ou passiva, conforme se provoque a morte a outrem por a\u00e7\u00e3o ou por omiss\u00e3o, ou entre eutan\u00e1sia direta ou indireta; a primeira seria a que procura objetivamente a morte e a segunda a que procura mitigar a dor, mesmo sabendo que tal tratamento pode encurtar efetivamente a vida do paciente. No entanto, esta \u00faltima n\u00e3o pode chamar-se propriamente eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode acontecer que se questione se a dor e a morte fazem parte da vida ou se ser\u00e3o apenas obst\u00e1culos a uma vida plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, a dor e a morte fazem parte da vida humana, desde que nascemos no meio das dores do parto da nossa m\u00e3e, at\u00e9 que morremos, causando dor aos que nos amam. Ao longo da nossa exist\u00eancia, a dor f\u00edsica ou moral, est\u00e1 presente em todas as biografias humanas, j\u00e1 que ningu\u00e9m \u00e9 alheio \u00e0 dor; confirma-o a experi\u00eancia pessoal de cada um e a literatura universal, em que a experi\u00eancia da dor \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 motivo de inspira\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m de constante reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a morte \u00e9 o destino inevit\u00e1vel de todos, uma etapa na vida dos seres vivos que, queiramos ou n\u00e3o, constitui o horizonte natural do processo vital. A morte \u00e9 o fim previsto da vida, ainda que incerta quanto ao momento e \u00e0s circunst\u00e2ncias em que surge; portanto, faz parte de n\u00f3s porque nos afeta diretamente, bem como aos que nos rodeiam, porque o facto de termos de morrer, pode determinar a forma como vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor e a morte n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos \u00e0 nossa vida, s\u00e3o dimens\u00f5es ou fases que atravessamos. Obst\u00e1culo \u00e0 vida \u00e9 a atitude de quem se nega a admitir a naturalidade destes factos constitutivos da vida sobre a terra, tentando fugir deles como se fossem totalmente evit\u00e1veis, at\u00e9 ao ponto de converter tal fuga no valor supremo: a nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria realidade, que pode chegar tornar-se causa de desumaniza\u00e7\u00e3o e de frustra\u00e7\u00e3o vital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais: a dor e o sofrimento, como qualquer outra dimens\u00e3o natural da vida humana, tamb\u00e9m tem um valor positivo, quando nos ajuda a compreender a nossa natureza e as suas limita\u00e7\u00f5es e quando sabemos integr\u00e1-los no nosso processo de amadurecimento. Faz parte da experi\u00eancia universal, que a dor n\u00e3o se pode evitar totalmente e que pode ser fonte de humaniza\u00e7\u00e3o pessoal e de solidariedade social. A experi\u00eancia da humanidade \u00e9 que a dor, se a admitimos como uma dimens\u00e3o contra a qual podemos lutar, mas \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00e9 uma escola que pode contribuir para que existam vidas mais plenas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/geralt-9301\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=97986\">Gerd Altmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=97986\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura de|vida |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10957,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-10956","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-devida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10956"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10958,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10956\/revisions\/10958"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}