{"id":10950,"date":"2020-12-02T07:00:39","date_gmt":"2020-12-02T07:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10950"},"modified":"2020-11-30T12:30:44","modified_gmt":"2020-11-30T12:30:44","slug":"cultura-devida-por-uma-cultura-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/cultura-devida-por-uma-cultura-da-vida\/","title":{"rendered":"Cultura (de)vida | Por uma cultura da vida"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Cultura de|vida | Parceria com a Associa\u00e7\u00e3o <em>In familia<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esta reflex\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o In Familia d\u00e1 in\u00edcio a uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es, na defesa da cultura da vida, com a colabora\u00e7\u00e3o dos seus amigos e associados, numa altura em que algumas for\u00e7as pol\u00edticas insistem na tentativa de legalizar a morte a pedido. Vivemos numa dif\u00edcil circunst\u00e2ncia pand\u00e9mica, a qual requer todos os esfor\u00e7os para defendermos a vida humana e este \u00e9 que devia, naturalmente, ser o foco de todas as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos anos da vida pol\u00edtica, social e familiar, foram marcados por v\u00e1rias iniciativas fraturantes, que t\u00eam o claro objetivo de alterar o nosso paradigma civilizacional. Tais iniciativas, partem da reivindica\u00e7\u00e3o de supostos direitos individuais, baseados na pseudo supremacia de um novo indiv\u00edduo de categoria quase divina, e assentam em \u00a0falsos conceitos de dignidade, de liberdade e de autonomia pessoal. Al\u00e9m disso, o discurso utilizado, recorrendo a apurados eufemismos, vai granjeando incautos adeptos; uns, por clara desinforma\u00e7\u00e3o e outros porque v\u00eaem nessa linha de pensamento um fil\u00e3o de eventuais eleitores. Foi assim com a quest\u00e3o do aborto e \u00e9 assim com a quest\u00e3o da eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uitlizando express\u00f5es como \u201cmorte digna\u201d, apregoa-se o direito \u00e0 eutan\u00e1sia ou ao suic\u00eddio assistido. Ora, como muito bem refere Vicenzo Paglia, \u00aba morte digna n\u00e3o \u00e9 a que encurta a vida\u00bb. Ajudar a uma morte digna \u00e9 deixar viver e acompanhar quem est\u00e1 a passar pelos \u00faltimos momentos da sua exist\u00eancia, apertando-lhe a m\u00e3o, mostrando-lhe afeto, acariciando-o e sem o deixar s\u00f3. A dignidade \u00e9 estar uns ao lado dos outros, querendo-nos bem, perdoando-nos, quando h\u00e1 problemas. A dignidade manifesta-se na fraternidade humana, no acompanhamento pessoal e afetivo, para que os \u00faltimos tempos da nossa vida terrena n\u00e3o sejam momentos de dor nem de abandono, mas tempos em que a dor possa ser, inclusivamente, derrotada ou minimizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As s\u00faplicas dos doentes graves e deprimidos que pedem a morte s\u00e3o, na maioria dos casos, pedidos de ajuda, pedidos de afeto. Todos os dias os m\u00e9dicos e os enfermeiros escutam estas palavras de desespero, e todos os dias respondem com palavras de \u00e2nimo e de conforto. Esta \u00e9 a luta di\u00e1ria daqueles que prestam cuidados de sa\u00fade; a luta contra a doen\u00e7a e o sofrimento, preservando a vida. A morte n\u00e3o deve ser abreviada, mas antes humanizada, garantindo-se os cuidados de sa\u00fade necess\u00e1rios, nomeadamente, o al\u00edvio do sofrimento atrav\u00e9s dos cuidados paliativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos sabemos que a etapa final da vida n\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda propriamente pela perfei\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, pelo contr\u00e1rio. \u00c9 natural que os idosos e os doentes necessitem de cuidados dos familiares e das estruturas competentes no \u00e2mbito m\u00e9dico e social. N\u00e3o obstante, \u00e9 dever de todos cuidar deles, para que jamais se sintam s\u00f3s e abandonados, caindo, assim, na falta de esperan\u00e7a. Uma coisa seria, esgotadas as hip\u00f3teses de cura e para n\u00e3o cair na obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, a fam\u00edlia, em articula\u00e7\u00e3o com os m\u00e9dicos, decidir desligar a m\u00e1quina que suporta uma vida invi\u00e1vel; outra coisa seria uma pessoa <em>escolher a morte no card\u00e1pio do hospital<\/em>,<em> numa decis\u00e3o desesperada,<\/em> na express\u00e3o de Henrique Raposo. Um acamado que pede para morrer j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um homem dotado de livre arb\u00edtrio, \u00e9 apenas um homem reduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de animal acossado pela biologia. O nosso dever \u00e9 evitar essa queda na condi\u00e7\u00e3o animal.\u00a0De facto, uma pessoa muito idosa, um doente terminal, ou em grande sofrimento, \u00e9 algu\u00e9m cuja raz\u00e3o e vontade est\u00e3o necessariamente toldadas pela idade ou pela sua dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por este motivo, \u00e9 pouco razo\u00e1vel invocar o direito \u00e0 liberdade individual, para justificar a eutan\u00e1sia ou o suic\u00eddio assistido. Por outro lado, ningu\u00e9m \u00e9 senhor absoluto de si, pois ningu\u00e9m vive para si mesmo, e quando algu\u00e9m morre n\u00e3o morre apenas para si mesmo. Ningu\u00e9m vive sem deixar rasto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urge, pois, recuperar o melhor da nossa civiliza\u00e7\u00e3o: durante s\u00e9culos, in\u00fameras fam\u00edlias, organiza\u00e7\u00f5es e comunidades cuidaram dos mais vulner\u00e1veis e continuam a faz\u00ea-lo. Por isso, todos sabemos, de alguma forma, o que significa acompanhar de perto e cuidar dos que enfrentam situa\u00e7\u00f5es de sofrimento f\u00edsico ou psicol\u00f3gico. Precisamos, por\u00e9m, enquanto sociedade, de robustecer a capacidade de atendimento e acolhimento aos mais d\u00e9beis, no que diz respeito a recursos humanos, f\u00edsicos e estruturais, a fim de cumprirmos a nobre miss\u00e3o de respeitar incondicionalmente a vida humana e proteger os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Incur\u00e1vel n\u00e3o significa incuid\u00e1vel!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E\u2026 cuidar \u00e9 amar!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/geralt-9301\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=960448\">Gerd Altmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=960448\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura de|vida |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10952,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-10950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-devida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10950"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10955,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10950\/revisions\/10955"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}