{"id":10944,"date":"2020-12-10T07:00:57","date_gmt":"2020-12-10T07:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10944"},"modified":"2020-11-30T12:12:38","modified_gmt":"2020-11-30T12:12:38","slug":"miguel-panao-direitos-humanos-para-o-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/miguel-panao-direitos-humanos-para-o-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Miguel Pan\u00e3o | Direitos Humanos para o S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-9485\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-844x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"129\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-844x1024.jpeg 844w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-247x300.jpeg 247w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-768x932.jpeg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-600x728.jpeg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-850x1031.jpeg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o-480x582.jpeg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Miguel-Pan\u00e3o.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 129px) 100vw, 129px\" \/>O mundo alterou-se de tal modo nos \u00faltimos anos que poder\u00e1 ter chegado o momento de pensar em <em>\u201dDireitos Humanos\u201d<\/em> que, antes, seria inconceb\u00edvel serem pensados. Mas, para isso, conv\u00e9m entender a g\u00e9nese destes direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pre\u00e2mbulo da <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/UDHR\/Pages\/Language.aspx?LangID=por\">Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/a> (DUDH) reconhece a dignidade da pessoa humana, a sua liberdade, a necessidade de ser protegida, o valor da amizade e fraternidade universal, a igualdade entre os homens e as mulheres, e a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento dos povos na sua diversidade cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica, o ser humano reconhece-se como consciente de si mesmo, dos outros, e do mundo natural que o abriga no vasto oceano c\u00f3smico onde emerge como uma parte inextrinc\u00e1vel. Mas, o que aconteceu no s\u00e9culo XXI que pode levar-nos a pensar em mais direitos para al\u00e9m dos existentes nos 30 artigos da Declara\u00e7\u00e3o Universal?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Direito Humano \u00e0 Vacina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coronav\u00edrus SARS-CoV-2 alterou a face do planeta quando alterou, subitamente, os nossos ritmos e modos de vida. Mais do que ser uma doen\u00e7a epid\u00e9mica, encurtou a vida de centenas de milhares de pessoas que n\u00e3o conseguir\u00e3o viver o pr\u00f3ximo Natal com as suas fam\u00edlias. Nem sequer com os filhos a que deram \u00e0 luz como a americana Ke&#8217;Lin Dillard, falecida de Covid-19 com 29 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corrida \u00e0 vacina fez-se num tempo recorde como nunca antes na hist\u00f3ria humana, mas quem a poder\u00e1 tomar? Toda a vacina contra doen\u00e7as epid\u00e9micas desta natureza deveria ser considerada um Bem da Humanidade. Um Direito Humano que nenhuma quest\u00e3o econ\u00f3mica deveria obstacular.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Direito Humano aos Dados Digitais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a perspectiva de que <a href=\"https:\/\/setemargens.com\/a-ilha-da-verdade-no-oceano-da-desinformacao\/\">no final de 2027<\/a>, todo o planeta possa estar ligado \u00e0 internet, significa que todos estaremos a deixar pelos servidores do mundo uma pegada digital. O <a href=\"https:\/\/www.wired.com\/amp-stories\/cambridge-analytica-explainer\/\">esc\u00e2ndalo<\/a> da <em>Cambridge Analitica<\/em> aquando das elei\u00e7\u00f5es americanas em 2016, demonstrou a capacidade de usar-se essa pegada digital que deixamos para manipular, cirurgicamente, um pequeno grupo de pessoas, por\u00e9m, suficiente para ter dado vit\u00f3ria a Donald Trump. Tudo atrav\u00e9s de algoritmos que sabem como orientar os conte\u00fados que visualizamos, e conseguem aferir os nossos estados emocionais mediante o modo como <em>reagimos<\/em> ao que vemos. \u00c9 assustador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo acontece por n\u00e3o possuirmos qualquer direito sobre os dados digitais que a nossa navega\u00e7\u00e3o pela internet produz. O artigo 17\u00ba da DUDH fala de propriedade, mas sem sabermos o que est\u00e3o a colectar sobre n\u00f3s enquanto navegamos pela net, a privacidade torna-se um conceito enublado. De facto, mesmo inconscientemente, oferecemos o que nos caracteriza em troca de servi\u00e7os \u201cgr\u00e1tis\u201d que alimentam a nossa sede de entretenimento e valida\u00e7\u00e3o digital. Este parece-me se o maior atentado aos Direitos Humanos, isto \u00e9, quando nos induzem a abdicar deles por efemeridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Direito Humano \u00e0 Solitude<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solid\u00e3o que muitos experimentaram durante os per\u00edodos de confinamento adv\u00e9m da gradual perda da capacidade de se estar junto com os pensamentos. Podemos estar sozinhos, mas n\u00e3o s\u00f3s. Faltam os espa\u00e7os de solitude. Antes, quem sa\u00eda de casa n\u00e3o corria o risco de ver os seus pensamentos interrompidos por uma chamada via telem\u00f3vel. Mas, hoje, \u201ctemos\u201d de estar sempre contact\u00e1veis (n\u00e3o v\u00e1 acontecer alguma coisa). \u00c9 o medo de perder alguma coisa (FOMO &#8211; <em>Fear-Of-Missing-Out<\/em>). Mas, com a incapacidade de sair de casa sem o telem\u00f3vel, assistimos \u00e0 perda dos espa\u00e7os para estarmos em solitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solitude \u00e9 o espa\u00e7o que assegura podermos viver no tempo certo. Aquele que n\u00e3o entra na sequ\u00eancia de eventos, mas que vem at\u00e9 n\u00f3s para nos surpreender, criar mem\u00f3ria, e dar-nos um sabor de eternidade. A conectividade online permanente veio retirar o Direito Humano ao espa\u00e7o de solitude para vivermos o tempo certo (ou tempo kairol\u00f3gico).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Direito Humano \u00e0 Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o pela qual as grandes companhias como o Facebook, Twitter, etc., fazem milhares de milh\u00f5es de Euros ao fim de um ano \u00e9, \u00fanica e exclusivamente, por terem a capacidade de consumir a nossa aten\u00e7\u00e3o. Com poderosos algoritmos a avaliar o nosso \u201cestado de alma\u201d, estas empresas conseguem garantir aos <em>advertisers<\/em> a possibilidade de captarem a nossa aten\u00e7\u00e3o para o seu produto, e isso paga-se bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada notifica\u00e7\u00e3o sonora capta a nossa aten\u00e7\u00e3o. Cada \u201cGosto\u201d mant\u00e9m-nos a deslizar o dedo, e o tempo, pelo pequeno, m\u00e9dio ou grande ecr\u00e3. O gesto que fazemos para actualizar o mural (deslizar o dedo de cima para baixo) \u00e9 o mesmo que se faz numa alavanca das m\u00e1quinas de jogos em casinos. N\u00e3o \u00e9 por acaso, mas desenhado por sabermos o efeito que tem sobre o nosso c\u00e9rebro e psicologia de compensa\u00e7\u00e3o, libertando a dopamina que nos d\u00e1 um sentido de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem nos damos conta, mas, gradualmente, estamos, tamb\u00e9m, a perder o Direito Humano a saber onde colocar a nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ser\u00e3o estes realmente Direitos Humanos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem pense que produzir uma vacina \u00e9 um investimento tal que n\u00e3o se compatibiliza com a sua oferta a qualquer pessoa para bem da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem pense que as pessoas s\u00f3 usam as redes sociais, e produzem dados digitais sobre si mesmas, porque querem usufruir dos servi\u00e7os que os colectam gratuitamente. Logo, o pre\u00e7o nem \u00e9 t\u00e3o elevado assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem pense que podemos deixar o telem\u00f3vel em casa, sair e usufruir da solitude, se \u00e9 isso que, realmente, desejamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem pense que s\u00f3 captam a nossa aten\u00e7\u00e3o porque deixamos que o fa\u00e7am. Pois, temos sempre a escolha sobre a que \u00e9 que decidimos prestar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quantos ficar\u00e3o sem vacina se essa tiver um pre\u00e7o incomport\u00e1vel e n\u00e3o houver apoios? E quantas mulheres n\u00e3o se d\u00e3o conta de estarem gr\u00e1vidas depois das empresas come\u00e7arem a sugerir an\u00fancios de fraldas (sim, j\u00e1 aconteceu)? E quantos nem sabem j\u00e1 o que \u00e9 estar junto com os seus pensamentos? E, por fim, quantos relacionamentos se desfazem por se ter deixado de saber prestar aten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Direitos Humanos s\u00e3o para todos, mas, tamb\u00e9m, para cada um. Os Direitos Humanos para o s\u00e9culo XXI entram pela subtileza que uma vida profunda exige. Evolu\u00edmos tanto tecnologicamente, e temos tanto, mas tanto para evoluir interiormente. \u00c9 que, a dignidade humana n\u00e3o possui somente aspectos exteriores, mas deveria abranger, tamb\u00e9m, os interiores, para que o <em>Humanum<\/em> seja, realmente, um ser completo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jc_cards-13855161\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5379348\">Marek Studzinski<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5379348\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10945,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[156,57],"tags":[],"class_list":["post-10944","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-efemerides","category-miguel-oliveira-panao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10944"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10944\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10949,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10944\/revisions\/10949"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}