{"id":10832,"date":"2020-12-10T08:00:02","date_gmt":"2020-12-10T08:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10832"},"modified":"2020-12-21T18:39:01","modified_gmt":"2020-12-21T18:39:01","slug":"pessoa-notavel-anibal-de-oliveira-marques-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pessoa-notavel-anibal-de-oliveira-marques-ramos\/","title":{"rendered":"Pessoa Not\u00e1vel | AN\u00cdBAL DE OLIVEIRA MARQUES RAMOS\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Pessoa Not\u00e1vel*<\/strong><\/em><\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>AN\u00cdBAL DE OLIVEIRA MARQUES RAMOS\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">An\u00edbal Ramos, assim era nomeado habitualmente, na freguesia do Bunheiro, Murtosa, a 27-02-1925, no seio de uma fam\u00edlia crist\u00e3 numerosa. Banhada pelo bra\u00e7o norte da Ria de Aveiro e beneficiando de um ambiente rural, rico de tradi\u00e7\u00f5es, a cultura popular estava impregnada de valores humanos que serviam de suporte \u00e0s virtudes religiosas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Ap\u00f3s a escola prim\u00e1ria, An\u00edbal entra no semin\u00e1rio de Vilar, Porto ( a Diocese de Aveiro \u00e9 restaurada em 1938), de Santa Joana e dos Olivais, onde termina o curso de teologia. \u00c9 ordenado a 20-09-1947, por D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal. Inicia o minist\u00e9rio presbiteral num clima de grande entusiasmo com a aplica\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do Bispado, fruto do S\u00ednodo Diocesano de 1944, e com o ambiente de carestia de bens p\u00f3s II Grande Guerra, cujas consequ\u00eancias se faziam sentir profundamente tamb\u00e9m entre n\u00f3s. Vem a ser nomeado Monsenhor por Jo\u00e3o XXIII, a 19 de Junho de 1959.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>De alma e cora\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O P. An\u00edbal Ramos, na \u201cDiocese de Aveiro, foi vig\u00e1rio paroquial em duas freguesias, foi professor, perfeito, vive-reitor e reitor do Semin\u00e1rio de Santa Joana, assistente de organismos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica e de outros movimentos de apostolado laical, foi professor de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa, foi consultor diocesano, vig\u00e1rio judicial e vig\u00e1rio- geral. Em todos estes cargos, ele soube dar-se e deu-se \u00e0 Igreja, com lealdade, verdade e fidelidade, como convinha a quem a ela se entregara nos anos mo\u00e7os, de alma e cora\u00e7\u00e3o\u201d. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar,\u00a0<em>Caminhar na Esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O autor menciona tamb\u00e9m outras fun\u00e7\u00f5es como a colabora\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de leigos chamados a realizar servi\u00e7os espec\u00edficos nas par\u00f3quias, em ac\u00e7\u00f5es de esclarecimento de sacerdotes e di\u00e1conos, no \u00e2mbito do Secretariado Diocesano de Pastoral, e assume a responsabilidade da Comiss\u00e3o Diocesana de Arte Sacra. Durante muitos anos acompanhou o povo do bairro de Santiago, celebrando na capela de Nossa Senhora da Ajuda, e fazendo-se solid\u00e1rio com os seus protestos aquando da expropria\u00e7\u00e3o dos terrenos onde viriam a ser constru\u00eddos alguns edif\u00edcios da Universidade de Aveiro. No seu proceder, revela uma personalidade forte, distinta, superior, algo distante e fria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Experi\u00eancia marcante<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Evoco, hoje, a sua mem\u00f3ria com emo\u00e7\u00e3o, referindo dois momentos cruciais que me envolvem, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O primeiro, tem a ver com a participa\u00e7\u00e3o num curso breve de \u201cpersonalidade e rela\u00e7\u00f5es humanas\u201d, elaborado pela escola francesa do mesmo nome. Que se\u00a0inscreve \u201cna corrente da psicologia humanista e se fundamenta numa vis\u00e3o din\u00e2mica e positiva da pessoa, acreditando nas suas capacidades, quaisquer que sejam a sua situa\u00e7\u00e3o, a sua hist\u00f3ria, as suas dificuldades\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Orientado por uma equipa sediada em Cascais, mas de proced\u00eancia madrilena, os participantes s\u00e3o convidados a mergulhar no seu eu mais profundo e a percorrer as diversas zonas da sua personalidade e sua repercuss\u00e3o no relacionamento interpessoal e em grupo. Sem atender \u00e0 roupagem social, aos t\u00edtulos e fun\u00e7\u00f5es. O ambiente facilitava a introspe\u00e7\u00e3o que, normalmente, era provocada por breves palestras e exerc\u00edcios e acompanhada ora de m\u00fasica suave, ora de ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e orientada, seguida de partilha volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">An\u00edbal Ramos experienciou t\u00e3o intensamente este encontro que \u201cmodificou\u201d o seu modo de estar e de se relacionar: proximidade mais familiar e afectuosa, simplicidade de presen\u00e7a e estilo de vida, e outras atitudes expressivas. O contraste com o seu\u00a0\u00a0anterior modo de ser e de proceder era not\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O Monsenhor, carinhosamente<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Foi-me pedido um testemunho pessoal sobre o padre An\u00edbal de Oliveira Marques Ramos, o Monsenhor, como aqui, pelo Bunheiro, sua terra natal, era carinhosamente tratado. Fui aluno do Semin\u00e1rio de Santa Joana, era ele, ao tempo, seu Reitor. Derivam daqui, essencialmente, os muitos contactos que tivemos. Eu era para ele, como qualquer outro Bunheirense, sempre com indisfar\u00e7\u00e1vel simpatia, um patr\u00edcio. (\u2026).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Recordo, andaria eu pelos meus 16 anos, ter um dia recebido recado de que o reitor queria falar comigo, que me aguardava nos seus aposentos. De cora\u00e7\u00e3o bem apertado bati, ao de leve, \u00e0 porta do seu quarto e logo surgiu o cumprimento: ol\u00e1 patr\u00edcio, ent\u00e3o como est\u00e1s? (\u2026) J\u00e1 num clima mais sereno, disse-me que o motivo de me ter chamado era um pedido dos meus pais, seus patr\u00edcios e contempor\u00e2neos. Tinham-lhe pedido para ter uma conversa comigo para saberem se eu estava seguro de querer continuar no semin\u00e1rio, pois, se assim n\u00e3o fosse, queriam fazer-me ir ter com eles para o estrangeiro, pois eram emigrantes; tinham receio de eu poder de ir para a guerra do\u00a0\u00a0ultramar, como ali\u00e1s veio a acontecer. E falou-me do amor dos meus pais e do respeito que teriam pela minha decis\u00e3o e de que ele estava ali a fazer apenas de elo nesta liga\u00e7\u00e3o que o mar tornava\u00a0\u00a0t\u00e3o distante. Despediu-se de mim, depois de ouvir que desejava continuar no semin\u00e1rio, sem serm\u00e3o, nem outros considerandos e com a mesma simpatia de sempre.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Se hoje recordo este facto, que, aparentemente, nada tem de extraordin\u00e1rio, \u00e9 porque ter\u00e1 sido o momento em que \u201cmais pr\u00f3ximo\u201d estive dele; e, sei-o bem, esta proximidade sabia-a ele fazer com uma mestria que s\u00f3 os grandes homens possuem; n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer de pai e de m\u00e3e e, sobretudo, faz\u00ea-lo com todo o afecto. Obrigado, Monsenhor.\u00a0<em>Ant\u00f3nio Sousa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Visita a familiares e amigos: A surpresa da morte<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O segundo momento crucial foi a sua ida ao Brasil em visita familiar e trabalho pastoral. Destaco apenas dois epis\u00f3dios marcantes: A doen\u00e7a que o atacou e levou \u00e0 morte, e a evoca\u00e7\u00e3o agradecida e emocionante feita no XX Encontro Nacional de Pastoral Lit\u00fargica na sess\u00e3o de encerramento a 29 de Julho de 1994. Monsenhor An\u00edbal havia sido o grande obreiro na sua organiza\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Sobre a doen\u00e7a, passo o relato para a Irm\u00e3 Mar\u00edlia Gon\u00e7alves,\u00a0da Comunidade das Irm\u00e3s da Casa do Pobre,\u00a0que solicitamente o acompanhou ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o dos primeiros sintomas e\u00a0teve acesso\u00a0\u00e0s anota\u00e7\u00f5es, que o Monsenhor como sempre costumava fazer, constitu\u00edam um aut\u00eantico di\u00e1rio. O relato foi apresentado no referido encontro nacional e publicado no boletim de Pastoral Lit\u00fargica, em Setembro: \u201cpelo almo\u00e7o, realizado \u00abem clima de tranquilidade, recolheu-se para algum repouso. Quando o chamaram para continuar o passeio, Monsenhor n\u00e3o estava bem. Tinha-se sentido mal, com suores frios, aperto no peito e falta de for\u00e7as\u00bb&#8230; Chamada \u201ca equipa m\u00e9dica constatou uma \u00abangina e insufici\u00eancia coron\u00e1ria aguda\u00bb, pelo que foi hospitalizado na Unidade de Tratamento Intensivo\u2026 O enfarte, segundo a avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, \u201cocupara uma extensa \u00e1rea e a insufici\u00eancia card\u00edaca inspirava cuidados\u201d\u2026 \u201cNa quinta-feira, dia 11, pediu que avisassem o seu irm\u00e3o Adriano e pediu o sacramento da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos. Disse ao sacerdote: \u00abVou aproveitar. N\u00e3o sei o que vem pela frente\u00bb. \u201cConfessou-se, recebeu a Comunh\u00e3o, a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos e acompanhou as ora\u00e7\u00f5es respondendo em voz alta e com muita paz e tranquilidade\u201d. Pelas 16 horas do mesmo dia disse \u00e0 irm\u00e3 Mar\u00edlia: \u201cDe manh\u00e3 estive preocupado, senti uma dorzinha no peito. Falei \u00e0 cardiologista e agora estou melhor. Vamos adiar os nossos passeios\u201d. Na madrugada do dia 12 de Agosto (01h e 30 min.) enquanto dormia, o Monsenhor teve uma paragem card\u00edaca (que lhe trouxe a morte).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Bispo de Recife e um grupo numeroso de fi\u00e9is e Irm\u00e3s velaram e rezaram o of\u00edcio de defuntos, terminando com a Eucaristia. Diligenciaram para que a urna com os restos mortais viesse prontamente para Portugal. Acolheu-a no Porto D. J\u00falio Rebimbas e o cortejo f\u00fanebre seguiu para o Bunheiro. Na igreja matriz e imedia\u00e7\u00f5es, aguardava numerosa multid\u00e3o, que participou na celebra\u00e7\u00e3o da missa exequial que foi presidida, devido \u00e0 aus\u00eancia do bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Marcelino, por D. Manuel de Almeida Trindade e concelebrada por alguns bispos, muitos sacerdotes e di\u00e1conos.\u00a0 onde foi sepultado no cemit\u00e9rio local.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cMem\u00f3ria agradecida\u201d deixa-nos a \u00faltima s\u00e1bia exorta\u00e7\u00e3o de Monsenhor An\u00edbal Ramos: adiar \u201cpasseios\u201d para ter tempo de preparar a \u201cgrande viagem\u201d, a definitiva.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Constante alegria no minist\u00e9rio\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">De modo muito particular, e em nome da Comiss\u00e3o Episcopal de Liturgia e de todos os participantes neste Encontro, quero dizer uma palavra de vivo agradecimento a Mons. Anibal Ramos. Ao longo de dezanove anos ele dirige o Secretariado Nacional de Liturgia e exerce as fun\u00e7\u00f5es de Secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Episcopal. Al\u00e9m de trabalho di\u00e1rio requerido por tais cargos, a ele se deve a impec\u00e1vel e cuidada organiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o deste nosso Encontro. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Escolhido e nomeado pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, assumiu em 1975, as fun\u00e7\u00f5es de Director do Secretariado Nacional de Liturgia e de Secret\u00e1rio da respectiva Comiss\u00e3o Episcopal e, mais tarde, de Presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Arte Sacra e do Patrim\u00f3nio Cultural da Igreja. Foram dezanove anos de merit\u00f3rio trabalho pastoral que oportunamente realcei no mencionado encerramento do XX Encontro Nacional de Pastoral Lit\u00fargica. \u00c9 de salientar tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o entusi\u00e1stica esclarecida nas reuni\u00f5es dos Secret\u00e1rios das Comiss\u00f5es nacionais de Liturgia da Europa e nos Encontros das Comiss\u00f5es Episcopais de Liturgia dos Pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa, em que suas qualidades de relacionamento f\u00e1cil, de grande capacidade de di\u00e1logo e de reconhecida compet\u00eancia naturalmente lhe granjearam enorme considera\u00e7\u00e3o, estima e a profunda amizade, que gostava de cultivar. Em todas as circunst\u00e2ncias e actividades sobressa\u00edam a riqueza espiritual de que era ornado e a constante alegria no minist\u00e9rio sacerdotal.\u00a0<em>D. Ant\u00f3nio Francisco Marques, bispo de Santar\u00e9m e presidente nacional da Comiss\u00e3o Episcopal de Liturgia.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Evoca\u00e7\u00e3o de Mons. An\u00edbal Ramos: Ensinou Portugal a rezar<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Um telefonema trouxe-me a not\u00edcia inesperada: tinha morrido no Brasil Mons. An\u00edbal Ramos! Raras vezes senti uma emo\u00e7\u00e3o t\u00e3o profunda. Ligava-me a Mons. An\u00edbal uma velha amizade que j\u00e1 vinha de antes da minha nomea\u00e7\u00e3o para bispo de Aveiro. (\u2026).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Havia ido ao Brasil para visitar membros da fam\u00edlia e para participar da Missa nova de um sacerdote seu conhecido, recentemente ordenado. D. J\u00falio, que o conhecia de perto, desde os tempos do Semin\u00e1rio, tinha-o dissuadido de fazer esta viagem. Sabia que estava esfalfado dos trabalhos da Semana Pastoral Lit\u00fargica, que terminara poucos dias antes, e sabia tamb\u00e9m que o seu estado de sa\u00fade nos \u00faltimos tempos n\u00e3o aconselhava longas viagens. Mas, neste terreno, Mons. An\u00edbal n\u00e3o era para se deixar convencer facilmente. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Presidi \u00e0s ex\u00e9quias, na aus\u00eancia do bispo da Diocese, D. Ant\u00f3nio Marcelino, que celebrou a Missa de 7\u00ba dia. A igreja do Bunheiro estava repleta de fi\u00e9is. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Na altura pr\u00f3pria, tive de pronunciar algumas palavras. Estava emocionado. Agarrei-me \u00e0s folhas do Missal aberto na minha frente e, sem um gesto, deixei, por alguns minutos, falar o cora\u00e7\u00e3o. Dirigi-me a Mons An\u00edbal e, pela primeira vez, tratei-o por tu. Recordei a fam\u00edlia, o semin\u00e1rio, onde tinha prestado servi\u00e7os como Reitor, a ajuda que me deu como meu Vig\u00e1rio Geral e, a partir de 1975, de modo particular a ac\u00e7\u00e3o desenvolvida como Director do Secretariado da Pastoral lit\u00fargica. Mons. An\u00edbal, e a equipa de que se fez rodear, tinha, nestes vinte anos, ensinado Portugal a rezar. Basta lembrar as Semanas de Liturgia, que, tendo come\u00e7ado por umas escassas dezenas de pessoas, passara em breve a contar os participantes pela casa das centenas, atingindo mesmo, nos \u00faltimos anos, mais de um milhar. \u00c0 equipa se deve a edi\u00e7\u00e3o, em l\u00edngua portuguesa, dos livros lit\u00fargicos surgidos do Conc\u00edlio Vaticano II, desde os Rituais dos Sacramentos e dos Sacramentais at\u00e9 \u00e0 da Liturgia das Horas, ultimamente \u00e0 do Missal. Este traz no rosto os seguintes dizeres: \u201c Missal Romano com os pr\u00f3prios de Angola, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe\u201d. Quem reflectir um pouco poder\u00e1 avaliar, para al\u00e9m do mais, o valor cultural de um Missal editado em l\u00edngua portuguesa, por onde povos de v\u00e1rios pa\u00edses, poder\u00e3o, de futuro, participar na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. (..).\u00a0<em>D, Manuel, Bispo em Aveiro<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Pessoa querida, amor pela comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Monsenhor An\u00edbal Ramos, h\u00e1 longos anos, dedicou sua atividade \u00e0 causa da Liturgia, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal e na Europa, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica e na \u00c1frica promovendo proveitoso interc\u00e2mbio entre os pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa. Seus dotes pessoais, sua gentileza que a todos conquistava, e, acima de tudo, seu amor pela comunh\u00e3o na liturgia dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, o tornaram uma pessoa querida que n\u00e3o ser\u00e1 esquecida por aqueles que o conheceram.\u00a0<em>Bispos do Brasil, respons\u00e1veis pela Liturgia.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Em parceria com a revista <em>Igreja Aveirense<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida do Boletim de Pastoral Lit\u00fargica, n.\u00ba 75 | JULHO \u2014 SETEMBRO | 1994<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoa Not\u00e1vel* AN\u00cdBAL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[114,50],"tags":[],"class_list":["post-10832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aveirenses-notaveis","category-pe-georgino-rocha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10832"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11186,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10832\/revisions\/11186"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}