{"id":10746,"date":"2020-11-06T17:34:22","date_gmt":"2020-11-06T17:34:22","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10746"},"modified":"2020-11-06T17:42:18","modified_gmt":"2020-11-06T17:42:18","slug":"pe-georgino-rocha-domingo-xxxii-estai-preparados-vigilantes-e-activos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-domingo-xxxii-estai-preparados-vigilantes-e-activos\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | DOMINGO XXXII &#8211; Estai preparados, vigilantes e activos"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Insensatas, umas e prudentes, outras. Assim se divide o grupo das jovens que aguardam a chegada do noivo da amiga. N\u00e9scias, umas e s\u00e1bias, outras. Qual o crit\u00e9rio para esta distin\u00e7\u00e3o, se o grupo todo se diverte durante o tempo da espera, se est\u00e1 apetrechado com as lanternas para iluminarem o cortejo nupcial, se escuta o mesmo an\u00fancio, sente o correspondente apelo e entra num mesmo corrupio: \u201cEis que chega o noivo, ide ao seu encontro\u201d? Mt 25, 1-13.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus, o autor das par\u00e1bolas agrupadas numa s\u00f3, pela comunidade de Mateus, por raz\u00f5es que t\u00eam a ver com a compreens\u00e3o da \u00faltima vinda do Senhor, quer dar uma resposta clara aos disc\u00edpulos preocupados com a chegada do reino dos C\u00e9us e com os sinais que a manifestam. E a resposta come\u00e7a assim: \u201cCuidado, para que ningu\u00e9m vos engane\u201d, e prolonga-se por uma s\u00e9rie de ensinamentos apresentados em par\u00e1bolas, senten\u00e7as, recomenda\u00e7\u00f5es. O cen\u00e1rio, onde esta \u201ccatequese\u201d ocorre \u00e9 o Monte das Oliveiras que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, seria o espa\u00e7o assinalado para esse derradeiro acontecimento. Aqui tem in\u00edcio, pouco tempo depois, o drama da paix\u00e3o que leva Jesus \u00e0 morte e \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O ensinamento da par\u00e1bola das \u201cvirgens loucas e prudentes\u201d desloca o centro de preocupa\u00e7\u00f5es dos disc\u00edpulos e, neles, o de todos os que se preocupam com o futuro. Mais do que saber quando e como acontece, importa estar preparado e vigilante, saber agir a tempo, tomar provid\u00eancias adequadas, alimentar a chama da esperan\u00e7a, aguentar os desafios da \u201cnoite\u201d que parece intermin\u00e1vel, manter-se activo e interveniente, ir ao encontro da \u201cnot\u00edcia\u201d que pode surpreender-nos. Eis que chega Aquele por quem ansiamos. Est\u00e1 a\u00ed, n\u00e3o o vedes?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cO crente crist\u00e3o, afirma Manicardi, n\u00e3o necessita apenas da f\u00e9, mas tamb\u00e9m da sabedoria. Sabedoria \u00e9 predispor tudo para o encontro com o Senhor. Insensatez \u2013 e h\u00e1 possibilidade de uma f\u00e9 tonta, ins\u00edpida, ignorante, n\u00e3o inteligente \u2013 \u00e9 neglig\u00eancia na prepara\u00e7\u00e3o para o encontro com o Senhor. Mas o Senhor vai. Ele pr\u00f3prio ao encontro de quem o procura e o espera mantendo acesa, na noite, a candeia do desejo do encontro\u201d. Al\u00e9m da f\u00e9 e da sabedoria, o autor refere o sentido de responsabilidade e de capacidade de vida interior, a arte de viver o tempo com a sua finitude.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Os sinais de que se reveste a chegada s\u00e3o acess\u00edveis\u2026 e surge o cortejo da bondade e paci\u00eancia de tantos, a disponibilidade e benefic\u00eancia de muitos, o despojamento volunt\u00e1rio de si e dos bens de alguns, a crescente sensibilidade social pelo que a todos diz respeito. Mas, os contra-sinais tamb\u00e9m s\u00e3o vis\u00edveis e interpelantes: a dorm\u00eancia e apatia, o frenesim de sorver o presente fugaz, o adiamento da resposta \u00e0s quest\u00f5es existenciais que a consci\u00eancia coloca, o ziguezague de quem faz op\u00e7\u00f5es \u201c a la carte\u201d, o culto da apar\u00eancia de circunst\u00e2ncia, a supremacia do econ\u00f3mico sobre o social e consequente crise de valores que deixam perceber o desnorteio de quem devia ter um rumo certo e um ideal comum mobilizador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Os sinais apontam e, por vezes, cont\u00eam a realidade. Como a semente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rvore. A plenitude acontecer\u00e1 no encontro do noivo que vem e da humanidade que vai, na comunh\u00e3o da oferta divina com o desejo humano, na festa do amor, t\u00e3o expressivamente simbolizada no cerimonial judaico das n\u00fapcias, no rito do casamento civil, no ritual do matrim\u00f3nio crist\u00e3o. De facto, o sinal por excel\u00eancia do reino de Deus tem a ver com o amor conjugal hetero-sexual, com a sabedoria do cora\u00e7\u00e3o, com a vigil\u00e2ncia prudente, com a espera atenta e paciente, sobretudo nas noites de tempestade relacional, com o perd\u00e3o reconciliador, com a aceita\u00e7\u00e3o inteligente do noivo &#8211; Jesus ressuscitado &#8211; que chega e quer aben\u00e7oar todos os esfor\u00e7os generosos. A abund\u00e2ncia do azeite e a intensidade da luz manifestam a exuber\u00e2ncia da festa a que estamos chamados no futuro e se realiza, agora, de modo sacramental, na eucaristia dominical.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cVigiar n\u00e3o significa apenas n\u00e3o dormir, mas estar preparado, observa o Papa Francisco \u2026 Trata-se de n\u00e3o esperar o \u00faltimo momento da nossa vida para colaborar com a gra\u00e7a de Deus, mas de o fazer j\u00e1 agora. Seria bom pensar um pouco: um dia ser\u00e1 o \u00faltimo. Se fosse hoje, como estou preparado, preparada? \u2026 Preparar-se como se fosse o \u00faltimo dia: isto faz bem\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/three-shots-3936226\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2071748\">Three-shots<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2071748\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10748,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,14],"tags":[],"class_list":["post-10746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10746"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10751,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10746\/revisions\/10751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}