{"id":10704,"date":"2020-10-29T19:56:32","date_gmt":"2020-10-29T19:56:32","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10704"},"modified":"2020-10-29T19:56:32","modified_gmt":"2020-10-29T19:56:32","slug":"bioetica-e-sociedade-a-vida-e-a-morte-breve-reflexao-etica-sobre-viver-e-o-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-a-vida-e-a-morte-breve-reflexao-etica-sobre-viver-e-o-morrer\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | A VIDA E A MORTE: breve reflex\u00e3o \u00e9tica sobre viver e o morrer"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Carlos Costa Gomes*<\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8127\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Carlos-Costa-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"250\" \/>1 &#8211; Falar da vida e da morte n\u00e3o tem outra inten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja falar do processo natural do que \u00e9 o nascer, viver e o morrer. N\u00e3o se pretende anunciar uma verdade absoluta nem convencer os que l\u00eaem este texto dessa verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 &#8211; A nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9, somente, discorrer um modo de olhar peculiar para o mist\u00e9rio da vida e para a realidade da morte. Isto \u00e9, com olhar de ver com surpresa e a incerteza do que \u00e9 o viver e para a certeza do que \u00e9 o morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 &#8211; Este olhar que aqui se transmite \u00e9 um olhar \u00e9tico mas tamb\u00e9m biol\u00f3gico. Na vida de cada um de n\u00f3s, certamente, j\u00e1 experienciamos o ver nascer e o ver morrer. Nada h\u00e1 de mais maravilhoso e de extraordinariamente belo que \u00e9 o acolher os olhos do beb\u00e9 que se abrem, com espanto e surpresa, para o mundo e para quem o olha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 &#8211; Do mesmo modo, mas diferente, n\u00e3o h\u00e1 de mais solene e profundo do recolher o \u00faltimo olhar de quem se despede da vida, com esperan\u00e7a da vida que h\u00e1-de vir, ou com o desespero de nada haver para al\u00e9m da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 &#8211; Daniel Serr\u00e3o afirma: Nasci, muitas vezes, nos que vi nascer; morri, tantas outras vezes, nos que vi morrer. Na pessoa que morre vislumbra-se uma biografia, uma vida pessoal, e n\u00e3o apenas a biologia do corpo morto. Os ensinamentos deste olhar com olhos de ver mais al\u00e9m s\u00e3o uma fonte privilegiada para um mais rico e profundo conhecimento do viver humano de cada pessoa concreta. Entre o nascer e o morrer inscreve-se um patrim\u00f3nio, n\u00e3o apenas gen\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pessoal \u00fanico e irrepet\u00edvel. Nenhum ser humano \u00e9 igual a outro ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 &#8211; Fernando Pessoa falou desta singularidade, um direito que afirmou do seguinte modo: \u201cno meu epit\u00e1fio ponham apenas duas datas: a do meu nascimento e da minha morte. Entre uma e outra todos os dias s\u00e3o meus.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 &#8211; Sobre esta frase falou Daniel Serr\u00e3o e concluiu que \u201ca morte n\u00e3o existe; existe sim eu e tu que morremos\u201d. Em muitos dos seus textos sobre este tema n\u00e3o fala da morte mas do processo de morrer; n\u00e3o escreve sobre a dignidade da morte porque esta \u00e9 uma express\u00e3o sem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 &#8211; Escreve, sim, sobre a dignidade de uma certa vida pessoal no tempo que se esgota. Este per\u00edodo de tempo decrescente \u00e9 vivido de modos diversos, relacionados com causas e circunst\u00e2ncias que o condicionam; umas dram\u00e1ticas, s\u00fabitas, dolorosas, pouco ou nada conscientes; outras tranquilas, previs\u00edveis, sem dores f\u00edsicas e bem conscientes at\u00e9 ao \u00faltimo gesto e ao \u00faltimo olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 &#8211; Jo\u00e3o Paulo II quando j\u00e1 se encontrava no seu processo de morrer, com fal\u00eancia multiorg\u00e2nica irrevers\u00edvel, pediu para sair do hospital e regressar aos seus aposentos no Vaticano. Pouco antes de esgotar o seu tempo de viver acenou um \u00faltimo adeus \u00e0 multid\u00e3o de pessoas na pra\u00e7a de S. Pedro. Esta foi a sua \u00faltima catequese, esta foi a sua \u00faltima li\u00e7\u00e3o sobre o olhar a vida e n\u00e3o sobre a morte.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: right; padding-left: 240px;\"><span class=\"s1\">*Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica | <\/span><span class=\"s1\">Professor e investigador do Instituto de Bio\u00e9tica da UCP | Membro da Academia &#8216;Fides et Ratio&#8217;<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jplenio-7645255\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">My pictures are CC0. When doing composings:<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10706,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,136,146],"tags":[],"class_list":["post-10704","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10704"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10707,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10704\/revisions\/10707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}