{"id":10435,"date":"2020-12-24T08:00:11","date_gmt":"2020-12-24T08:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10435"},"modified":"2020-09-24T11:06:14","modified_gmt":"2020-09-24T10:06:14","slug":"pensamento-de-edith-stein-ser-finito-e-ser-eterno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-ser-finito-e-ser-eterno\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | Ser finito e ser eterno"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Ser finito e ser eterno<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) Elabora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite j\u00e1 tinha iniciado o noviciado, quando o P. Provincial lhe pede para continuar os seus estudos filos\u00f3ficos. Daqui nascer\u00e1 o que podemos denominar como a sua obra principal, a \u00abSuma\u00bb do seu pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1934 retoma o trabalho abandonado ao entrar no Carmelo. Tinha levado consigo o grosso manuscrito de <em>Acto e Pot\u00eancia<\/em>. Retoma-o agora, mas altera-o radicalmente, quer na estrutura, quer no conte\u00fado. De facto, a obra ser\u00e1 muito enriquecida com outra s\u00e9rie de \u00abfontes\u00bb e temas que inicialmente n\u00e3o tinha previsto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra mant\u00ea-la-\u00e1 ocupada at\u00e9 1936. Se temos em conta como \u00e9 dif\u00edcil realizar um trabalho como este al\u00e9m do hor\u00e1rio do Carmelo, temos de admirar uma vez mais a capacidade intelectual criativa de Edite, bem como a sua concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 1936, ocupa-se com a possibilidade da publica\u00e7\u00e3o desta obra. Essa mesma inten\u00e7\u00e3o acompanh\u00e1-la-\u00e1 quando for para a Holanda. As circunst\u00e2ncias n\u00e3o possibilitaram, de modo algum, a sua publica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ver\u00e1 a luz em 1950, como volume 2 de ESW.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo completo da obra \u00e9 muito significativo: <em>Ser finito e ser eterno<\/em>. <em>Ensaio de uma<\/em> <em>ascens\u00e3o ao sentido do ser<\/em> <em>(Endliches und ewiges Sien. <\/em><em>Versuch eines Aufstiegs zum<\/em> <em>Sinn des Seins)<\/em>. Publicado em espanhol no M\u00e9xico pelo Fundo de Cultura Econ\u00f3mica em 1994. Aparecer\u00e1 proximamente em OC III.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite completou a obra com dois ap\u00eandices: o primeiro titulado \u00abO castelo da alma\u00bb (cf. Ficha 59); e o segundo sobre a filosofia existencial de Martin Heidegger (cf. Ficha 60).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Estrutura da obra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de se tratar da principal obra de Edite, \u00e9 o seu trabalho mais extenso. A riqueza dos conte\u00fados fica muito bem reflectida na pr\u00f3pria distribui\u00e7\u00e3o. Repete-se novamente um esquema ascendente, como j\u00e1 vimos noutros escritos dela. A obra est\u00e1 dividida em oito grandes partes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Introdu\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o do ser<\/li>\n<li>Acto e pot\u00eancia enquanto modos de ser<\/li>\n<li>Ser essencial e ser real<\/li>\n<li>Ess\u00eancia, subst\u00e2ncia, forma e mat\u00e9ria<\/li>\n<li>O ente enquanto tal (os transcendentais)<\/li>\n<li>O sentido do ser<\/li>\n<li>Imagem da Trindade na cria\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Sentido e fundamento do ser individual<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>c) Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta obra de Edite pela sua extens\u00e3o e pelo seu objectivo, \u00e9 uma obra muito completa por diversos motivos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 sistematiza o amplo arco do seu pensamento,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 procura favorecer o di\u00e1logo entre a filosofia crist\u00e3 e a filosofia moderna,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 n\u00e3o cria rupturas entre o campo da filosofia, da teologia e da m\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, um dos seus companheiros e grande amigo, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Alexander Koyr\u00e9, definiu esta obra como a sua autobiografia intelectual. Poder\u00edamos dizer at\u00e9 que com esta obra Edite inaugura um novo g\u00e9nero liter\u00e1rio, que poder\u00edamos denominar como \u00abautobiografia filos\u00f3fica\u00bb, no sentido de que o seu filosofar segue a mesma traject\u00f3ria seguida pela sua vida. A autora pretende elaborar uma \u00abfilosofia crist\u00e3\u00bb, que ser\u00e1 outro dos aspectos originais da obra: as suas fontes n\u00e3o se limitam s\u00f3 ao campo do natural-filos\u00f3fico, mas continua a sua ascens\u00e3o at\u00e9 Deus com a ajuda das verdades da revela\u00e7\u00e3o, da teologia e da m\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na introdu\u00e7\u00e3o deixa bem claro o seu objectivo: \u00abA obra centrou-se no <em>problema do ser<\/em>. A compara\u00e7\u00e3o entre o pensamento tomista e o pensamento fenomenol\u00f3gico foi o resultado da an\u00e1lise deste problema. E estas duas preocupa\u00e7\u00f5es, as investiga\u00e7\u00f5es sobre o sentido do ser e o esfor\u00e7o de fundir o pensamento medieval com o pensamento vivo contempor\u00e2neo, n\u00e3o constituem somente a meta pessoal da autora deste livro, mas dominam tamb\u00e9m a vida filos\u00f3fica e s\u00e3o consideradas por muitos fil\u00f3sofos como absolutamente necess\u00e1rias\u00bb (SF 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O modo de proceder ao longo da obra segue um ritmo ascendente. O primeiro cap\u00edtulo ou parte tem uma car\u00e1cter introdut\u00f3rio e de clarifica\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica e metodol\u00f3gica. Aqui come\u00e7a por nos introduzir na doutrina tomista do acto e da pot\u00eancia, que constituir\u00e3o uma base fundamental de toda a obra. Afronta, al\u00e9m disso, outra s\u00e9rie de quest\u00f5es problem\u00e1ticas que quer esclarecer desde o in\u00edcio: a rela\u00e7\u00e3o do ser e do tempo, as dificuldades da express\u00e3o lingu\u00edstica e o sentido de uma filosofia crist\u00e3, quase como querendo \u00abdefinir\u00bb a sua obra a partir desta terminologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cap\u00edtulos 2 a 6, que ocupam mais de metade da obra, est\u00e3o consagrados ao estudo do \u00abser\u00bb. No segundo, terceiro e quarto, centra-se na \u00abterminologia\u00bb cl\u00e1ssica da filosofia aristot\u00e9lico-tomista. Ocupa-se respectivamente das no\u00e7\u00f5es, significados, aplica\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es dos conceitos de \u00abacto e pot\u00eancia\u00bb (cap. 2), ser essencial e real (cap. 3), ess\u00eancia, subst\u00e2ncia, mat\u00e9ria e forma (cap. 4). Nos cap\u00edtulos quinto e sexto estuda os transcendentais, e o sentido do ser respectivamente. Neste \u00faltimo cap\u00edtulo penetra j\u00e1 no campo da revela\u00e7\u00e3o, como base de apoio para a investiga\u00e7\u00e3o ulterior: Deus como o Ser, e o Verbo como criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo s\u00e9timo apresenta uma originalidade especial neste contexto. O tema \u00e9 a imagem da Trindade na cria\u00e7\u00e3o. Uma cria\u00e7\u00e3o que abrange o ser do homem em si e na sua unidade estrutural (corpo, alma, esp\u00edrito), mas tamb\u00e9m os esp\u00edritos puros criados (os anjos), as coisas materiais, e os seres vivos impessoais. Na hora de se aproximar da imagem divina do homem, Santo Agostinho vai ser para ela uma grande ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo oitavo e \u00faltimo, aborda um dos temas que sempre preocupou Edite: a quest\u00e3o da individualidade do ser humano. Tema que j\u00e1 \u00e9 central nos seus primeiros escritos antes da convers\u00e3o, e que \u00e0 luz da revela\u00e7\u00e3o adquire um sentido mais radical e completo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 134-135.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/KELLEPICS-4893063\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2861107\">Stefan Keller<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2861107\">Pixabay<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10436,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-10435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10435"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10437,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10435\/revisions\/10437"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}