{"id":10422,"date":"2020-11-26T08:00:11","date_gmt":"2020-11-26T08:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10422"},"modified":"2020-09-24T10:53:04","modified_gmt":"2020-09-24T09:53:04","slug":"pensamento-de-edith-stein-investigacao-sobre-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-investigacao-sobre-o-estado\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Estado"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Estado<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) Processo redactorial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema \u00e9 quase uma continua\u00e7\u00e3o do escrito anterior, embora afronte aqui o tema do \u201cestado\u201d. Redigiu-o possivelmente entre 1920 e 1921, embora a sua publica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais tardia, em 1925. Apareceu publicado com o t\u00edtulo: <em>Eine Untersuchung \u00fcber den Staat<\/em> (<em>Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Estado<\/em>) no volume VII\u00ba do Anu\u00e1rio de Husserl: <em>Husserls<\/em> <em>Jahrbuch f\u00fcr Philosophie und ph\u00e4nomenologische Forschung<\/em> Bd. VII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o de Edite Stein pela pessoa humana e pela realidade que a envolve levam-na a afrontar directamente o tema do Estado. J\u00e1 mencionamos anteriormente a sua actividade pol\u00edtica, e como a experi\u00eancia lhe foi muito \u00fatil para escrever o estudo sobre <em>Indiv\u00edduo e comunidade<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas suas cartas aparecem as primeiras not\u00edcias de que est\u00e1 a realizar um trabalho sobre o Estado. Em concreto, anuncia-o j\u00e1 a Ingarden numa carta de 9 de Outubro de 1920 (Ct 708). Um m\u00eas depois, a 6 de Dezembro, j\u00e1 anuncia ao mesmo Ingarden que \u00abreservei tempo suficiente para o trabalho sobre o Estado e tenho-o bastante adiantado\u00bb (ib. 709).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 quase incr\u00edvel a grande actividade intelectual que Edite desenvolve apenas em tr\u00eas anos. Apesar de estar ocupada com aulas na sua \u00abacademia de filosofia\u00bb em Breslau, a corrigir as provas de imprensa das obras de Reinach, a ajudar os outros na correc\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica dos seus estudos&#8230;, n\u00e3o deixa de ter o tempo para os estudos de grande profundidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que concluiu esta obra sobre o Estado nos primeiros meses de 1921. N\u00e3o voltamos a ter not\u00edcia dela at\u00e9 30 de Agosto de 1920, dois meses depois da sua decis\u00e3o de entrar na Igreja Cat\u00f3lica. Comunica-o tamb\u00e9m a Ingarden numa carta: \u00abO meu trabalho sobre o Estado ficou em Bergzabern: a senhora Conrad queria l\u00ea-lo depois de feita a recopila\u00e7\u00e3o e copi\u00e1-lo\u00bb (ib. 718).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 de admirar a rapidez com que estes estudos surgem da m\u00e3o de Edite, \u00e9 ainda mais surpreendente a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre os mesmos. Noutra carta a Ingarden datada de 15 de Outubro de 1921 diz-lhe: \u00abEm todo o caso, vivi nos \u00faltimos anos vivi muito mais do que filosofei. Os meus trabalhos s\u00e3o sedimentos daquilo que me ocupou na vida, pois agora estou constru\u00edda de tal modo que devo reflectir\u00bb (ib. 721).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela evolu\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria imediata depois da sua entrada na Igreja Cat\u00f3lica, parece ser que certamente Edite p\u00e1ra um pouco para reflectir. E este dinamismo produtor vai refrear-se. Tamb\u00e9m, porque a partir do seu encontro com Teresa em Junho de 1921, os seus interesses, tal como ela pr\u00f3pria afirma, s\u00e3o os de trabalhar no futuro apenas na \u00e1rea da filosofia da religi\u00e3o (cf. ib. 718).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>b) Esquema e conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Este estudo ou abordagem fenomenol\u00f3gica \u00e0 quest\u00e3o do Estado, Edite vai estrutur\u00e1-lo em duas partes bem distintas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>A estrutura \u00f4ntica do Estado<\/li>\n<li>O Estado do ponto de vista dos valores<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte, usando as conclus\u00f5es do seu precedente estudo, <em>Indiv\u00edduo e<\/em> <em>Comunidade<\/em>, come\u00e7a por considerar o Estado como comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema da soberania do Estado preocupa tamb\u00e9m a Edite. O Estado para se entender h\u00e1-de olhar, quer ao povo quer aos indiv\u00edduos que o configuram, n\u00e3o como um n\u00famero, mas como pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o importante na an\u00e1lise do Estado \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com o direito. O Estado tem a sua raz\u00e3o de ser exclusivamente na soberania, que radica no povo, nos indiv\u00edduos. Da\u00ed o seu poder de legislar e de proteger, legislando, quer aos cidad\u00e3os quer o pr\u00f3prio direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre outros muitos elementos que Edite analisa no seu estudo, t\u00eam especial interesse as quest\u00f5es dedicada \u00e0 g\u00e9nese a ao fundamento do Estado, bem como os limites do poder estatal. Edite recusa a concep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 o Estado que cria a liberdade da pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda parte do estudo centra-se mais em quest\u00f5es mais existenciais. Para ela, a fun\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 a de proteger e favorecer a liberdade dos indiv\u00edduos, facilitando as rela\u00e7\u00f5es sociais. A moralidade de um Estado reside tamb\u00e9m nas pessoas e nunca pode constituir-se na fonte da mesma. Por isso, a for\u00e7a e o valor \u00e9tico de uma sociedade depender\u00e1 do agir dos indiv\u00edduos. A exist\u00eancia do Estado est\u00e1 nas m\u00e3os das pessoas, e n\u00e3o ao rev\u00e9s. Entende-se que fala de um Estado livre e democr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dedica o \u00faltimo apartado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do Estado com a religi\u00e3o. Edite n\u00e3o parece ser da opini\u00e3o de que o Estado tem que ser totalmente laical. O Estado n\u00e3o tem nem alma, nem \u00e9 um ente com uma entidade pr\u00f3pria capaz de amar e de viver qualquer outro sentimento ou valor. Mas, enquanto Estado, tem a capacidade de servir de motor de tudo o que diz respeito e \u00e9 fundamental \u00e0s pessoas; promo\u00e7\u00e3o da cultura, da educa\u00e7\u00e3o, da \u00e9tica e, por suposto, da religi\u00e3o ou religi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente ao longo de toda a obra que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de Edite \u00e9 sempre a pessoa humana, vista em todas as suas dimens\u00f5es. Por isso, n\u00e3o podia deixar de lado a dimens\u00e3o estatal.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 104-105.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/misterfarmer-1004317\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1382709\">misterfarmer<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1382709\">Pixabay<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10423,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-10422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10422"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10424,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10422\/revisions\/10424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}