{"id":10402,"date":"2020-10-15T08:00:05","date_gmt":"2020-10-15T07:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10402"},"modified":"2020-09-24T10:25:04","modified_gmt":"2020-09-24T09:25:04","slug":"pensamento-de-edith-stein-o-castelo-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-o-castelo-interior\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | O castelo interior"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">O Castelo Interior<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) A raz\u00e3o deste escrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que ao concluir a sua obra <em>Ser finito e ser eterno<\/em>, Edite Stein n\u00e3o ficou totalmente satisfeita. N\u00e3o pela obra em si, mas por perceber a necessidade dalgum complemento a quanto tinha escrito. E esse complemento n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o oferecer a vis\u00e3o, compreens\u00e3o e conhecimento alcan\u00e7ado pelos m\u00edsticos no que diz respeito \u00e0 interioridade mais profunda do ser humano. Nem a filosofia, nem a teologia em si mesmas conseguem desvelar o mist\u00e9rio. Mas a experi\u00eancia e a doutrina de uma grande m\u00edstica, pode oferecer muitas luzes. Est\u00e1 claro que se trata de Santa Teresa e da abordagem a uma das suas obras principais: <em>As moradas<\/em> ou <em>O castelo interior<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o esque\u00e7amos que, quando Edite escreve <em>Ser finito<\/em>, j\u00e1 vive mergulhada no Carmelo. E n\u00e3o podia deixar de fazer constar a import\u00e2ncia que os seus autores t\u00eam no conhecimento do ser humano. A data de composi\u00e7\u00e3o deste primeiro ap\u00eandice h\u00e1 que situ\u00e1-la em 1936, uma vez conclu\u00edda a grande obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um escrito que habitualmente foi publicado sempre separadamente de SF. E embora se possa fazer uma leitura independente deste escrito, contudo, alcan\u00e7a o seu pleno sentido no contexto para o qual foi escrito: como complemento ao estudo do ser. Isto d\u00e1 a este breve escrito uma car\u00e1cter de todo peculiar. Por um lado, a tem\u00e1tica central \u00e9 \u00abm\u00edstica\u00bb, mas orientada para a compreens\u00e3o da interioridade do homem. Poder\u00edamos dizer que esta inclus\u00e3o significa que para Edite a \u00abm\u00edstica\u00bb tem uma palavra muito importante no caminho de compreens\u00e3o do ser humano. Talvez radique a\u00ed a chave hermen\u00eautica de compreens\u00e3o deste escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo original \u00e9: <em>O Castelo Interior<\/em> <em>(Anhang I. Die Seelenburg zu Endlisches und Ewiges Sein)<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b) Estrutura do escrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema central \u00e9 a an\u00e1lise do livro das <em>Moradas <\/em>de Santa Teresa e a sua rela\u00e7\u00e3o com a psicologia. Daqui surge a estrutura da obra em duas partes claramente diferenciadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>An\u00e1lise da obra de Santa Teresa<\/li>\n<li>As \u00abMoradas\u00bb \u00e0 luz da filosofia moderna<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte est\u00e1 estruturada, fundamentalmente, na apresenta\u00e7\u00e3o de uma maneira sint\u00e9tica de cada uma das sete moradas que santa Teresa estabelece na sua obra. Deste modo, pretende fazer-nos ver a din\u00e2mica que a alma percorre na busca do seu centro mais \u00edntimo, da sua identidade, da sua uni\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos estes elementos servem a Edite para articular a segunda parte. Edite, de modo muito sint\u00e9tico, limita-se a procurar as semelhan\u00e7as e as diferen\u00e7as entre os resultados oferecidos por Teresa e quanto a filosofia do seu tempo conseguia decifrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c) Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Este breve escrito inicia com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u00abUma vez que usei o termo \u201cCastelo interior\u201d referindo-me \u00e0 principal obra m\u00edstica da nossa Santa Teresa de Jesus, agora quereria dizer como as minhas explica\u00e7\u00f5es sobre a estrutura da alma humana conectam com essa obra da Santa\u00bb (OC V, 80). Fica aqui evidenciado o prop\u00f3sito e o conte\u00fado deste escrito. A refer\u00eancia a SF ser\u00e1, pois, imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em SF prop\u00f5e-se, entre outras coisas, indagar as caracter\u00edsticas espec\u00edficas do ser humano. Neste processo \u00e9 de suma import\u00e2ncia alcan\u00e7ar o maior conhecimento poss\u00edvel de toda a sua estrutura corp\u00f3rea, ps\u00edquica e espiritual. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio alcan\u00e7ar um conhecimento mais completo da \u00abalma\u00bb enquanto centro dessa unidade que chamamos homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecer a alma implica penetrar na sua \u00abvida \u00edntima\u00bb, descobrir a sua interioridade. \u00abMas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel oferecer um quadro preciso da alma \u2013 nem sequer de forma sum\u00e1ria e deficiente \u2013 sem chegar a falar do que comp\u00f5e a sua vida \u00edntima. Para isso, as experi\u00eancias fundamentais sobre as quais nos devemos basear s\u00e3o os testemunhos dos grandes m\u00edsticos da vida de ora\u00e7\u00e3o. E em tal qualidade, o \u201cCastelo interior\u201d \u00e9 insuper\u00e1vel\u00bb (ib.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite pergunta-se sobre o prop\u00f3sito chave da Santa Teresa: \u00abreligioso-pr\u00e1tico\u00bb. Nunca teve interesses propriamente cient\u00edficos. Mas a sua experi\u00eancia ilumina esse mist\u00e9rio da interioridade da alma. Teresa, partindo da imagem de que a alma \u00e9 um castelo, e que a sua interioridade \u00e9 formada por muitas moradas, inicia o caminho de conhecimento e conquista, tra\u00e7ando-nos o mapa \u00abda alma\u00bb que nos ajuda a descobrir toda a riqueza que ali se encerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A continua\u00e7\u00e3o, Edite sintetiza os elementos que se descobrem em cada uma das moradas teresianas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Primeira morada: conhecimento de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Segunda morada: percep\u00e7\u00e3o do chamamento de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Terceira morada: ordenar a vida conforme o chamamento de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quarta morada: in\u00edcio da vida m\u00edstica, ora\u00e7\u00e3o de quietude<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quinta morada: ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sexta morada: despos\u00f3rio espiritual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 S\u00e9tima morada: matrim\u00f3nio espiritual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em cada uma das moradas, sublinha os elementos que lhe interessam para o seu prop\u00f3sito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte prop\u00f5e-se: \u00abp\u00f4r de relevo o que esta imagem da alma tem em comum com a que antes n\u00f3s mesmos descrevemos (com crit\u00e9rios filos\u00f3ficos), e o que tem de diverso\u00bb (ib. 99). O comum \u00e9 a \u00abconcep\u00e7\u00e3o da alma como um ampl\u00edssimo reino\u00bb. A diferen\u00e7a fundamental radica nos pontos de vista diferentes, ainda que no fundo d\u00e1-se uma uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite, com Teresa e com a psicologia moderna, admite que este caminho de interioridade leva consigo na pessoa o seguinte: entrar em si mesmo significa aproximar-se gradualmente de Deus, significa adquirir uma posi\u00e7\u00e3o mais n\u00edtida e objectiva diante do mundo e um conhecimento de si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, pergunta-se Edite se realmente a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica porta para o centro de si mesmo. O seu discurso \u00e9 muito interessante.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 136-137.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Tama66-1032521\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3130879\">Peter H<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3130879\">Pixabay<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10403,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-10402","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10402"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10402\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10404,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10402\/revisions\/10404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}