{"id":10325,"date":"2020-09-16T13:04:03","date_gmt":"2020-09-16T12:04:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10325"},"modified":"2020-09-16T13:04:03","modified_gmt":"2020-09-16T12:04:03","slug":"pe-georgino-rocha-domingo-xxv-patrao-bondoso-trabalhadores-ciumentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-domingo-xxv-patrao-bondoso-trabalhadores-ciumentos\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | Domingo XXV &#8211; Patr\u00e3o bondoso, trabalhadores ciumentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Pedro continua com as suas d\u00favidas interiores. E quer dissip\u00e1-las. Tinha aderido ao grupo do Mestre sem condi\u00e7\u00f5es. Havia assinado um contrato em branco. Depois de tudo o que viu e ouviu, acha que chegou a hora de o preencher: E desabafa: Deix\u00e1mos tudo. Qual vai ser a nossa recompensa? Que nos espera no futuro? Com que podemos contar?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus, que conhece bem os cora\u00e7\u00f5es, d\u00e1-lhe uma resposta clarificadora. Aproveita a oportunidade do encontro com os disc\u00edpulos e lan\u00e7a m\u00e3o de um costume usual no campo que serve de base \u00e0 sua par\u00e1bola: a dos trabalhadores da vinha contratados pelo propriet\u00e1rio.\u00a0<em>Mt 20, 1-16<\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Este dono da vinha sai de madrugada, \u00e0s nove da manh\u00e3, ao meio-dia, \u00e0s tr\u00eas da tarde e, ainda, \u00e0s cinco (uma hora antes de terminar a jornada laboral). Que o levaria a tantas sa\u00eddas? Que segredo animaria a sua e preocupa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">De facto, uma grande paix\u00e3o se esconde nesta az\u00e1fama. \u00c9 o amor que tem \u00e0 sua vinha, em tempo de colheita, \u00e9 a considera\u00e7\u00e3o que lhe merecem os sem emprego e os tarefeiros, vindos para a pra\u00e7a com alguma expectativa, \u00e9 a vontade clara de que haja trabalho para todos e a justa remunera\u00e7\u00e3o, \u00e9 desvendar uma nova dimens\u00e3o do ser humano na qual se espelha a bondade e gratuidade \u2013 reflexos qualificados do rosto de Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Ao comentar esta p\u00e1gina evang\u00e9lica, o Papa Francisco det\u00e9m-se no olhar e na inveja que d\u00e1 origem \u00e0 murmura\u00e7\u00e3o. E sobre o olhar afirma: \u201cJesus quer levar-nos a contemplar o olhar daquele senhor: o olhar com que v\u00ea cada um dos oper\u00e1rios \u00e0 espera de trabalho, chamando-os para a sua vinha. Trata-se de um olhar cheio de aten\u00e7\u00e3o e de benevol\u00eancia; \u00e9 um olhar que chama, que convida a erguer-se, porque deseja a vida para cada um de n\u00f3s, quer uma vida plena, comprometida, resgatada do vazio e na in\u00e9rcia\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">E os trabalhadores partem, de imediato, para a vinha. Cumprem solicitamente o que lhe \u00e9 pedido no tempo devido. Sem recrimina\u00e7\u00f5es nem quez\u00edlias. Chegado o fim da jornada, vem o pagamento. E qual o crit\u00e9rio usado pelo dono da vinha? Podia ter sido o de entregar a quem trabalhou o dia inteiro o den\u00e1rio combinado e ir reduzindo aos outros conforme as horas a menos que tinham andado no campo. Seria o justo acordado ou subentendido e estimado. E n\u00e3o havia problemas. Seria a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio em voga: a cada um conforme o seu trabalho, a sua produ\u00e7\u00e3o, o seu m\u00e9rito. Independentemente da pessoa, da sua necessidade e dignidade. Era o ensinamento dos rabinos, a pr\u00e1tica normal entre os judeus e dos trabalhadores contratados. Seria o pensar de Pedro e dos seus companheiros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cNo esc\u00e2ndalo sofrido pelos trabalhadores da primeira hora, afirma Manicardi, est\u00e1 toda a dist\u00e2ncia entre o pensar e o agir de Deus e o pensar e agir dos homens\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mas a par\u00e1bola apresenta uma outra atitude, um outro crit\u00e9rio de actua\u00e7\u00e3o. O propriet\u00e1rio v\u00ea em cada trabalhador uma pessoa com igual dignidade. Quer atender \u00e0 sua necessidade e \u00e0 da sua fam\u00edlia (um den\u00e1rio equivale ao indispens\u00e1vel para a sobreviv\u00eancia di\u00e1ria), quer mostrar que, satisfeita a justi\u00e7a, h\u00e1 sempre espa\u00e7o para a bondade e a gratuidade. Mas esta forma de proceder causa ci\u00fames e inveja a quem se julga com mais direitos. Da\u00ed, o di\u00e1logo amig\u00e1vel de esclarecimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Mestre de Nazar\u00e9 condensa, nesta narra\u00e7\u00e3o, o amor misericordioso de Deus para com todos, a sua benevol\u00eancia para com os mais desafortunados, o convite a cada um a dedicar-se ao bem da \u201cvinha\u201d ao longo da vida, a aceitar a hist\u00f3ria como o arco de tempo em que se encontra e realiza a humanidade. Em Pedro temos a resposta que ele procurava. Como cuido eu da vinha do Senhor que sou eu?<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/PIRO4D-2707530\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1612092\">PIRO4D<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1612092\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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