{"id":10291,"date":"2020-09-09T10:45:50","date_gmt":"2020-09-09T09:45:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10291"},"modified":"2020-09-09T10:45:50","modified_gmt":"2020-09-09T09:45:50","slug":"documentos-tempo-novo-carece-de-renovacao-carta-pastoral-de-d-antonio-moiteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-tempo-novo-carece-de-renovacao-carta-pastoral-de-d-antonio-moiteiro\/","title":{"rendered":"Documentos | TEMPO NOVO CARECE DE RENOVA\u00c7\u00c3O \u2013 Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Moiteiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.\u00a0<\/strong><strong>O tempo que vivemos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Ao longo dos tempos, fomos dando conta de que a sociedade se considerou autossuficiente, capaz de dominar tudo, dando primazia \u00e0 ci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Deus, querendo construir um projeto de sociedade sem Deus; por\u00e9m, o tempo presente a todos pede aprofundada reflex\u00e3o e mudan\u00e7a de atitudes e de comportamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia da covid-19, s\u00fabita e surpreendentemente, levou a sentirmo-nos amea\u00e7ados e fragilizados naquilo que nos \u00e9 mais precioso: a vida humana. Repentinamente depar\u00e1mo-nos confinados e isolados em nossas casas, privados do contacto direto da fam\u00edlia e dos amigos, e impelidos a mudar de vida, mesmo que temporariamente, atingindo-nos a todos e em todo o mundo, sem exce\u00e7\u00e3o de classe social, econ\u00f3mica ou religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia atingiu o mundo de forma intensa, desfez ou adiou projetos. No meio da perda, incerteza e sofrimento, percebemos que afinal h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o controlamos, despertando-nos para o aspeto da transitoriedade do mundo material. Foi, e continua a ser, foco de preocupa\u00e7\u00e3o em todos os setores da vida humana. Afetou as comunidades crist\u00e3s de v\u00e1rias maneiras, incluindo o cancelamento do culto, missas e outros servi\u00e7os paroquiais, peregrina\u00e7\u00f5es em torno de festas e festivais. De um momento para o outro, as aten\u00e7\u00f5es voltaram-se para o mundo digital, para nos mantermos em contacto uns com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, no dia 27 de mar\u00e7o de 2020, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro vazia, expressou: \u201cDensas trevas cobriram as nossas pra\u00e7as, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum sil\u00eancio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo \u00e0 sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos\u201d. O cen\u00e1rio ainda continua sombrio, mas a narrativa dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas d\u00e1-nos a certeza de que nas noites escuras da vida e da hist\u00f3ria o Senhor permanece connosco e caminha connosco (<em>Lc\u00a0<\/em>24, 13-35). Eis que num tempo que \u00e9 novo, s\u00f3 mudando podemos transmitir o que n\u00e3o muda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. A f\u00e9 n\u00e3o esmoreceu os crist\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi grande a oscila\u00e7\u00e3o de sentimentos e de decis\u00f5es. Fechar as igrejas foi uma medida de prud\u00eancia civil, totalmente recomend\u00e1vel em fun\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica, mas apesar do fecho dos edif\u00edcios para evitar o cont\u00e1gio da doen\u00e7a, o culto a Deus n\u00e3o se interrompeu e continua. O pr\u00f3prio Jesus entendia a\u00a0<strong>religi\u00e3o\u00a0<\/strong>de tal maneira que, para Ele, a prioridade e o mais urgente era remediar o\u00a0<strong>sofrimento<\/strong>\u00a0de todos os tipos de pessoas doentes, afirmando que prefere a \u201cmiseric\u00f3rdia ao sacrif\u00edcio\u201d (Mt 9,13). A prioridade, para Jesus, era sempre aliviar e remediar o sofrimento dos enfermos, dos pobres, dos mais desamparados deste mundo. Isto mesmo foi cumprido na obedi\u00eancia \u00e0s normas recomendadas e gra\u00e7as \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade e outros, que n\u00e3o se pouparam a esfor\u00e7os para cuidar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 n\u00e3o esmoreceu os crist\u00e3os, porque o\u00a0<strong>p\u00e2nico e o medo\u00a0<\/strong>n\u00e3o v\u00eam de Deus. \u201cN\u00e3o tenham medo!\u201d \u2013 disse Jesus muitas vezes. O sofrimento \u00e9, muitas vezes, um m\u00e9todo que Deus utiliza para amadurecer a nossa f\u00e9. A igreja tem que ser o \u00faltimo reduto de esperan\u00e7a para o povo. Diz o Papa Francisco, na\u00a0<em>Lumen Fidei<\/em>, que \u201ca f\u00e9 \u00e9 um bem para todos, um bem comum: a sua luz n\u00e3o ilumina apenas o \u00e2mbito da Igreja, nem serve somente para construir uma cidade eterna no al\u00e9m, mas ajuda tamb\u00e9m a construir as nossas sociedades de modo que caminhem para um futuro de esperan\u00e7a\u201d (<em>LF<\/em>\u00a051).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma crise \u00e9 ou deve ser sempre uma oportunidade para ir ao essencial da vida. E \u00e9 poss\u00edvel responder a uma crise com seriedade e for\u00e7a de vontade, mantendo um senso interior de calma e de esperan\u00e7a. Entre os muitos sinais exteriores e interiores, n\u00e3o \u00e9 esquecido o dia 25 de mar\u00e7o de 2020, dia em que ap\u00f3s a recita\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o em F\u00e1tima, se procedeu \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da consagra\u00e7\u00e3o de Portugal ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, cerim\u00f3nia na qual pudemos estar presentes espiritualmente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja soube escutar e ser criativa para que a comunh\u00e3o n\u00e3o se quebrasse e continuamente apelar aos crist\u00e3os a fazer uma \u201ccomunh\u00e3o espiritual\u201d. Os sacerdotes arranjaram mil maneiras de estar perto do povo. H\u00e1 que conservar a f\u00e9 e procurar irradi\u00e1-la, porque a Igreja continua a alimentar os seus filhos atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, da Palavra, das celebra\u00e7\u00f5es (tantas vezes que em tempo de confinamento foram transmitidas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o mais diversos, assim como a catequese), a prestar assist\u00eancia aos pobres e necessitados pela caridade e criando redes de solidariedade. \u00c9 de louvar todo o empenho criativo e ajuda que as par\u00f3quias revelaram \u2013 a quem endere\u00e7o o meu reconhecimento e a minha gratid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o momentos muito dif\u00edceis e nem todos est\u00e3o preparados para lidar com esta crise com o equil\u00edbrio necess\u00e1rio. O prop\u00f3sito da vida, as dificuldades encontradas e a morte est\u00e3o entre os questionamentos que encontram sentido na f\u00e9. \u201cE sabei que Eu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d (<em>Mt<\/em>\u00a028, 20). Estas palavras de Jesus, dirigidas aos disc\u00edpulos, d\u00e3o-nos a certeza de que n\u00e3o estamos sozinhos diante dos problemas, desilus\u00f5es, sofrimentos, crises, pandemias, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Cristo morto e ressuscitado \u00e9 a grande raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo morto e ressuscitado \u00e9 a grande raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a, e \u201cdevemos estar sempre prontos a dar raz\u00e3o dela a todo aquele que no-la pedir\u201d (<em>1Pd<\/em>\u00a03,15). N\u2019Ele, e gra\u00e7as a Ele, tamb\u00e9m a vida social pode ser redescoberta, mesmo com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e ambiguidades, como lugar de vida e de esperan\u00e7a, enquanto sinal de uma gra\u00e7a que a todos \u00e9 oferecida e que, enquanto Senhor da vida, apela \u00e0s formas mais altas e abrangentes de partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja re\u00fane-se em cada domingo para celebrar a mem\u00f3ria da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, a Eucaristia. \u00c9 encontrando-se com os irm\u00e3os, celebrando, cantando, rezando, ouvindo a Palavra de Deus e alimentando-se da Eucaristia que se mant\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o aquecido, no amor do Senhor, e que se renova a disposi\u00e7\u00e3o de ser dom na vida da sociedade. Como disc\u00edpulos de Cristo ressuscitado, temos que nos consciencializar profundamente do an\u00fancio e testemunho do amor de Deus. Cristo venceu a morte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suspensa na cruz, no sil\u00eancio e na derrota aparente, a for\u00e7a do amor de Cristo estava presente em sua M\u00e3e, que o contemplava em sil\u00eancio, operante nas mulheres que o velavam, e na coragem de Jos\u00e9 de Arimateia e de Nicodemos, que reivindicaram o corpo de Jesus e lhe deram uma sepultura digna. Ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o, este poder e esta coragem tornaram-se caracter\u00edsticos de todos os seguidores de Jesus, anunciando ao mundo inteiro a vit\u00f3ria de Cristo sobre o mal. A morte n\u00e3o tem a palavra final, quando abrimos espa\u00e7o \u00e0 verdadeira esperan\u00e7a. Iluminados por Cristo ressuscitado, que nenhum v\u00edrus O poder\u00e1 derrotar, seremos reflexo dessa boa nova no mundo de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Caminhos para revigorar as comunidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00eam sido in\u00fameras as iniciativas promovidas por dioceses, par\u00f3quias, ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas, movimentos eclesiais, institui\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia, al\u00e9m de iniciativas individuais e familiares, em favor das pessoas atingidas direta ou indiretamente pela pandemia. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio continuar a garantir este esfor\u00e7o e dinamismo da fraternidade para com o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento hist\u00f3rico, n\u00e3o podemos pensar no \u201cfez-se sempre assim\u201d. H\u00e1 um dinamismo pastoral que importa continuar, de modo pr\u00f3-ativo e criativo. Somos convidados a redescobrir e aprofundar o valor da comunh\u00e3o que une todos os membros da Igreja, a qual desde as suas origens, apesar das falhas de muitos dos seus membros, nunca deixou de trabalhar por aliviar, defender e libertar o pr\u00f3ximo nas suas v\u00e1rias necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma sociedade que, em todos os n\u00edveis, quer intencionalmente estar ao servi\u00e7o do ser humano \u00e9 a que se prop\u00f5e como meta priorit\u00e1ria o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem todo\u201d (cf.\u00a0<em>CCE<\/em>\u00a01912). Que a luz da f\u00e9 ilumine os caminhos a serem trilhados durante e no p\u00f3s-pandemia. \u00c9 necess\u00e1rio colocar as estruturas ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo e criar parcerias que possam ajudar as pessoas a serem protagonistas da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Para tal, \u00e9 preciso envolver poderes p\u00fablicos, mundo empresarial, meios de comunica\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es educativas, governamentais e outras, cada cidad\u00e3o. N\u00e3o podemos continuar a pensar na \u201ccultura do descarte\u201d, como se nada tivesse a ver connosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo presente o Plano Pastoral Diocesano para o ano em curso, n\u00e3o tendo sido poss\u00edvel concluir o ano dedicado \u00e0\u00a0<em>voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia: com o olhar fixo em Jesus<\/em>, continuaremos a envidar esfor\u00e7os para aprofundar o tema. Perante o contexto em que vivemos, cada vez mais \u00e9 necess\u00e1rio que a fam\u00edlia se torne naquilo que \u00e9 e assuma a sua miss\u00e3o. Neste sentido, urge organizar a pastoral familiar nos arciprestados e par\u00f3quias (equipa arciprestal e equipa paroquial ou interparoquial), caminhando com a equipa diocesana de pastoral familiar. Relembro que a vida em casal \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o na obra fecunda de Deus, e cada um \u00e9 para o outro uma permanente provoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Os dois s\u00e3o entre si reflexos do amor divino, que conforta com a palavra, o olhar, a ajuda, a car\u00edcia, o abra\u00e7o\u2026 Os casais crist\u00e3os s\u00e3o chamados a viver segundo a sua voca\u00e7\u00e3o de imagem de Deus, que \u00e9 um chamamento e um compromisso para toda a vida, atrav\u00e9s da viv\u00eancia do amor m\u00fatuo, da partilha e da comunh\u00e3o entre si, com os irm\u00e3os e com Deus. Sem perder a alegria, a aud\u00e1cia e a dedica\u00e7\u00e3o cheia de esperan\u00e7a, \u00e9 fundamental promover iniciativas conducentes a valorizar a fam\u00edlia, ajudando todos os casais a serem Igreja na sua conjugalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos estamos a sofrer com esta pandemia, mas as camadas sociais vulner\u00e1veis s\u00e3o as que mais sofrem: idosos nos lares mais fragilizados, aumento do n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, perda de emprego, fal\u00eancia de empresas, aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es para se precaver contra o cont\u00e1gio. Urge, sem pretensiosismos, prestar assist\u00eancia aos mais necessitados das nossas comunidades: idosos, vi\u00favas, isolados, desempregados, trabalhadores prec\u00e1rios, vendedores cuja atividade foi seriamente prejudicada, aqueles cujos recursos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a sua subsist\u00eancia\u2026 Os momentos de sofrimento e de luto s\u00e3o os que mais abalam a esperan\u00e7a e que, portanto, mais acompanhamento e proximidade exigem. A Igreja continuar\u00e1 a ser interpelada no seu cuidado pelos \u00faltimos e fr\u00e1geis da nossa sociedade. Sabemos que n\u00e3o podemos cuidar de todos, mas podemos cuidar de quem est\u00e1 perto. \u00c9 preciso incentivar as comunidades ao cuidado com a pr\u00f3pria vida e com a vida do pr\u00f3ximo. \u201cSer\u00e1 com os descartados desta humanidade vulner\u00e1vel que, no fim dos tempos, o Senhor plasmar\u00e1 a sua \u00faltima obra de arte. Pois, o que \u00e9 que resta? O que \u00e9 que tem valor na vida? Quais s\u00e3o as riquezas que n\u00e3o desaparecem? Seguramente duas: o Senhor e o pr\u00f3ximo. Estas duas riquezas n\u00e3o desaparecem\u201d (<em>G et Ex<\/em>\u00a061).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instalou-se uma crise econ\u00f3mica, social e sanit\u00e1ria. Com isto podem aflorar doen\u00e7as psicol\u00f3gicas, dist\u00farbios, desequil\u00edbrios afetivos e emocionais, pelo que devemos estar atentos e sol\u00edcitos com estas realidades. Para al\u00e9m da necessidade de apoio espiritual, os problemas financeiros tamb\u00e9m come\u00e7am a afetar a vida das par\u00f3quias. \u00c9 tempo de manifestarmos concretamente a nossa caridade atrav\u00e9s da ajuda entre par\u00f3quias que t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e aquelas menos favorecidas, entre irm\u00e3os que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es melhores e os que n\u00e3o t\u00eam. H\u00e1 que partilhar, n\u00e3o s\u00f3 o que sobra, mas tamb\u00e9m o que \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um tempo que ficar\u00e1 marcado na mem\u00f3ria de todos, em que se experimenta a conting\u00eancia da vida, emerge a quest\u00e3o do sentido da vida. Nesta busca de sentido desponta, por vezes, a procura do religioso. Porque somos pessoas a quem a vida interroga cont\u00ednua e incessantemente, a pandemia pode ser um elemento despertador da dimens\u00e3o religiosa, da busca de Deus, pelo que precisamos de estar atentos a estas situa\u00e7\u00f5es e ajudar as pessoas a acolher o fundamento da nossa f\u00e9, isto \u00e9, Jesus Cristo. Partilho convosco alguns desafios que todos devemos ter presentes neste in\u00edcio de ano pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00ba O cumprimento das normas emanadas pela Confer\u00eancia Episcopal e pela Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade para estes tempos de pandemia devem ser cumpridas por todos e por cada uma das nossas comunidades paroquiais. Devemos continuar atentos e vigilantes no que diz respeito ao uso da m\u00e1scara e \u00e0 desinfe\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os sagrados e de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00ba N\u00e3o basta que os disc\u00edpulos de Cristo rezem individualmente e recordem interiormente, no segredo do cora\u00e7\u00e3o, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. A celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em comunidade \u00e9 fundamental para o ser crist\u00e3o. Em comunidade crescemos na f\u00e9 e n\u00e3o tenhamos medo, mesmo com algum sacrif\u00edcio, de participar na Eucaristia dominical com os outros membros da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00ba A catequese deve ter in\u00edcio algumas semanas ap\u00f3s a abertura das aulas. O regresso \u00e0s aulas pode ajudar-nos no regresso \u00e0s atividades catequ\u00e9ticas e de forma\u00e7\u00e3o. A catequese presencial deve ser a forma normal de organiza\u00e7\u00e3o da catequese. Onde n\u00e3o for poss\u00edvel o ritmo semanal por falta de espa\u00e7os onde se possam manter as normas sanit\u00e1rias, proponho que alternemos a catequese com a Eucaristia: uma semana a catequese e na outra a Eucaristia. Os pais devem participar na Eucaristia dos filhos e serem chamados a fazer com os filhos uma pequena s\u00edntese daquilo que foi a Palavra de Deus\/catequese na Eucaristia. N\u00e3o ser\u00e1 este o tempo ideal para implementarmos a catequese familiar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00ba A celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos deve inserir-se no ritmo de vida das comunidades crist\u00e3s. O adiamento das celebra\u00e7\u00f5es da catequese n\u00e3o ajuda ao crescimento da f\u00e9 e a celebra\u00e7\u00e3o de outros sacramentos \u2013 crisma, confiss\u00e3o, matrim\u00f3nio \u2013 deve adaptar-se ao ritmo \u201canormal\u201d que vivemos. A vida crist\u00e3 deve inserir-se no \u201canormal\u201d do quotidiano que estamos a viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00ba Sinto o dever de pedir aos sacerdotes que vivam a comunh\u00e3o em presbit\u00e9rio, dando as m\u00e3os na renova\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s, sem descurar o acompanhamento dos sacerdotes e di\u00e1conos em situa\u00e7\u00f5es de fragilidade. Cada vez mais se torna necess\u00e1rio dar testemunho na unidade e no di\u00e1logo, p\u00f4r em comum os projetos, as dificuldades, as necessidades espirituais e materiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00ba Por fim, proponho que o in\u00edcio do ano pastoral seja feito em todas as par\u00f3quias no primeiro fim-de-semana de outubro, nas Eucaristias dos dias tr\u00eas e quatro, atrav\u00e9s de um gesto que ser\u00e1 proposto a toda a Diocese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos efetivamente voltar aonde est\u00e1vamos. \u201cViu, sentiu compaix\u00e3o e cuidou dele\u201d (<em>Lc<\/em>\u00a010, 33-34). Uma das grandes for\u00e7as da Igreja ao longo dos s\u00e9culos tem sido justamente esta capacidade de renova\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio da miseric\u00f3rdia. Continuemos prudentes, vigilantes e atuantes. Que em cada um de n\u00f3s habite sempre a jubilosa certeza de que o Senhor caminha connosco! E que a Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 nos acompanhe nesta caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aveiro, 08 de setembro de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2020<\/em>\u00a0Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<em>\u00a0Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; 1.\u00a0O tempo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,12],"tags":[],"class_list":["post-10291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10291"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10294,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10291\/revisions\/10294"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}