{"id":10176,"date":"2020-10-08T08:00:59","date_gmt":"2020-10-08T07:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=10176"},"modified":"2020-08-28T00:25:55","modified_gmt":"2020-08-27T23:25:55","slug":"pensamento-de-edith-stein-ao-ritmo-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-ao-ritmo-do-evangelho\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | Ao ritmo do Evangelho"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Ao ritmo do Evangelho<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho descobrimos o aut\u00eantico rosto de Maria. Tudo o que necessitamos de saber dela, encontra-se ali reflectido:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abNa Sagrada Escritura encontramo-nos com muito poucas palavras sobre a Virgem Maria, mas essas palavras s\u00e3o como gr\u00e3os de ouro pur\u00edssimo: se os fundimos com o fogo de uma amorosa contempla\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o mais que suficientes para que irradiem sobre n\u00f3s e sobre toda a nossa vida um luminoso resplendor\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">13<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o encontramos em Edith um estudo sistem\u00e1tico de todos os textos marianos presentes no Novo testamento. Nem sequer encontramos alus\u00f5es a todos os textos, embora sim a uma grande parte deles. A nossa autora, como vimos a sublinhar repetidamente, est\u00e1 interessada particularmente em real\u00e7ar aqueles elementos e atitudes que caracterizam a vida da Virgem Maria e que servem de exemplo para todos os seguidores do seu filho. Ela, como primeira redimida e a mulher perfeita, encarna em si mesma o ideal do seguidor perfeito de Cristo. E a ela temos que olhar para o descobrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Edith Stein o que caracteriza toda a vida evang\u00e9lica de Maria \u00e9 a sua entrega total \u00e0 miss\u00e3o encomendada por Deus. E essa ser\u00e1 a chave \u2013 manifestada no <em>fiat <\/em>\u2013 para ler e interpretar todo o seu caminho. Edith resume m poucas palavras o conte\u00fado da vida-miss\u00e3o de Maria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abDesde que sabe que gerou um filho esteve totalmente ao servi\u00e7o desta miss\u00e3o. Foi-lhe dado por Deus, guardou-o para Deus. A sua vida foi uma expecta\u00e7\u00e3o recolhida at\u00e9 \u00e0 hora do nascimento, depois servi\u00e7o fervoroso e aten\u00e7\u00e3o a todas as palavras e sinais que deixam prever algo do seu futuro caminho, junto com todo o respeito \u00e0 divindade escondida n\u2019Ele, autoridade respons\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao menino, participa\u00e7\u00e3o na sua obra em confiada perseveran\u00e7a at\u00e9 \u00e1 sua morte e mais al\u00e9m da morte\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">14<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa entrega total e generosa concretiza-se como dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de m\u00e3e. Na maternidade, entendida num sentido global, Maria desenvolve o sue papel de serva do Senhor durante toda a sua vida. Confundem-se no conte\u00fado a maternidade e a realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abNo centro da sua vida est\u00e1 o seu Filho <\/em>(Lc 2, 51-52).<em> Espera o seu nascimento com alegre expecta\u00e7\u00e3o <\/em>(Lc 1, 45-55),<em> protege a sua inf\u00e2ncia <\/em>(Lc 2, 39-40),<em> segue-o em todos os caminhos pr\u00f3ximos ou long\u00ednquos como Ele deseja <\/em>(Lc 2, 46-50, 8, 19-21; Mt 12, 46-50; Mc 3, 31-35; Jo 2, 1-12),<em> sust\u00e9m-no morto nos bra\u00e7os: executa o testamento de quem partiu <\/em>(Jo 19, 25-27).<em> Mas tudo isto n\u00e3o o faz como coisa sua, nisso \u00e9 a escrava do Senhor, faz o que Deus lhe ordenou <\/em>(Lc 1, 38).<em> E, por isso, considera o Filho n\u00e3o como sua propriedade: recebeu-o das m\u00e3os de Deus, p\u00f5e-no novamente nas m\u00e3os de Deus para o oferecer no templo <\/em>(Lc 2, 22-24),<em> para o acompanhar at\u00e9 \u00e0 morte de cruz <\/em>(Jo 19, 25-27)<em>\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">15<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui fica resumida a vida da Virgem. Mas vamos procurar seguir, de um\u00a0 modo l\u00f3gico, a partir dos relatos evang\u00e9licos, a leitura que Edith faz dos momentos centrais da vida de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A anuncia\u00e7\u00e3o<\/strong> (Lc 1, 26-38). Mais do que fazer um coment\u00e1rio de todo o relato, Edith limita-se a sublinhar as respostas da Virgem, as suas primeiras palavras que nos foram transmitidas. Vamos descobrir neste texto a presen\u00e7a dalgumas tradi\u00e7\u00f5es marianas que lhe servem para completar a sua leitura e interpreta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abAs primeiras palavras que ouvimos da boca de Maria, no di\u00e1logo da Anuncia\u00e7\u00e3o, \u201ccomo ser\u00e1 isso, se eu n\u00e3o conhe\u00e7o homem\u201d? (Lc 1, 34), s\u00e3o a <strong>declara\u00e7\u00e3o da sua pureza<\/strong> <strong>virginal<\/strong>. Maria fez uma <strong>entrega total de si<\/strong>, do seu cora\u00e7\u00e3o, do seu corpo, da sua alma, e do seu esp\u00edrito ao servi\u00e7o de Deus. A sua vida agradou ao Todo-Poderoso, que aceitou a sua entrega e premiou-a com a admir\u00e1vel <strong>fecundidade da maternidade<\/strong> <strong>divina<\/strong>. Nela penetrou profundamente o mist\u00e9rio da virgindade, sobre a qual o seu Filho mais tarde disse: \u201cQuem puder entender, entenda\u201d (Mt 19, 12). O seu cora\u00e7\u00e3o saltou de alegria quando experimentou \u201co que Deus tinha preparado para aqueles que o amam\u201d (1 Co 2, 9; Is 64, 3)&#8230; Quando o Anjo ouviu a resposta de Maria dissipou imediatamente todas as suas preocupa\u00e7\u00f5es. Deus nunca pensou deslig\u00e1-la do seu voto. De maneira nenhuma; precisamente, em virtude da sua virgindade, pode ser fecundada pelo Esp\u00edrito Santo, isto \u00e9, converter-se em <strong>Virgem M\u00e3e<\/strong>. Escutemos agora a segunda frase da Virgem: \u201cEis a serva do Senhor, fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u201d (Lc 1, 38). Esta \u00e9 a <strong>express\u00e3o mais perfeita da obedi\u00eancia<\/strong>. Obedecer significa escutar a palavra de outro, para se submeter \u00e0 sua vontade. E \u00e9 uma virtude, ou melhor, um acto da justi\u00e7a submeter-se a outro quando \u00e9 nosso \u201csuperior\u201d, e como tal tem o dom de nos indicar de modo mais seguro o caminho a seguir. Aqui, n\u00e3o se entende por justi\u00e7a a perfei\u00e7\u00e3o em si, mas a virtude cardeal, que d\u00e1 a cada um o que lhe corresponde\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">16<\/a><em>. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A visita a Isabel<\/strong> (Lc 1, 39-45). Tivemos a ocasi\u00e3o de indicar anteriormente a import\u00e2ncia que Edith d\u00e1 a este acontecimento, pondo a aten\u00e7\u00e3o na alegria experimentada por Jo\u00e3o Baptista no seio de Isabel perante a presen\u00e7a de Maria. Neste caso, a nossa autora pretende sublinhar a import\u00e2ncia da maternidade e a \u00edntima uni\u00e3o existente entre a m\u00e3e e o filho durante a gesta\u00e7\u00e3o. Uma unidade que supera o meramente biol\u00f3gico ou ps\u00edquico e se realiza no an\u00edmico e espiritual. Deste modo, Edith pretende fazer-nos ver como a maternidade de Maria, sup\u00f5e igualmente, uma profunda uni\u00e3o entre a m\u00e3e e o filho. E ela encontra aqui um fundamento para poder falar do sentido mais humano e menos dogm\u00e1tico da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abMas o Filho do homem, que quis ser em tudo homem, excepto no pecado, n\u00e3o deveria receber do amor de sua m\u00e3e n\u00e3o somente a carne e o sangue para a forma\u00e7\u00e3o do seu corpo, mas tamb\u00e9m o alimento da alma? Mais ainda, isto n\u00e3o devia constituir o sentido mais profundo da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o? A m\u00e3e que no mais puro do seu corpo e da sua alma queria assemelhar-se ao seu filho devia ser absolutamente pura. A maternidade de Maria \u00e9 o arqu\u00e9tipo de toda a maternidade; como ela, toda a m\u00e3e humana deveria ser m\u00e3e com toda a sua alma, para fazer penetrar toda a riqueza da sua alma na do seu filho\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">17<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Magnificat<\/strong> (Lc 1, 46-55).\u00a0 Nos escritos de Edith encontramos poucas men\u00e7\u00f5es esclarecedoras ou interpreta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a um dos mais belos textos marianos como \u00e9 o Magnificat. Poder\u00edamos especular ao compasso da sua vida sobre uma poss\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o do mesmo, mas afastar-nos-\u00edamos do nosso prop\u00f3sito. Nesta ocasi\u00e3o podemos recordar um texto que h\u00e1 alguns anos se atribu\u00eda a Edith. E embora n\u00e3o sendo do seu punho e letra podemos supor que se identifica muito bem com a sua maneira de pensar. Vai muito na linha de uma leitura s\u00f3cio-pol\u00edtica do Magnificat, muito familiar \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abQuem pode afirmar que a pol\u00edtica n\u00e3o tem nada a ver com a religi\u00e3o, e que as almas t\u00eam que afastar-se da vida p\u00fablica? Se a Virgem de Nazar\u00e9, na paz e no sil\u00eancio da sua alma absorvida em Deus seu Salvador, se interessa, na estrofe central do Magnificat, da cena deste mundo, \u00e9 poss\u00edvel que o homem religioso, e n\u00e3o menos a mulher, permane\u00e7a indiferente&#8230;\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">18<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os adoradores do Menino Jesus<\/strong> (cf. Lc 2, 12-20; Mt 2, 1-12). Edith foi sempre uma grande admiradora do mist\u00e9rio do Natal, tal como descobrimos figurado em v\u00e1rios dos seus escritos espirituais. No entanto, a sua aten\u00e7\u00e3o centrou-se principalmente nessas personagens que rodeiam o mist\u00e9rio escondido deste evento. Todos juntos s\u00e3o um sinal evidente do que ser\u00e1 depois a Igreja: encontramos ali o seu g\u00e9rmen. Contudo, os Magos v\u00e3o ser alvo particular da sua pena contemplativa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abQu\u00e3o imensa teria que ser a alegria da M\u00e3e de Deus quando viu aproximar-se a magn\u00edfica caravana dos tr\u00eas Reis Magos! Era o cumprimento do que ela tinha rezado durante toda a sua vida e do que o profeta real predisse: \u201cReges Arabum et Saba dona adducent\u201d <\/em>(cf. Is 60, 6; Sl 72, 10).<em> Chegavam ent\u00e3o com os seus dons, os primeiros dos gentios; segui-los-\u00e3o outros at\u00e9 que se fa\u00e7a realidade que todos os povos da terra adorem o \u00fanico Deus em esp\u00edrito e em verdade. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E com os olhos do seu esp\u00edrito via aproximar-se outra caravana, de tal maneira numerosa que ningu\u00e9m poderia contar: todos os que ela pr\u00f3pria chamaria \u2013 ela, a M\u00e3e do Filho de Deus e a Rainha do seu futuro Reino \u2013; os que ela chamaria como seguidores de seu Filho. Tamb\u00e9m eles trariam dons, dons mais preciosos que o ouro resplandecente, ou que o arom\u00e1tico incenso, ou que a mirra precios\u00edssima: um cora\u00e7\u00e3o desapegado de todos os bens terrenos e assim livre para o Amor, por isso mais puro que o ouro; uma vontade que se consome na entrega \u00e0 vontade de Deus e sobe at\u00e9 Ele como incenso de suave aroma; uma alma que venceu as suas paix\u00f5es e que com a mirra dos defuntos est\u00e1 livre da corrup\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 isto que Maria pede aos seus filhos, e o que seu Filho aconselhar\u00e1 aos seus amigos: o caminho da pobreza, obedi\u00eancia e castidade\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[1]<\/a>20<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Guardava a palavra no seu cora\u00e7\u00e3o<\/strong> (Lc 2, 19. 51). Pelo menos em duas ocasi\u00f5es o evangelista Lucas define a atitude de Maria como a daquela que em sil\u00eancio guardava e meditava no seu cora\u00e7\u00e3o tudo o que acontecia e ouvia. Na inten\u00e7\u00e3o do evangelista parece descobrir-se uma tentativa para apresent\u00e1-la, al\u00e9m disso, como exemplo e incentivo de todos aqueles que buscam a Deus no di\u00e1logo silencioso. Pelo menos assim o interpreta Edith:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abA Virgem, que guardava a palavra de Deus no seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o modelo daquelas pessoas atentas nas quais revive continuamente a ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus (cf. Jo 17). E o Senhor escolheu preferentemente mulheres que, como ela, se esqueceram completamente de si pr\u00f3prias para se submergirem na vida e na paix\u00e3o de Cristo, e serem seus instrumentos na realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras na Igreja&#8230;\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">21<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria em Can\u00e1<\/strong> (Jo 2, 1-12). O acontecimento das Bodas de Can\u00e1 manifesta-nos, na reflex\u00e3o de Edith, a atitude que configura a vida de Maria, o seu modo de estar e situar-se perante o mundo e suas necessidades:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00ab&#8230; O seu olhar silencioso e penetrante observa tudo e d\u00e1-se conta onde falta algo. E antes de que outros se d\u00eaem conta, antes de que surja a vergonha, outorga a sua ajuda.\u00a0 Encontra meios e modos; d\u00e1 as indica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias; e tudo em sil\u00eancio, sem se fazer notar\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">22<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aos p\u00e9s da Cruz<\/strong> (Jo 19, 25-27). Edith Stein \u00e9 uma profunda contempladora do mist\u00e9rio da cruz, e junto da cruz nunca esquece de contemplar a Maria, a m\u00e3e dolorosa, que, no entanto, manifesta aqui a sua fidelidade \u00e0 vontade do Pai e o seu amor ao Filho. Por isso, \u00absob a Cruz a Virgem das virgens converteu-se em <strong>m\u00e3e da<\/strong> <strong>Gra\u00e7a<\/strong>\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">23<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esperando o dom do Esp\u00edrito Santo<\/strong> (Act 1, 14; 2, 1-4). Diz\u00edamos que para Edith a Virgem Maria \u00e9 o s\u00edmbolo da Igreja e o sue primeiro membro. Isso vai implicar, al\u00e9m de que a sua miss\u00e3o de iniciadora do Reino e de m\u00e3e da humanidade a colocam tamb\u00e9m no in\u00edcio da nova humanidade redimida em Cristo, que ela vai estar presente, como o centro, no <strong>come\u00e7o da vida externa da Igreja<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abReunida \u00e0 volta da Virgem, que orava em sil\u00eancio, esperou a Igreja nascente a nova infus\u00e3o do Esp\u00edrito, que a devia vivificar para uma maior clareza interior e para uma ac\u00e7\u00e3o exterior frutuosa\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">24<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o que Edith tem de Maria n\u00e3o acaba aqui. Mas tenhamos muito presente que os elementos que v\u00e3o configurar o desenvolvimento da sua reflex\u00e3o sobre Maria, como modelo de todo o crist\u00e3o e de toda a mulher, aprofundam as suas ra\u00edzes nas conclus\u00f5es \u00e0s quais chega a partir da sua reflex\u00e3o b\u00edblica. Com todos estes elementos sublinhados temos a estrutura da mariologia steiniana<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">25<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">13<\/a> <em>Por ocasi\u00e3o de 1\u00aa profiss\u00e3o da Ir. Miriam<\/em>, em Obras 266-267.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">14<\/a> <em>Os problemas da educa\u00e7\u00e3o da mulher<\/em>, em A mulher 224.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">15<\/a> <em>O Ethos da profiss\u00e3o feminina<\/em>, em A mulher 32-33 (as cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas n\u00e3o s\u00e3o de Edite).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">16<\/a> <em>Por ocasi\u00e3o de 1\u00aa profiss\u00e3o da Ir. Miriam<\/em>, em Obras 267-268 (o negrito \u00e9 meu).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">17<\/a> SFSE 531-532.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">18<\/a> <em>Aufgaben der katholischen Akademikerinnen der Schweiz, <\/em>em ESW V, p. 225. A autora est\u00e1 a citar o Cardeal FAULHABER<em>, Kommentar zu den Vesperpsalmen, <\/em>M\u00fcnchen, 1929, p. 333. Este escrito foi durante alguns anos aplicado a Edite Stein por se encontrar uma c\u00f3pia do mesmo entre os seus manuscritos. Demonstrou-se posteriormente que n\u00e3o \u00e9 da sua autoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><\/a>20 <em>A festa dos Reis Magos<\/em> (1942), em Obras 251. Noutro lugar afirma: \u00abEncontramos nos homens que se reuniram em volta do pres\u00e9pio uma imagem clara da Igreja e do seu crescimento. Os representantes da antiga dinastia real, \u00e0 qual tinha sido prometido o Salvador do mundo, e os representantes do povo fiel constituem\u00a0 o tra\u00e7o de uni\u00e3o entre o Antigo e o Novo Testamento. Os Reis do Oriente representam os pag\u00e3os, aos quais desde Jud\u00e1 lhes seria dada a salva\u00e7\u00e3o. Temos assim uma Igreja constitu\u00edda por judeus e pag\u00e3os. Os Magos chegaram ainda ao pres\u00e9pio como representantes daqueles que em todos os pa\u00edses e povos procuram a salva\u00e7\u00e3o. A gra\u00e7a conduzira-os ao pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, antes de pertencerem \u00e0 Igreja vis\u00edvel. Vivia neles um desejo puro de alcan\u00e7ar a Verdade, que n\u00e3o se deixa conter nas fronteiras das doutrinas e tradi\u00e7\u00f5es particulares. Deus \u00e9 a Verdade e quer manifestar-se a todos aqueles que O procuram com cora\u00e7\u00e3o sincero; por isso, tarde ou cedo, a estrela tinha que aparecer a esses <em>s\u00e1bios<\/em>, para os conduzir pelo caminho da Verdade. Por isso, apresentam-se diante da Verdade encarnada e, prostrados diante dela, dep\u00f5em as suas coroas a seus p\u00e9s, pois todos os tesouros do mundo n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o p\u00f3 em compara\u00e7\u00e3o com ela. Os Magos t\u00eam tamb\u00e9m para n\u00f3s um significado especial. Pertencendo j\u00e1 \u00e0 Igreja vis\u00edvel, percebemos muitas vezes a necessidade interior de superar os limites das concep\u00e7\u00f5es e costumes herdados. J\u00e1 conhec\u00edamos a Deus, no entanto sent\u00edamos que Ele queria ser procurado e encontrado de uma maneira nova. Por isso, buscamos uma estrela que nos indique o caminho recto. Essa estrela manifestou-se na gra\u00e7a da nossa voca\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Vida escondida e Epifania<\/em>, em Obras 243-244).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">21<\/a> <em>A ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/em>, em Obras 404.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">22<\/a><em>O Ethos da profiss\u00e3o feminina<\/em>, em A mulher 37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">23<\/a> <em>A eleva\u00e7\u00e3o da Cruz<\/em>, em Obras 239.\u00a0 Para fazermos uma ideia da vis\u00e3o que Edite tem da Piedade veja-se: <em>Juxta Crucem tecum stare<\/em>, em Obras 594-595; <em>Carta 28\/4\/1935<\/em>, em Cartas 223-224.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">24<\/a> <em>A ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/em>, em Obras 403.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">25<\/a>Para uma vis\u00e3o mais completa da mariologia steiniana, remeto o leitor ao meu livro: <em>Uma<\/em> <em>espiritualidade para hoje segundo Edite Stein<\/em>, Burgos, 1998, pp. 361-379.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> La Biblia con ojos de mujer. Edith Stein y la Sagrada Escritura. <\/em>Editorial Monte Carmelo, 2001. Pp. 105-109.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jjandson-4453080\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2044835\">Jos\u00e9 Jandson Queiroz<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2044835\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10177,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-10176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10176"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10178,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10176\/revisions\/10178"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}