{"id":3493,"date":"2026-06-15T10:08:24","date_gmt":"2026-06-15T09:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3493"},"modified":"2026-06-15T10:08:24","modified_gmt":"2026-06-15T09:08:24","slug":"homilia-do-sagrado-coracao-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2026\/06\/15\/homilia-do-sagrado-coracao-de-jesus\/","title":{"rendered":"Homilia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus"},"content":{"rendered":"\n<p>O dia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, est\u00e1 associado \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes. Este ano de 2026, tal como afirma a mensagem da Comiss\u00e3o Episcopal voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios para este dia, estamos todos convidados a rezar pelos sacerdotes, especialmente pela sua humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Humanos como todos e n\u00e3o super-humanos como ningu\u00e9m, os sacerdotes s\u00e3o fr\u00e1geis, &#8220;vasos de argila&#8221;, mas instrumentos de Gra\u00e7a, sinais de um &#8220;tesouro&#8221; que transportam. \u00c9 esta humanidade que \u00e9 necess\u00e1rio alimentar, de forma desarmada, longe dos focos do poder, isenta de interesses e recompensas\u2026 que faz apontar sempre para Jesus, o Sacerdote \u00danico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTu \u00e9s um Povo consagrado ao Senhor\u201d. A elei\u00e7\u00e3o de Israel, tal como a nossa para servirmos o povo santo de Deus, baseia-se no amor gratuito de Deus. A elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto de uma conquista humana, mas \u00e9 sempre pura gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>S. Jo\u00e3o, na segunda leitura, diz-nos que o amor de Deus se manifestou de forma clara no envio de Jesus, o Filho, que se tornou um homem como n\u00f3s, que partilhou a nossa humanidade, que nos ensinou a viver a vida de Deus e, levando ao extremo o seu amor pelos homens, morreu na cruz. A cruz manifesta a \u201cqualidade\u201d do amor de Deus pela humanidade: amor gratuito, incondicional, de entrega total e que nos transforma a partir de dentro de cada um de n\u00f3s. Para um crist\u00e3o, e mais ainda para um sacerdote ou um di\u00e1cono, servidores do povo de Deus, tamb\u00e9m o nosso amor pelos irm\u00e3os deve ser gratuito, incondicional, total, at\u00e9 \u00e0 morte.&nbsp;Viver no amor \u00e9 escolher Deus, permanecer em Deus, viver em comunh\u00e3o com Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta Eucaristia, queremos dar gra\u00e7as a Deus por tanto bem realizado nas nossas par\u00f3quias, por tantos agentes de pastoral que com generosidade e gratuidade se entregam ao servi\u00e7o e an\u00fancio do reino de Deus, e pelo trabalho feito e mostrado at\u00e9 agora na reflex\u00e3o e estudo das comunidades pastorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na peregrina\u00e7\u00e3o que o Papa Le\u00e3o XIV fez nestes dias a Espanha, prop\u00f4s aos bispos a imagem de uma viagem cujo destino \u00e9 Deus, para quem elevamos o nosso olhar. Penso que o nosso trabalho sobre o futuro na nossa diocese de Aveiro e, mais concretamente, a implementa\u00e7\u00e3o das comunidades pastorais, tem muito a aprender com os desafios que o sucessor de Pedro nos oferece. Apresento apenas tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba Uma tenta\u00e7\u00e3o nas viagens \u00e9 a de nos acorrentarmos ao que deixamos para tr\u00e1s, os lugares, as coisas, as formas\u2026 sem nos abrirmos em docilidade ao Esp\u00edrito, \u00e0 novidade do que encontramos. A esta tenta\u00e7\u00e3o junta-se a da bagagem, que, por raz\u00f5es semelhantes, enchemos de coisas in\u00fateis que acabam por ser, mais do que um al\u00edvio, um fardo. Por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o conv\u00e9m esquecer algo que aprendemos com as vicissitudes de tantos emigrantes: uma pessoa sozinha, sem ra\u00edzes e sem recursos, algu\u00e9m que sofre terrivelmente e que s\u00f3 com grande dificuldade consegue estabelecer la\u00e7os s\u00f3lidos no lugar aonde chega.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba Outro tesouro que n\u00e3o podemos esquecer na nossa alforja \u00e9 o Vi\u00e1tico do peregrino. O P\u00e3o da Palavra e da Eucaristia s\u00e3o-nos ainda mais necess\u00e1rios do que o alimento material, porque nos abrem o caminho da salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de tornar a celebra\u00e7\u00e3o mais ou menos atraente, mas sim de sentir que, se fazemos parte d\u2019Ele, a sua aus\u00eancia causa-nos uma inquieta\u00e7\u00e3o que podemos comparar com a fome material. A vida sacramental vai ritmando a nossa exist\u00eancia como a de uma crian\u00e7a que recebe o alimento da sua m\u00e3e, como a de um desportista que vai medindo as for\u00e7as necess\u00e1rias para chegar \u00e0 meta.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba O mundo secularizado envolve os nossos crist\u00e3os praticantes e n\u00e3o praticantes e cada um de n\u00f3s se n\u00e3o estivermos atentos. Muitos homens e mulheres do nosso tempo n\u00e3o rejeitam simplesmente Deus; muitas vezes, carregam no cora\u00e7\u00e3o uma profunda sede de sentido, de verdade, de perten\u00e7a e de esperan\u00e7a, mesmo quando n\u00e3o sabem dar-lhe um nome. A Igreja \u00e9 chamada a reconhecer estes anseios, a ouvi-los com respeito e a oferecer, como Pedro e Jo\u00e3o ao paral\u00edtico junto \u00e0 porta do templo, o tesouro que lhe foi confiado: Jesus Cristo, em cujo nome o homem pode levantar-se e caminhar (cf. <em>At<\/em> 3,1-10). Tamb\u00e9m quando colabora com outras institui\u00e7\u00f5es, religiosas ou civis, mesmo quando oferece ajuda material, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia ou promo\u00e7\u00e3o humana, a Igreja nunca deixa de oferecer o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio: o amor de Deus revelado em Cristo. Essa mensagem penetra na sociedade, que n\u00e3o hesita em manifestar o seu apre\u00e7o por muitas destas obras. Assim, cada gesto de caridade crist\u00e3 que nasce do Evangelho traz em si uma promessa ainda maior: devolver \u00e0 pessoa a convic\u00e7\u00e3o de ser amada.<\/p>\n\n\n\n<p>O que contemplamos e adoramos no Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem em que se destaca o seu cora\u00e7\u00e3o, porque, mais do que qualquer outro membro do seu corpo, ele \u00e9 o s\u00edmbolo da sua imensa caridade para com a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Termino com os apelos que o Papa Francisco nos fez na enc\u00edclica <em>Dilexit nos (Amou-nos)<\/em> para que nunca esque\u00e7amos a ternura da f\u00e9, a alegria do servi\u00e7o, o fervor da miss\u00e3o pessoa-a-pessoa, a cativante beleza de Cristo, a gratid\u00e3o emocionante pela amizade que Ele oferece e pelo sentido \u00faltimo que d\u00e1 \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, fazei o meu cora\u00e7\u00e3o semelhante ao vosso.<\/p>\n\n\n\n<p>ORA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>Senhor Jesus,<\/p>\n\n\n\n<p>Sacerdote \u00danico,<\/p>\n\n\n\n<p>santificai todos os sacerdotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Conservai-os em comunh\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>com o vosso amor,<\/p>\n\n\n\n<p>fortalecei-os nos seus cansa\u00e7os<\/p>\n\n\n\n<p>e enchei os seus cora\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>da plenitude do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a humanidade<\/p>\n\n\n\n<p>de cada sacerdote<\/p>\n\n\n\n<p>seja instrumento<\/p>\n\n\n\n<p>de vossa miseric\u00f3rdia<\/p>\n\n\n\n<p>e caridade pastoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Amen.<\/p>\n\n\n\n<p>Aveiro, 12 de junho de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2020<\/em>Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, est\u00e1 associado \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes. 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