{"id":3132,"date":"2025-07-21T10:10:15","date_gmt":"2025-07-21T09:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3132"},"modified":"2025-07-21T10:36:06","modified_gmt":"2025-07-21T09:36:06","slug":"homilia-da-ordenacao-do-diacono-rafael","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2025\/07\/21\/homilia-da-ordenacao-do-diacono-rafael\/","title":{"rendered":"Homilia da ordena\u00e7\u00e3o do Di\u00e1cono Rafael"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>1. A\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus explica as exig\u00eancias do ser disc\u00edpulo apresentando tr\u00eas casos de voca\u00e7\u00e3o ou discipulado: a primeira condi\u00e7\u00e3o para seguir Jesus \u00e9 o desprendimento, porque tal como as raposas t\u00eam tocas e as aves do c\u00e9u t\u00eam ninhos, assim os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a terem um cora\u00e7\u00e3o livre e sem la\u00e7os que os prendam; por outro lado, o chamamento exige uma resposta urgente \u2013 \u201c<em>deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus<\/em>\u201d; a decis\u00e3o tem de ser irrevog\u00e1vel, sem olhar para tr\u00e1s, porque \u201c<em>quem olha para tr\u00e1s, depois de deitar a m\u00e3o ao arado, n\u00e3o est\u00e1 apto para o Reino de Deus<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Para valorizarmos estas exig\u00eancias, temos de ter presente que Jesus acaba de tomar a decis\u00e3o de se dirigir para Jerusal\u00e9m, que O levar\u00e1 \u00e0 Paix\u00e3o. O disc\u00edpulo segue o mesmo caminho do mestre. Estas exig\u00eancias, inaceit\u00e1veis numa mentalidade legalista, adquirem todo o sentido para quem optou pelo seguimento de Jesus. A nossa docilidade ou resist\u00eancia em aceitar essas exig\u00eancias pode servir de term\u00f3metro que marque a nossa atitude de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>A par\u00e1bola do Bom Samaritano, que escut\u00e1mos no domingo passado, falava de como deve ser o amor ao pr\u00f3ximo, enquanto o evangelho de hoje apresenta o amor a Deus como resposta \u00e0 sua Palavra. Para al\u00e9m do sentido estrito do texto (o trabalho de Marta e a escuta de Maria), n\u00e3o podemos fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre as duas irm\u00e3s, de modo que aceitemos uma e desprezemos a outra. De facto, se convidaram Jesus, a cortesia exige as duas situa\u00e7\u00f5es: atender pessoalmente na conversa\u00e7\u00e3o e preparar-lhe a mesa. \u00c9 a amizade, simbolizada na conversa\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 sentido e valor \u00e0 mesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>A inten\u00e7\u00e3o do texto \u00e9 esta: quando se tem a dita de receber Jesus, o escut\u00e1-lo tem de ser a primeira preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o esquecendo as necessidades dos irm\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Se tomamos o epis\u00f3dio como paradigm\u00e1tico, facilmente podemos concluir que para a implanta\u00e7\u00e3o do Reino s\u00e3o necess\u00e1rias a a\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o, sendo esta a que d\u00e1 sentido \u00e0 a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre uma e outra; est\u00e3o intimamente relacionadas. No cap\u00edtulo seguinte, o evangelista S. Lucas, continuando a sua catequese sobre o discipulado, apresenta Jesus a ensinar a rezar os seus disc\u00edpulos. N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o sem contempla\u00e7\u00e3o e a nossa vida alimenta-se da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O servi\u00e7o, a ora\u00e7\u00e3o e o celibato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>A Ora\u00e7\u00e3o da Ordena\u00e7\u00e3o dos di\u00e1conos diz-nos como deve ser a forma de vida daquele que \u00e9 ordenado: \u201c<em>Brilhem nele as virtudes evang\u00e9licas: a caridade verdadeira, a solicitude pelos doentes e pelos pobres, a autoridade modesta, a retid\u00e3o perfeita e a docilidade \u00e0 disciplina espiritual<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong><em>Querido ordinando Rafael:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>No dia a dia, constatamos que h\u00e1 muitas coisas a fazer e esta preocupa\u00e7\u00e3o e af\u00e3 apoderam-se de todos n\u00f3s, mas por nossa culpa. Embora tenhamos muitas coisas a fazer, temos de distinguir o que \u00e9 mais urgente ou o mais necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, S. Lucas refere que entre os disc\u00edpulos de Jesus se gerou uma discuss\u00e3o sobre qual deles devia ser considerado o maior. Jesus, deixando de lado as apar\u00eancias, vai direto ao essencial. Estabelece uma ant\u00edtese entre o poder pol\u00edtico e a autoridade no novo povo de Deus. Mais do que honras, temos de procurar e valorizar o servi\u00e7o. O maior tem de se igualar com o mais jovem, e o que tem autoridade tem de se comportar como aquele que serve. A atitude de Jesus <em>\u201cEu estou no meio de v\u00f3s como quem serve\u201d<\/em> (<em>Lc<\/em> 22,27) evoca o lema que escolheste para este dia: \u201c<em>N\u00e3o nos anunciamos a n\u00f3s pr\u00f3prios, mas ao Senhor Jesus Cristo, e somos vossos servos por causa de Jesus<\/em>\u201d (2Cor 4,5).<\/p>\n\n\n\n<p>A alegria da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 vem do Esp\u00edrito, que nos garante que somos filhos, e, portanto, nos permite falar como filhos. A ora\u00e7\u00e3o, por sua natureza, tende a abra\u00e7ar todo o corpo de Cristo. \u00c9, portanto, uma ora\u00e7\u00e3o da comunidade; n\u00e3o \u00e9 uma soma de ora\u00e7\u00f5es individuais<em>,<\/em> mas um acontecimento novo, no qual a ora\u00e7\u00e3o de cada um morre na ora\u00e7\u00e3o comum e ressurge como \u00fanica ora\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o sentido da liturgia das Horas, que hoje te comprometes a rezar pelo povo de Deus. \u00c9 o Esp\u00edrito que nos permite sair de n\u00f3s e p\u00f4r a nossa ora\u00e7\u00e3o privada em segundo plano, para que viva a da f\u00e9 da comunidade. A verdadeira ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 a que <em>p\u00f5e a nossa vida nas m\u00e3os de Deus<\/em>, a que nos faz morrer em Deus. A contin\u00eancia perfeita e perp\u00e9tua, por causa do Reino dos C\u00e9us, \u00e9 sinal e est\u00edmulo da caridade pastoral e fonte de fecundidade espiritual na Igreja e no mundo (cf. PO 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus est\u00e1 connosco cada vez que nos deixamos mover pelo evangelho, cada vez que a nossa vida \u00e9 evangelho testemunhado; Jesus est\u00e1 connosco, a sua Igreja, quando mergulhamos no poder do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito. Jesus est\u00e1 connosco, com a Igreja, quando continuamos a sua miss\u00e3o na nossa vida e, como sal da terra, tornamos poss\u00edvel, \u00e0 nossa volta, a experi\u00eancia de discipulado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando contemplamos estas exig\u00eancias, podemos ter a tenta\u00e7\u00e3o de afirmar: \u00ab<em>Senhor, n\u00e3o sou capaz<\/em>\u00bb. Adoremos o Senhor que se apresenta com exig\u00eancias t\u00e3o grandes, que nos fazem sentir verdadeiramente que tudo isto n\u00e3o depende de n\u00f3s, mas que o Senhor est\u00e1 connosco. Quando reconhecemos que estas exig\u00eancias s\u00e3o demasiado pesadas, j\u00e1 come\u00e7amos a perceber o sentido do poder de Deus. Um Deus que nos retira de tudo o que \u00e9 o nosso programa feito \u00e0 nossa medida, e n\u00e3o \u00e0 medida de Deus, diante do qual nos sentimos perturbados, carentes, devedores e pobres, ent\u00e3o o evangelho come\u00e7a a entrar em n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje damos gra\u00e7as a Deus por tantos e bons sacerdotes que serviram esta comunidade crist\u00e3 de S\u00e3o Salvador de \u00cdlhavo, lembrando os que aqui nasceram e os que aqui exerceram o seu minist\u00e9rio. Nesta corrente de gra\u00e7a, tu \u00e9s mais um deles. Pessoalmente, n\u00e3o posso deixar de lembrar o bispo D. Ant\u00f3nio dos Santos, vosso anterior p\u00e1roco, que, na diocese da Guarda, me ordenou sacerdote e esteve presente na minha ordena\u00e7\u00e3o episcopal. O mesmo se diga do Padre Manuel Cartaxo, nos quase vinte e cinco anos que viveu connosco em presbit\u00e9rio, tamb\u00e9m na Guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria disse o seu \u201csim\u201d ao anjo que a convidava para ser M\u00e3e de Jesus e M\u00e3e da Igreja. Pedimos-lhe que ela esteja muito presente ao longo da tua vida e, com ela, aprendas a ser disc\u00edpulo do seu Filho Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Amen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u00cdlhavo, 20 de julho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u2020<\/em> Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-vivid-cyan-blue-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-0e07cbbe296b8ba00b15101a5bde19ab\"><strong><a href=\"https:\/\/photos.app.goo.gl\/ajmKyyP9psL8Ua9UA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fotogaleria &#8211; link<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus explica as exig\u00eancias do ser disc\u00edpulo apresentando tr\u00eas casos de voca\u00e7\u00e3o ou discipulado: a primeira condi\u00e7\u00e3o para seguir Jesus \u00e9 o desprendimento, porque tal como as raposas t\u00eam tocas e as aves do c\u00e9u t\u00eam ninhos, assim os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a terem um cora\u00e7\u00e3o livre e sem la\u00e7os que os prendam; por outro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3133,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","footnotes":""},"categories":[46,38,31],"tags":[],"class_list":["post-3132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bispo","category-destaque","category-homilias"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3132"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3138,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132\/revisions\/3138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3133"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}