{"id":2807,"date":"2025-01-28T12:37:25","date_gmt":"2025-01-28T12:37:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=2807"},"modified":"2025-01-28T12:37:25","modified_gmt":"2025-01-28T12:37:25","slug":"d-antonio-moiteiro-abre-as-jornadas-de-formacao-do-clero-das-dioceses-do-centro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2025\/01\/28\/d-antonio-moiteiro-abre-as-jornadas-de-formacao-do-clero-das-dioceses-do-centro\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Moiteiro abre as Jornadas de Forma\u00e7\u00e3o do Clero das Dioceses do Centro"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e3o a decorrer, em F\u00e1tima, as Jornadas do Clero das Dioceses do Centro de 2025 entre os dias 28 a 30 de janeiro. Contam com mais de 250 inscritos, das dioceses de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-F\u00e1tima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu.<br><br>Sob o mote de S. Paulo &#8220;Acreditei, por isso falei (2Cor 4,13)&#8221;, as jornadas partem de uma an\u00e1lise deste tempo p\u00f3s-crist\u00e3o para depois recordar como a f\u00e9 se comunicava nos in\u00edcios do cristianismo e, assim, perceber melhor como se concretiza hoje este processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Interven\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio Moiteiro, na abertura das jornadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-48c2c4f0 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cAcreditei, por isso falei\u201d [2 Cor 4, 13]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em tempos de mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><br>O tema da nossa forma\u00e7\u00e3o permanente do clero das dioceses do centro tem como pano de fundo a comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em tempos de mudan\u00e7a, partindo sempre do encontro transformador com o Ressuscitado, que na manh\u00e3 de P\u00e1scoa envia Maria Madalena a anunciar aos disc\u00edpulos a boa nova da ressurrei\u00e7\u00e3o \u201cVi o Senhor\u201d (Jo 21,18) e que no dia do Pentecostes leva Pedro a dizer: \u201cFoi Jesus que Deus ressuscitou, e disto n\u00f3s somos testemunhas\u201d (At 2,32).<\/p>\n\n\n\n<p>Se no ano passado refletimos sobre a transmiss\u00e3o da f\u00e9 na primeira gera\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os, tal como aparece nos relatos da primeira evangeliza\u00e7\u00e3o dos Atos dos Ap\u00f3stolos, este ano queremos ir um pouco mais longe e refletirmos como as primeiras gera\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os foram capazes de continuar o entusiasmo inicial e lan\u00e7arem os fundamentos das comunidades crist\u00e3s que se foram estabelecendo \u00e0 volta do mar mediterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda carta aos Cor\u00edntios, da qual nasce o tema que unifica as nossas Jornadas de Forma\u00e7\u00e3o \u201cAcreditei, por isso falei\u201d, \u00e9 a carta magna do apostolado crist\u00e3o e revela os aspetos mais importantes da miss\u00e3o de S. Paulo. Ele coloca cada um de n\u00f3s diante da urg\u00eancia de sermos disc\u00edpulos e tamb\u00e9m na condi\u00e7\u00e3o de pastores do rebanho de Cristo: \u201cV\u00f3s sois uma carta de Cristo, confiada ao nosso minist\u00e9rio, escrita, n\u00e3o com tinta, mas com o Esp\u00edrito de Deus vivo; n\u00e3o em t\u00e1buas de pedra, mas em t\u00e1buas de carne que s\u00e3o os vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d (2Cor 3, 3).<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista S. Marcos narra que na manh\u00e3 de P\u00e1scoa Maria de Magdala, Maria, m\u00e3e de Tiago e Salom\u00e9 foram ao sepulcro de Jesus e diante do t\u00famulo vazio escutam a pergunta: \u201cPorque procurais entre os mortos aquele que est\u00e1 vivo?\u201d E escutam tamb\u00e9m o seguinte desafio: \u201cIde para a Galileia e l\u00e1 me vereis\u201d (cf. Mc 16, 6-7).<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas formas da Igreja atual parecem-se ao t\u00famulo vazio. A nossa miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 chorar diante do t\u00famulo vazio, nem procurar Jesus num mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe. A nossa miss\u00e3o \u00e9 ir \u00e0 \u201cGalileia de hoje\u201d e encontrar ali Jesus vivo em novas formas de expressar a f\u00e9 e de viver em comunidade. Galileia \u00e9 o lugar do seguimento, da marginalidade e dos pobres. \u00c9 esse o lugar do encontro com o Ressuscitado, e conhecemos Jesus Cristo na medida em que O seguimos e refazemos em n\u00f3s a sua vida, animados pelo Esp\u00edrito. Conhecemos Jesus, o Caminho, na medida em que refazemos o seu pr\u00f3prio caminho e partilhamos a sua miss\u00e3o e o seu destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios que atualmente se apresentam \u00e0 Igreja requerem uma identidade crist\u00e3 mais pessoal e comunit\u00e1ria. A autenticidade e a fecundidade da reforma da Igreja passam pela renova\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o da mente, o aprofundamento do pensamento e do sentimento, da espiritualidade e da teologia, da dimens\u00e3o profunda da f\u00e9. Todos somos convidados a travar esta batalha, na qual a reforma da Igreja \u00e9 fruto da ora\u00e7\u00e3o e do trabalho de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Deus de Jesus Cristo que professamos fala de muitas maneiras, tal como refere a carta aos Hebreus, que andamos a ler nas Eucaristias semanais. Fala atrav\u00e9s de muitos mediadores na Sagrada Escritura e de muitas vozes da tradi\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da autoridade dos pastores e tamb\u00e9m atrav\u00e9s de muitas vozes que n\u00e3o encaixam bem nos nossos esquemas de sempre, os profetas do nosso tempo. Fala tamb\u00e9m atrav\u00e9s dos sinais dos tempos, dos acontecimentos da hist\u00f3ria, da sociedade e da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro com Jesus, que os primeiros disc\u00edpulos reconheceram e proclamaram Messias e Senhor (cf. <em>Lc <\/em>30-34; <em>Jo <\/em>20,25), faz nascer e alimentar a f\u00e9 n\u2019Ele. Professar a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9, pois, \u00abum facto privado, uma conce\u00e7\u00e3o individualista, uma opini\u00e3o subjetiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se an\u00fancio\u00bb (cf. <em>LF <\/em>22). \u00c9 a este an\u00fancio que os crist\u00e3os s\u00e3o chamados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos da Sagrada Escritura referem que o chamamento vem de fora de n\u00f3s, daquele em cujas m\u00e3os est\u00e1 a nossa vida e cujos des\u00edgnios orientam a nossa hist\u00f3ria. A voca\u00e7\u00e3o, o chamamento, \u00e9 de iniciativa divina, enquanto o seguimento \u00e9 sobretudo um exerc\u00edcio de obedi\u00eancia evang\u00e9lica. \u00c9 estarmos atentos \u00e0 voz de Deus, para a escutar e p\u00f4r em pr\u00e1tica. Sem \u00abobedi\u00eancia\u00bb a Deus e servi\u00e7o aos irm\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 vida crist\u00e3. Por isso, o encontro com o Ressuscitado \u00e9 o germe teologal da voca\u00e7\u00e3o ao seguimento, e o encontro com os nossos irm\u00e3os (presbit\u00e9rios, comunidades crist\u00e3s, servi\u00e7os diocesanos, an\u00fancio do Evangelho, forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u2026) \u00e9 quase sempre a media\u00e7\u00e3o da nossa voca\u00e7\u00e3o. Fidelidade a Cristo e fidelidade aos nossos irm\u00e3os, s\u00e3o as duas fidelidades essenciais da nossa vida de ministros ordenados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que as comunidades vivam um forte sentido eclesial radicado na alegria da perten\u00e7a e no desejo de a servir: o mundo precisa de uma <em>terapia do amor<\/em>, terapia essa que deve acontecer no seio da comunidade eclesial. Hoje, o apelo a viver o Evangelho passa de uns para os outros, muitas vezes, por cont\u00e1gio. Necessitamos de pessoas que nos ajudem a crescer na f\u00e9 e a apaixonar-se pelas realidades espirituais, a partir da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia espiritual. A vida comunit\u00e1ria, a vida espiritual e a vida apost\u00f3lica devem ser capazes de inspirar experi\u00eancias novas. Comunidades que, em conjunto, partilham, rezam, celebram e ajudam a discernir sobre os sinais e a vontade de Deus tornam-se o\u00e1sis para o florescimento das voca\u00e7\u00f5es. A prioridade ser\u00e1 criar condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de encontro com Cristo, procurado na interioridade, seguido no Evangelho e reconhecido no rosto dos irm\u00e3os, atrav\u00e9s de uma vida de ora\u00e7\u00e3o, de liturgia e de compromisso social.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando-nos cada dia ao espelho, humildes e vigilantes, procuremos \u2018deixar-nos tocar\u2019, viver no Esp\u00edrito e segundo o Esp\u00edrito. \u00c9 do testemunho e da viv\u00eancia concreta que podem vir as mudan\u00e7as. Conscientes de que os frutos do Esp\u00edrito n\u00e3o s\u00e3o a desilus\u00e3o, a tristeza, a solid\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o, mas a confian\u00e7a, a alegria, o acolhimento, a comunh\u00e3o e o servi\u00e7o, cabe a cada um de n\u00f3s \u2013 dentro da sua comunidade, organiza\u00e7\u00e3o ou movimento \u2013 discernir com mais profundidade os desafios da a\u00e7\u00e3o pastoral, para compreender a realidade e encontrar caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser bispo, presb\u00edtero ou consagrado equivale a estar associado ao Mist\u00e9rio Pascal de uma maneira especial e espec\u00edfica. Hoje em dia, o Deus que anunciamos continua a querer revelar-se impotente no meio do secularismo do nosso mundo, da corrup\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica, da apatia com a qual os que t\u00eam riquezas olham para os que as n\u00e3o t\u00eam. \u00c9-nos dif\u00edcil compreender que o Senhor esteja presente na Igreja sob o sinal da cruz e da \u00abimpot\u00eancia\u00bb, mas Deus nunca nos abandona.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus continua a fazer a cada um de n\u00f3s, a pergunta (Jo 6,67) que tem uma for\u00e7a de interpela\u00e7\u00e3o impressionante: \u00ab<em>Tamb\u00e9m v\u00f3s quereis ir embora?<\/em>\u00bb Karl Rahner, num artigo sobre a f\u00e9 do sacerdote de hoje, diz: \u00ab<em>Ser\u00e1 de estranhar, caros sacerdotes, que Jesus nos fa\u00e7a hoje a mesma pergunta, a cada um de n\u00f3s, sem que possamos adiar a resposta? As palavras de Pedro resumem a vida crist\u00e3 e o seu significado \u00faltimo. Aonde iremos sem Ti se Tu tens palavras que d\u00e3o a Vida eterna? N\u00f3s cremos e sabemos que Tu \u00e9s O santo de Deus<\/em>\u00bb. Vale a pena ser crist\u00e3o, presb\u00edtero e bispo para poder dizer a Jesus Cristo estas palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta experi\u00eancia transformadora come\u00e7a por modificar o \u00e2nimo dos disc\u00edpulos e regressam a alegria e a esperan\u00e7a. A experi\u00eancia do \u00faltimo S\u00ednodo dos Bispos pode ajudar-nos a \u201credescobrir a corresponsabilidade no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, que exige tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o com os outros membros do povo de Deus. Uma distribui\u00e7\u00e3o mais articulada das tarefas e das responsabilidades, um discernimento mais corajoso daquilo que pertence propiamente ao minist\u00e9rio ordenado e daquilo que pode e deve ser delegado a outros, favorecer\u00e1 o seu exerc\u00edcio de modo espiritualmente mais sadio e pastoralmente mais din\u00e2mico em cada uma das suas ordens\u201d (n\u00ba 74).<\/p>\n\n\n\n<p>Desejo que estas Jornadas de Forma\u00e7\u00e3o do Clero decorram sobre o signo da esperan\u00e7a. Somos todos peregrinos da esperan\u00e7a. Na autobiografia do Papa Francisco, publicada recentemente, ele diz-nos: \u201cPara n\u00f3s, crist\u00e3os, o futuro tem um nome e esse nome \u00e9 esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a \u00e9 a virtude de um cora\u00e7\u00e3o inquieto que n\u00e3o se fecha no escuro, n\u00e3o para no passado, n\u00e3o sobrevive no presente, mas sabe ver lucidamente o amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Boas jornadas e um grande bem-haja a quem as organizou e a todos v\u00f3s que as tornais realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1tima, 28 de janeiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n\n\n\n<p><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o a decorrer, em F\u00e1tima, as Jornadas do Clero das Dioceses do Centro de 2025 entre os dias 28 a 30 de janeiro. Contam com mais de 250 inscritos, das dioceses de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-F\u00e1tima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu. Sob o mote de S. 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