{"id":2441,"date":"2024-03-14T11:49:41","date_gmt":"2024-03-14T11:49:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=2441"},"modified":"2024-03-14T11:49:41","modified_gmt":"2024-03-14T11:49:41","slug":"jubileu-da-catedral-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2024\/03\/14\/jubileu-da-catedral-de-aveiro\/","title":{"rendered":"JUBILEU DA CATEDRAL DE AVEIRO"},"content":{"rendered":"\n\u00a0<br><strong>I. PEREGRINOS NA ESPERAN\u00c7A<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br><strong>1. A Igreja-m\u00e3e da diocese de Aveiro<\/strong><br><em>\u00a0<\/em><br>A catedral de Aveiro, outrora Igreja do Mosteiro de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia, ou de S\u00e3o Domingos, celebra, este ano, os 600 anos do in\u00edcio da sua constru\u00e7\u00e3o e desde o ano passado comemoramos os 550 anos da chegada da Princesa Santa Joana \u00e0 vila de Aveiro e da sua entrada no Mosteiro de Jesus. Aproveitando estas efem\u00e9rides, vamos celebrar,entre 12 de maio de 2023 e 13 de maio de 2024, um Ano Jubilar, concedido pelo papa Francisco, sob o lema: <em>\u201cIgreja de Aveiro peregrina na esperan\u00e7a\u201d, <\/em>em sintonia com o Jubileu de 2025 proposto pelo Papa Francisco a toda a Igreja.<br>Somos, pois, chamados a refletir na Igreja catedral, m\u00e3e de todas as igrejas da Diocese. Trata-se de uma iniciativa que constituir\u00e1, para os aveirenses, uma ocasi\u00e3o de crescimento na f\u00e9 e na comunh\u00e3o eclesial, mais um momento alto da vida da Diocese. Queremos que seja mais uma iniciativa que nos p\u00f5e \u00e0 escuta de quanto o Esp\u00edrito diz \u00e0 Igreja (cf. <em>Ap<\/em> 2,7) mediante a experi\u00eancia de f\u00e9 de tantos crist\u00e3os do nosso tempo. Ontem, como hoje, ressoam nas nossas comunidades crist\u00e3s as palavras que S\u00e3o Paulo dirigiu aos crist\u00e3os da Igreja de Roma: \u201c<em>Como h\u00e3o de invocar Aquele em quem n\u00e3o acreditaram? E como h\u00e3o de acreditar naquele de quem n\u00e3o ouviram falar? E como h\u00e3o de ouvir falar, sem algu\u00e9m que o anuncie? E como h\u00e3o de anunciar se n\u00e3o forem enviados? Por isso est\u00e1 escrito: Que bem-vindos s\u00e3o os p\u00e9s dos que anunciam as Boas novas<\/em>\u201d (<em>Rm <\/em>10,14-15). <br>Para despertar nas consci\u00eancias dos crist\u00e3os um sentido mais vivo da sua identidade \u00e9 preciso, no contexto deste Jubileu, um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia. H\u00e1 quest\u00f5es que nos merecem alguma aten\u00e7\u00e3o: O que fa\u00e7o do meu batismo e da minha confirma\u00e7\u00e3o? Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro da minha vida? Vivo a minha vida como uma voca\u00e7\u00e3o e uma miss\u00e3o? Estas interroga\u00e7\u00f5es adquirem hoje maior significado pela vastid\u00e3o dos desafios e pelas op\u00e7\u00f5es decisivas que as atuais gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas a efetuar. Logo ap\u00f3s o conc\u00edlio Vaticano II, refletindo na urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o, o Papa S\u00e3o Paulo VI afirmava: \u00abO que \u00e9 feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscet\u00edvel de impressionar profundamente a consci\u00eancia dos homens? At\u00e9 que ponto e como \u00e9 que essa for\u00e7a evang\u00e9lica est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de transformar o homem do nosso tempo? Quais os m\u00e9todos que h\u00e3o de ser seguidos para proclamar o Evangelho de molde a que a sua pot\u00eancia possa ser eficaz\u00bb (<em>EN<\/em> 4).<br>Vivemos num tempo em que se torna necess\u00e1rio que os crist\u00e3os, iluminados e guiados pela f\u00e9, conhe\u00e7am a Igreja como ela \u00e9, em toda a sua beleza e santidade, mas tamb\u00e9m nas suas mis\u00e9rias e pecados, para a sentir e a amar. E para isto \u00e9 importante despertar no Povo de Deus o verdadeiro <em>sensus Ecclesiae<\/em>, unido \u00e0 \u00edntima consci\u00eancia de ser Igreja, isto \u00e9, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. Solicitada como \u00e9 pelas profundas e r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es das sociedades e das culturas do nosso tempo, a Igreja sente-se chamada a reviver com um novo empenho tudo quanto o Mestre fez com os seus ap\u00f3stolos. \u00c9 necess\u00e1rio, de facto, conhecer e compreender o mundo em que vivemos e tamb\u00e9m as suas esperan\u00e7as, as suas aspira\u00e7\u00f5es e as suas dificuldades.<br>Que seja um tempo de particular reflex\u00e3o e redescoberta da f\u00e9, caminhada com esp\u00edrito evangelizador. Construir a comunh\u00e3o entre todos, a partir da nossa diversidade e viver em di\u00e1logo e comunh\u00e3o uns com os outros e com o mundo que nos rodeia, \u00e9 um objetivo para esta celebra\u00e7\u00e3o. Que suscite, em cada crente, o anseio de <em>confessar<\/em> a f\u00e9 plenamente e com renovada convic\u00e7\u00e3o, com confian\u00e7a e esperan\u00e7a. Ser\u00e1 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia tamb\u00e9m para intensificar a <em>celebra\u00e7\u00e3o<\/em> da f\u00e9 na liturgia, particularmente na Eucaristia, que \u00e9 \u00aba meta para a qual se encaminha a a\u00e7\u00e3o da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua for\u00e7a\u00bb (<em>SC <\/em>10). Prop\u00f5e-se essencialmente como um per\u00edodo de mais intensa <em>reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o<\/em> em torno da Eucaristia, e tamb\u00e9m de renova\u00e7\u00e3o das nossas comunidades crist\u00e3s, de modo que estas n\u00e3o se fechem em si mesmas, mas ganhem uma cada vez maior consci\u00eancia evangelizadora. A caridade dever\u00e1 ser o rosto da nossa Igreja diocesana.<br>\u00a0<br><strong>2. O Jubileu na Igreja<\/strong><br>\u00a0<br>O jubileu \u00e9 um acontecimento festivo de j\u00fabilo sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Para melhor vivermos este nosso evento, a todos convido a refletir sobre o sentido de um jubileu. A palavra jubileu encontra a sua raiz etimol\u00f3gica no hebraico b\u00edblico <em>yabal<\/em>, que significa conduzir, levar, transportar, em prociss\u00e3o, as ofertas e os cativos, ou oferecer os dons sob a forma de cortejo. Por vezes tamb\u00e9m aparece o termo <em>yobel<\/em> associado ao <em>Shofar<\/em>, o corno dos carneiros, utilizado para anunciar as grandes festas, os grandes acontecimentos. Conforme refere o livro do <em>Lev\u00edtico<\/em> (<em>Lv<\/em> 25,9), era com o toque do corno de carneiro que se anunciava o jubileu. Progressivamente, o termo passou a significar n\u00e3o apenas o an\u00fancio, mas tamb\u00e9m a realidade anunciada, o pr\u00f3prio ano festivo. O nosso termo \u00abjubileu\u00bb \u00e9 resultado da vers\u00e3o hebraica para latim, levada a cabo por S\u00e3o Jer\u00f3nimo, \u00abjubilaeus\u00bb, aproximando-o do termo \u00abjubilus\u00bb.<br>\u00c0 semelhan\u00e7a do s\u00e1bado e do ano sab\u00e1tico, celebrava-se ao fim de sete anos sab\u00e1ticos \u00abcada sete semanas de anos\u00bb (<em>Lev<\/em> 25,8). Celebrar-se-ia, portanto, de quarenta e nove em quarenta e nove anos. A express\u00e3o \u00abquinquag\u00e9simo ano\u00bb seria uma tend\u00eancia para o arredondamento num\u00e9rico.<br>O jubileu surge nos contextos da peregrina\u00e7\u00e3o, da proclama\u00e7\u00e3o e da tradi\u00e7\u00e3o e transforma-se, ele mesmo, no sinal por excel\u00eancia ora do povo que caminha e peregrina, ora da celebra\u00e7\u00e3o festiva e comemorativa, ou da corrente libertadora que vem de longe. O an\u00fancio do ano jubilar produzia uma significativa onda de alegria ou j\u00fabilo \u2013 pelo que do ponto de vista b\u00edblico, significa j\u00fabilo, fazer festa, alegria; n\u00e3o apenas uma alegria interior, mas uma alegria que se manifesta tamb\u00e9m exteriormente. \u00c9, pois, um sinal divino e humano que a todos liberta porque todos fazem parte do povo. No jubileu se faz mem\u00f3ria do Pai, do dom inestim\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o de Deus e festeja a comunh\u00e3o com todos.<br>Para al\u00e9m da revaloriza\u00e7\u00e3o do tempo, o Jubileu pretendia a convers\u00e3o, uma significativa purifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es que visava restituir o tecido relacional, apenas poss\u00edvel mediante a liberta\u00e7\u00e3o e o perd\u00e3o. O ano jubilar \u00e9, assim, um tempo para pormos em pr\u00e1tica valores sociais e religiosos, louvarmos a Deus, celebrando com alegria os seus gestos salvadores, reconhecendo que tudo recebemos das suas m\u00e3os e que n\u00f3s n\u00e3o passamos de administradores dos seus bens. Poder\u00edamos questionar: Quem rejubila? No fundo, enquanto povo que peregrina, todos somos chamados a refletir sobre o sentido do j\u00fabilo, da contempla\u00e7\u00e3o, da gratid\u00e3o e do compromisso. O jubileu n\u00e3o trata apenas de uma quest\u00e3o teol\u00f3gica, de falar de Deus ao ser humano, mas de um convite e um tempo para refletir \u2013 um tempo de mem\u00f3ria e de metanoia, mas tamb\u00e9m de esperan\u00e7a e confirma\u00e7\u00e3o de identidade.<br>Ao vivermos o Jubileu da Catedral da diocese de Aveiro, urge perceber quem somos, para onde queremos caminhar, e do que falamos quando nos referimos \u00e0 catedral como Igreja-M\u00e3e.<br><strong>\u00a0<\/strong><br><strong>3. A Catedral de Aveiro em Jubileu<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br>H\u00e1 lugares que contam hist\u00f3rias, arquiteturas que expressam, por um lado, a f\u00e9 da comunidade crente e, por outro, a beleza como express\u00e3o do amor de Deus presente no nosso mundo. Temos o exemplo da nossa Catedral de Aveiro, um tesouro e testemunho de uma hist\u00f3ria de f\u00e9 da qual somos herdeiros.<br>Em 19 de fevereiro de 1423 \u2013 outros afirmam que foi a 13 de mar\u00e7o \u2013 o Papa Martinho V, a pedido do Infante D. Pedro, duque de Coimbra e senhor de Aveiro, publica <em>um breve<\/em> pontif\u00edcio a autorizar a funda\u00e7\u00e3o do convento dominicano de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia em Aveiro<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, passando, pouco tempo depois, a chamar-se convento de S\u00e3o Domingos, tal como hoje o conhecemos.<br>Em 13 de maio desse mesmo ano era lan\u00e7ada a primeira pedra da igreja conventual, que \u00e9 hoje a Catedral de Aveiro ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese em 1938: \u00ab<em>Este mosteiro de Nossa Senhora da Misericordia da Villa de Aueiro segundo se achou em hum caderno Antigo foi fundado e Comessado pelo Infante Dom Pedro filho del Rei dom Jo\u00e3o de boa memoria duque de Coimbra e senhor de monte mor o velho a 13 dias do mes de maio a hora da Ter\u00e7a no anno do nacimento de Nosso Senhor Jeshus Cristo de 1423<\/em>\u00bb<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. A igreja foi sagrada em 1464 pelo bispo de Coimbra, D. Jorge de Almeida, grande impulsionador da constru\u00e7\u00e3o desta igreja e convento.<br>Estamos, igualmente, a celebrar os 550 anos da vinda da nossa padroeira Santa Joana Princesa, ou Joana de Portugal ou Joana de Avis, para a vila de Aveiro em 30 de julho de 1472. A sua vinda para o mosteiro de Aveiro s\u00f3 se entende porque nesta vila tinha sido fundado, em 1423, um convento dominicano masculino. As suas fundadoras \u2013 D. Brites Leitoa e D. M\u00edcia Pereira \u2013 tinham sido acompanhadas espiritualmente pelos frades dominicanos e no momento de fundarem um convento de clausura feminino optaram por ser da ordem de S\u00e3o Domingos. O <em>Memorial da Infanta Santa Joana<\/em> refere que \u00ab<em>Aos quatro dias do m\u00eas de agosto do ano do Senhor de mil quatrocentos e setenta e dois, entrou a dita senhora princesa a senhora infanta dona Joana nossa senhora neste mosteiro de Jesus Nosso Senhor, entrando com ela dentro el-rei seu pai e o pr\u00edncipe seu irm\u00e3o e a senhora dona Filipa sua tia e a monja dona M\u00edcia de Alvarenga, que a dita senhora trouxera com licen\u00e7a da sua abadessa do mosteiro de Odivelas. Estavam j\u00e1 prestes para receber a dita senhora infanta a madre prioresa Brites Leitoa e a madre Maria (fol. 66 v a) de Ata\u00edde e outras madres das mais antigas, com muita devo\u00e7\u00e3o e l\u00e1grimas de alegria e gozo divino misturado com temor de Deus por verem uma t\u00e3o grande e n\u00e3o costumada obra sua n\u00e3o vista nem ouvida nos nossos tempos. As outras religiosas todas com grande prazer estavam no coro em devotas ora\u00e7\u00f5es recolhidas dando muitos louvores ao Senhor Deus\u00bb<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em><br>No segundo quartel do s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas e para agradar \u00e0 rainha D. Maria II, cujo nome era Maria da Gl\u00f3ria, passaria a ser esta igreja a sede da par\u00f3quia de Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, atual S\u00e9 de Aveiro.<br>Desde a cria\u00e7\u00e3o da diocese em 1774 pelo papa Clemente XIV, e at\u00e9 1826, a S\u00e9 funcionou na Igreja da Miseric\u00f3rdia. Daqui foi transferida para a Igreja de S\u00e3o Bernardino at\u00e9 1882, altura em que a Santa S\u00e9 suprimiu v\u00e1rias dioceses, entre elas a de Aveiro. \u00c9 s\u00f3 em 1938, com Pio XI, que Aveiro se torna novamente sede de bispado, vindo a funcionar na antiga igreja do Convento de S\u00e3o Domingos que, ap\u00f3s destrui\u00e7\u00e3o pelas chamas em 1843, beneficiou de remodela\u00e7\u00e3o. Quando foi criado o Bispado em 1774, este compunha-se de 73 par\u00f3quias e 7 arciprestados.<br>Em setembro de 1881, Sua Santidade o papa Le\u00e3o XIII, atendendo ao pedido do rei de Portugal, D. Lu\u00eds I, extinguiu cinco dioceses e entre elas a de Aveiro. Desde 1833 que o governo tinha desejos de extinguir algumas Dioceses. Em 1840 chegou o governo de ent\u00e3o a pedir a extin\u00e7\u00e3o da diocese de Aveiro melindrado com a Santa S\u00e9 por ela n\u00e3o querer confirmar como bispo de Aveiro Frei de Santo Eg\u00eddio. Em 1869, o ent\u00e3o Ministro da Justi\u00e7a determinou que se n\u00e3o nomeasse Bispo para Aveiro, mas apenas para determinadas Dioceses. Em 1876 foi o governo autorizado a modificar a \u00e1rea e a reduzir o n\u00famero das dioceses at\u00e9 que em 1881 se deu a extin\u00e7\u00e3o da de Aveiro ap\u00f3s 107 anos de exist\u00eancia. Esteve extinta durante 57 anos, mas pouco tempo depois da sua extin\u00e7\u00e3o apareceram defensores da restaura\u00e7\u00e3o da Diocese.<br>Foi o senhor D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, arcebispo titular de Ossirinco, natural de Aveiro, auxiliado pelos n\u00fancios <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Giovanni_Beda_Cardinale&amp;action=edit&amp;redlink=1\">Giovanni Beda Cardinale<\/a>, Petro Ciriaci e pela Comiss\u00e3o Pro-restaura\u00e7\u00e3o do Bispado da qual fazia parte como presidente o senhor Dr. Querubim do Vale Guimar\u00e3es, que conseguiu de Sua Santidade Pio XI, a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese pela Bula <em>Omnium Ecclesiarum<\/em>, de 24 de agosto de 1938, sendo este um desejo, v\u00e1rias vezes manifestado, das popula\u00e7\u00f5es de Aveiro desde a extin\u00e7\u00e3o da diocese em 1882. A Diocese ficou constitu\u00edda pelas freguesias dos seguintes concelhos: \u00c1gueda, Anadia, Aveiro, Albergaria-a-Velha, \u00cdlhavo, Estarreja, Oliveira do Bairro, Murtosa, Vagos e Sever do Vouga, concelhos estes vindos das dioceses de Coimbra, Porto e Viseu. A 11 de dezembro do mesmo ano, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal executou essa bula papal, e desde ent\u00e3o, a igreja do convento dominicano de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia de Aveiro, que j\u00e1 era igreja matriz da Par\u00f3quia de Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, passou tamb\u00e9m a ser a Catedral da diocese de Aveiro.<br>Pela mesma Bula, ou Carta Apost\u00f3lica de restaura\u00e7\u00e3o da Diocese, foi nomeado seu \u00abAdministrador Apost\u00f3lico\u00bb, at\u00e9 ser provida, passados dois anos, de Bispo pr\u00f3prio, na pessoa do senhor arcebispo-bispo D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal.<br>\u00a0<br><strong>II. SOMOS A IGREJA DE CRISTO<\/strong><br>\u00a0<br><strong>1. O lugar do Povo de Deus<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br>O termo \u201cIgreja\u201d tem origem na palavra grega <em>ekkles\u00eda<\/em>, em latim<em> ecclesia<\/em>. Inicialmente, designava assembleia, reuni\u00e3o p\u00fablica, ajuntamento; mais tarde, passou a ser local de encontro de crist\u00e3os para a celebra\u00e7\u00e3o da liturgia. Atualmente, designa o local onde os crist\u00e3os se re\u00fanem para celebrar a sua f\u00e9 e conjunto de todos os batizados que constituem o povo de Deus.<br>\u00c9 como ressuscitado que Cristo continua a vir ao nosso encontro, nos conquista e transforma. Foi como testemunhas do Ressuscitado que as primeiras comunidades crist\u00e3s se tornaram as pedras do alicerce da sua Igreja. \u00c9 como Cristo vivo que Ele nos comunica a sua vida, nos atrai para percorrer, com Ele, \u00e0 maneira d\u2019Ele, o caminho da vida. As verdades decisivas da f\u00e9 crist\u00e3 s\u00e3o as \u00fanicas que podem mudar as vidas e converter os cora\u00e7\u00f5es. Isto implica, da nossa parte, assumir um papel ativo onde a nossa presen\u00e7a deve ser testemunho de Cristo. \u00ab<em>Crer n\u2019Ele e segui-lo n\u00e3o \u00e9 algo apenas verdadeiro e justo, mas tamb\u00e9m belo, capaz de cumular a vida dum novo esplendor e duma alegria profunda, mesmo no meio das prova\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb (<em>EG<\/em> 167).<br>Foi vontade de Deus santificar e salvar os homens, n\u00e3o isoladamente, mas constituindo um povo: a Igreja. \u00ab<em>Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente<\/em>\u00bb (<em>LG<\/em> 9). Reunidos a Cristo pelo Batismo, os crist\u00e3os s\u00e3o constitu\u00eddos em Povo de Deus.<br>A Igreja \u00e9 povo e onde existe Igreja h\u00e1 uma comunidade de refer\u00eancia, sendo o Batismo o sacramento eclesial por excel\u00eancia. Os membros da hierarquia, os consagrados e os leigos constituem o conjunto de todos os fi\u00e9is crist\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o individual com Deus sem a comunidade, que \u00e9 a media\u00e7\u00e3o eclesial por excel\u00eancia, o \u00e2mbito da fraternidade crist\u00e3.<br>A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium<\/em>, promulgada em 21 de novembro de 1964, recorda algumas imagens que ilustram o mist\u00e9rio da Igreja e p\u00f5em em evid\u00eancia as notas caracter\u00edsticas reveladoras do insol\u00favel la\u00e7o entre o Povo de Deus e Cristo. Afirma que &#8220;<em>A Igreja \u00e9 sacramento de Cristo e instrumento de uni\u00e3o do homem com Deus, e da unidade de todo o g\u00e9nero humano<\/em>&#8220;.Assim, a Igreja assenta n\u00e3o sobre as capacidades dos seus membros, mas sobre a \u00edntima uni\u00e3o com Cristo. Este povo tem por cabe\u00e7a Cristo, o qual \u00ab<em>foi entregue \u00e0 morte por causa dos nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justifica\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb (<em>Rm <\/em>4,25). Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 porque preside, mas porque d\u00b4Ele a Igreja recebe unidade e vida.<br>A Igreja \u00e9, por disposi\u00e7\u00e3o divina, organizada e regida em admir\u00e1vel variedade. \u00ab<em>\u00c9 que, como num s\u00f3 corpo, temos muitos membros, mas os membros n\u00e3o t\u00eam todos a mesma fun\u00e7\u00e3o, assim acontece connosco: os muitos que somos formamos um s\u00f3 corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros<\/em>\u00bb (<em>Rm<\/em> 12,4-5).<br>Cristo entregou a sua Igreja, una e \u00fanica, a Pedro (cf. <em>Jo<\/em> 21,17) e aos outros ap\u00f3stolos para que a apascentassem, confiando-lhes o an\u00fancio do Evangelho (cf. <em>Mt<\/em> 28,18-20). Pelo minist\u00e9rio ordenado, especialmente dos bispos e dos presb\u00edteros, a presen\u00e7a de Cristo, como cabe\u00e7a da Igreja, torna-se vis\u00edvel no meio da comunidade dos fi\u00e9is.<br>Todos os batizados, leigos, religiosos e ministros ordenados devem concorrer para realizar a voca\u00e7\u00e3o fundamental da Igreja, que \u00e9 a difus\u00e3o do Reino de Deus. Todos somos chamados a ser povo, a comungar, a participar na vida e na miss\u00e3o da comunidade eclesial. Mesmo sendo muitos os minist\u00e9rios e as atividades, todos concorremos para um mesmo objetivo: que Cristo seja anunciado, que todos encontrem a salva\u00e7\u00e3o, que o bem comum seja servido e, enfim, Deus em tudo seja glorificado. Somos chamados a ser uma Igreja viva e comunit\u00e1ria. Precisamos de recuperar a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com o mundo, que nos inclui a todos. A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o, uma associa\u00e7\u00e3o para fins religiosos ou humanit\u00e1rios, mas um corpo vivo, uma comunh\u00e3o de pessoas no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. A Igreja, atenta aos novos problemas e anseios da humanidade, tem de ajudar a descodificar os \u201csinais dos tempos\u201d e a interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho, que nos convida a reconhecer a verdade do nosso cora\u00e7\u00e3o, para ver onde colocamos a seguran\u00e7a da nossa vida.<br>\u00a0<br><strong>2. A Igreja comunh\u00e3o e miss\u00e3o<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br>O conceito de <em>comunh\u00e3o<\/em> est\u00e1 \u201c<em>no cora\u00e7\u00e3o da autoconsci\u00eancia da Igreja<\/em>\u201d, enquanto Mist\u00e9rio da uni\u00e3o pessoal de cada homem com a Trindade divina e com os outros homens. A <em>comunh\u00e3o<\/em> implica sempre uma dupla dimens\u00e3o: <em>vertical<\/em> (comunh\u00e3o com Deus) e <em>horizontal<\/em> (comunh\u00e3o entre as pessoas).<strong>A comunh\u00e3o \u00e9 o fruto e a express\u00e3o daquele amor que, brotando do cora\u00e7\u00e3o do Pai eterno, se derrama em n\u00f3s atrav\u00e9s do Esp\u00edrito que Jesus nos d\u00e1 (cf. <em>Rm<\/em> 5,5), para fazer de todos n\u00f3s <em>\u00abum s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma\u00bb<\/em> (<em>At<\/em> 4,32). <\/strong>Fazer comunh\u00e3o com Cristo ajuda-nos a ver os sinais da presen\u00e7a divina no mundo e a manifest\u00e1-los a todos os que encontrarmos.<br>A Igreja \u00e9 \u201ca casa e a escola da comunh\u00e3o\u201d que se edifica em torno da Eucaristia, sacramento da comunh\u00e3o eclesial onde, participando realmente do corpo do Senhor, somos elevados \u00e0 comunh\u00e3o com Ele e entre n\u00f3s.<br>A comunh\u00e3o eclesial \u00e9 comunh\u00e3o de vida, de caridade e de verdade e, enquanto liga\u00e7\u00e3o do homem com Deus, cria uma nova rela\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios seres humanos e manifesta a natureza sacramental da Igreja. Para que a comunh\u00e3o n\u00e3o seja algo abstrato \u00e9 necess\u00e1rio que se estimule a comunica\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o interpessoal e de grupo, o trabalho em equipa, a colabora\u00e7\u00e3o&#8230;, evitando tudo aquilo que leve \u00e0 dispers\u00e3o, ao isolamento, \u00e0 divis\u00e3o.<br>A Igreja n\u00e3o se entende sem Cristo, que a fundou para perpetuar na hist\u00f3ria a sua miss\u00e3o. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 realizar a miss\u00e3o de Jesus. O redescobrir a identidade crist\u00e3 coloca-nos na responsabilidade de ver a Igreja e o mundo que nos rodeia, e assumirmos o estatuto de quem se aceita como construtor de algo novo. A Igreja \u00e9 fruto da miss\u00e3o que Jesus confiou aos Ap\u00f3stolos e est\u00e1 permanentemente investida pelo mandato mission\u00e1rio \u00ab<em>Ide, e fazei disc\u00edpulos.<\/em>\u00bb (cf. <em>Mt<\/em> 28,16-20). \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus quem nos chama &#8220;amigos&#8221; e nos envia a evangelizar todas as gentes. Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos, a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 ser disc\u00edpulos e fazer disc\u00edpulos.<br>Estar ao servi\u00e7o da Igreja requer anunciar Jesus Cristo \u00fanico Salvador; formar e ajudar a crescer comunidades crist\u00e3s, e realizar uma aut\u00eantica promo\u00e7\u00e3ohumana, pondo em pr\u00e1tica os valores evang\u00e9licos (cf. <em>RM<\/em> 30). S\u00f3 na presen\u00e7a destas exig\u00eancias b\u00e1sicas: o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o an\u00fancio mission\u00e1rio e o testemunho de comunh\u00e3o eclesial \u00e9 que o crist\u00e3o se pode identificar com Cristo. A comunh\u00e3o ser\u00e1 sempre a marca da identidade crist\u00e3.<br>Dar testemunho de Jesus Cristo \u00e9 o maior servi\u00e7o que a Igreja pode oferecer. A viv\u00eancia da plena comunh\u00e3o (Koinonia) expressa e faz crescer o povo de Deus. Se toda a vida eclesial \u00e9 de algum modo sacramento, isto \u00e9, sinal e instrumento da uni\u00e3o com Deus e dos homens entre si, dois momentos expressam, de modo mais pleno, e realimentam esta vida: a escuta da Palavra de Deus e a celebra\u00e7\u00e3o da liturgia. \u00c9 nestes momentos que Deus fala \u00e0 comunidade reunida como <em>\u201cPovo de Deus\u201d.<\/em> H\u00e1 necessidade de a Igreja dar testemunho cred\u00edvel da f\u00e9. Quanto mais a comunidade crist\u00e3 estiver arraigada na experi\u00eancia de Deus que brota duma f\u00e9 viva, tanto mais ser\u00e1 capaz de anunciar credivelmente aos outros a realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus em Cristo.<br>\u00c9 unidos que seremos capazes de enfrentar os imensos desafios que nos esperam.<br>\u00a0<br><strong>3. Uma Igreja sinodal<\/strong><br>\u00a0<br>A Igreja, na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo e a cultura atuais, enfrenta grandes desafios e reclama-se um outro modo de presen\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio ganhar uma &#8220;consci\u00eancia de Igreja&#8221; mais coerente, como nos referem a <em>Lumen Gentium<\/em> e a <em>Gaudium et Spes<\/em>, uma Igreja incarnada no mundo, no di\u00e1logo com o mundo e ao servi\u00e7o do mundo. A Igreja dever\u00e1 ser ativa na a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e refor\u00e7ar a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9. Precisa da colabora\u00e7\u00e3o de todos e sente a necessidade de trabalhar com todos. Este trabalho come\u00e7a <em>ad intra<\/em>, no enriquecimento da reflex\u00e3o e ausculta\u00e7\u00e3o das diferentes sensibilidades, na coordena\u00e7\u00e3o dos meios humanos e materiais, no desenvolvimento de novas din\u00e2micas, e prolonga-se <em>ad extra<\/em>. A participa\u00e7\u00e3o na vida da Igreja n\u00e3o \u00e9 somente ativismo, mas deve ser sobretudo sentimento que \u00e9 alimentado pelos mesmos sentimentos de Cristo (<em>Fl<\/em>p 2,5).<br>O grande desafio \u00e9, pois, testemunhar a alegria e a vontade em viver os desafios do Evangelho num mundo que n\u00e3o se conhece e numa cultura que n\u00e3o se compreende. O crist\u00e3o nasce da Igreja e para a Igreja. \u00c9 na Igreja e com a Igreja um mission\u00e1rio de Cristo enviado ao mundo. Assim, os crentes t\u00eam de descobrir pequenos compromissos capazes de humanizar as realidades nas quais est\u00e3o inseridos: a sua fam\u00edlia, o trabalho, as escolas, o tempo livre&#8230; \u00c9 necess\u00e1rio promover gestos concretos que mostrem claramente o esp\u00edrito do Evangelho e a posi\u00e7\u00e3o da comunidade crente. A fam\u00edlia, tal como a Igreja, deve ser espa\u00e7o onde o Evangelho \u00e9 transmitido e donde o Evangelho irradia.<br>Ser Igreja, antes de tudo, significa \u201cpercorrer juntos o mesmo caminho\u201d. No que diz respeito ao caminho sinodal, em escuta e di\u00e1logo aberto, aconteceram experi\u00eancias edificantes e, porque Deus nos pede que encontremos novas vias para a evangeliza\u00e7\u00e3o, continuamos a apostar nas condi\u00e7\u00f5es de caminhar com alegria e esperan\u00e7a, reconhecendo antes de tudo as pr\u00f3prias fragilidades. Ser uma Igreja sinodal, participativa e correspons\u00e1vel, \u00e9 o anseio de todos n\u00f3s.<br>O caminho sinodal n\u00e3o se compreende sem um discernimento segundo o Esp\u00edrito de Deus, que continua, hoje como ontem, a abrir caminhos novos de renova\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. Uma vez que o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o se d\u00e1 por medida, mas \u00e9 infundido na sua plenitude nos que creem, a mesma gra\u00e7a espiritual que os crentes recebem no Batismo de modo igual, a sinodalidade tem de ser entendida com esta consci\u00eancia. O Papa Francisco, no seu livro &#8220;<em>Ora\u00e7\u00e3o, o respiro de uma vida nova<\/em>&#8220;, em que sublinha o lugar e o papel da ora\u00e7\u00e3o na vida crist\u00e3, diz-nos: \u201cSomos muitos, diferentes, mas somos um, somos a Igreja. E essa unidade \u00e9 aquela do amor, que n\u00e3o obriga, n\u00e3o humilha, n\u00e3o nos limita, mas nos refor\u00e7a, nos constr\u00f3i todos juntos e nos torna amigos\u201d.<br>A miss\u00e3o da Igreja n\u00e3o \u00e9 responsabilidade de alguns, mas de todos. Cada batizado \u00e9 convocado para ser protagonista da miss\u00e3o, uma vez que todos somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. A Igreja \u00e9 chamada a acionar em sinergia sinodal os minist\u00e9rios e os carismas presentes na sua vida para discernir os caminhos da evangeliza\u00e7\u00e3o, escutando a voz do Esp\u00edrito.<br>\u00c9 preciso discernir novos caminhos, escutar o que o Esp\u00edrito Santo diz \u00e0s Igrejas, discernir os problemas que existem. Na Igreja, todos somos respons\u00e1veis pela \u00fanica miss\u00e3o do Povo de Deus no mundo, embora nem todos sejam respons\u00e1veis da mesma maneira, uma vez que existem diferentes minist\u00e9rios, carismas e servi\u00e7os. Uma Igreja que queira desenvolver a sua for\u00e7a evangelizadora tem de promover no seu seio a corresponsabilidade. Todos os membros do Povo de Deus (leigos, religiosos e sacerdotes) s\u00e3o necess\u00e1rios numa comunidade evangelizadora. Todos est\u00e3o chamados a ser membros ativos e respons\u00e1veis. Ningu\u00e9m se pode excluir desta miss\u00e3o de anunciar o Evangelho e, segundo as diferentes voca\u00e7\u00f5es, carismas e servi\u00e7os, todos os membros do povo de Deus somos correspons\u00e1veis da totalidade da miss\u00e3o da comunidade crist\u00e3. A Igreja \u00e9 chamada a ser, antes de mais, a Igreja da santidade, da ora\u00e7\u00e3o, do sil\u00eancio, da vida interior, da contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo, antes de anunci\u00e1-lo.<br>A corresponsabilidade pode ficar comprometida se n\u00e3o se promovem caminhos concretos de participa\u00e7\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s. A corresponsabilidade de todos os batizados no cumprimento da miss\u00e3o apost\u00f3lica da Igreja pode e deve exercer-se nos diversos n\u00edveis da estrutura\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3: a diocese (Igreja local), as par\u00f3quias e as comunidades mais pequenas dentro da comunidade paroquial.S\u00f3 pode falar-se verdadeiramente de corresponsabilidade quando se est\u00e1 disposto a capacitar os outros para ela e a criar os espa\u00e7os necess\u00e1rios para a exercer.<br>A par\u00f3quia, inserida na Igreja diocesana e atrav\u00e9s desta na Igreja universal, \u00e9 a comunidade eclesial mais pr\u00f3xima com a qual entram em contacto, de um modo ou de outro, a imensa maioria de homens e mulheres concretos. A ela pertencem todos os que, numa regi\u00e3o determinada, professam a f\u00e9 em Jesus e foram batizados em seu nome \u2013 \u00e9 a <em>comunidade de todos os batizados<\/em>. Al\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m uma comunidade verdadeiramente eclesial porque <em>assume o conjunto da miss\u00e3o evangelizadora<\/em>: o testemunho com palavras e obras que serve o primeiro an\u00fancio, a educa\u00e7\u00e3o na f\u00e9, a celebra\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do Senhor, o compromisso da caridade e o esfor\u00e7o para transformar o mundo em Reino de Deus. Na realidade, a par\u00f3quia \u00e9 um lugar privilegiado em que os fi\u00e9is podem ter uma experi\u00eancia concreta da Igreja; \u00e9 o espa\u00e7o onde se vive o mist\u00e9rio da Igreja de Jesus, onde se cria a primeira comunidade do povo crist\u00e3o \u2013 \u00e9 uma comunidade de f\u00e9 e uma comunidade batismal.<br>Precisamos de comunidades que crescem numa l\u00f3gica de corresponsabilidade eclesial e de impulso mission\u00e1rio. A miss\u00e3o tornou-se o paradigma da vida e da atua\u00e7\u00e3o da Igreja. A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9, pois, uma fun\u00e7\u00e3o da Igreja; ela constitui a sua ess\u00eancia e a sua realiza\u00e7\u00e3o existencial. Desejamos uma Igreja a partir da miss\u00e3o e para a miss\u00e3o. \u00ab<em>Eu sou uma miss\u00e3o nesta terra, e para isso estou neste mundo. \u00c9 preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta miss\u00e3o de iluminar, aben\u00e7oar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisto se revela a enfermeira aut\u00eantica, o professor aut\u00eantico, o pol\u00edtico aut\u00eantico, aqueles que decidiram, no mais \u00edntimo do seu ser, estar com os outros e ser para os outros<\/em>\u00bb (<em>EG<\/em> 273).<br>Este \u00e9 o momento de caminhar juntos, redescobrindo o significado concreto de humanismo, vida comum, confian\u00e7a.<br>\u00a0<br>\u00a0<br><strong>III. A IGREJA DIOCESANA DE AVEIRO<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br><strong>1. O Bispo, centro de unidade de vida na Diocese<\/strong><br>\u00a0<br>A miss\u00e3o confiada por Cristo aos ap\u00f3stolos durar\u00e1 at\u00e9 ao fim dos tempos, uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar \u00e9, em todo o tempo, o princ\u00edpio de toda a vida na Igreja. A sucess\u00e3o apost\u00f3lica \u00e9 a garantia da verdadeira eclesialidade da comunidade diocesana.<br>Por institui\u00e7\u00e3o divina, os bispos sucedem aos ap\u00f3stolos, como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo. Na pessoa dos bispos, a quem os presb\u00edteros assistem, \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor Jesus Cristo, pont\u00edfice supremo, que est\u00e1 presente no meio dos fi\u00e9is. \u00abCristo Nosso Senhor, para apascentar e aumentar continuamente o Povo de Deus, instituiu na Igreja diversos minist\u00e9rios, para bem de todo o corpo. Com efeito, os ministros que t\u00eam o poder sagrado servem os seus irm\u00e3os para que todos os que pertencem ao Povo de Deus, e por isso possuem a verdadeira dignidade crist\u00e3, alcancem a salva\u00e7\u00e3o, conspirando livre e ordenadamente para o mesmo fim. Este sagrado Conc\u00edlio, seguindo os passos do Conc\u00edlio Vaticano I, com ele ensina e declara que Jesus Cristo, pastor eterno, edificou a Igreja tendo enviado os Ap\u00f3stolos como Ele fora enviado pelo Pai (cf. <em>Jo<\/em> 20,21); e quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na Sua Igreja at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (<em>LG<\/em> 18).<br>Ao Bispo pertence-lhe conferir a ordem; ordinariamente administrar a confirma\u00e7\u00e3o e benzer os \u00f3leos; governar as suas dioceses com autoridade ordin\u00e1ria, mas sempre em comunh\u00e3o com o Papa ; conferir aos presb\u00edteros a autoridade de reger; ter \u201ccolegialmente com todos os seus irm\u00e3os no episcopado a solicitude de todas as Igrejas\u201d (<em>CCE<\/em> 1560). Juntamente com o m\u00fanus de santificar, a consagra\u00e7\u00e3o episcopal confere ainda o de ensinar e de governar, of\u00edcios que, por sua natureza, n\u00e3o podem exercer-se sen\u00e3o em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com a cabe\u00e7a e com os membros do col\u00e9gio apost\u00f3lico. Na verdade, consta claramente da tradi\u00e7\u00e3o, a qual aparece sobretudo nos ritos lit\u00fargicos e no uso da Igreja, quer oriental quer ocidental, que, pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os e pelas palavras consecrat\u00f3rias, se confere a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e se imprime o car\u00e1ter sagrado, de tal modo que os Bispos, de maneira eminente e vis\u00edvel, fazem as vezes do pr\u00f3prio Cristo, mestre, pastor e pont\u00edfice, e agem em seu nome. Compete aos Bispos admitir, pelo sacramento da Ordem, novos eleitos no corpo eclesial. Em virtude do sacramento da Ordem e do minist\u00e9rio, todos os sacerdotes, quer seculares quer religiosos, est\u00e3o unidos ao corpo episcopal e trabalham para o bem de toda a Igreja, segundo a voca\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a de cada um.<br>O bispo diocesano, como primeiro dispensador dos mist\u00e9rios de Deus na Igreja particular que lhe est\u00e1 confiada, \u00e9 o guia, o promotor e o guardi\u00e3o de toda a vida lit\u00fargica. \u00ab<em>A vida lit\u00fargica da diocese gravita em redor do Bispo, sobretudo na igreja catedral, convencidos de que a principal manifesta\u00e7\u00e3o da Igreja se faz numa participa\u00e7\u00e3o perfeita e ativa de todo o Povo santo de Deus na mesma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na mesma Eucaristia, numa \u00fanica ora\u00e7\u00e3o, ao redor do \u00fanico altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbit\u00e9rio e pelos ministros\u201d. Por isso, \u00e9 na catedral, onde se realiza o momento mais alto da vida da Igreja, que tem lugar tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o mais excelsa e sagrada do munus sanctificandi do Bispo; tal m\u00fanus, bem como a pr\u00f3pria liturgia a que ele preside, inclui simultaneamente a santifica\u00e7\u00e3o das pessoas, o culto e a gl\u00f3ria de Deus<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, <em>Pastores Gregis<\/em> 34, cf. <em>CIC <\/em>can. 389).<br>O Bispo n\u00e3o est\u00e1, nem pode estar, sozinho como pastor da Igreja que lhe foi confiada, neste caso na Igreja de Aveiro, embora recaia sobre ele a primeira responsabilidade de edificar a \u00edntima comunh\u00e3o de todos os fi\u00e9is no Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja.<br>\u00a0<br><strong>2. O lugar da C\u00e1tedra\/Catedral<\/strong><br>\u00a0<br>O temo \u201cCatedral\u201d nasceu do latim medieval como forma reduzida de <em>ecclesia cathedralis<\/em>, isto \u00e9, igreja onde tinha assento o bispo <em>(cathedra).<\/em> Nela est\u00e1 a c\u00e1tedra (cadeira) onde tradicionalmente o bispo se senta, em atitude magisterial, para exercer o seu m\u00fanus pastoral de ensinar, santificar e governar. A Catedral ou S\u00e9 \u00e9 a principal igreja de uma diocese, onde se encontra a sede de um bispo e de uma diocese. Para haver catedral, \u00e9 preciso haver um bispo associado a ela. Quando o Bispo est\u00e1 na c\u00e1tedra \u00e9 sinal do Cristo cabe\u00e7a, sacerdote e mestre. A sede deve manifestar essa uni\u00e3o entre cabe\u00e7a e corpo, entre Cristo e a Igreja, entre o presidente e a assembleia. A Catedral n\u00e3o simboliza apenas uma parte da Igreja, mas a Igreja na sua totalidade.<br>As catedrais, centros de peregrina\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os principais centros difusores da religiosidade e da cultura. Pela sua for\u00e7a simb\u00f3lica, a Catedral converte-se em casa de escuta da Palavra e lugar de eleva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito e de encontro com Deus.<br>A igreja que se evoca, quando se fala da Catedral, n\u00e3o \u00e9 uma comunidade particular da diocese, mas a igreja de toda a Diocese, pelo que simboliza toda a Igreja diocesana. Por ter a c\u00e1tedra do bispo, \u00e9 chamada de \u201ca m\u00e3e\u201d de todas as igrejas, neste caso, de todas as igrejas de Aveiro.<br>A Catedral \u00e9 a principal igreja da Diocese. Presidida pelo Bispo com a participa\u00e7\u00e3o do povo que forma a comunidade diocesana, \u00e9 express\u00e3o da Igreja local: casa de ora\u00e7\u00e3o, lugar de escuta e de celebra\u00e7\u00e3o da Igreja viva e peregrina. Dela irradia o mist\u00e9rio de Cristo, que se atualiza na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, especialmente na Eucaristia, o centro de toda a vida crist\u00e3, tanto para a Igreja, quer universal quer local, como para cada um dos fi\u00e9is.<br>A catedral de Aveiro \u00e9, pois, sinal e express\u00e3o de toda a vida da comunidade diocesana. Ela \u00e9 a Igreja-m\u00e3e e, como m\u00e3e, deve acolher a todos. Procuremos, cada vez mais, o sentido de comunh\u00e3o.<br><strong>\u00a0<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br><strong>IV. CONVERTER-SE NUMA IGREJA QUE CONVIDA: <em>VINDE E VEDE<\/em><\/strong><br>\u00a0<br>Partindo da recente consulta diocesana sinodal, podemos afirmar que a Igreja continua a ser refer\u00eancia pela positiva na sociedade atual, indo aonde outros n\u00e3o querem ir e fazendo o que muitos outros, na sociedade, n\u00e3o fazem.<br>A aut\u00eantica natureza da verdadeira Igreja \u00e9 simultaneamente humana e divina, vis\u00edvel e dotada de elementos invis\u00edveis, empenhada na a\u00e7\u00e3o e dada \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela \u00e9 humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o vis\u00edvel ao invis\u00edvel, a a\u00e7\u00e3o \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, e o presente \u00e0 cidade futura que buscamos (cf. <em>SC<\/em> 2). Na caminhada sinodal diocesana foi significativo o n\u00famero de pessoas que aceitaram colocar-se \u00e0 escuta da novidade do Esp\u00edrito e partilhar as suas preocupa\u00e7\u00f5es e alegrias e apresentar propostas sobre o rumo que a Igreja deve tomar.<br>A Igreja, povo santo e pecador que peregrina em terras de Aveiro, convocada \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade, demonstrou o quanto anseia percorrer caminhos amorosos de perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia; viver a alegria do Evangelho que a todos acolhe e abra\u00e7a; servir a Deus e \u00e0 humanidade pela promo\u00e7\u00e3o do bem comum e convers\u00e3o por uma ecologia integral. Da s\u00edntese decorrente da consulta sinodal na Diocese, conclu\u00edmos a necessidade de efetivamente assumir um novo estilo de ser Igreja \u2013 um estilo de Igreja que promova a comunh\u00e3o a todos os n\u00edveis. Ser comunh\u00e3o \u00e9 pressuposto para fomentar a comunh\u00e3o.<br>Implementar o esp\u00edrito sinodal como forma de ser e edificar a Igreja de Jesus neste tempo e nesta cultura, escutando, refletindo, aprendendo e consolidando a sinodalidade, \u00e9 um dos nossos grandes objetivos pastorais. A sinodalidade implica recetividade \u00e0 mudan\u00e7a, forma\u00e7\u00e3o e aprendizagem permanente. Todos temos de ser parte ativa dos processos de mudan\u00e7a do presente. \u00ab<em>Vinde e vede<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em> 1,38-39) \u00e9 a resposta-convite de Jesus a dois disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista \u00e0 pergunta: \u00ab<em>onde moras?<\/em>\u00bb. Jesus chama-os a um percurso interior e, ao mesmo tempo, a uma disponibilidade a colocar-se concretamente em movimento, sem saber bem onde \u00e9 que isto os levar\u00e1. Ser\u00e1 um encontro memor\u00e1vel, a tal ponto que se recorda da hora em que teve lugar. Gra\u00e7as \u00e0 coragem de ir e ver, os disc\u00edpulos podem experimentar a amizade fiel de Cristo e viver diariamente com Ele, interrogar-se e inspirar pelas suas palavras, deixar-se tocar e comover pelos seus gestos. O lugar privilegiado do nosso encontro com o Senhor \u00e9 a comunidade, unida e reunida em seu nome.<a> <\/a>Que as nossas comunidades cultivem particular solicitude para receber e introduzir na vida comunit\u00e1ria as pessoas que chegam de outros lugares ou que se reaproximam da vida eclesial, mas tamb\u00e9m saiam para ir ao encontro dos que est\u00e3o fora, fazendo-se pr\u00f3ximo dos afastados, dos indiferentes, dos que vivem como se Deus n\u00e3o existisse. Como nos recomenda o Papa Francisco, \u00e9 bom e desej\u00e1vel ter as portas das igrejas abertas, mas de pouco servir\u00e1 se as portas da Igreja-comunidade, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de cada de um de n\u00f3s, n\u00e3o se abrirem tamb\u00e9m para acolher.<br>\u00a0<br>\u00a0<br><strong>V. A PEREGRINA\u00c7\u00c3O \u00c0 CATEDRAL<\/strong><br><strong>\u00a0<\/strong><br>Car\u00edssimos diocesanos, tudo depende decisivamente do testemunho; somos continuamente interpelados pelos testemunhos de f\u00e9 de tantos irm\u00e3os nossos que nos precederam, ministros ordenados, consagrados e leigos, e tamb\u00e9m na mem\u00f3ria das obras de arte, nomeadamente a arte sacra. Se por um lado a arte sacra \u00e9 testemunho da f\u00e9 acreditada, por outro \u00e9 transmiss\u00e3o dela ao povo de Deus. Procura atrav\u00e9s da beleza visual, chegar \u00e0 beleza transcendental e tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel. Al\u00e9m do valor cultural das obras, lan\u00e7amos ra\u00edzes na vida da Igreja e conhecemos melhor a sua origem. Dizia S\u00e3o Bas\u00edlio que &#8220;<em>o que as palavras dizem ao ouvido, a arte mostra-o em sil\u00eancio<\/em>&#8220;. Quem a contempla tem diante de si narrativas que transcrevem, evocam e ajudam a viver as p\u00e1ginas da Escritura, da hist\u00f3ria da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja.<br>A este respeito, a S\u00e9 catedral de Aveiro \u00e9 um monumento emblem\u00e1tico do qual nos orgulhamos e lugar onde podemos realizar a experi\u00eancia vital de busca e de escuta, onde se louva e glorifica a Deus, se d\u00e1 gra\u00e7as e pede perd\u00e3o, onde m\u00e3os se erguem ao alto, em desejo, urg\u00eancia e sede de Deus. \u00c9 fruto do trabalho, da colabora\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o de muita gente e, acima de tudo, fruto do amor de Deus que aqui se faz presente. Que ela nos leve a descobrir sempre mais o valor da presen\u00e7a de Jesus no meio de n\u00f3s!<br>A Igreja, fiel \u00e0 sua origem, est\u00e1 sempre em renova\u00e7\u00e3o. Na longa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, vivemos nos nossos dias um tempo de renova\u00e7\u00e3o, tempo que tem de ajudar as pessoas a descobrir Deus e a experimentarem o seu amor por elas. Deste encontro, nascer\u00e1 o impulso que leva a dar testemunho da f\u00e9, nos mais diversos ambientes. Todas as celebra\u00e7\u00f5es devem ajudar a criar ambiente de encontro e partilha fraterna; deve passar-se de \u201cassistir a uma celebra\u00e7\u00e3o\u201d para \u201cparticipar numa celebra\u00e7\u00e3o\u201d. A contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Diz-nos o Papa Francisco que \u201ccontemplar \u00e9 dar tempo para fazer sil\u00eancio para rezar, a fim de que a alma volte novamente a estar em harmonia: o equil\u00edbrio est\u00e1 entre a cabe\u00e7a, cora\u00e7\u00e3o e m\u00e3os; entre pensamento, sentimento e a\u00e7\u00e3o. A contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 o ant\u00eddoto para as escolhas apressadas, superficiais e inconcludentes\u201d. De facto, quem contempla descobre a preciosa ternura do olhar de Deus, n\u00e3o fica sentado de bra\u00e7os cruzados, dedica-se com afinco \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<br>As iniciativas de encontro, di\u00e1logo e colabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o etapas preciosas nesta peregrina\u00e7\u00e3o. No meio dos riscos e limites da cultura de hoje, volta a ressoar o Evangelho para nos oferecer uma vida diferente, mais saud\u00e1vel e mais feliz. Na for\u00e7a do an\u00fancio, as estruturas podem e devem renovar-se. Somos chamados a assumir com generosa disponibilidade a parte de responsabilidade pela vida das comunidades eclesiais a que pertencemos. O rosto da Igreja depende de todos n\u00f3s. O desafio passar\u00e1 por descobrir e viver a dimens\u00e3o da Igreja como Povo de Deus, um povo ao qual todos pertencem: leigos, religiosos, ministros ordenados.<br>O crist\u00e3o \u00e9 chamado a viver a sua vida em Cristo e a considerar o dom da f\u00e9 um verdadeiro tesouro para a sua vida e para a promo\u00e7\u00e3o de uma cultura do encontro e da solidariedade, do respeito e do di\u00e1logo, da inclus\u00e3o e da integra\u00e7\u00e3o, da gratid\u00e3o e da gratuidade. Iluminados pela f\u00e9, temos o dever de nos esfor\u00e7ar para compreender a realidade e buscar caminhos. A f\u00e9 \u00ab<em>n\u00e3o \u00e9 um ref\u00fagio para gente sem coragem, mas a dilata\u00e7\u00e3o da vida: faz descobrir uma grande chamada \u2014 a voca\u00e7\u00e3o ao amor \u2014 e assegura que este amor \u00e9 fi\u00e1vel, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que \u00e9 mais forte do que toda a nossa fragilidade<\/em>\u00bb (<em><u>Lumen fidei<\/u><\/em>, 53). Como servidor desta Igreja que peregrina em Aveiro, \u00e9 para mim motivo de viva satisfa\u00e7\u00e3o o Jubileu da Catedral. N\u00e3o posso deixar de expressar a minha gratid\u00e3o junto da Santa S\u00e9, por nos ter concedido esta gra\u00e7a.<br>O Decreto da Penitenciaria Apost\u00f3lica \u201cconcede Indulg\u00eancia plen\u00e1ria do tesouro celeste da Igreja, nas condi\u00e7\u00f5es habituais (Confiss\u00e3o sacramental, Comunh\u00e3o eucar\u00edstica e ora\u00e7\u00e3o pelas inten\u00e7\u00f5es do Sumo Pont\u00edfice) aos fi\u00e9is verdadeiramente arrependidos e movidos pela caridade, que pode ser lucrada a partir do dia 12 de maio de 2023 at\u00e9 ao dia 13 de maio de 2024, a qual tamb\u00e9m pode ser aplicada como sufr\u00e1gio \u00e0s almas dos fi\u00e9is que se encontram no Purgat\u00f3rio, se visitarem a mesma igreja Catedral em forma de peregrina\u00e7\u00e3o e a\u00ed devotamente cumprirem os ritos jubilares, ou ent\u00e3o se durante um conveniente espa\u00e7o de tempo se entregarem a piedosa medita\u00e7\u00e3o, concluindo com a Ora\u00e7\u00e3o Dominical, S\u00edmbolo da F\u00e9 e invoca\u00e7\u00e3o da Bem-aventurada Virgem Maria.<br>Os idosos, os doentes e todos aqueles que por uma causa grave n\u00e3o podem sair de casa, podem igualmente lucrar a Indulg\u00eancia plen\u00e1ria, concebendo a avers\u00e3o a todo o pecado e fazendo a inten\u00e7\u00e3o de, logo que seja poss\u00edvel, cumprirem as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es de costume, unindo-se espiritualmente \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es jubilares, e oferecendo ao Deus misericordioso as suas preces e sofrimentos e tamb\u00e9m as incomodidades da pr\u00f3pria vida.<br>A peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos elementos essenciais do Ano Jubilar. Segundo o calend\u00e1rio proposto para este ano, a peregrina\u00e7\u00e3o dos arciprestados e a dos v\u00e1rios setores da pastoral diocesana (catequese, minist\u00e9rios lit\u00fargicos, grupos s\u00f3cio caritativos, movimentos apost\u00f3licos, cultura\u2026) devem ver a catedral como o centro da vida diocesana.<br>A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo; pratiquemos gestos de miseric\u00f3rdia para com todos os que necessitam de ser acolhidos e ajudados nas suas fragilidades, sobretudo os mais pobres. Uma palavra especial merecem os imigrantes, que em grande n\u00famero procuram as nossas terras para viver. A sua inser\u00e7\u00e3o e as suas convic\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o outro desafio ao qual devemos estar atentos.<br>Toda a Diocese est\u00e1 convidada a participar no Ano Jubilar. Queremos ver reunida uma Igreja\/ Diocese que anuncia, celebra e vive a sua f\u00e9. Importa que, a partir da escuta da Palavra e da a\u00e7\u00e3o, nos preparemos e consciencializemos da sua import\u00e2ncia, para que brilhe em n\u00f3s um novo rosto de Igreja.<br>Guiados pelo Esp\u00edrito Santo, queremos ser pedras vivas com as quais Cristo edifica a Igreja diocesana de Aveiro. Que o Jubileu desperte os nossos cora\u00e7\u00f5es!<br>Que Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, titular da nossa Catedral, e a Princesa Santa Joana, nossa padroeira, nos ajudem a viver e a dar frutos de santidade neste Jubileu.<br>\u00a0<br><em>\u00a0<\/em><br><em>Senhor Jesus, Bom Pastor,<\/em><br><em>n\u00f3s te agradecemos a Igreja que somos,<\/em><br><em>com as suas luzes, as suas sombras,<\/em><br><em>e o desejo de fidelidade ao Evangelho.<\/em><br><em>Ensina-nos a ver os sinais da tua presen\u00e7a.<\/em><br><em>Ajuda-nos a viver o amor e a comunh\u00e3o, sinais da tua Igreja.<\/em><br><em>Faz-nos sentir a necessidade de edificar a Igreja pela ora\u00e7\u00e3o,<\/em><br><em>pela colabora\u00e7\u00e3o e pela partilha de bens,<\/em><br><em>a construir a nossa Igreja de Aveiro sobre rocha firme.<\/em><br><em>Acendei no nosso cora\u00e7\u00e3o um zelo ardente que nos entusiasme a anunciar a Boa Nova a todos.<\/em><br><em>Amen.<\/em><br>____<br>Aveiro, 12 de maio de 2023<br><em>\u2020 <\/em>Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<em> Bispo de Aveiro<\/em><br><em>\u00a0<\/em><br><em>\u00a0<\/em><br><strong><br><\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><br><br><br><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Cf. SOUSA, Frei Lu\u00eds de \u2013 Frei Lu\u00eds C\u00e1cegas, Hist\u00f3ria de S. Domingos, II Parte, Livro III, Cap. III; Rangel de Quadros, Aveiro \u2013 Apontamentos Hist\u00f3ricos, IV, fl. 51.<br>Frei Lu\u00eds de Sousa narra uma lenda afirmando que na noite de 4 para 5 de agosto, a Virgem Maria apareceu a um velho aveirense, de nome Afonso Domingues, pobre e entrevado, curando-o e ordenando-Ihe que assinalasse com uma enxada o local onde desejava que o Infante D. Pedro mandasse erguer um convento em Sua honra \u2013 sendo esta a origem do Convento Dominicano de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia.<br><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Cf. PT\/AUC\/III\/1\u00aaD\/15\/2\/2, Convento de S\u00e3o Domingos de Aveiro, Livro de Lembran\u00e7as de Missas, fl. 1; Rangel de Quadros, Aveiro \u2013 Apontamentos Hist\u00f3ricos, IV, fl. 51.<br><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> <em>Memorial da Infanta Santa Joana <\/em>e<em> Cr\u00f3nica da Funda\u00e7\u00e3o do Convento de Jesus<\/em>, Ed. Diocese de Aveiro, 2021.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2442,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","footnotes":""},"categories":[21,46,32],"tags":[],"class_list":["post-2441","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acao-pastoral","category-bispo","category-nota-pastoral"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2441"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2443,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2441\/revisions\/2443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2442"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}