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Bênção do novo edifício das Florinhas do Vouga
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Comunicação do Bispo de Aveiro na bênção e inauguração do novo edifício das Florinhas do Vouga
Florinhas do Vouga
Senhor Primeiro Ministro
Senhor Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social
Senhores Secretários de Estado
Senhor Governador Civil de Aveiro
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Aveiro
Senhores Deputados e senhores Vereadores
Senhor Director do Centro Distrital de Segurança Social
Autoridades Civis, Académicas, Judiciais e Militares
Padre João Gonçalves, Presidente da Direcção e demais Membros da Direcção, Funcionários e Voluntários das Florinhas do Vouga
Caros Participantes desta Sessão Solene de Assinatura do Protocolo para a integração de jovens e desempregados em Instituições de Economia Social
Caros Aveirenses

1. As Florinhas do Vouga, cujo edifício agora se inaugura, são uma emblemática instituição da Diocese de Aveiro. Este dia marcará o seu percurso como uma das datas mais assinaladas e mais belas da sua já longa história. Honra-nos a presença de todos neste momento tão feliz para nós e sensibiliza-nos que Vossa Excelência, Senhor Primeiro Ministro, nos tenha escolhido para lançar, a partir deste lugar, no coração desta acolhedora cidade de Aveiro, capital de um distrito com significativo número de desempregados, uma útil e necessária iniciativa – a Iniciativa Emprego 2009 – que vai integrar 132 entidades e abranger 1696 formandos.

2. O lugar que nos acolhe, paredes - meias com a Catedral de Aveiro, foi outrora convento dominicano, que as vicissitudes do tempo destruíram e a execução de certas leis espoliou. Neste espaço readquirido de novo pela Igreja, graças à vontade persistente dos aveirenses, ergue-se agora este edifício destinado a cumprir o sonho do primeiro bispo de Aveiro que, em 6 de Outubro de 1940, criava uma Obra Social na linha de outras que tinha deixado em Angola, em Lisboa e em Vila Real, onde antes fora Bispo. Recordo apenas uma das muitas palavras, feitas de encanto e de generosidade de D. João Evangelista de Lima Vidal: “ O sonho que dançava na minha alma em formas indecisas, como são as formas dos sonhos, está aqui diante de nós feito realidade, vejo-o com os meus olhos, toldados de lágrimas, e toco-o com os meus dedos a tremer de emoção”.

Também naquele bispo o sonho comandava a vida. Sonho de Deus que um homem acolheu e que uma cidade abraçou. Destinava-se esta Instituição, no espírito do seu Fundador, a amparar as crianças, a saciar as bocas famintas e a acolher as famílias para quem só havia “restos de manta a tapar o frio e pedaços de esteira a servir de enxerga”. Herdeiro da primeira casa, onde dedicada e gratuitamente trabalhavam as Irmãs religiosas, Criaditas dos Pobres, que ainda hoje permanecem entre nós, em serviço discreto mas eficiente às famílias mais humildes, nasce agora este edifício novo, amplo e belo. Não seria possível construi-lo sem a imprescindível ajuda do Estado, através dos Serviços Distritais da Segurança Social e do oportuno recurso a programas da União Europeia, e sem o apoio incondicional e bem significativo da Câmara Municipal de Aveiro. Juntam-se a estes insubstituíveis contributos o trabalho incansável e heróico da Direcção, a competente intervenção dos Técnicos e a insuperável acção dos funcionários, assim como a generosidade sempre presente e actuante da Comunidade Diocesana. A todos se deve esta Obra, que nos fez merecer este dia. Em nome de todos aqueles a quem as Florinhas do Vouga se destinam e servem. BEM-HAJAM.

3. Setenta anos depois da sua fundação é outra a vida das crianças e das famílias e bem diferente a realidade humana e social de Aveiro. Mas continua a ser necessária esta Instituição. Como Instituição da Igreja, as Florinhas do Vouga vivem a ousadia da caridade evangélica, onde se espelha e afirma o amor de Deus pelo seu povo e como Instituição prestigiada e amada de Aveiro sentem-se ao serviço da cidade, da diocese e da região. Não pode ter limites nem demoras o serviço aos mais pobres. Os pobres não podem esperar. Que o digam os sem abrigo, que diariamente recebem a Ceia com calor! Não pode haver fronteiras no horizonte da missão que Florinhas do Vouga assumiu ao procurar fazer bem o bem, lá e sempre, onde for necessário. Que o digam tantas vidas sofridas, espelhadas no rosto das crianças da Creche, do Jardim de Infância e do A.T.L., na voz tantas vezes silenciada das famílias do Bairro de S. Tiago, dos carecidos de refeição ou de vestuário, no olhar ansioso de jovens e adultos em busca de um futuro digno e na procura preocupada de tantos outros que sabem que aqui encontram portas sempre abertas e gente de coração livre e disponível para iluminar caminhos de alegria e de esperança.

4. Sabemos que a hora que vivemos não é momento fácil nem ocasião para vãos optimismos, mas é certamente um tempo a viver com esperança cristã, com solicitude solidária e com capacidade social interventiva. O serviço aos pobres, a determinação de construirmos uma sociedade criadora de emprego, o compromisso de como pessoas, como Estado e como Igreja contribuirmos para o bem comum são sinais de esperança, a exigir uma cooperação estável adequada e oferecem-nos paradigmas e critérios onde se alicerçam a dignidade humana, o valor da família e a justiça social.

5. Somos uma cidade e uma região habituadas a lutar pela liberdade e treinadas no esforço empreendedor de investigadores, empresários e trabalhadores que não vacilam nas horas difíceis, não se intimidam diante dos desafios complexos do futuro nem ficam indiferentes à dor e às privações dos que sofrem. Conscientes de que um pobre, sobretudo se é criança ou jovem, nunca é livre, mesmo em terra de liberdade, estamos decididos a contribuir para erradicar a pobreza, para educar para a cidadania responsável e participativa e para fomentar o desenvolvimento integral sustentado e sustentável à luz do Doutrina Social da Igreja. Certos de que a falta de esperança, como virtude e como valor, é uma das maiores causas de pobreza de uma sociedade, dispomo-nos a trabalhar com renovada generosidade e abertura ao diálogo e à cooperação, nesta hora em que o bem comum exige de todos unidade, clarividência e coragem.

Aveiro, nesta causa como em todas as causas do bem a realizar, sabe que pode contar com a Igreja e com as suas Instituições. As Florinhas do Vouga afirmaram sempre esta verdade e revelam hoje mais uma vez esta certeza.

Aveiro, 21 de Fevereiro de 2009
+António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro
Tags: Diocese de Aveiro;
Fonte: Correio do Vouga
 
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