{"id":233,"date":"2014-04-30T08:27:04","date_gmt":"2014-04-30T08:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/?p=233"},"modified":"2014-04-30T08:27:10","modified_gmt":"2014-04-30T08:27:10","slug":"nota-pastoral-cursilhos-de-cristandade-e-divorciados-recasados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/?p=233","title":{"rendered":"NOTA PASTORAL CURSILHOS DE CRISTANDADE E DIVORCIADOS RECASADOS"},"content":{"rendered":"<div>\n<p align=\"center\"><b><a href=\"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/cursilhos-emblema.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-127\" alt=\"cursilhos-emblema\" src=\"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/cursilhos-emblema.jpg\" width=\"246\" height=\"236\" srcset=\"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/cursilhos-emblema.jpg 246w, http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/cursilhos-emblema-150x143.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b><strong>MOVIMENTO DOS CURSILHOS DE CRISTANDADE DE PORTUGAL<\/strong> <\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b><strong>SECRETARIADO NACIONAL<\/strong><\/b><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O Cursilho de Cristandade \u00e9 uma viv\u00eancia forte dum tr\u00edplice encontro: consigo pr\u00f3prio, com Cristo e com os outros.<\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas vertentes estreitamente interligadas. A consci\u00eancia viva de que Deus nos ama em Cristo revela que a plenitude da voca\u00e7\u00e3o do homem se realiza na \u00f3rbita de Cristo e da sua mensagem e que os outros s\u00e3o irm\u00e3os em Cristo. O encontro com Cristo d\u00e1 sentido mais profundo e verdadeiro ao encontro consigo pr\u00f3prio e com os outros.<\/p>\n<p>2. Na autorizada obra sobre o Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC), <i>Vertebraci\u00f3n de Ideas \u2013 Cursillos de Cristiandad <\/i>(que cito pela edi\u00e7\u00e3o actualizada e revista publicada em Maiorca em 2004), Eduardo Bonn\u00edn, fundador do MCC, e seus companheiros Francisco Forteza e Bernardo Vadell, tendo em conta o objectivo do Movimento, que \u201cser\u00e1<i> <\/i>sempre<i> vertebrar cristandade, o<\/i>nde quer que seja, com v\u00e9rtebras vivas e vivificadoras\u201d (p\u00e1g. 32), distinguem tr\u00eas classes de pessoas na hora de procurar ou aceitar candidatos para um Cursilho, a saber: \u201cquem <i>deve ir,<\/i> quem<i> pode<\/i> <i>ir<\/i> e quem<i> n\u00e3o deve<\/i> <i>ir<\/i>\u201d (tamb\u00e9m p. 32). Vou referir-me apenas ao \u00faltimo grupo.<\/p>\n<p>3. Os mesmos autores acrescentam que os candidatos devem ser seleccionados segundo a sua personalidade e as circunst\u00e2ncias da sua vida. Concretamente: com personalidade profunda (isto \u00e9, bem definida e \u201cnormal\u201d) e com situa\u00e7\u00e3o de vida \u201climpa ou limp\u00e1vel\u201d (p. 31).<\/p>\n<p>Assim sendo, <i>n\u00e3o devem ir <\/i>a um Cursilho pessoas \u201cmoles\u201d, sem \u201cosso\u201d e sem personalidade, nem os indiv\u00edduos \u201cdur\u00f5es\u201d, isto \u00e9, sem \u201cmedula\u201d e sem capacidade de humildade ou pelo menos de assombro perante alguma coisa ou algu\u00e9m (cf. p. 33).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m <i>n\u00e3o devem ir<\/i> pessoas desequilibradas por enfermidade ou por v\u00edcio ou envolvidas em circunst\u00e2ncias de vida dificilmente limp\u00e1veis.<\/p>\n<p>Dois exemplos: \u201ca experi\u00eancia ensina que os jogadores empedernidos e os que chegaram \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o pelo v\u00edcio, embora recebam um forte impacto durante o Cursilho, mais tarde dificilmente perseveram\u201d (D. Juan Herv\u00e1s, <i>Manual de Dirigentes de Cursillos de Cristiandad<\/i>, selec\u00e7\u00e3o de candidatos, n\u00ba 10); e \u201cnos ambientes de droga ou de delinqu\u00eancia organizada(\u2026) a nossa exigente proposta do Cursilho suporia para certas pessoas um desafio psicologicamente inabord\u00e1vel. Quem se dedica aos marginais sabe que o seu trabalho \u00e9 de perene Pr\u00e9-Cursilho na imensa maioria dos casos (<i>Vertebraci\u00f3n de Ideas<\/i>, p. 31, n.5).<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o num Cursilho n\u00e3o \u00e9 a modalidade mais adequada de acompanhamento pastoral nestes e noutros casos.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o sobre admiss\u00e3o ou n\u00e3o de candidatos ao Cursilho o Secretariado Diocesano agir\u00e1 sempre com verdade, caridade e prud\u00eancia. Tr\u00eas requisitos a combinar harmoniosamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Outra variante de circunst\u00e2ncias de vida limpas ou limp\u00e1veis dos candidatos ao Cursilho \u00e9 que eles <i>possam receber os sacramentos da Reconcilia\u00e7\u00e3o e da Eucaristia<\/i>, momentos marcantes do seu encontro com Cristo.<\/p>\n<p>O Papa Jo\u00e3o Paulo II no n\u00ba 84 da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <i>Familiaris consortio<\/i>, publicada em 1981 depois do S\u00ednodo dos Bispos sobre a Fam\u00edlia do ano anterior, reafirmou a disciplina da Igreja, \u201cfundada na Sagrada Escritura, de n\u00e3o admitir \u00e0 comunh\u00e3o eucar\u00edstica os divorciados\u00a0 que contra\u00edram nova uni\u00e3o\u201d. N\u00e3o se trata de quest\u00e3o meramente disciplinar, administrativa ou regulamentar. \u00c9 uma norma disciplinar decorrente da doutrina, como o Papa esclarece logo a seguir: \u201co seu estado e situa\u00e7\u00e3o de vida contradizem objectivamente a uni\u00e3o de amor entre Cristo e a Igreja, significada e realizada na Eucaristia\u201d.<\/p>\n<p>A admiss\u00e3o de divorciados \u00e0 Eucaristia [passo a referir s\u00f3 a Eucaristia porque este sacramento sup\u00f5e o da Reconcilia\u00e7\u00e3o] envolve uma contradi\u00e7\u00e3o objectiva. Os fi\u00e9is nessa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem, ao mesmo tempo, viver em contradi\u00e7\u00e3o existencial com Cristo sobre a quest\u00e3o do div\u00f3rcio e apresentarem-se a receber da Igreja de Cristo o sacramento da Eucaristia, que \u00e9 um sinal privilegiado da uni\u00e3o com Cristo. Esta contradi\u00e7\u00e3o constitui a base doutrinal da recusa da comunh\u00e3o eucar\u00edstica aos divorciados recasados.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o e o encontro com Cristo n\u00e3o podem ser apenas um sentimento emocional ou\u00a0 admirativo da figura de Cristo. Devem concretizar-se na ades\u00e3o \u00e0 mensagem e \u00e0 doutrina de Cristo nomeadamente, neste caso, \u00e0 doutrina sobre o matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>Como tamb\u00e9m esclareceu o Papa Francisco em Roma a 17 de Setembro do ano passado, ao anunciar novo S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia para o pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro, \u201co problema n\u00e3o pode ser reduzido \u00e0 quest\u00e3o de comungar ou n\u00e3o. Quem coloca o problema somente nestes termos n\u00e3o entende qual \u00e9 o verdadeiro problema\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Papa Jo\u00e3o Paulo II acrescenta ainda na mesma Exorta\u00e7\u00e3o: \u201cse se admitissem essas pessoas \u00e0 Eucaristia, os fi\u00e9is seriam induzidos em erro e confus\u00e3o acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrim\u00f3nio\u201d.<\/p>\n<p>O recasamento de divorciados \u00e9 uma realidade largamente difundida e socialmente aceite nas sociedades contempor\u00e2neas. Mas isso n\u00e3o pode levar a Igreja a nivelar por baixo os padr\u00f5es do matrim\u00f3nio crist\u00e3o nem a considerar a situa\u00e7\u00e3o dos divorciados recasados como \u201cnormal\u201d dando-lhes a possibilidade de acesso \u00e0 Eucaristia. A generaliza\u00e7\u00e3o actual do div\u00f3rcio \u00e9 antes uma raz\u00e3o suplementar para na Igreja se viver com mais empenho o modelo crist\u00e3o do matrim\u00f3nio, caracterizado pela unidade e pela indissolubilidade. Para isso os esposos crist\u00e3os devem viver o seu matrim\u00f3nio como sacramento, isto \u00e9, como sinal e imita\u00e7\u00e3o do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja: um amor fiel, fecundo e para sempre.<\/p>\n<p>Voltando ao MCC. Como compaginar a admiss\u00e3o de divorciados recasados a um Cursilho com a exposi\u00e7\u00e3o da doutrina crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio no rolho sobre os sacramentos?<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o num Cursilho n\u00e3o \u00e9 forma adequada de acompanhamento pastoral de pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 tudo dito quando se diz que os divorciados recasados n\u00e3o podem receber a Eucaristia e, por isso, n\u00e3o devem ser admitidos a participar num Cursilho.<\/p>\n<p>A citada Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <i>Familiaris consortio <\/i>assevera que \u201ca Igreja est\u00e1 firmemente convencida de que mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado poder\u00e3o obter de Deus a gra\u00e7a da convers\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o se perseverarem na ora\u00e7\u00e3o, na penit\u00eancia e na caridade\u201d.<\/p>\n<p>Esses fi\u00e9is n\u00e3o est\u00e3o excomungados. N\u00e3o est\u00e3o fora da Igreja. Por isso, continua o Papa Jo\u00e3o Paulo II na mesma Exorta\u00e7\u00e3o, \u201djuntamente com o S\u00ednodo exorto vivamente os pastores e toda a comunidade dos fi\u00e9is a que ajudem os divorciados, procurando com sol\u00edcita caridade que eles n\u00e3o se considerem separados da Igreja, mas que podem e at\u00e9 devem, enquanto baptizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrif\u00edcio da Missa, a perseverar na ora\u00e7\u00e3o, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justi\u00e7a, a educar os filhos na f\u00e9 crist\u00e3, a cultivar o esp\u00edrito e as obras de penit\u00eancia para assim implorarem, dia a dia, a gra\u00e7a de Deus\u201d. \u00c9 um vasto programa de vida crist\u00e3 proposto \u00e0 generosidade e ao sentido eclesial destes fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Os divorciados recasados, afirmou h\u00e1 dias o Papa Francisco, \u201dn\u00e3o devem ser condenados, mas acompanhados\u201d. Esperemos que o pr\u00f3ximo S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, que ter\u00e1 continua\u00e7\u00e3o em 2015, seguindo na esteira da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica de 1981 venha contribuir para aprofundar os caminhos do atendimento pastoral destes irm\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, 9 de Mar\u00e7o de 2014<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Montes Moreira<\/p>\n<p>Bispo Em\u00e9rito de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n<p>Director Espiritual do Secretariado Nacional do MCC<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MOVIMENTO DOS CURSILHOS DE CRISTANDADE DE PORTUGAL SECRETARIADO NACIONAL &nbsp; 1. O Cursilho de Cristandade \u00e9 uma viv\u00eancia forte dum tr\u00edplice encontro: consigo pr\u00f3prio, com Cristo e com os outros. S\u00e3o tr\u00eas vertentes estreitamente interligadas. 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