{"id":217,"date":"2014-04-30T08:16:39","date_gmt":"2014-04-30T08:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/?p=217"},"modified":"2014-04-30T08:18:14","modified_gmt":"2014-04-30T08:18:14","slug":"cursilhos-em-movimento-diocese-em-missao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/?p=217","title":{"rendered":"CURSILHOS EM MOVIMENTO, DIOCESE EM MISS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><b>Georgino Rocha (Pde)<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Georgino.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-218\" alt=\"Georgino\" src=\"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/mcc\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Georgino-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O projecto da Miss\u00e3o Jubilar acabou com celebra\u00e7\u00f5es festivas nos dias oito e onze de dezembro, dias em que celebr\u00e1mos a Miss\u00e3o e a Mem\u00f3ria da feliz restaura\u00e7\u00e3o. A resson\u00e2ncia dos acontecimentos e das experi\u00eancias vividas perdura em n\u00f3s e marcar\u00e1 profundamente a vida crist\u00e3 das comunidades e movimentos da nossa Diocese. A prop\u00f3sito, o Papa Francisco fala de \u201cum bom e belo caminho\u201d e envia uma mensagem\/apelo para que a Igreja Cat\u00f3lica em Aveiro &#8220;entre decididamente num processo de discernimento, renova\u00e7\u00e3o e reforma, sem impedimentos e sem receios&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 neste ambiente jubilar que ocorrem as bodas de ouro do Movimento dos Cursilhos em Aveiro. Por isso estamos aqui. Queremos evocar a mem\u00f3ria aben\u00e7oada dos que nos precederam e, impulsionados pelo Esp\u00edrito Santo, foram protagonistas em muitas frentes da renova\u00e7\u00e3o da Igreja diocesana, \u00e0s vezes \u201ccontra ventos e mar\u00e9s\u201d, mas sempre determinados a \u201cremar forte na vida\u201d, a levar a carta a Garcia, a ir mais longe em ultreia de irm\u00e3os peregrinos\u00a0 de uma verdade maior e de um servi\u00e7o mais evang\u00e9lico. Queremos rever-nos nessa mem\u00f3ria e aferir os nossos crit\u00e9rios pela fidelidade ao carisma original do Movimento, agora em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas diferentes e, possivelmente, mais complexas. Queremos retemperar for\u00e7as an\u00edmicas e espirituais para dar uma resposta generosa \u00e0 miss\u00e3o recebida com a entrega do crucifixo: \u201cCristo, conta contigo\u201d. Queremos cantar ao Senhor com arte e com j\u00fabilo para que o cora\u00e7\u00e3o possa expandir a imensidade superabundante da sua alegria, como afirma Santo Agostinho, a prop\u00f3sito da festa de Santa Cec\u00edlia. <i>(<\/i><i>Liturgia das Horas, mem\u00f3ria de Santa Cec\u00edlia, tomo IV tempo comum).<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A alegria que vivemos n\u00e3o tem apenas ra\u00edzes humanas, como lembra o Papa Francisco na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cA alegria do Evangelho\u201d. \u00c9 bom fazer um mergulho na fonte da verdadeira alegria, deixar-se possuir por ela e fazer-se sua testemunha e anunciador. Este pode ser, a meu ver, o primeiro desafio a assumir e um dos principais contributos a dar pelo Movimento nesta celebra\u00e7\u00e3o Jubilar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ou\u00e7amos o que nos diz o Santo Padre: \u201cA ALEGRIA DO EVANGELHO enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.\u201d (n\u00ba 1) E conclui afirmando: \u201cQuero, com esta Exorta\u00e7\u00e3o, dirigir-me aos fi\u00e9is crist\u00e3os a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos pr\u00f3ximos anos.\u201d<\/p>\n<p>Acolher este convite e responder prontamente a este desafio leva-nos a sintonizar com a Igreja e a entrar na nova etapa de evangeliza\u00e7\u00e3o que se anuncia. Mas a alegria est\u00e1 em perigo e corre s\u00e9rios riscos de ser desvirtuada. O consumismo abafa o cora\u00e7\u00e3o e adormece as suas aspira\u00e7\u00f5es mais nobres. O individualismo amarra a consci\u00eancia com la\u00e7os ego\u00edstas, insensibiliza-a face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos outros e priva-a da alegria de reagir positivamente ao clamor que lhe chega. A supremacia do ter subjuga o ser de cada pessoa, cavando fossos de isolamento, agravando dist\u00e2ncias, abrindo feridas de relacionamento, limitando horizontes de doa\u00e7\u00e3o enriquecedora.<\/p>\n<p>\u201cQuando a vida interior se fecha nos pr\u00f3prios interesses &#8211; lembra o Papa Francisco -, deixa de haver espa\u00e7o para os outros, j\u00e1 n\u00e3o entram os pobres, j\u00e1 n\u00e3o se ouve a voz de Deus, j\u00e1 n\u00e3o se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este \u00e9 um risco, certo e permanente, que correm tamb\u00e9m os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta n\u00e3o \u00e9 a escolha duma vida digna e plena, este n\u00e3o \u00e9 o des\u00edgnio que Deus tem para n\u00f3s, esta n\u00e3o \u00e9 a vida no Esp\u00edrito que jorra do cora\u00e7\u00e3o de Cristo ressuscitado\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Renovo a minha convic\u00e7\u00e3o profunda: evangelizar a alegria, apresentar a boa nova que ela comporta e a beleza que irradia constitui uma urg\u00eancia desta hora que o Movimento est\u00e1 chamado a assumir e vivenciar. Sobretudo nas festas familiares e populares. \u00c0 sombra do santo padroeiro ou de algum acontecimento feliz na fam\u00edlia: casamento, baptizado, fim de curso\u2026 quanta alegria desvirtuada, a necessitar de reencaminhamento, de mais sentido humano, de evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o percamos esta hora. Todos sairemos a ganhar! Reconhe\u00e7o igualmente a urg\u00eancia de termos um rosto feliz, de pessoas que vivem a ressurrei\u00e7\u00e3o no quotidiano, de cidad\u00e3os que mant\u00e9m uma correcta rela\u00e7\u00e3o com os bens, que apreciam a sobriedade e cultivam \u201ca \u00e9tica do suficiente\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A alegria crist\u00e3 nasce da f\u00e9, do acolhimento de Deus que se humaniza connosco e tem um projecto de felicidade a construir com todos\/as e cada um\/a para bem da sociedade em que vivemos e de que fazemos parte. Foi assim nos tempos passados, assim ser\u00e1 agora e no futuro. Convido-vos, irm\u00e3os e irm\u00e3s, a contemplar o rosto sereno e alegre de Maria na sua maternidade, o sil\u00eancio eloquente de Jos\u00e9, o homem justo a quem Deus confia os cuidados da sua fam\u00edlia, e de tantos outros que Bento XVI, o papa que promulgou o Ano da F\u00e9, nomeia a t\u00edtulo de exemplo. Convido-vos a ver com os olhos do cora\u00e7\u00e3o o sorriso rasgado e expressivo do papa Francisco, a proximidade e ternura do nosso Bispo, Ant\u00f3nio Francisco, que n\u00e3o cessam de nos surpreender com as suas iniciativas corajosas, com a sua presen\u00e7a amiga estimulante; convido-vos a vivenciar o testemunho jubiloso dos membros das equipas que orientam os cursilhos e a exuber\u00e2ncia das clausuras de encerramento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ou\u00e7amos de novo o que nos diz o Papa Francisco: \u201cConvido todo o crist\u00e3o, em qualquer lugar e situa\u00e7\u00e3o que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decis\u00e3o de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. N\u00e3o h\u00e1 motivo para algu\u00e9m poder pensar que este convite n\u00e3o lhe diz respeito, j\u00e1 que \u00abda alegria trazida pelo Senhor ningu\u00e9m \u00e9 exclu\u00eddo\u00bb. Quem arrisca, o Senhor n\u00e3o o desilude; e, quando algu\u00e9m d\u00e1 um pequeno passo em direc\u00e7\u00e3o a Jesus descobre que Ele j\u00e1 aguardava de bra\u00e7os abertos a sua chegada. (n\u00ba 3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Provocar o encontro pessoal com Cristo, eis outro grande apelo\/desafio que nos \u00e9 posto. Identificar pessoas, fazer-se pr\u00f3ximo e amigo, testemunhar um estilo de vida novo que interpele e desperte energias adormecidas, aguardar paciente e lucidamente a hora de fazer a proposta directa em ordem a participar num cursilho constituem elementos fundamentais deste processo que visa alcan\u00e7ar aquele encontro. E tudo isto precedido e acompanhado com as alavancas dos joelhos em ora\u00e7\u00e3o e com os bra\u00e7os em penit\u00eancia de amor. Encontro que gera a felicidade proclamada no Evangelho, que marca a exist\u00eancia crist\u00e3, que d\u00e1 for\u00e7a ao testemunho apost\u00f3lico, que abre caminhos \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia da nossa Miss\u00e3o Jubilar confirma e testemunha esta certeza, ali\u00e1s proclamada como bem-aventuran\u00e7a por Jesus Cristo e cantada, em diversos tons, por D. Ant\u00f3nio Francisco como agora na mensagem de Natal. \u201cO melhor pres\u00e9pio de Jesus ser\u00e1 sempre o cora\u00e7\u00e3o dos pobres em esp\u00edrito, dos puros, dos misericordiosos, dos pac\u00edficos, dos que fazem das bem-aventuran\u00e7as crit\u00e9rio de vida e se sentem tocados de perto pelo amor do nosso bom Deus.\u201d<\/p>\n<p>Mas a felicidade genu\u00edna est\u00e1 quase ausente da vida crist\u00e3, das comunidades eclesiais e das institui\u00e7\u00f5es da sociedade. A fome de ser feliz \u00e9 frequentemente paliada com pequenas migalhas que a publicidade apresenta com centelhas de luz irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>Um bom publicit\u00e1rio \u2013 escreve Tolentino de Mendon\u00e7a &#8211; elabora um frio, mas exato diagn\u00f3stico da alma do seu tempo. Sabe\u00a0que os seres humanos mant\u00eam soterrado a muitas bra\u00e7as de profundidade\u00a0um sonho de felicidade com o qual\u00a0desejam comunicar. Sabe que num\u00a0tempo que virou costas \u00e0 natureza, o\u00a0ser humano n\u00e3o deixou de precisar do\u00a0conv\u00edvio com os grandes espa\u00e7os, a c\u00e9u\u00a0aberto. (\u2026). Sabe que os quotidianos f\u00e9rreos e\u00a0apinhados, que nos trazem volunt\u00e1ria\u00a0ou involuntariamente sequestrados,\u00a0n\u00e3o cancelaram do nosso cora\u00e7\u00e3o a\u00a0necessidade de palavras puras, de\u00a0gestos essenciais, de experi\u00eancias de\u00a0gratuidade.<\/p>\n<p>E o padre, poeta e biblista, director do SNPC, conclui a sua oportuna reflex\u00e3o, alertando para a necessidade de n\u00f3s pr\u00f3prios, individualmente e em comunidades, encetarmos a preciosa tarefa de\u00a0fundar uma humilde, imperfeita e inacabada ci\u00eancia da felicidade. (In Revista Expresso 2146, 14\/dez\/2013, p. 11)<\/p>\n<p>Este alerta constitui, sem d\u00favida, um novo desafio ao Movimento que tem como din\u00e2mica a alegria jubilosa de quem vive e convive o fundamental crist\u00e3o e quer irradiar a beleza da gra\u00e7a multicolorida. A crise em que estamos mergulhados acentua esta urg\u00eancia. \u00c9 uma constante do Evangelho proclamado neste tempo de nova evangeliza\u00e7\u00e3o. \u201cFeliz \u00e9s tu porque acreditaste\u201d \u2013 exclama Isabel ao receber a visita de Maria. Feliz quem te gerou \u2013 grita a mulher que escutava a prega\u00e7\u00e3o de Jesus. Felizes os que ouvem a palavra e a p\u00f5em em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Demos rosto humano \u00e0 felicidade. Deixemos \u201ca cara de enterro\u201d e abramo-nos \u00e0 alegria pascal, que surge radiosa ap\u00f3s a paix\u00e3o sofrida por amor.<\/p>\n<ol>\n<li>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A f\u00e9, sendo um dom de Deus que se acolhe, \u00e9 resposta humana que envolve a pessoa toda: o cora\u00e7\u00e3o para amar o que Deus ama, sobretudo os feridos da vida; a intelig\u00eancia para penetrar o mais poss\u00edvel no projecto sonhado por Deus e implementado por Jesus Cristo, Seu Filho e nosso irm\u00e3o; a vontade para querer o que Deus quer e, em manh\u00e3s de primavera sorridente e promissora ou em outonos de baixa intensidade luminosa ou mesmo de progressiva diminui\u00e7\u00e3o do crep\u00fasculo solar e apagamento da vida, permanecer firme e fiel como Maria junto \u00e0 cruz no calv\u00e1rio. Os desafios da f\u00e9 constituem, sem d\u00favida, o cerne do homem\/mulher crente, inquieto no seu cora\u00e7\u00e3o que sempre busca um amor\u00a0 maior, \u00e0vido de uma verdade mais plena para a sua intelig\u00eancia peregrina, desejoso de uma fidelidade crescente que d\u00ea firmeza e consist\u00eancia \u00e0 sua vontade debilitada pelas limita\u00e7\u00f5es e pecados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II dedica uma enc\u00edclica \u00e0 rela\u00e7\u00e3o \u201cA f\u00e9 e a raz\u00e3o\u201d (1998) e afirma que constituem duas asas possantes para o homem voar na liberdade, orientar o rumo do v\u00f4o e alcan\u00e7ar a verdade poss\u00edvel. Infelizmente esta enc\u00edclica &#8211; que \u00e9 uma das mais importantes do seu rico magist\u00e9rio -, est\u00e1 quase esquecida. Santo Agostinho, a prop\u00f3sito desta rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 incisivo \u00abQuem cr\u00ea, pensa, e pensando, cr\u00ea. A f\u00e9, se n\u00e3o \u00e9 pensada, \u00e9 nula\u00bb. Grande interpela\u00e7\u00e3o nos \u00e9 feita: Pensar a f\u00e9 e buscar os seus fundamentos, aprender as suas certezas, enraizar convic\u00e7\u00f5es, estar pronto para dar as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a \u00e0queles que nos pedirem.<\/p>\n<p>A f\u00e9 corre perigos de desvirtuamento. \u201c\u00c9 f\u00e1cil, efetivamente, deslizar para uma f\u00e9 que seja apenas abandono confiante, quase cego, fugindo de toda a interroga\u00e7\u00e3o, cancelando qualquer rumor do pensamento, fazendo empalidecer e definhar a religi\u00e3o num progressivo sentimentalismo devocional\u201d, adverte o Cardeal Ravasi, presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Cultura. \u201cContudo tamb\u00e9m \u00e9 perigoso avan\u00e7ar pela outra vertente, a de uma racionalidade de tal maneira absorvente que reduz a religi\u00e3o a um conjunto de teoremas, a um sistema especulativo no qual tudo se ordena, a uma geometria teol\u00f3gica que n\u00e3o deixa espa\u00e7o ao mist\u00e9rio e ao transcendente.\u201d<\/p>\n<p>\u201dBento XVI dedicou tamb\u00e9m uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com a ci\u00eancia, da religi\u00e3o com a raz\u00e3o, da sabedoria do amor com a tecnologia da efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>\u00c9 muito sugestiva a defini\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que a Carta aos Hebreus nos oferece: \u00abA f\u00e9 \u00e9 garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que n\u00e3o se veem\u00bb (11, 1).<\/p>\n<p>Aos desafios que, hoje, se colocam aos crist\u00e3os no campo da f\u00e9 pode e deve o Movimento dedicar a sua aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria: requalificando a f\u00e9 dos seus membros, irradiando a luz pascal nas situa\u00e7\u00f5es de vida testemunhadas nas ultreias, questionando-se nas reuni\u00f5es de grupo, anunciando jubilosamente a alegria do ser crist\u00e3o no cursilho, procedendo de tal modo que o seu agir possa constituir para a Igreja diocesana uma refer\u00eancia exemplar do itiner\u00e1rio da f\u00e9 de um \u201ccatec\u00fameno\u201d que deseja ser crist\u00e3o adulto, por meio da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Este processo \u00e9, sobretudo, desafio para a Igreja diocesana, designadamente nas par\u00f3quias e nos arciprestados. Sem inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de adultos, a Igreja fica privada da melhor proposta para \u201cfazer\u201d um crist\u00e3o, a partir da situa\u00e7\u00e3o em que se encontra e para o acompanhar em todas as fases do seu crescimento na f\u00e9 e inser\u00e7\u00e3o na comunidade e nos ambientes socioprofissionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0O homem de f\u00e9 assemelha-se aos \u201cpeixes que bebem no rio\u201d do amor com que Deus nos ama, no mar largo da caridade fecunda. Sem esta, aquela \u00e9 est\u00e9ril, os ritos ficam vazios e a moral crist\u00e3 uma farsa irritante ou um colete-de-for\u00e7as que amarra consci\u00eancias d\u00e9beis.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deus \u00e9 amor\/caridade. E faz-nos participantes do seu amor, por meio de Jesus Cristo. Deixar-se amar, acolher este amor e dar-lhe resposta de entrega generosa origina a f\u00e9 de ades\u00e3o cordial, a confian\u00e7a filial, a rela\u00e7\u00e3o fraterna entre todos os que reconhecem o amor com que Deus os ama. Como \u00e9 admir\u00e1vel esta realidade confirmada pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado. E que bom seria, deixar-se envolver por ela e dar testemunho da sua beleza no servi\u00e7o generoso que praticamos com humildade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A caridade toma rosto humano pessoal e comunit\u00e1rio, espont\u00e2neo ou organizado. For\u00e7a ao envolvimento total. Impulsiona o compromisso libertador. Conduz \u00e0 entrega mais generosa em prol de todos, sobretudo dos desconsiderados e exclu\u00eddos que o papa Francisco designa pelos que vivem nas periferias existenciais. \u00c9 o amor que gera a vida. Em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta. N\u00e3o podemos ser est\u00e9reis, nem deixar que a esterilidade da vida crist\u00e3 retire a vitalidade \u00e0 nossa f\u00e9, ao Evangelho de Jesus Cristo, \u00e0 for\u00e7a renovadora do Esp\u00edrito Santo, \u00e0 miss\u00e3o humanizadora da Igreja num mundo \u00e0 procura de si mesmo nesta fase que parece \u201cvoar nas asas da aurora\u201d de uma nova \u00e9poca civilizacional. (Cf salmo 138).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A caridade verifica a verdade da f\u00e9, a sua integridade e autenticidade, a sua sa\u00fade vivificante. A f\u00e9, por sua vez, faz-nos ver Deus \u201ccara a cara\u201d nos pobres, ilumina e d\u00e1 sentido, identidade e consist\u00eancia \u00e0 caridade.(cf. PF 14).<\/p>\n<p>Sem f\u00e9, a caridade reduz-se a mera filantropia e fica sujeita aos humores de ocasi\u00e3o ou a circunst\u00e2ncias de conveni\u00eancia. A f\u00e9 remete-nos a Deus, fonte de todo o amor, e a Jesus Cristo, a grande testemunha do amor misericordioso do nosso Deus. Pode dizer-se que \u00e9 mentira a f\u00e9 que n\u00e3o nasce do amor e que \u00e9, igualmente, mentira a caridade que n\u00e3o vive da f\u00e9. A caridade \u00e9 a verdade da f\u00e9. A mensagem final do S\u00ednodo sobre a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, n\u00ba 12, usa duas express\u00f5es que fazem cred\u00edvel o Evangelho: A contempla\u00e7\u00e3o e o servi\u00e7o aos pobres. O gesto da caridade deve ser acompanhado pelo compromisso pela justi\u00e7a que envolva ricos e pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A f\u00e9 proporciona crit\u00e9rios de pensamento e directrizes de ac\u00e7\u00e3o que orientam o exerc\u00edcio da caridade (PF 19). Enumeram-se alguns:<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 descobre-nos que \u00e9 o amor que salva. Quando algu\u00e9m experimenta um grande amor na sua vida, trata-se de um momento de \u201creden\u00e7\u00e3o\u201d, que d\u00e1 um novo sentido \u00e0 sua exist\u00eancia. O amor deve estar presente em todos\u00a0 os \u00e2mbitos de viv\u00eancia da f\u00e9 e da ac\u00e7\u00e3o pastoral. \u00c9 preciso dar, mas sobretudo dar-se, dar amor. S\u00f3 assim, o dom n\u00e3o humilha, mas dignifica\u00a0 a pessoa que d\u00e1 e a que recebe (DCE n\u00ba 34).<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 faz-nos olhar e escutar o pobre como o olha e escuta Deus. A Igreja deve escutar com ouvidos de f\u00e9 o grito dos pobres, ouvindo no seu clamor a voz do filho de Deus que, sendo rico se despojou da sua riqueza e se fez pobre por nossa causa. Escutar a voz de Deus neste clamor \u00e9 indispens\u00e1vel para que o nosso servi\u00e7o pastoral seja aut\u00eantico e fiel.<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 envolve a luta contra a injusti\u00e7a que gera a pobreza. Faz parte deste compromisso, descobrir as causas da pobreza e os mecanismos que a geram e consolidam.<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 oferece-nos a ternura necess\u00e1ria para optar pelos que est\u00e3o nas \u201cperiferias\u201d dos centros da vida, os espoliados da sua dignidade, os sem rumo\/sentido para a exist\u00eancia, os expostos \u00e0 intemp\u00e9rie e sem qualquer abrigo.<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 faz-nos descobrir a dimens\u00e3o evangelizadora da caridade. Jesus, o enviado do Pai e ungido pelo Esp\u00edrito para evangelizar os pobres, anuncia a boa not\u00edcia do amor de Deus que liberta. O exerc\u00edcio da caridade \u00e9 elemento constitutivo da natureza e miss\u00e3o da Igreja (DCE n\u00ba 25)<\/p>\n<p>&#8211; A f\u00e9 proporciona-nos a espiritualidade que requer a ac\u00e7\u00e3o socio-caritativa e social. (Vicente Altava Gargallo, Fe y caridad. Lectura pastoral de una relaci\u00f3n mutuamente clarificadora y verificadora, Corintios XIII n\u00ba 146, pp\u00a0 50-65).<\/p>\n<p>Que bela miss\u00e3o nos est\u00e1 confiada em Igreja para humanizar a sociedade, a partir dos mais vulner\u00e1veis. Quem ama inventa modos de servir. O amor \u00e9 criativo, ousado, oportuno, destemido. Basta lembrar o exemplo de tantas m\u00e3es e pais de fam\u00edlia, da Madre Teresa de Calcut\u00e1 e de muitos outros. A interven\u00e7\u00e3o e o envolvimento brotam desta fonte que irriga a nossa humanidade e manifesta a pureza da nossa f\u00e9 apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mundo \u00e0 procura de sentido digno da condi\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 marcado por luzes e sombras em que emergem pessoas l\u00edderes particularmente respons\u00e1veis e influentes. Apresenta-nos motivos de tristeza pela mis\u00e9ria de milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o conhecem outra realidade a n\u00e3o ser o sofrimento e a explora\u00e7\u00e3o; pelas guerras, as injusti\u00e7as e as \u201cestruturas de pecado\u201d que podem parecer inevit\u00e1veis e imposs\u00edveis de erradicar; pela enorme pobreza de n\u00e3o conhecer Cristo &#8211; facto que a Madre Teresa de Calcut\u00e1 considera &#8220;a primeira pobreza dos povos&#8221;, e da qual n\u00e3o se livra nenhum canto da terra. (Zenit.org)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Apresenta-nos tamb\u00e9m sementes de vida, verdade e amor, muitas vezes silenciosas, que as pessoas de boa vontade cultivam em todos os cantos, construindo o Reino de Deus; oferece o que tem de melhor para a Igreja realizar a miss\u00e3o que lhe foi confiada, como as modernas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, a progressiva humaniza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais e educativas. Proporciona-nos espa\u00e7os para o exerc\u00edcio da cidadania c\u00edvica, da interven\u00e7\u00e3o construtiva, da participa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, da pr\u00e1tica da liberdade religiosa. H\u00e1, por isso, motivos s\u00e9rios para a alegria e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso refor\u00e7ar energias e fortalecer o sentido de fraternidade entre todos os homens de modo a unirem esfor\u00e7os e promoverem o desenvolvimento, o amor e a solidariedade. A grande mensagem de esperan\u00e7a \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo! Mensagem que milh\u00f5es de homens e mulheres de boa vontade anunciam, sem descanso pelo mundo, bem como a Igreja, o Santo Padre e os crist\u00e3os que se esfor\u00e7am por viver a s\u00e9rio o Evangelho. (Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje &#8211; \u00e9 um facto incontroverso &#8211; os lobys fazem sentir a sua for\u00e7a e procuram condicionar as decis\u00f5es de quem governa e os programas de quem pretende educar ou in\/formar. Estamos a passar por uma fase de desconstru\u00e7\u00e3o do ser humano, anulando a sua originalidade de ser masculino e feminino, de se identificar como pai e como m\u00e3e, de ter uma fam\u00edlia estruturada e convivial, de cada pessoa saber quem \u00e9, donde vem e para onde vai. O horizonte de vida parece ser o bem-estar, a vida boa, o culto do ego, o gozar o momento feliz, a hora que foge. <i>( Sobrinho que diz ao tio: Vivo \u00e0 hora! Tinha acabado uma noite de orgia e o tio sugeria-lhe que n\u00e3o fizesse nada de que tivesse de se arrepender no futuro).<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Movimento, fiel \u00e0 sua estrat\u00e9gia de sempre, sente o imperativo de \u201ctrabalhar\u201d com l\u00edderes, de os habilitar para viverem o fundamental crist\u00e3o nos seus ambientes, de lhes proporcionar espa\u00e7os de partilha e ajuda m\u00fatua, de revigorar as suas for\u00e7as an\u00edmicas e espirituais para serem v\u00e9rtebras do novo organismo social que espelha a harmonia do seu conjunto, a beleza da fun\u00e7\u00e3o de cada parte e a maravilha da conviv\u00eancia entre todos, alicer\u00e7ada na justi\u00e7a e no amor.<\/p>\n<p>\u201cA mensagem e a experi\u00eancia de Cristo s\u00e3o o maior dom que existe. A partir dessa experi\u00eancia fundadora tudo pode advir: a paz, a justi\u00e7a, o amor, o crescimento humano e espiritual das pessoas e de sociedades inteiras.\u201d (Zenit.org).<\/p>\n<p>\u201cTemos caminho andado, alegria vivida, entusiasmo sentido e vontade de caminhar\u201d Ganhamos dinamismos que devem permanecer e continuar\u201d, garante D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos. A hora \u00e9 de esperan\u00e7a e de forte apelo \u00e0 interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Movimento em toda a sua mensagem, especialmente o rolho do ideal crist\u00e3o, disp\u00f5e de uma boa \u201cferramenta\u201d para propor a vis\u00e3o integral do ser humano, de valorizar cada parte, sem abdicar da harmonia do conjunto, de afirmar claramente a identidade do masculino e do feminino, do pai e da m\u00e3e, do nome pr\u00f3prio de cada filho\/a, de viver em fam\u00edlia estruturada em torno \u00e0 diversidade de fun\u00e7\u00f5es convergentes na comunh\u00e3o de afectos e de projectos. Deve por isso ter em conta o apelo feito pelos bispos portugueses em recente Instru\u00e7\u00e3o Pastoral e procurar resposta v\u00e1lida \u00e0 \u201cideologia do g\u00e9nero\u201d. (14 de Novembro de 2013).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, ficam indicados alguns desafios ao Movimento que brotam da situa\u00e7\u00e3o vivida na Igreja e na sociedade. Oxal\u00e1 tenhamos a coragem de os enfrentar com ousadia e de prosseguir com determina\u00e7\u00e3o na descoberta e identifica\u00e7\u00e3o de outros para sermos fi\u00e9is ao carisma original do Movimento. Assim refor\u00e7aremos a nossa fun\u00e7\u00e3o na Igreja diocesana na etapa nova da evangeliza\u00e7\u00e3o decorrente da feliz Miss\u00e3o Jubilar.<\/p>\n<p>Com o Papa Francisco devemos reconhecer que a Igreja tem necessidade de um olhar solid\u00e1rio para contemplar, comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necess\u00e1rias.&#8221; (EG, n\u00ba 169). E, com alegria confiante, rezamos com o nosso Bispo: \u201cMaria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, fazei-nos, nesta hora jubilar, mensageiros das bem-aventuran\u00e7as, ap\u00f3stolos do Evangelho e construtores de uma sociedade justa e fraterna\u201d. (in boletim Encontro, n\u00ba 58 Nov 2013, p. 3). Por isso, Irm\u00e3os, celebramos as bodas de ouro do MCC em Aveiro. Vivemos as festas jubilares com um programa rico, diversificado e assertivo. Esta \u00e9 a nossa hora. Agora \u00e9 a vez. Vamos remar forte na vida.<\/p>\n<p>De colores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georgino Rocha (Pde) &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Introdu\u00e7\u00e3o O projecto da Miss\u00e3o Jubilar acabou com celebra\u00e7\u00f5es festivas nos dias oito e onze de dezembro, dias em que celebr\u00e1mos a Miss\u00e3o e a Mem\u00f3ria da feliz restaura\u00e7\u00e3o. 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