Uma questão de atenção

Modos de interação entre ciência e religião

Uma Questão de atenção

Miguel Oliveira Panão

O relacionamento com Deus é um aspecto fundamental da vida de qualquer cristão. Certo? Bom, por mais que concordemos com esta afirmação, será essa a forma como a vivemos? No outro dia quando fui à missa numa cidade (sim, aparentemente isto acontece mais vezes em ambientes urbanos) assisti a algo que me deixou profundamente perplexo.

Pessoas ajoelhadas a consultar o seu Smartphone, ou fazê-lo em diversas partes da Eucaristia. Que idade pensas que tinham? Jovens? Nem por isso. Era pessoas bem mais velhas do que eu. Há alguma coisa que não está bem e este debate devia ser feito no âmbito cristão.

Os dispositivos electrónicos são um avanço científico e cultural excelente, mas como qualquer avanço requer um período de amadurecimento no seu uso. Só temo pelos estragos que isso possa causar e o impacte que esses podem ter no período de recuperação.

A razão de consultarmos sistematicamente o telemóvel é uma necessidade estupefaciente de dopamina, o neurotransmissor da sensação de prazer e realização. Por esse motivo questiono se as pessoas que consultam o Smartphone durante a missa sentem ainda algum prazer em estar com Deus em comunidade e realização no seu caminho de santidade.

Sujeitamo-nos a uma distracção sistemática que gradualmente influi sobre a nossa capacidade de nos mantermos concentrados durante uma homilia, conferência, ou aula. Vivemos com a sensação de estar conectados por responder a uma mensagem de WhatsApp durante a Consagração, sem nos apercebermos que realmente nos isolamos, e desviamos o coração dos momentos profundos que acontecem à nossa volta.

Cuidado.

É tudo uma questão de recuperar o bem evolutivo precioso da nossa atenção. Está na altura de fazermos um exame de consciência e pensar se um Smartphone na missa, sem estar em modo de voo, não nos impede de escutar aquela voz interior de Deus que nos fala e quer fazer em nós grandes coisas.

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