Uma Questão de Amor

Modos de interação entre ciência e religião

Uma Questão de Amor

Miguel Oliveira Panão

Próximos do dia 14 de fevereiro, o nosso olhar em quase todo o mundo volta-se para o amor. O dia dos namorados é o dia de celebrar o amor, mesmo se o amor devia ser celebrado todos os dias. Mas o que entendemos mesmo por… amor?

Paixão? Sim, mas pode esmorecer.

Sentimento? Sim, mas esse pode mudar.

Decisão? Sem dúvida, mas por vezes não depende apenas de nós.

Haverá alguma forma de entender o amor que seja universal?

Pensemos nesta proposta: amor = dom-de-si-mesmo.

Quem ama dá sem nada esperar em troca, mas quando amamos no dom total de nós mesmos, isso deveria despertar em quem amamos o desejo de amar também assim. Por exemplo, a um sorriso genuíno somos incapazes de não sorrir genuinamente em tom de reciprocidade. Ou seja, o amor com dom gera a reciprocidade desse dom.

Mas, para ser realmente universal, não pode somente ser vivido entre nós, ou com Deus, mas estender-se a toda a criação. Aí, sim, há amor agápico. Total, incondicional e universal.

E a melhor de amar a natureza é procurar estabelecer um relacionamento de comunhão com ela. O desafio está em vê-la como sujeito. A reflexão que o Papa Francisco fez elucida.

“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. (…) A vida é boa quando está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa”.

Tudo na natureza é dom. E se somos pessoa na medida em que amamos e somos dom também, ver a natureza como sujeito está na medida que a acolhemos como dom e somos dom para essa estudando-a para entender cada vez melhor o impacte que as nossas decisões têm sobre os ecossistemas; ou contemplando-a para que façamos cada vez mais e melhor uma experiência da presença de Deus que através da sua beleza não cessa de nos dizer “amo-te imensamente”.

Questão: fizeste alguma vez uma experiência de amor de Deus pela contemplação da natureza?

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