Por Detrás da Bíblia IX – Inscrições Reais da Assíria 11

POR DETRÁS DA BÍBLIA IX

Assíria – Inscrições Reais

Pe. Júlio Franclim do Couto e Pacheco

Leia, aqui, as inscrições reais da Assíria 11

 – INTRODUÇÃO –

                Tal como a história real mesopotâmica com as suas inscrições é importante para compreender e confirmar a história do povo hebreu, sobretudo em relação ao reino de Judá, igualmente reportamos um conjunto de inscrições reais da Assíria que interessam à nossa secção «Por detrás da Bíblia».

Historicamente, a inscrição mais antiga da Assíria pertence a Zarriqum, que reinou entre 2050 e 2042 a.C.. Mas apenas nos interessam os reis contemporâneos da monarquia israelita. No entanto, logo por coincidência, não foram encontradas até agora inscrições de vários deles: Assur-rabi II (1012972 a.C.), Assur-resh-ishi II (971967 a.C.), Tiglatpileser II (966935 a.C.) cujo reinado coincidiu com Saul, David e a maior parte do reinado de Salomão. A primeira inscrição deste período pertence a Assur-dan II (934–912 a.C.) praticamente à época da divisão das 12 tribos em dois reinos: Reino do Norte ou de Israel (10 tribos) e Reino de Judá, que acontece após a morte de Salomão em 933 a.C..

Para além dos factos que confirmam e completam as informações históricas bíblicas, sobretudo do Reino do Norte, vale a pena ler com atenção os textos porque neles encontramos narrações de crueldade habituais na época para com os povos e exércitos vencidos, o costume de deslocalizar populações inteiras, expressões comuns à literatura bíblica e a confirmação dum dado bíblico: o Dilúvio. Certamente, como em todas as zonas do mundo, na zona da Assíria deve ter havido muitos «dilúvios» em maior ou menor escala. Mas diversas inscrições reais, quando se referem à devastação feita pelo rei numa região usam a expressão: «fiz dela um monte de ruínas como o Dilúvio».

A última inscrição encontrada pertence a Assurbanipal, último grande rei da Assíria, que reinou entre 668 e 627 a.C., contemporâneo do Rei Josias (640-609 a.C.). A cidade de Nínive, a bela cidade capital da Assíria, cairia em 612 a.C..