Por detrás da Bíblia II – Mesopotâmia

Mitos da Mesopotâmia 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16

Pe. Júlio Franclim do Couto e Pacheco

(Leia, no final desta introdução, 
alguns dos principais mitos mesopotâmicos)

Mesopotâmia – Origens

O povo de Israel, estabelecido na terra de Canaan, estava certamente ao corrente do material cosmogónico da riquíssima literatura mitológica do antigo oriente semita. É igualmente certo que as concepções cosmológicas testemunhadas no texto bíblico não eram substancialmente uma criação da mente científica de Israel, mas sim um património comum do antigo Próximo Oriente que a arqueologia e o estudo das línguas antigas deram a conhecer. O contrário teria sido anormal.

Os mitos sobre as origens do mundo e da humanidade da zona da Mesopotâmia (= «Entre os rios» Tigre e Eufrates), chegados até nós, são fruto de três civilizações sucessivas: suméria, acádica e babilónica, com um arco de tempo muito anterior ao séc. XX a.C. até ao séc. V a.C..

A assimilação dos dados mitológicos anteriores à formação do povo de Israel só foi possível quando este povo passou duma monolatria (culto único) a um monoteísmo absoluto, isto é, quando passou a olhar o seu Deus Yahweh não apenas como o Deus das tribos de Israel, dentro das suas fronteiras, mas como Deus universal. Daí a conclusão: não foram os outros «deuses» que estiveram nas origens de tudo mas sim o Deus de Israel.

O confronto entre a cosmogonia bíblica e as cosmogonias do antigo oriente é vantajosa por dois motivos: mostra que a cosmogonia bíblica se insere nas tradições cosmogónicas e cosmológicas do antigo oriente, e demonstra que, por outra parte, as transcende sob o aspecto doutrinal. A cosmogonia bíblica é devedora ao antigo oriente pelo seu «quadro», mas de nenhum modo pela doutrina. A doutrina, que representa a alma da narração, não pode ser senão o fruto duma revelação divina.

Nesta secção intitulada «Mesopotâmia – Origens» apresenta-se uma série de textos que representam várias leituras mitológicas da criação do mundo, da criação da humanidade, do Jardim terrestre, da árvore da Vida, do dilúvio, da idade dos patriarcas, etc..

Não é possível qualquer analogia entre o politeísmo exuberante de tais cosmogonias e o monoteísmo absoluto da tradição bíblica. O Deus da Bíblia é uno, eterno, preexistente, transcendente, pacífico, omnipotente, capaz de criar tudo só com o comando da sua palavra, dominador de todos os elementos.

Contudo, existem elementos comuns na sua essência que vale a pena reter nos textos a nós chegados. Como exemplo, é evidente a diferença que os mitos apresentam entre os animais e a humanidade. Esta é sempre explicada como tendo origem num elemento terreno e a intervenção de algum deus.

Os textos bíblicos sobre as origens, confrontados com os textos mesopotâmicos anteriores, contemporâneos ou posteriores, apresentam-se com um nível inesperado, tendo em conta o facto de surgir a partir dum pequeno povo face às grandes civilizações que apenas tinha uma diferença: a fé num Deus único. E é esta fé e a revelação dum Deus único que estabelece a grandiosidade do texto bíblico face aos outros.

Mitos mesopotâmicos 1 – Enûma Elish 

Mitos mesopotâmicos 2 – Criação do Homem

Mitos mesopotâmicos 3 – Epopeia de Atrahasis

Mitos mesopotâmicos 4 – Epopeia de Gilgamesh

Mitos mesopotâmicos 5 – O «Génesis» de Eridu

Mitos mesopotâmicos 6 – Épico do Paraíso

Mitos Mesopotâmicos 7 – Mito de Enki e Ninhursag

Mitos Mesopotâmicos 8 – Adapa e o alimento da Vida

Mitos Mesopotâmicos 9 – Mito de Enki e Ninmah 

Mitos Mesopotâmicos 10 – Origens: O gado e a semente

Mitos Mesopotâmicos 11 – Origens: Mito de Emesh e Enten

Mitos Mesopotâmicos 12 – Origens: Enki e a ordem do mundo

Mitos Mesopotâmicos 13 – Origens: Mito de Dumuzi e Enkimdu

Mitos Mesopotâmicos 14 – Origens: A árvore Huluppu

Mitos Mesopotâmicos 15 – Origens: Enmerkar e o Senhor de Aratta

Mitos Mesopotâmicos 16 – Origens: Lista Real Suméria