Padre Arménio – Músico. A sua relação com os órgãos de Aveiro [6]

No 20.º aniversário da Morte do Pe. Arménio

Padre Arménio – Músico. A sua relação com os órgãos de Aveiro [6]

Domingos Peixoto
  1. A recuperação do órgão da Igreja da Vera Cruz

          No fresco início da sua vida pastoral, o recém-nomeado coadjutor do pároco da Vera Cruz (Outubro de 1957)  sente como uma prioridade o arranjo do órgão da igreja. Esta vontade contagiante faz com que, aproveitando o processo do restauro da igreja, de imediato nele se inclua a recuperação do velho instrumento setecentista, oriundo do antigo Convento da Madre de Deus, de Sá. Assim, logo no princípio de 1958, é feito o contacto com os organeiros. A correspondência oficial é dirigida ao Pároco (Pe. Manuel Fernandes), mas as questões técnicas são acordadas directamente com o Pe. Arménio. A título de exemplo:

“Exmo. Sr. Pe. Arménio […] Recebi uma carta de V. Rev.ª. à qual passo a responder. Se a dificuldade é do pagamento, isso é um caso que se resolve da melhor maneira; por causa disso não é que o órgão fica por arranjar. Logo que passe a Páscoa, vou aí para combinarmos […] Sem mais, recomendações ao Sr. Prior e a V. Rev.ª. José Rodrigues”[1].

            A primeira fase consistiu em fazer uma limpeza geral, e uma reparação sumária, bem como construir um fole com ventilador eléctrico, que pusesse a funcionar um instrumento parado há cerca de 50 anos[2]. Terminado este trabalho, fez-se a inauguração solene em 14 de Novembro de 1958. O convite reza assim:

“A Comissão das obras de restauro da Igreja Paroquial da Vera Cruz tem a honra de convidar V. Ex.ª e Exma. Família a assistir ao concerto de órgão que o Rev. Dr. Manuel de Faria, professor de música, compositor e organista, vem expressamente de Braga a Aveiro dar, no próximo dia 14, sexta-feira, pelas 21.30 h. Será precedido duma conferência, proferida pelo mesmo professor, sobre a função do órgão na liturgia. A esta festa de inauguração do órgão deste templo, agora restaurado e ampliado, dignar-se-á assistir Sua Ex.ª  Reverendíssima o Sr. D. Domingos da Apresentação Fernandes. Aveiro, 10 de Novembro de 1958.

Nota: O produto das dádivas será em benefício das obras de reparação do órgão”[3].

            Note-se a preocupação pedagógica desta inauguração, assinalada não apenas com um concerto[4], mas também com uma conferência sobre a função do órgão na liturgia, para a qual é convidada a pessoa mais prestigiada e competente, formada pelo Pontifício Instituto de Música Sacra (Roma), que fora professor do Pe. Arménio em Braga.

[1] APVC – Pasta do restauro do órgão, Carta de 1958.03.20.

[2] Uma carta de Joaquim Rodrigues para a família, com data de 8 de Julho, refere que permaneceriam em Aveiro até cerca do dia 20 desse mês.

[3] APVC – Pasta do restauro do órgão.

[4] O programa foi constituído por obras de Georg Andreas [Sorge] (1703-1778), J. Pachelbel (1653-1706), J. S. Bach (1685-1750)  e César Franck (1822-1890).

 

(Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aveiro-Igreja.JPG)