Oratório Peregrino | 15 | «O diálogo é exercício de amizade»

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


XV Passo | «O diálogo é exercício de amizade»

 

EDUCAÇÃO PARA O DIÁLOGO

 

Depois do olhar e da escuta chega o momento do diálogo. Orar é responder. Falar depois de ter escutado, com a segurança que dá a certeza da presença e o amor do olhar.

O diálogo flui então com simplicidade, com palavras que nascem espontâneas do coração, conscientes de que Aquele que nos ama está atento ao que dizemos. Este falar pode ser sem ruído de palavras, sem orações compostas. Devemos aprender esta forma de relacionamento falando com Ele, pedindo-Lhe ajuda em nossas necessidades, queixando-nos a Ele dos nossos trabalhos, alegrando-nos com Ele nos nossos contentos, etc…

O diálogo é exercício de amizade que cresce ao ser comunicada e esfria com a falta de relação. “É o não tratar com uma pessoa que causa estranheza… parentesco e amizade perdem-se com a falta de comunicação” (C 26, 9).

Vamos falar com Jesus ao Pai

Vamos deixar que Jesus reze ao Pai por nós. Que nos apresente ao Pai e nos ame com Aquele amor que o Pai o amou a Ele.

Jesus antes tinha dito: «Ninguém pode vir a mim, se meu pai que está no céu não o trouxer». Agora diz: «Pai, dei-te a conhecer aos que me deste». O Pai deu-nos a Jesus e nós somos Dele.

Mas como é que Ele nos revela o Pai? Um dia Filipe pede a Jesus para ver o Pai: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.»  A Filipe Jesus responde: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces? A nós Jesus abre-nos o seu coração e deixa-nos entrar na sua intimidade com o Pai: «Pai, dei-lhes as palavras que me deste. Eles receberam-nas e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste.» A nós Jesus dá-nos as palavras do Pai e depois convida-nos a deixar-nos amar pelo Pai, com umas atitudes concretas: receber a sua Palavra, reconhecer que Jesus, que nos diz a Palavra, vem do Pai e acreditar que o Pai o enviou.

Jesus diz-nos que é por estes que aceitam o desafio de receber a Palavra e reconhecer que o Pai o enviou que Ele reza. Estes saíram do coração do Pai para o Coração do Filho. Nós saímos do Coração do Pai que nos confiou ao Filho e agora volta a entregar-nos ao Pai. Olhando mais adentro sentimo-nos a fazer parte daquele amor com que desde sempre o Pai amou o Filho e com que nos destinou a ser manifestação da glória do Filho. Desde sempre fazemos parte do mistério do amor de entrega mútua que existe entre o Pai e o Filho. «Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu.» Nós somos manifestação da glória deste amor.

«Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos! (…) Digo isto para que eles tenham em si a plenitude da minha alegria.»

Normalmente quando amamos alguém, que realmente é importante para nós, guardamo-lo no coração. Jesus faz isso mesmo. Ele é consciente de que já não está junto dos discípulos, junto de nós, então atreve-se a pedir ao Pai para que nos guarde na intimidade da relação que existe entre os dois, de tal forma que sejamos um, como Ele é um com o Pai. Isto é, que alcancemos o mesmo grau de unidade que Ele tem com o Pai. E é muito bonito escutarmos a sua última palavra com os ouvidos do nosso coração e da nossa alma, porque nos envolve no carinho divino e enche de alegria, aquele sentimento mais autêntico que Ele veio trazer à terra com o seu nascimento – «Digo isto, para que tenham em si a plenitude da minha alegria».

O que Jesus pede ao Pai é que estejamos sempre com o Pai e com Ele, porque isto é para nós fonte de alegria.

Porém Jesus sabe que não basta estar é necessário ser inteiramente de Deus e para isto existe apenas um meio, a Verdade, a Verdade que é a Palavra do Pai, a Verdade que é Ele. E é isto que Ele pede ao Pai: «Pai, faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra.»

A Verdade da Palavra só a escutamos no mais profundo de nós mesmos e ela é em si mesma fonte de um novo nascimento. Não sabemos de onde vem nem para onde vai, mas sabemos que nos põe diante de Deus, na sua presença, desde o nosso interior. Jesus sabe que à verdade da Palavra só se chega com a graça e por isso, Ele apresenta-se diante do Pai a interceder por nós, entregando-se por nós, para que cheguemos a ser inteiramente de Deus. «Pai, por eles eu entrego-me, para que eles sejam inteiramente teus.»

E nós vamos cheio de confiança ao trono da graça, porque o amor de Jesus por nós é tão grande que não permite que nada nos separe d’Ele, pelo contrário une-nos a Ele e n’Ele com o Pai – «Pai, que Eu esteja neles e Tu em mim».

«Rogo por eles»

O amor de Jesus é fonte de vida, por ele realiza-se a vitória sobre a morte. É fonte de santidade, nele é vencido o pecado que é o grande adversário da santidade no coração de cada um de nós.

Jesus que, estando as portas fechadas, entra no cenáculo e diz aos Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados (Jo 20,23). Dizendo isto mostra-lhes as mãos e o lado, nos quais estão visíveis os sinais da Crucifixão. Mostra o lado, o lugar do Coração trespassado pela lança do centurião.

Jesus quer mostrar-nos o Seu Coração. Ao mostrar o lado aos Apóstolos, Jesus convida-os a voltar ao Coração, que é ‘propiciação’ pelos pecados do mundo. Ao chamar os apóstolos chama-nos também a nós.

O poder da remissão dos pecados, o poder da vitória sobre o mal que se esconde no coração do homem, encerra-se na Paixão e na morte de Cristo Redentor. Um sinal particular deste poder redentor é o Coração.

A Paixão de Cristo e a sua Morte apoderam-se de todo o seu corpo. Completam-se por meio de todas as chagas, que Ele recebeu durante a Paixão. Completam-se sobretudo no Coração, pois o coração agonizava ao definhar todo o corpo. O Coração consumia-se ao ritmo do sofrimento de todas as chagas.

Neste despojamento, o Coração ardia de amor. Uma chama viva de amor consumiu o coração de Jesus na Cruz. Este amor do Coração foi a força de amor pelos nossos pecados. Ele superou e supera sempre todo o mal contido no pecado, todo o afastamento de Deus, toda a rebeldia da livre vontade humana, todo o mau uso da liberdade criada, que se opõe a Deus e à sua santidade.

O amor que consumiu o Coração de Jesus – o amor que causou a morte do seu Coração – era e é uma força invencível. Mediante o amor do Coração divino, a morte ganhou a vitória sobre o pecado. Tornou-se fonte de vida e santidade.

O próprio Senhor conhece até ao fundo este mistério redentor do seu Coração. Quando diz aos Apóstolos: Recebei o Espírito Santo para a remissão dos pecados, Ele dá testemunho daquele Coração que intercede pelos pecados do mundo.

O Senhor convida-nos a voltar ao seu coração e a encontrar no coração divino a santidade que nos liberta do peso do pecado, nos dá a alegria e a vida.

Oração:

Tive desejos de ser feliz

Procurei a felicidade por todos os lados.

Mas o meu coração só descansou em Deus.

Conquistei a felicidade para sempre.

Deus é todo amor.

Cheguei a possuir o Todo.

Todo um Deus é meu.

Nele encontro tudo.

Ele ama-me e cobre-me com a sua misericórdia.

Nele está a fonte da graça.

Tudo o que vejo leva-me a Deus

Fora de Deus não há felicidade possível.

É uma paz e uma alegria imensa em que me encontro.

Deus é alegria infinita.


Imagem de 진혁 최 por Pixabay